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CrossFit: o que acontece no seu corpo antes, durante e depois do treino

Quando começou a receber praticantes de CrossFit em seu consultório, José Wilson Ribas não sabia ao certo com o que estava lidando. De forma geral, as consultas com o Dr. Ribas – especialista em medicina esportiva com experiência em áreas como nutrologia e ortomolecular – visavam um acompanhamento médico mais frequente, na busca de melhores performances.

Curioso, Ribas aceitou um convite de um paciente e se lançou para dento de um box de CrossFit aberto havia pouco tempo em Brasília (DF). Àquela altura, o boom da prática no Brasil estava começando. “Na primeira aula eu só me preocupei em sobreviver”, diverte-se Ribas. “Mas aquilo me instigou, e decidi investigar mais a fundo”, comenta sobre a experiência de quatro anos atrás.

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Desde então, ele tem se dedicado a um campo ainda bastante vasto no País: aliar teoria e prática para decifrar melhor os benefícios e os riscos do CrossFit. Em paralelo a isso, Ribas segue praticando até hoje e, inclusive, gerencia seu próprio box desde 2017.

O médico também montou uma equipe multidisciplinar (com fisiologia, psicologia, fisioterapia e demais especialidades em saúde) que tem se debruçado em cima do assunto diariamente. Seu approach vai muito além dos elogios óbvios de quem pegou gosto pela prática e traz parte do sustento disso.

Estudos pioneiros no Brasil liderados por ele, e baseados no trabalho coletivo de sua clínica, a Reviv, estão agora em fase final. Dente os principais focos das pesquisas, Ribas quer começar a responder perguntas importantes que vão desde as zonas de treino específicas da modalidade até a relação entre envelhecimento, prática esportiva e saúde.

Acumulando dados de iniciantes a atletas de elite, ele tem notado vários aspectos comuns, como um relevante (e rápido) ganho de massa muscular e a redução significativa de taxa de gordura. Além disso, medições corporais de crossfiteiros tendem a ser mais simétricas e proporcionais em comparação a adeptos mais assíduos de outas modalidades.

Junto de sua equipe da Reviv, Ribas dividiu as mais recentes vivências com a SUPER, que agregou informações de dezenas de outros trabalhos para mostrar, a seguir, o que acontece no organismo de quem embarca no CrossFit.

O raio x do treino

Isto tudo está acontecendo (mesmo sem você ver)

1. A chegada no box

Crossfit

(Macrovector/iStock)

Antes mesmo de começar a treinar para valer, seu organismo já está em plena atividade. A excitação gerada por algo intenso (e ainda desconhecido) nos coloca em prontidão. É o que a ciência chama há décadas de estado de atenção, algo semelhante a uma urgente fuga ou necessidade de luta, herança de nossos ancestrais.

Dá-se início à preparação funcional do corpo, com destaque para os mecanismos ligados ao aumento da capacidade de consumo de oxigênio. Em paralelo a isso, há outros processos químicos e psíquicos mais complexos a pleno vapor.

Acontece que, ao se exercitar, estimula-se a produção de substâncias como a endorfina (ligada tanto à sensação de satisfação como à redução de dores), algo que nosso organismo se aprimora a fazer com o tempo, chegando ao ponto de desejá-la. É um estímulo bem-vindo, mas cuidado!

Em um estudo de 2016 divulgado no fórum online Addictive Behaviors Report, registrou-se 5% de dependência de exercícios em um grupo de cerca de 600 praticantes de CrossFit. Ao liberar endorfina ou apenas lembrar-se de quão bem você se sentiu após um duríssimo esforço recentemente, o sistema límbico – parte do cérebro responsável, dentre outras coisas, pela regulação de comportamentos e emoções – é ativado.

É uma ajuda e tanto, ainda que relativamente traiçoeira. Se bem usada, vai te ajudar muito nas próximas horas. Caso contrário, pode se tornar o seu algoz, criando comparações indesejadas e te desviando do foco atual.

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2. Aqueça os motores

Sua temperatura corporal começa a se elevar, o que explica a transpiração e a consequente perda de eletrólitos (minerais como sódio, potássio e magnésio que atuam como reguladores internos por meio da corrente sanguínea), em um processo natural e importante chamado de termogênese.

Em resumo, seu organismo está tentando oferecer energia para as células de forma mais eficiente. Ele decide o que é essencial nessa hora. E adivinhe quem ele escolhe? Cérebro e coração, falando de forma geral. Como o volume de sangue e a capacidade de transporte de oxigênio não podem diminuir nessas áreas, são preteridas funções de estômago e intestino, por exemplo. É neste momento que se aumenta tamb´m a dilatação dos vasos dos músculos.

Isso tudo explica por que é fundamental pegar leve nos primeiros minutos. Acelerar logo de cara costuma ser um erro imperdoável. Você ainda não tem sangue (e oxigênio) disponível suficientemente nos membros exigidos.

Seu sistema nervoso precisa de um pouco de tempo para compilar toda essa informação e fazer a “máquina” funcionar. Até lá, apertar o ritmo demais significa sofrer mais tarde, ou cedo demais.

3. Capriche na técnica

Crossfit

(Macrovector/iStock)

É comum na rotina dos coaches de CrossFit separar um pedaço da aula para enfatizar movimentos específcos. Enquanto grande parte do organismo está trabalhando na ativação da síntese proteica (um mecanismo engenhoso que garante todo o combustível do treino e é responsável pela evolução das capacidades fisiológicas), seu cérebro atua na conexão entre foco e concentração com os repertórios de gestos exigidos naquele dia. Essa “preparação neural” vale ouro. Melhores movimentos significam eficiência, permitindo economia de energia.

4. Hora do WOD (oba!)

O momento mais esperado (ou temido) do treino certamente é o que mais exige do organismo como um todo. É uma verdadeira explosão interna: músculos passam por microrrupturas e inícios de processos infamatórios, e seu corpo produz mais lactato (composto fruto da exigência energética).

Seu organismo está oscilando entre três sistemas energéticos disponíveis: aeróbico, anaeróbico lático e anaeróbico alático (o ATP-CP) – também se usa a nomenclatura oxidativo, glicolítico e fosfagênio. Eles são divididos justamente pela forma como transformam compostos disponíveis em energia.

O aumento da frequência cardíaca e da velocidade respiratória, só para citar dois momentos fáceis de visualizar, mostram bem como seu corpo está tentando de tudo para atender a demanda. A falta de ar que nós sentimos não quer dizer exatamente que falta oxigênio, mas sim que o organismo não tem capacidade de transportá-lo com tanta eficácia para aquela exigência.

Em exercícios mais explosivos, quando força e velocidade são extremamente exigidos, o organismo aciona os sistemas energéticos de rápida resposta e curta duração (o segundo e o terceiro da lista acima), que não dependem, inclusive, do oxigênio.

Isso ajuda a explicar por que em 12 semanas de intensos WODs um grupo de crossfiteiros analisado pela Universidade de Wroclaw, na Polônia, apresentou aumento na produção de uma proteína que estimula o processo de formação de novos neurônios no cérebro. O mesmo trabalho também registrou melhoras em composição corporal e capacidade cardiovascular, fruto desses exigentes “treinos do dia”.

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5. Fim de treino

Crossfit

(Macrovector/iStock)

Seus membros relaxam, mas seu sistema nervoso continua estimulando neurotransmissores hormonais – destaque para a liberação de GH, o hormônio de crescimento, serotonina, testosterona e o cortisol – que estimulam a redução de danos e dores, e explica a mistura de alívio com a sensação de euforia.

Nas próximas horas, há um trabalho intenso de reparação muscular sendo feito. Esse processo pede fluxo de oxigênio – o tempo exato dessa recuperação depende da intensidade do exercício e da sua condição atual, ou seja, podem ser horas ou dias.

Outras alterações estão rolando, caso do aumento do número e tamanho das mitocôndrias e da reserva de glicogênio muscular, ambas ligadas à tal qualidade na geração de energia.

O equilíbrio desses índices internos (principalmente a relação entre testosterona e cortisol) está ligado diretamente ao chamado overtraining, quando a pessoa desrespeita o tempo necessário para se recuperar e entra em um estado perigoso, causado pelo excesso de estímulos.

6. O milagre da recuperação

Lembra do sacrifício do WOD? É hora da recompensa! Silenciosamente, seu corpo evolui na arte de queimar combustível (glicose ou gordura, por exemplo), o que vai te ajudar bastante em esforços futuros.

Em termos menos técnicos, suas células se tornam mais capazes de extrair oxigênio da corrente sanguínea, ao mesmo tempo em que aprimoram o caminho de acesso de fontes energéticas primordiais para contrações musculares. Essa agilidade maior no acesso e uso produz mais energia para se exercitar.

Uma frequência de estímulos bem feitos também colabora no sentido de metabolizar melhor os hormônios do corpo – e isso se reflete em ganhos para várias áreas da saúde, não apenas na prática esportiva em si. Nesse aspecto, a qualidade do descanso, sobretudo no período de sono, entra como protagonista.

A parte boa da história é que os próprios estímulos físicos regulares, como comprovam estudos, colaboram e muito nesse processo. É exatamente aí que entra o conceito de descanso ativo. Em linhas gerais, trata-se da ideia de equilibrar intensidade com recuperação sem deixar o corpo exatamente parado nos dias mais leves (esqueça hibernar no Netflix).

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Se isso estiver bem alinhado com alimentação e descanso, o organismo vai conseguir manter em ótimo funcionamento todos esses mecanismos citados nas fases anteriores. Esse raciocínio ilustra uma máxima do treinamento. A de que não é exatamente no ato dos exercícios que o corpo evolui, mas na recuperação.

Bônus: sua liberação intensa de substâncias como endorfina do dia anterior já acabou. Ao se movimentar de novo, pode-se dar início a um novo ciclo, gerando mais benefícios, desde que bem dosados.

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Filmes com mulheres protagonistas atraem mais público (e dinheiro)

Holywood parece estar mudando – e para melhor. Na última quarta-feira (12), uma pesquisa divulgada pela agência Creative Artists mostrou que filmes com mulheres em papéis principais atraem mais público (e, consequentemente, mais dinheiro).

O estudo analisou as 350 maiores bilheterias de 2014 a 2017. Desse total, 105 foram categorizadas como produções com protagonistas femininas, contra 245 estreladas por homens. O método de classificação foi observar se o nome das atrizes aparecia logo no início dos materiais de divulgação dos filmes.

Os longas foram em divididos em blocos, de acordo com o orçamento de cada um. Depois, foi feita uma média com a quantia arrecadada de cada produção, e os filmes com mulheres protagonistas foram comparados aos que não têm elas nos papéis principais.

Veja uma parte dos resultados no gráfico abaixo:

(Arte/Reprodução)

Teste de Bechdel

O que Mulher-Maravilha, os novos Star WarsJogos Vorazes e até A Bela e a Fera têm em comum? Além do desempenho nas bilheterias, todos passaram no Teste Bechdel.

A gente explica: ele serve para avaliar se um filme faz bom uso dos personagens femininos. Foi criado em 1985 pela cartunista Allison Bechdel, como forma de ironizar a representação das mulheres em Hollywood.

Basicamente, um filme precisa seguir três regras:

1. Deve haver ao menos duas personagens mulheres.

2. Elas precisam conversar entre si no mínimo uma vez.

3. O papo não pode ser sobre homens.

O site bechdeltest.com mantém uma lista dos lançamentos dos últimos anos e aplica o teste neles. Por mais simples que pareça, boa parte dos longas não passam.

A pesquisa do Creative Artists também mostrou que filmes aprovados no Teste de Bechdel se saem melhor nas bilheterias. De 2014 a 2017, onze longas ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão e, apesar de alguns não serem protagonizados por mulheres, todos passaram no teste.

Para entender se esse é um fenômeno recente, o levantamento voltou até 2012 – e o cenário se repete: todas as produções que alcançaram mais de US$ 1 bilhão cumpriram os requisitos do teste. O último filme do gênero reprovado foi O Hobbit: Uma Jornada Inesperada.

Quando o assunto é representatividade e empoderamento, todo mundo sai ganhando.

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Descoberto fóssil quase completo de “leão marsupial” extinto

Ornitorrincos, coalas comedores de veneno, falcões vândalos e incendiários, um canguru musculoso chamado Roger, uma água viva com toxina suficiente para matar 60 pessoas e uma cobra que cobre o recorde e leva 100 com uma dentada só.

A Austrália não é para biólogos iniciantes – 30 milhões de anos de isolamento geográfico transformaram o misto de ilha e continente em um parque de diversões darwinista. 85% das plantas com flores, 84% dos mamíferos, 45% das aves e 89% dos peixes costeiros que existem lá só existem lá – e em mais lugar nenhum.

A lista acaba de ganhar mais um membro. Ainda que emérito. Rod Wells, especialista em vombates da Universidade Flinders, montou o primeiro esqueleto completo de um marsupial carnívoro de nome científico Thylacoleo carnifex, que foi extinto há 30 mil anos – muito, muito tempo antes da chegada dos primeiros naturalistas europeus, no século 18.

Na verdade, uma hipótese bem aceita é que ele tenha desaparecido graças às mudanças de habitat impostas pela chegada dos primeiros seres humanos à Austrália, há cerca de 40 mil anos. 

O animal, com 1,5 m de comprimento e mais de 100 kg, tinha todas as características exóticas dos marsupiais contemporâneos. A principal delas, uma bolsa abdominal para carregar os filhotes – que nascem com a aparência de um feto, de tão prematuros. É a bolsa, inclusive, que dá nome ao grupo: “marsúpio” vem do grego mársippos, que significa “bolsa”.

(Roderick T. Wells / Aaron B. Camens/Reprodução)

Apesar disso, ele não se parecia em nada com o canguru – um herbívoro razoavelmente pacífico. Era mais próximo do famoso diabo-da-Tasmânia, o carnívoro pequeno e nervosinho que inspirou o personagem Taz. O carnifex era um caçador barra-pesada, no topo da cadeia alimentar. Atarracado feito um buldogue, tinha mandíbula forte e garras retráteis.

Embora sua anatomia não fosse boa para correr – uma das principais descobertas de Wells é que a coluna lombar do bicho era pouco flexível –, ele provavelmente era bom em armar emboscadas, subir em árvores e capturar animais maiores. Seu rabo, espesso e forte, era usado para formar um tripé com as patas traseiras, que o ajudava a se equilibrar ao estilo bípede quando os membros anteriores estavam sendo usados para outras funções.

O carnifex foi descrito pela primeira vez em 1859 pelo famoso naturalista britânico Richard Owen, graças a um crânio e fragmentos de mandíbula encontrados no lago Colongulac, na província de Vitória, no sul da Austrália. Ele o descreveu como “uma das mais temíveis e destrutivas das bestas predatórias”. 

O nome científico Thylacoleo reflete a descrição: é uma espécie de trocadilho entre o grego thylakos, que também significa “bolsa” ou “saco”, e leo, que significa, naturalmente, “leão”. Ou seja: leão com saco.   

Bem-vindo então, leão com saco, ao hall de esquisitices australianas. Qualquer dia a gente te vê no museu.

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Estudo identifica novo fator genético determinante para acne

Sabonetes específicos, cremes caros, antibióticos: quem sofre com lesões graves de acne recorre a essas “armas” com frequência. E, para muitos, o problema pode até melhorar, mas nunca vai se solucionar totalmente.

Espinhas profundas não vêm apenas da alimentação – elas têm como origem uma predisposição genética. Para entender melhor isso, cientistas europeus do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde (NIHR) realizaram um grande estudo e descobriram que a resposta está nas características dos folículos pilosos, de onde nascem os pelos.

Em algumas pessoas, eles podem tornar a pele mais propensa a abrigar bactérias. Isso cria as condições perfeitas para a acne – e para as lesões mais severas. O estudo, publicado na Nature Communications, analisou 26.722 indivíduos, dos quais 5.602 tinham acne grave.

A equipe identificou 15 regiões do genoma humano ligadas a esse problema, sendo que 12 nunca haviam sido relacionadas a essa condição. Nessas áreas os experts identificaram variantes que influenciam justamente na formação de pelos. Uma delas é a WNT10A, ligada à displasia ectodérmica, doença que torna os fios mais finos e esparsos, além de outras anormalidades de unhas, dentes, pele e glândulas.

“Essas variantes podem indicar caminhos para a criação de novos medicamentos ou tratamentos que realmente ajudariam os pacientes”, disse Michael Simpson, que participou da pesquisa. E isso é um alívio para quem sofre com acne grave.

Atualmente, o tratamento mais comum para esse quadro é à base de retinoides, principalmente a isotretinoína – o princípio ativo do remédio Roacutan. O foco dele é impedir a oleosidade excessiva da pele, mas seu consumo acaba causando diversos efeitos colaterais, como ressecamento agressivo dos lábios, dor na cabeça e até problemas psicológicos.

Os estudiosos europeus esperam que a nova descoberta ajude a desenvolver terapias com menos efeitos colaterais. Adolescentes na puberdade e adultos com predisposição agradecem.

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Respostas

(Yasmin Ayumi/Superinteressante)

1) O avô do meu amigo é mais jovem que o pai dele. Como isso é possível? 

Resposta: O avô é o pai da mãe do seu amigo.

(Yasmin Ayumi/Superinteressante)

2) 61, 52, 63, 94, 46… Qual é o próximo número dessa sequência?

Resposta: É o 18. A sequência apresenta os quadrados dos números 4, 5, 6 7 e 8, ou seja, 16, 25, 36, 49 e 64, mas com os dígitos invertidos. O número seguinte, então, é o quadrado de 9 (81), só que invertido: 18.

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O Oscar 2019 pode não ter nenhum apresentador

Pela primeira vez em 30 anos, a cerimônia do Oscar pode não ter um apresentador. Isso porque o ator e comediante Kevin Hart anunciou no último dia 6 que não estará mais no comando do show em 2019.

A notícia veio dois dias após Hart confirmar a sua participação na edição do ano que vem. O motivo para a desistência? Uma polêmica em torno do ator, depois que usuários do Twitter resgataram postagens antigas nas quais ele faz piadas homofóbicas.

De acordo com um vídeo de Hart publicado no Instagram, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que organiza o Oscar, ligou exigindo que ele fosse a público pedir desculpas pelas mensagens. No entanto, o comediante preferiu não atender ao pedido e desistir da apresentação.

Hart afirmou que desistiu do cargo para não “ser uma distração” na noite de premiação e pediu desculpas à comunidade LGBT pelo seu comportamento no passado. No entanto, ele recusou a ordem da Academia pois, segundo ele, o caso já havia voltado à tona diversas vezes, e que não gostaria de falar sobre ele novamente.

Sem apresentador?

Apesar da polêmica, a maior parte dos americanos concordou com a decisão de Hart. Uma pesquisa feita pela Morning Consult e pelo portal The Hollywood Reporter feita com 2202 pessoas mostrou que 44% dos entrevistados acham que essa foi a melhor saída, contra 26% que acham que ele não agiu da melhor maneira.

A enquete abordou o tema das publicações antigas em redes sociais, e se elas afetam ou não na formação de opinião sobre políticos, artistas e demais celebridades. Mas uma questão ainda permanece aberta: quem será o apresentador do Oscar do ano que vem?

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Existem algumas opções, e a primeira delas é simples: nenhum. De acordo com a revista Variety, um dos planos da Academia é fazer com que um monte de celebridades se revezem e apresentem o show, assim como o programa de esquetes Saturday Night Live.

Não é a primeira vez que isso acontece. O Oscar, que acontece desde 1929, já ficou sem nenhum apresentador em 5 ocasiões: 1939, 1969, 1970, 1971 e 1989. Nessa última vez, casais de Hollywood e artistas da mesma família foram escolhidos para apresentar as categorias do prêmio.

Onde está Billy Crystal?

Outra saída seria chamar alguém que já apresentou o Oscar anteriormente, e não faltam opções para isso, já que a lista de apresentadores que comandaram a premiação mais de uma vez é grande.

Bob Hope é o recordista nesse quesito. De 1940 a 1978, o comediante, morto em 2003, participou de 19 cerimônias. Em segundo lugar, está o ator Billy Crystal (o Mike de Monstros S.A.), que apresentou nove Oscars – a última vez foi em 2012.

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Pode ser também que role uma apresentação em dupla, ou até em grupo. Em 2010 e 2011, quem apresentou o Oscar foram, respectivamente, as duplas de atores Alec Baldwin e Steve Martin e James Franco e Anne Hathaway. Grupos com mais pessoas também não são algo incomum na história do prêmio. Em 1958 e 1959, houve o número recorde de 6 apresentadores.

Problemas de audiência

Segundo a Variety, uma opção pode ser convidar apresentadores da TV americana de talk-shows e programas de variedade. Isso é uma prática comum no Oscar desde os anos 1970 e, recentemente, nomes como Jimmy Kimmel, Ellen DeGeneres e Jon Stewart estiveram à frente da apresentação.

No entanto, escolher uma aposta segura como essa pode ser perigoso. A Academia está em busca de renovação após registrar esse ano a pior audiência do Oscar.

Foram 26,5 milhões de espectadores – em comparação, mais de 57 milhões de pessoas assistiram à vitória de Titanic em 1998.

O evento está mais curto, há mais candidatos para o troféu de Melhor Filme e até uma nova categoria chegou a ser proposta, em agosto. Resta saber se um novo apresentador (ou a ausência dele) vão ajudar a recuperar o público. A 91ª edição do Oscar acontece dia 24 de fevereiro.

 

via Superinteressante

Foguete de Elon Musk leva ceia e peru de Natal para a Estação Espacial

Peru defumado, bolo de frutas, molho de cranberry, cookies, 40 ratos de laboratório, 36 mil minhocas e duas toneladas de equipamento. Era esse o conteúdo do módulo de carga Dragon, que chegou à Estação Espacial Internacional (ISS) à bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX no último dia 8 – levando a ceia de Natal e outros itens do dia a dia de cientista na órbita da Terra.

De acordo com a revista Time, a missão atrasou um dia para que a comida dos ratinhos fosse substituída – infelizmente, o lote original estava mofado. Quanto as minhocas, elas são úteis para estudar como a musculatura humana reage a longas permanências no espaço.

O lançamento ocorreu no Kennedy Space Center, em Cabo Canaveral, na Flórida. Os foguetes da SpaceX são famosos por pousarem quando retornam das missões – depois, são reaproveitados para novos lançamentos, uma tecnologia que só a empresa de Elon Musk domina. Pena que o truque, desta vez, não deu certo: na volta, o Falcon 9 errou o local de aterrissagem e caiu no Atlântico. Ninguém se feriu.

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Não importa: a ida foi um sucesso. O geofísico alemão Alexander Gerst, atual comandante da ISS, operou o braço robótico com garra usado para pescar e acoplar o módulo Dragon à estrutura principal. Ele só precisou de três tentativas. Considerando que tudo ocorreu a 340 quilômetros de altitude, rápido o suficiente dar uma volta na Terra a cada 90 minutos, até que não houve grandes percalços. O conteúdo da cápsula, até onde se sabe, chegou intacto.

O site Futurism garante que os cookies foram despachados com glacê, mas que os astronautas serão responsáveis por adicioná-lo na guloseima. Decorar um biscoito em baixa gravidade está na lista de coisas que deveriam ser transmitidas ao vivo no Especial de Natal da Globo.

Três astronautas recém-saídos da Terra desembarcaram na ISS dois dias antes da chegada do rango. Vão ficar mal acostumados com o cardápio. Eles se somaram a outro trio, que já estava lá há seis meses. No momento, a tripulação consiste em dois americanos, dois russos, um canadense e o já mencionado alemão. Os três veteranos deverão voltar em 20 de dezembro, e estarão na Terra a tempo de comer a ceia em casa. Bem, por que comer peru uma vez se você pode comer duas, certo?

 

 

 

via Superinteressante

O caso da mulher que bebeu 1L de shoyu por causa de um “detox”

Não é preciso ser nenhum gênio ou analista para acreditar, com bastante certeza, que beber litros de molho shoyu faz mal à saúde. Se você juntar lé com cré, vai presumir isso sozinho. Outras dietas e detox milagrosos da internet são tão absurdas quanto essa ideia – não fazem sentido nenhum e, mesmo assim, acabam seguidas por milhares de pessoas. No caso do shoyu, alguém teve que sofrer consequências graves para que as pessoas se lembrassem do óbvio: detox não funciona.

O caso

O incidente com o molho de soja foi relatado em um canal do Youtube chamado Chubbyemu – onde, desde 2015, um médico americano relata alguns dos casos mais impressionantes que ele ou colegas próximos já atenderam (sem, é claro, revelar a identidade do paciente).

De acordo com o doutor, uma mulher de 39 anos – chamada de “CG” – chegou a um pronto-socorro no Distrito Médico de Illinois tendo alucinações. Todos os indícios apontavam para uma deterioração da função cognitiva – ou seja, um problema no cérebro.

O marido dela, Julio, estava apavorado, pois, na ambulância, CG teve de ser ressuscitada após uma parada cardíaca. Durante a conversa com os médicos, Julio confessou que a esposa havia consumido um litro de molho shoyu naquele dia.

CG estava fazendo uma dieta e tinha lido na internet que tomar molho de soja iria retirar todas as toxinas de seu corpo. A “técnica” exigia que ela resistisse à tentação de beber água para que o detox funcionasse. CG era, possivelmente, ainda mais vulnerável a essa tipo de boato – ela, segundo o marido, tinha sido previamente diagnosticada com esquizofrenia paranoide, que exigiu até uma internação hospitalar. Sua dedicação à dieta era aparentemente intensa: a paciente perdera 11 kg em três semanas.

O problema é que, depois de tomar shoyu aos goles, CG começou a sentir o coração bater mais rápido. Segundo o médico, CG parou de falar inteligivelmente, depois perdeu a consciência. Seu marido, desesperado, chamou uma ambulância e, no caminho para o hospital, houve o episódio da parada cardíaca. Já no pronto-socorro, os médicos afirmaram que GC estava com hipernatremia aguda (excesso de sódio no sangue) .

A paciente foi tratada ingerindo uma solução a 5% de dextrose (água com açúcar), o procedimento padrão em casos de hipernatremia. Mas o caso era grave: os médicos constataram que ela possuía 5 vezes sal do sangue do que a dose considerada letal, que é de 40 gramas.

Após o tratamento com dextrose, CG começou a melhorar, mas não conseguia ficar consciente de forma estável. Ela só teria recuperado a consciência, de fato, três dias depois de sua chegada ao hospital. Mas aí apareceram as sequelas: CG não conseguia mover seus membros e mostrou dificuldade para falar e engolir.

Diagnóstico: mielinólise pontina central, um tipo de lesão nervosa extensa no tronco encefálico. O cérebro da paciente ainda funcionava, mas não podia enviar normalmente impulsos nervosos ao resto de seu corpo, o que provocou danos irreparáveis. Ela não faleceu, mas hoje vive com disartria, disfagia e tetraplegia.

As razões químicas

Depois de ler essa tragédia, você pode estar curioso: o que exatamente acontece no organismo quando ingerimos grandes quantidades de sal?

Bem, para explicar isso, vamos voltar aos boatos que a paciente leu. Eles diziam que molho de soja contém muito sal (o que é verdade), e que, em grandes quantidades, as “toxinas” em seu corpo seriam “puxadas” pelo sal, e ficariam grudadas nele até sua eliminação. Quimicamente, isso não faz sentido nenhum.

A água no nosso corpo está numa concentração de sal a 0.9%, o que podemos chamar de isotônico. O molho de soja é 20% sal. Após ingerir 1 litro de shoyu, o sangue de CG virou uma solução extremamente concentrada. Daí, a água das células, tecidos e órgãos do corpo sairam de onde estavam e foram para o sangue, para tentar diluir essa solução e resolver o problema. Mas, os órgãos dependem dessa água para seu funcionamento normal – principalmente alguns mega sensíveis e irrigados, como o cérebro. Essa osmose forçada pode ser letal para o organismo.

O tratamento com dextrose que CG recebeu fez com que os tecidos automaticamente absorvessem água, uma osmose reversa. Mas já era tarde demais. O dano causado pela contração cerebral (à medida que os vasos sanguíneos no cérebro começam a se comprimir uns contra outros pela saída de água) geraram consequências irreversíveis.

Shoyu é sal

O molho shoyu foi inventado pelos chineses para conservar alimentos. Uma função primordial desenvolvida por um de seus principais componentes: o sal.

O molho de soja é preparado com grãos de soja fermentados com trigo ou cevada na salmoura. Também é usado como condimento, para dar um sabor especial a uma enorme variedade de pratos, devido ao seu sabor forte. Mas seu consumo deve ser moderado – e, em alguns casos, mantido aos menores níveis possíveis, principalmente para pessoas com problemas de pressão alta.

Beber molho shoyu puro não tira toxinas nem emagrece – mas pode, sim, matar. CG teve sorte. Em 2011, o periódico Journal of Forensic and Legal Medicine noticiou o caso de uma japonesa de 55 anos que se suicidou bebendo uma garrafa de molho de shoyu.

Por fim, vale lembrar que seu corpo não precisa de ajuda externa para eliminar toxinas. Ele é especialista nisso. E qualquer tentativa de “forçar” esse processo tem dois problemas: no mínimo, ela só não faz sentido algum. E, no máximo, pode levar você a óbito.

via Superinteressante

Voyager 2 é o segundo objeto da humanidade a alcançar espaço interestelar

A sonda Voyager 2, lançada em agosto de 1977, se tornou em 5 de novembro o segundo objeto construído por seres humanos a alcançar o espaço interestelar.

O anúncio foi feito pela Nasa na última segunda (10). Esse é só o mais recente da gorda lista de feitos heróicos da sonda: na década de 1980, ela visitou Saturno, Júpiter, Urano e Netuno – esse combo de planetas gigantes é inédito –, coletando um montanha de dados científicos.

Embora sua fonte de energia – um gerador que extrai eletricidade do decaimento de elementos radioativos – já esteja fraca, ela ainda tem diversos instrumentos que seguem funcionam. Já são 41 anos sozinha no vácuo do espaço e 17,9 bilhões de quilômetros percorridos.

De carro, a 120 quilômetros por hora, você levaria 17 mil anos para fazer a mesma coisa. Teria que ter começado a viagem na pré-história.





Ainda bem que a Voyager 2 está ligeiramente mais rápido: são 15 mil quilômetros por segundo. Dá para ir de São Paulo a Lisboa em 30 segundos, ora pois. É bom lembrar que esse pique todo é pura inércia: a Voyager não tem motores que a mantenham acelerada. Toda sua velocidade provém da maneira como ela interagiu com a gravidade dos planetas que visitou ao longo do trajeto.

Seria bem mais fácil escrever o título desta nota se pudéssemos dizer que a Voyager 2 saiu do Sistema Solar. Mas como tudo na astronomia, não é tão simples assim.

Acontece que o Sol é algo massivo. Realmente massivo. 99,8% da massa do Sistema Solar corresponde a ele. Todo o resto, inclusive o gordinho Júpiter, está nos 0,2% restantes. A gravidade do Sol é tão intensa que há objetos 63 mil vezes mais distantes do que a Terra e o Sol que continuam sendo atraídos por ele. Ou seja: desse ponto de vista, a sonda não saiu completamente da zona de influência gravitacional do Sol – e não vai sair tão cedo.

Mas há outra maneira de determinar o que é ou não domínio do Sol: algo chamado heliosfera. O Sol tem um campo magnético muito intenso, e emite partículas com carga elétrica que seguem o traçado deste campo – da mesma maneira que a limalha de ferro se organiza de forma característica em torno de um ímã. Veja uma boa ilustração dessa ducha de partículas no GIF abaixo.

Conforme um objeto como a Voyager se afasta do Sol, a chuva de partículas fica cada vez mais suave. No lugar delas, a sonda passa a ser atingida majoritariamente por raios cósmicos, provenientes de outros lugares da Via Láctea. O momento em que essa transição acontece marca a saída da heliosfera e a entrada no espaço interestelar. O gráfico abaixo, fornecido pela Nasa, mostra o momento exato. A linha de cima representa os raios cósmicos, a de baixo, os ventos solares.

Para um cientista, o fato mais relevante do gráfico acima é que ele existe: quando a Voyager 1 – a primeira sonda a alcançar o espaço interestelar, em 2016 – cruzou a fronteira da heliosfera, o instrumento que deveria analisar esse chuveiro de partículas estava quebrado. Ela nunca pode coletar dados assim. O PSE (Plasma Science Experiment) da Voyager 2, por outro lado, está funcionando direitinho, o que fornecerá aos cientistas informações inéditas sobre como são os limites da nossa vizinhança cósmica.

As Voyagers 1 e 2 foram lançadas em 1977 com um intervalo de alguns dias. Ambas carregam discos folheados a ouro com sons, imagens e informações sobre a Terra e os terráqueos – só no caso de algum alienígena tropeçar em uma das duas daqui uns 40 mil anos. Para uma civilização extraterrestre, descobrir que houve vida inteligente no Sistema Solar seria, sem dúvida, uma revolução cultural e científica.

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Andy Serkis: “A relação de Mogli com os animais é mais visceral”

Se você pretende assistir a Mogli: Entre Dois Mundos, que estreou na Netflix na última sexta (7), aqui vai um aviso: não espere por cantorias nem animais simpáticos. O filme, que conta com nomes como Christian Bale, Cate Blanchett e Benedict Cumberbatch no elenco, é uma versão mais sombria do que as adaptações da Disney.

O britânico Andy Serkis, famoso pelos seus personagens de captura de movimento, como Gollum de O Senhor dos Anéis e César de Planeta dos Macacos, é o diretor do longa e também interpreta o urso Baloo. Ele veio ao Brasil para a Comic-Con Experience (CCXP), que aconteceu entre 6 e 9 de dezembro, além de participar de uma coletiva para jornalistas, na qual contou detalhes sobre a produção do filme.

Versão “dark” 

A história de Mogli vem de “Os Livros da Selva”, livro escrito em 1894 por Rudyard Kipling, e se tornou famosa com a versão em desenho animado em 1967 feita pela Disney. Em 2016, o estúdio fez uma versão em live-action da animação, assim como vinha fazendo com outros clássicos como Cinderela A Bela e a Fera.

“Quando eu soube que a Disney ia fazer uma nova versão, eu não fiquei preocupado, pois sabia que seriam visões diferentes”, disse Serkis. E com razão: No Mogli da Netflix há sangue, drama e personagens complexos. “Eu quis que a relação entre Mogli e os animais fosse mais real e visceral”.

Segundo Serkis, o roteiro estava pronto desde 2013. Originalmente, ele seria lançado nos cinemas pela Warner, mas em julho deste ano, o estúdio vendeu os direitos de distribuição para a Netflix. “A Warner sabia dos riscos, já que a versão da Disney havia estreado apenas dois anos antes. Acho que foi uma boa saída para que o filme seja visto pelas pessoas”, disse o diretor.

Os dois mundos de Mogli

O enredo do filme segue a mesma base das produções anteriores, e não será difícil resgatá-lo da memória: após o tigre Shere Khan (Benedict Cumberbatch) assassinar seus pais, Mogli (Rohan Chand), um bebê recém-nascido, é salvo pela pantera negra Bagheera (Christian Bale) e passa a ser criado por uma alcateia de lobos.

A principal diferença está na abordagem. A selva é retratada como um lugar hostil, e os próprios personagens constantemente brigam entre si, revelando camadas mais profundas de complexidade. Além disso, há o conflito do personagem principal entre o seu lado humano e animal.

“A ideia foi retratar alguém que vivesse dividido em duas culturas”. O diretor afirma que se identifica com isso, já que ele mesmo, quando criança, viveu algo parecido: seu pai era árabe e sua mãe, britânica.

Serkis também falou sobre a atualidade da história de Mogli. “Acho que [o livro] permanece contemporâneo. Temos muitas pessoas marginalizadas e que se sentem deslocadas, não só culturalmente, mas fisicamente também, como no caso dos refugiados.” E completa: “As pessoas passam mais tempo pensando no que nos distancia do que nas coisas que nos aproximam”.

Captura de movimento

O filme teve cenas rodadas na África do Sul, onde a produção construiu a aldeia em que Mogli entra em contato com outros humanos. “Por questões de orçamento, nós não pudemos gravar na Índia. Mas filmamos na região de Durban, que concentra a maior população de indianos vivendo fora do país”.

Mas a maior parte de Mogli: Entre Dois Mundos é, de fato, a captura de movimento, tecnologia pela qual Serkis ficou conhecido. Ele conta que, quando o elenco se reuniu, os demais atores o perguntaram se havia algum segredo para atuar dessa maneira.

“Você estuda os animais que vai interpretar, seu comportamento e porte físico, assiste documentários, mas não pode ser uma observação genérica”. Para Serkis, o mais importante é entender o que aquele personagem sente, qual o seu propósito e as suas motivações. “No fim das contas, você está criando um personagem como qualquer outro. A tecnologia é só um caminho”. E brinca: “É como maquiagem, só que ao invés do trivial há uma série de pontos na sua cara e câmeras capturando seu movimento em 360o“.

De acordo com o diretor, o maior desafio foi fazer com que o design dos personagens refletisse a interpretação dos atores na medida certa. “Não poderia ficar humano demais, mas se fosse muito parecido com os animais também ficaria estranho”. Por sorte, o filme passou um ano e meio na pós-produção, e o resultado final atendeu às expectativas do diretor. “Eu não quis gravar a maior parte do filme com cenas em ângulos abertos, mas com close-ups nos rostos, para aumentar a carga dramática”.

Próximos projetos

Quando perguntado sobre as diferenças entre lançar um filme via streaming ou pela forma tradicional, Serkis enxerga um futuro em que ambos os formatos coexistirão em harmonia. “As pessoas não estão indo ao cinema com a mesma frequência. No futuro, acredito que haverá espaço tanto para quem quer ter a experiência na tela grande, quanto para quem quer ficar em casa porque é mais confortável ou mais barato”.

Serkis e a Netflix estão trabalhando juntos para fazer uma adaptação em captura de movimento da obra A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Mas não espere por uma versão totalmente literal. “Com esse longa, queremos responder a pergunta: ‘Se Orwell escrevesse o livro hoje, quais temas ou alvos políticos ele abordaria?’”. E quando perguntado sobre uma outra história clássica sobre a qual gostaria de fazer uma versão “dark”, o diretor foi direto ao ponto: O Corcunda de Notre-Dame.

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