Então mel vai substituir antibióticos para tosse?

Então mel vai substituir antibióticos para tosse?

Não é bem assim.

access_time

17 out 2018, 19h15

chat_bubble_outline

more_horiz

 (Traffic_Analyzer (bandeira) / Natasha_55 (favo)/iStock)

A notícia

Autoridades britânicas recomendam mel (e não antibióticos) contra a tosse

O que ela dizia

Que o Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Atendimento  do Reino Unido estaria recomendando a substituição de antibióticos por mel no tratamento de infecções de garganta. O objetivo seria evitar que a população desenvolva resistência a esses medicamentos.

Qual é a verdade

A recomendação era bem menos revolucionária. Dizia apenas que o mel e outros remédios liberados sem receita, como analgésicos para reduzir a dor, devem ser a primeira resposta aos sintomas. A ideia é que eles sejam usados pelos primeiros dias de tosse e dor de garganta – até que seja possível diagnosticar se a doença é viral (contra a qual antibióticos são inúteis) ou, de fato, bacteriana. Nesse segundo caso, o médico não vai escrever “mel” na receita. É antibiótico mesmo. Inclusive nas terras britânicas.


Tudo sobre

via Superinteressante

Quem é Mike Godwin e o que é a “Lei de Godwin”?

 (Say Mony / Voice of America/Reprodução)

Em tempos de eleições presidenciais, você provavelmente tem visto (ou participado) de discussões nas redes sociais diariamente. A troca de “elogios” começa leve: “esquerda” e “direita”, “coxinha” e “petralha”. Conforme a conversa vai crescendo, outros termos começam a surgir: “comunista”, “fascista” e… “Nazista”.

Que atire a primeira pedra quem nunca viu tal tipo de acusação no Facebook ou no Twitter. Nas últimas semanas, com a proximidade do segundo turno, a liderança do candidato Jair Bolsonaro (PSL) e o recente elogio dado a ele pelo ex-líder do grupo racista Ku Klux Klan (KKK), a ideologia associada ao partido de Adolph Hitler, voltou a estar em alta no debate popular.

Enquanto você tenta explicar para o seu amigo virtual a verdadeira natureza do movimento (direita ou esquerda), saiba a última sobre o assunto: na última terça (16), o advogado norte-americano norte-americano Mike Godwin, respondendo a um comentário em um tuíte seu demonstrando apoio à campanha #EleNão, disse que não vê problemas de chamar Bolsonaro de nazista. Mas quem é o Godwin, e porque raios foram pedir “autorização” para ele no Twitter?

Lei de Godwin

Godwin ficou conhecido por ter criado, em 1990, a tal Lei de Godwin.

É uma máxima pseudomatemática, que diz o seguinte: “à medida que uma discussão online continua, a probabilidade de uma referência ou comparação a Hitler ou nazistas tende a 100%”. Existe até um gráfico (que claro, é mais meme do que gráfico):

O advogado, membro sênior de um instituto de pesquisa política libertário de Washington, desenvolveu a teoria em uma época em que os primeiros fóruns de discussão estavam surgindo na internet. Por incrível que pareça, eles já eram parecidos com o que vemos hoje. Em uma discussão progressivamente acalorada, conforme o pessoal ia perdendo argumentos, as referências ao nazismo e à Hitler (sempre associados à posição do opositor, é claro), iam aparecendo.

Hoje, a lei que leva o seu nome se tornou famosa e é citada quando se fala em críticas, xingamentos e discursos de ódio nas rede – o fenômeno conhecido como o rage.

De acordo com Godwin, o objetivo da Lei de Godwin é ajudar quem está participando (ou assistindo) uma discussão interminável a estabelecer um limite. Invocar a Lei de Godwin serve para, quando alguém fizesse uma comparação ou citação à Hitler ou ao nazismo, deixar bem claro que a conversa já tinha se desgastado do máximo, e não havia mais argumentos possíveis de serem feitos.

A repercussão do tuíte sobre o Brasil

Na terça (16), Godwin publicou uma foto em apoio à campanha #EleNão, que é contra Jair Bolsonaro. Desde então, o advogado vem respondendo a uma série de tuítes brasileiros – e em português. Alguns deles o parabenizam pelo posicionamento. Já outros são duras críticas à ele.

Godwin é conhecido por atuar em áreas como liberdade de expressão na internet, políticas de tecnologia e direitos globais relacionados à isso. Nos EUA, ele já atuou como conselheiro geral da Wikimedia Foundation, fundação voltada à difusão do conhecimento gratuito (à qual a Wikipédia faz parte).

Em um de seus últimos tuítes, ele elogiou o Marco Civil da Internet, a lei brasileira que regulamenta o uso da rede no país e que virou referência para projetos mundo afora.

Apesar de ter criado a “Lei de Godwin”, ele não gosta quando as pessoas o classificam como uma espécie de “árbitro” para definir se a comparação de alguém com um nazista é justa. Em uma entrevista ao jornal Washington PostGodwin disse que prefere opinar quanto ao uso equivocado da lei do que propriamente afirmar que uma provável associação esteja correta, salvo em casos raros.

Além do caso recente de Bolsonaro, Godwin se manifestou em outro acontecimento recente: no ano passado, ele também considerou correto associar os manifestantes de Charlottesville, nos EUA, aos nazistas, por conta das crenças supremacistas que eles defendiam.

Discussão ou ódio?

Não é de hoje que o ódio parece ter se instaurado na internet. Se você agora pensa duas vezes antes de abrir o feed do Twitter ou ler os comentários de algum post do Facebook, em 1996 alguém já tinha cantado essa bola.

O psicólogo norte-americano John Suler, ganhou fama por seus estudos que analisavam as diferenças entre o comportamento real e o virtual. Em 2004, ele publicou o artigo “O Efeito da Desinibição Online”, que introduz o conceito de “desinibição tóxica”.

Basicamente, isso se refere ao ato de encher a caixa de mensagens alheia (ou comentar em algum vídeo, foto, blog, etc..) insultos cheios de ódio que carregam, muitas vezes, discursos preconceituosos.

A opinião dos especialistas é que a internet permite que aspectos da personalidade que precisam permanecer escondidos no mundo real podem ser extravasados com o suposto anonimato que a internet proporciona. Seja qual for o resultado das eleições, é bem provável que atitudes como essa continuem a acontecer.

via Superinteressante

Na natureza, você pode ser bonito ou talentoso. Não os dois.

Quem vê a imponência de um pavão com sua cauda aberta nem imagina que seu canto não agrada nada aos ouvidos. E ele não é o único: no mundo dos pássaros, o equilíbrio fez a justiça reinar entre as espécies: você pode ser lindo de morrer. Esplendoroso. Ou então ser um Pavarotti com asas, afinadíssimo. Mas não os dois.

E isso está ligado ao que a biologia chama de “seleção sexual”. Essa seleção é um processo evolutivo que molda as características que os animais usam para atrair parceiros. Por exemplo: moscas de frutas fazem “danças” para atrair companhias sexuais. Já as aves são conhecidas por recorrerem a elaboradas canções OU penas chamativas em nome da reprodução. Só um OU o outro.

Essa exclusividade (o passarinho não poder ser bonito E cantar bem ao mesmo tempo) foi descoberta por um estudo da Universidade de Oxford, que analisou mais de 500 espécies de aves. Na pesquisa, para investigar quais espécies usam quais características, o pesquisador Christopher Cooney e seus colegas coletaram os cantos de 518 espécies, e compararam suas músicas com as cores de suas penas.

Veja também

Os resultados mostraram que os pássaros em que um sexo tem uma plumagem mais vistosa do que o outro – ou seja, quando a beleza é claramente um fator de atração sexual – a música que eles produzem não têm graça nenhuma. Suas canções tendem a ser menos interessantes e mais monótonas.

Já nas espécies em que os machos e as fêmeas têm uma plumagem mais parecida – ou seja, em que a beleza exterior importa menos, já que ninguém se destaca muito – os machos cantam de forma muito mais elaborada. O talento acaba sendo o critério principal para arranjar uma parceira – então as canções são mais longas em uma escala maior de notas musicais.

A razão pela qual a evolução das aves favorece um traço sobre o outro não é clara. Os cientistas acreditam que os pássaros que vivem em florestas densas com menor visibilidade dependam mais de suas músicas do que de cores para atraírem parceiros. Mas, por enquanto, nenhum estudo confirmou essa relação com o habitat.

Outra possibilidade é que que as características de atração de parceiros são complexas de se desenvolver, de modo que uma espécie tende a evoluir apenas uma. Tem lógica: uma vez que uma característica atrativa tenha começado a emergir, pode simplesmente ser inútil desenvolver uma outra.

No fim, parece que a vida amorosa dos pássaros tem um equilíbrio – e até uma certa justiça – bem maior que a dos humanos.

via Superinteressante

10 fotos microscópicas que mostram o mundo visto (bem) de perto

Microfotografia nada mais é que usar lentes poderosas para flagrar coisas que passam invisíveis até ao olhar mais atento. Células, micróbios, ou os detalhes da ponta da pata de um inseto, por exemplo, são pequenos demais para darem as caras longe de um microscópio, mas escondem uma beleza ímpar. E podem virar verdadeiras obras de arte se clicados do jeito certo.

Essa é a ideia do prêmio Small World, realizado anualmente pela fabricante de câmeras e filmes fotográficos Kodak. Em sua 44ª edição, o concurso premia registros de detalhes da natureza, feitos por cientistas e fotógrafos do mundo todo.

Tudo é possível graças ao auxílio de equipamentos superpotentes, como lentes especiais e técnicas como empilhamento de foco, reflexão de luz e fluorescência. A ideia é simular o efeito de um microscópio científico, sem precisar levar nada para o laboratório.

Os vencedores da edição 2018 foram divulgados no dia 11 de outubro. Participaram, ao todo, mais de 2.500 candidatos, de 89 países.

  • 1. Olheira fluorescente
    zoom_out_map

    <span>A foto do olho de um besouro Metapocyrtus subquadrulifer foi aproximada 20 vezes, a ponto de revelar suas olheiras recobertas por escamas cor de esmeralda.</span>

    1/10 A foto do olho de um besouro Metapocyrtus subquadrulifer foi aproximada 20 vezes, a ponto de revelar suas olheiras recobertas por escamas cor de esmeralda. (Cortesia Nikon Small World / Yousef Al Habshi/Reprodução)

  • 2. Close nos esporos
    zoom_out_map

    <span>Sabe aqueles pontinhos pretos nas folhas de uma samambaia? Eles se chamam soros. Os soros </span><span>da planta são formados por esporângios, que produzem e armazenam esporos – uma espécie de espermatozóide do reino vegetal.</span> A imagem que você vê mostram essas estruturas aproximadas 20 vezes.

    2/10 Sabe aqueles pontinhos pretos nas folhas de uma samambaia? Eles se chamam soros. Os soros da planta são formados por esporângios, que produzem e armazenam esporos – uma espécie de espermatozóide do reino vegetal. A imagem que você vê mostram essas estruturas aproximadas 20 vezes. (Cortesia Nikon Small World / Rogelio Moreno/Reprodução)

  • 3. Casa de bolhas
    zoom_out_map

    <span>Uma ninfa de Cercopoidea, tipo de </span><span>inseto hemíptero,</span><span> acomodada no interior de seu casulo de bolhas.</span><span></span>

    3/10 Uma ninfa de Cercopoidea, tipo de inseto hemíptero, acomodada no interior de seu casulo de bolhas. (Cortesia Nikon Small World / Saulius Gugis/Reprodução)

  • 4. Pavão misterioso
    zoom_out_map

    <span>O trecho das penas de um pavão macho foi clicado com um zoom de 5 vezes</span>.

    4/10 O trecho das penas de um pavão macho foi clicado com um zoom de 5 vezes. (Cortesia Nikon Small World / Can Tuncer/Reprodução)

  • 5. Pré-projeto de aranha
    zoom_out_map

    <span>Esta é a cara de um embrião de aranha-redondinha (Parasteatoda tepidariorum)</span><span></span>

    5/10 Esta é a cara de um embrião de aranha-redondinha (Parasteatoda tepidariorum) (Cortesia Nikon Small World / Tessa Montague/Reprodução)

  • 6. Olhe nos meus olhos
    zoom_out_map

    Você tem uma dessas no interior do globo ocular. A fóvea, região da retina onde se forma a imagem, aparece 40 vezes maior.

    6/10 Você tem uma dessas no interior do globo ocular. A fóvea, região da retina onde se forma a imagem, aparece 40 vezes maior. (Cortesia Nikon Small World / Hanen Khabou/Reprodução)

  • 7. Mosaico lacrimal
    zoom_out_map

    Não fique emocionado: o retrato de uma lágrima humana ampliado 4 vezes se parece com este tapetinho de banheiro estilizado – ou este logo de banda de death metal, como preferir.

    7/10 Não fique emocionado: o retrato de uma lágrima humana ampliado 4 vezes se parece com este tapetinho de banheiro estilizado – ou este logo de banda de death metal, como preferir. (Cortesia Nikon Small World / Norm Barker/Reprodução)

  • 8. Besouro fotogênico
    zoom_out_map

    Este belo sorriso pertence a um exemplar de Sternochetus mangiferae, tipo de besouro conhecido popularmente como gorgulho da semente de manga<em></em>

    8/10 Este belo sorriso pertence a um exemplar de Sternochetus mangiferae, tipo de besouro conhecido popularmente como gorgulho da semente de manga (Cortesia Nikon Small World / Pia Scanlon/Reprodução)

  • 9. Espiral do débito
    zoom_out_map

    Hologramas de segurança são aqueles adesivos prateados que brilham da cor do arco-iris e costumam vir estampados nas costas do cartão do banco. Se ampliados 10 vezes, têm essa cara aqui

    9/10 Hologramas de segurança são aqueles adesivos prateados que brilham da cor do arco-iris e costumam vir estampados nas costas do cartão do banco. Se ampliados 10 vezes, têm essa cara aqui (Cortesia Nikon Small World / Haris Antonopoulos/Reprodução)

  • 10. Cara de pólen
    zoom_out_map

    Zoom nos grãos de pólen de uma planta, vistos 3 vezes maiores que o normal

    10/10 Zoom nos grãos de pólen de uma planta, vistos 3 vezes maiores que o normal (Cortesia Nikon Small World / Csaba Pinter/Reprodução)

Quem levou o primeiro lugar (e o prêmio de US$ 3 mil) foi Yousef Al Habshi, dos Emirados Árabes, com um close do olho de um besouro. “Não é todo mundo que gosta de ver bichos pequenos, principalmente insetos. Pela micrografia, podemos encontrar um mundo completamente novo, que nunca havia sido visto antes”, disse Al Habshi ao site LiveScience.

Neste link, há uma lista de menções-honrosas, que expõe as fotografias de artistas que ficaram de fora do Top-20 mas também fizeram um trabalho de encher os olhos. Na galeria abaixo, a SUPER destacou as dez melhores, escolhidas por um júri de jornalistas e cientistas.

via Superinteressante

Duolingo oferece aulas para dois idiomas ameaçados de extinção

A língua é um dos maiores patrimônios de uma nação. Ela é considerada viva quando é usada por uma considerável quantidade de pessoas, o que faz com que ela se desenvolva e assimile mudanças com o passar do tempo — o velho exemplo do “vossa mercê” que virou “você” prova isso. Línguas mortas, como o latim, por exemplo, não sofrem modificações, são estáticas. Isso porque nenhum povo efetivamente usa esses idiomas para se comunicar no dia a dia.

Existem cerca de 7.500 idiomas distintos faladas em todo o mundo hoje, mas quase metade delas corre o risco de desaparecer. Essa ameaça existe justamente porque poucas pessoas as falam. Como aumentar a visibilidade desses dialetos, para que eles não morram? Marcando presença em serviços de aprendizado online.

Aplicativos de línguas estão se tornando grandes agentes de preservação para esses idiomas. O Duolingo, que possui mais de 300 milhões de usuários cadastrados, disponibilizou os dialetos navajo e havaiano. As duas línguas entraram na plataforma em 8 de outubro, o Dia dos Povos Indígenas nos EUA.

Veja também

Há alguns anos, o Duolingo começou a experimentar o uso da tecnologia para expandir a visibilidade de idiomas menos populares do mundo. Quando o app lançou seu curso de língua irlandesa, em 2014, havia apenas cerca de 100.000 falantes nativos de irlandês no planeta (a maioria dos irlandeses o tem como segunda língua, depois do inglês). Mas, hoje, cerca de 4 milhões de usuários da plataforma estão aprendendo esse idioma.

O navajo é falado por 150 mil pessoas, o que faz dele um dos maiores idiomas indígenas do mundo. Já a língua havaiana, Ōlelo hawai’i, tem cerca de mil falantes nativos, além de 8 mil pessoas que falam e entendem fluentemente. Ambas as línguas foram proibidas nas escolas americanas nos últimos séculos, o que contribuiu grandemente para o seu declínio.

Mas a Duolingo não é a única empresa que está tomando essa iniciativa. Há alguns anos, a Oxford University Press lançou um projeto chamado Oxford Global Languages, cujo foco é impulsionar idiomas “digitalmente sub-representados” — ou seja, aqueles que podem até ter muitos falantes, mas ainda possuem pouca relevância online. Sua equipe tem compilado e publicado dicionários digitais até para idiomas com muitos milhões de falantes, como hindi, malaio, indonésio e romeno.

Esses bons exemplos mostram como a tecnologia está sendo usada para preservar e reviver idiomas antigos. Afinal, preservar uma língua é manter viva boa parte da cultura de um povo.

via Superinteressante

Coca-Cola escreve “olá, morte” em cartaz na Nova Zelândia

O que você lê nessa imagem?

Se você não domina a língua maori, originária dos povos da Nova Zelândia, provavelmente não entendeu nada. Mas o pessoal de lá não captou muito bem o que a Coca-Cola quis dizer nesse anúncio em uma máquina de refrigerantes.

“Kia ora”, no idioma nativo do país, quer dizer algo como “olá”, “bom dia” ou “bem-vindo”, e é bastante usado pelas pessoas como saudação ou despedida. Até aí, tudo bem. O problema está na segunda parte da frase. “Mate” (que em inglês significa “colega”, companheiro”, o que daria uma ótima mistura de idiomas) é o mesmo que “morte” em maori.

De acordo com o site Quartzy, ainda é possível associar a palavra com “infortúnio”, “problema”, “calamidade” e “doença”.

O renascimento de uma língua

Equívocos publicitários à parte, o caso é interessante para mostrar como a língua maori tem crescido no país. Colonizada pelo Reino Unido, a Nova Zelândia proibia (e reprimia) a difusão do idioma local. Até o início do século 20, as escolas não podiam ensiná-lo.

Isso mudou a partir de 1984, quando o governo oficializou a língua e incentivou o seu uso. Em 2013, apenas 3,7% dos neozelandeses falavam maori. O esforço do país visa aumentar em breve essa quantia para 20%, com o plano de todas as escolas oferecerem o ensino do idioma até 2025.

Hoje, o maori está presente em toda a Nova Zelândia: de placas nas estradas a sinais na porta dos banheiros, dá até para usar o Google ou assistir a uma versão de Moana nessa língua. O filme da Disney, assim como a propaganda da Coca-Cola, são exemplos da expansão da cultura do povo maori mundo afora – ainda que de vez em quando ela não aconteça da melhor maneira.

via Superinteressante

Aquecimento global pode deixar a cerveja mais cara

Aquecimento global pode deixar a cerveja mais cara

Mudanças climáticas estão afetando produção de cevada no planeta

Por
Rafael Battaglia

access_time

16 out 2018, 18h00

chat_bubble_outline

more_horiz

Má notícia para os fãs de cerveja. Como se não bastasse a produção de vinhos estar ameaçada, as mudanças climáticas na Terra podem fazer uma nova vítima. Pois é: o cultivo da cevada, principal matéria-prima da bebida alcoólica mais consumida do mundo, pode diminuir com o aumento de calor e das secas extremas.

A previsão é de um estudo publicado na última segunda (15) na revista Nature Plants. Os pesquisadores analisaram quatro projeções diferentes do clima global, tendo como base os níveis atuais e esperados de emissões dos gases do efeito estufa. Em todos esses cenários, a produção de cevada abaixou.

De acordo com a pesquisa, a queda nesse rendimento pode variar de 3% a, em casos mais severos, 17% até 2099. Para se ter uma ideia do prejuízo, esse último caso representa aproximadamente o consumo inteiro, ao longo de um ano, dos EUA.

Ainda há (pouca) esperança

O estudo avaliou como a cevada seria afetada em diferentes partes do mundo. Na Argentina, o consumo poderá cair 32%. Na Irlanda, o preço da bebida poderá aumentar 193%. Sabe aquela garrafinha que você compra por R$ 4 no supermercado? Seria o mesmo que pagar quase R$ 12 por ela (e se você já costuma pagar esse preço no barzinho todo final de semana, já dá pra imaginar a facada).

No entanto, os pesquisadores afirmam que isso não acontecerá em todos os lugares. O estudo observou as regiões que já contam com produções de cevada atualmente. Segundo eles, há chances de que outros locais não sejam afetados ou, ainda, vejam um aumento no rendimento do produto.

Mesmo assim, é bom não se animar com o cenário dos próximos anos. A pesquisa não considera outros fatores que podem influenciar na produção de cerveja, como pragas e desastres naturais – problemas que tendem a aumentar com as mudanças climáticas.


Tudo sobre

via Superinteressante

Países que proíbem a palmada são melhores para o crescimento das crianças

Países que proíbem a palmada são melhores para o crescimento das crianças

Pesquisa afirma que jovens que crescem sem levar uns tapas dos pais viram adultos menos briguentos.

Por
Ingrid Luisa

access_time

16 out 2018, 17h40

 (Thamrongpat Theerathammakorn/EyeEm/Getty Images)

Já há alguns anos, a palmada tem sido contestada como uma medida educativa eficiente. Especialistas afirmam que a punição física só gera resultados momentâneos, podendo prejudicar na formação da criança. E, agora, um estudo liderado por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, comprova isso: países onde a palmada é proibida são lugares mais seguros para crianças crescerem.

Isso acontece por um motivo simples: jovens que crescem sem receberem palmadas batem menos. A pesquisa constatou que, nos países que proíbem castigos físicos, as brigas entre jovens são muito menores do que naqueles que permitem. O estudo, inclusive, levou à renovação de pedidos, no Canadá, de que sejam proibidas tais práticas dentro de casa.

“A associação [das palmadas] com problemas acadêmicos e de saúde mental entre crianças que têm essa experiência no início da vida é muito bem estabelecido”, disse Frank Elgar, coautor da pesquisa.

Ao todo, o estudo envolveu pesquisadores do Canadá, EUA e de Israel. Eles examinaram resultados de pesquisas realizadas em escolas de 88 países entre 2003 e 2014. Mais de 400 mil jovens (entre homens e mulheres) foram questionados sobre quantas vezes brigaram fisicamente com os outros. A idade dos entrevistados variou de 11 a 25 anos, dependendo da pesquisa.

A partir disso, a equipe considerou se a punição corporal era legal em um determinado país e, em caso afirmativo, se a proibição era apenas nas escolas ou em casa também. Vinte dos países pesquisados não tinham proibição nenhuma, incluindo Zimbábue e Marrocos. Enquanto isso, 30 deles, como Suécia e Tunísia, tinham uma proibição em todos os contextos a partir de 2017.

Alguns países tinham o que podemos chamar de “proibição parcial”. No Reino Unido, há variações. Na Inglaterra a batida é proibida, mas os pais podem usar uma “punição razoável” (um tapinha no bumbum, por exemplo, mas não uma surra de cinta). Já na Escócia e no País de Gales, os governos estão tomando as medidas cabíveis para proibir totalmente as punições físicas.

Já o Brasil possui uma legislação que também pode ser considerada parcial: desde a Constituição de 1988, a lei proíbe punições físicas severas (como surras e espancamentos) em crianças. Mas, em relação às “palmadinhas”, ainda cabe aos pais decidir se são válidas ou não. Em 2014, foi sancionada a “Lei da Palmada”, pela então presidenta Dilma Rousseff, que ratificou o que já existia: o direito da criança e do adolescente serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis e degradantes.

Os pesquisadores também descobriram que os meninos tinham três vezes mais chances de brigar com frequência do que as meninas, o que significa chegar às vias de fato no mínimo quatro vezes ao ano.

Eles constataram que tais brigas eram 31% menos comuns entre garotos e 58% em garotas de 13 anos que moravam em países com uma proibição total de punição corporal em relação àqueles países que permitiam.

via Superinteressante

Quem são os “neofascistas” do telão de Roger Waters?

Roger Waters, ex-baixista do Pink Floyd, já fez três shows da turnê solo Us + Them no Brasil – dois em São Paulo (dias 9 e 10 de outubro) e um Brasília (dia 13 de outubro). Até o segundo turno das eleições presidenciais, passará por Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba – quando desembarcar em Porto Alegre, em 30 de outubro, a apuração já estará encerrada.

O show é dividido em duas partes de aproximadamente 80 minutos, separadas por um intervalo em que a banda sai do palco. Durante a pausa, o telão fica ligado, exibindo mensagens de protesto silenciosas. Há críticas ao tráfico de humanos, às polícias militarizadas de todo o mundo, à discriminação étnica e religiosa, à poluição e o desflorestamento – além de uma defesa do vegetarianismo.

O auge das alfinetadas é a imagem aqui em cima: uma lista de figuras políticas em ascenção que Waters considera neo-fascistas. Trump está lá. Putin também. E, pela ocasião de sua turnê sul-americana, o músico adicionou um item – Jair Bolsonaro. O público se dividiu: metade foi à loucura, metade vaiou. Sem se intimidar com a recepção mista na primeira noite paulistana, Waters subiu o tom na segunda, e colocou uma tarja vermelha sobre o nome do candidato do PSL à presidência – na qual se lia “ponto de vista político censurado”.

Com exceção de Trump e Putin, poucos brasileiros conhecem as figuras mencionadas. Natural: quase ninguém acompanha o noticiário da Polônia, da Hungria ou da Áustria. Para dar aquela ajudinha, a SUPER fez uma ficha rápida dos três mais obscuros: OrbánKaczyńskiKurz. Todos são de partidos de extrema direita do centro e do leste europeu, se opõem à migração, nutrem boas relações com a Rússia e criticam em diferentes graus a União Europeia – à exemplo do britânico Nigel Farage, mentor e defensor ferrenho do Brexit (entenda melhor aqui), e a francesa Marine le Pen

Veja também

Orbán

Viktor Orbán é primeiro-ministro da Hungria desde 2010. Está na política do país há décadas – ganhou voz ao se opor à ocupação militar soviética no final da década de 1980, e já havia chefiado o país do leste europeu entre 1998 e 2002. Começou a carreira como uma voz liberal do ponto de vista econômico, fiel à manutenção da democracia. Depois, se aproximou de Putin, atacou imigrantes muçulmanos (ao pé da letra – com cães e cassetetes) e prometeu implantar, em suas palavras, um Estado “aliberal” – note o prefixo “a”.

Seu partido, o Fidesz, tem no currículo um histórico de manobras ardilosas. Por exemplo: para forçar a suprema corte do país a trabalhar a favor das pautas de Orbán, eles aumentaram o número de cadeiras de 8 para 15, aprovaram uma lei que dá ao Fidesz poder para nomear os juízes e aí – é claro – nomearam juízes adeptos do Fidesz para todas as vagas recém-criadas. Intervenções bastante semelhantes nas cabeças do judiciário (e em outros tribunais e juntas reguladoras) foram adotadas por autocratas Hugo Chávez, na Venezuela, e de Jarosław Kaczyński na Polônia – de quem falaremos a seguir.

Uma das ações que mais repercutiram foi a de intervir no funcionamento uma universidade sediada em Budapeste fundada em 1991 pelo investidor e filantropo George Soros – dono de uma fortuna de US$ 8,3 bilhões de dólares e desafeto de Orbán. Outra foi a tentativa de implantar um imposto equivalente a R$ 2,00 por cada gigabyte de internet utilizado. Nas palavras de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt – cientistas políticos de Harvard e autores do livro Como morrem as democracias (2018) –, “políticos nem sempre revelam a dimensão total de seu autoritarismo antes de alcançar o poder. Alguns aderem às normas democráticas no começo da carreira, e só depois as abandonam.

Veja também

Kaczyński

O sobrenome Kaczyński se refere a dois políticos poloneses: os gêmeos idênticos Lech e Jarosław, que em 2001 fundaram o partido Lei e Justiça (na sigla em polonês, PIS), de orientação cristã conservadora. Lech foi eleito democraticamente em 2005, e morreu em 2010 em um acidente de avião em Smolensk, na Rússia, junto de diversos membros da cúpula do governo (sem conspirações: o acidente foi um acidente de fato, conforme constatado por duas perícias independentes que atribuíram a queda a erro humano e mau-tempo). Jarosław – cópia de Lech não só em DNA mas também em programa de governo – transformou o irmão em mártir e usou sua figura como trampolim para aumentar a influência conservadora no legislativo: desde 2015, o PIS é o partido majoritário.

Hoje, embora não seja nem presidente nem primeiro-ministro, Jarosław se mantém na liderança de sua cria política, e tem o equivalente à câmara dos deputados – chamada “Sejm” – na mão. Ele se posiciona contra os imigrantes provenientes de áreas de conflito no Oriente Médio e na África, e vê a União Europeia como uma ameaça multiétnica e secular a seus valores religiosos. Para combatê-los, vale tudo: à exemplo de Orbán, o PIS aprovou leis para mexer na composição e no número de cadeiras do Tribunal Constitucional – o órgão máximo do judiciário no país. E agora nomeia juristas favoráveis à causa do partido para permitir que qualquer projeto seja aprovado. 

Kurz

Sebastian Kurz, de 32 anos, é chanceler da Áustria – o cargo máximo por aquelas bandas. Isso, combinado à quase ausência de gravatas no guarda-roupa e o colarinho constantemente aberto, o torna o chefe de Estado mais jovem do mundo. E também um dos mais polêmicos. Em termos de apresentação, New York Times o classificou na mesma categoria do primeiro-ministro canadense Justin Trudeau (43) e do presidente francês Emmanuel Macron (39): um jovem que vendeu bem à população a ideia de ser jovem. Ideologicamente, porém, o moço penteado não tem nada de Trudeau: ele é membro do Partido Popular Austríaco (na sigla em alemão, ÖVP), uma organização cristã conservadora. E subiu ao poder, entre outras pautas, graças a sua postura rígida – e embalada para presente – contra a imigração. 

Sylvia Kritzinger, acadêmica da Universidade de Vienna afirmou na época em que assumiu o posto, em 2017: “ele diz basicamente o que o partido rival, o Partido da Liberdade (FPÖ), diz: coisas que normalmente seriam taxadas de extremismo, sobre os imigrantes não seres austríacos. A diferença é que ele faz todo mundo se sentir confortável com isso.” Kurz não é visto pela imprensa com um olhar tão severo quanto o que é dedicado aos demais membros da lista de Waters – talvez porque forneça aspas mais sóbrias, como esta: “Uma Europa sem fronteiras internas só pode existir se suas fronteiras externas funcionarem.” 

Kurz, ao contrário de Orbán e Kaczyński, não tem nenhuma manobra política antidemocrática no currículo. Ao assumir o posto, ele adotou muitas pautas do programa do já mencionado Partido da Liberdade – que foi fundado sobre princípios abertamente neo-nazistas, e diferentemente da ÖVP não tentou se repaginar aos olhos do público. Seu vice, inclusive, é membro do FPÖ, o que reforça a aliança partidária duvidosa. Mesmo assim, a coalisão que está hoje no governo se comprometeu, quando assumiu, a preservar a posição da Áustria na União Europeia.

via Superinteressante

Você se lembra de cinco mil rostos diferentes

Você se lembra de cinco mil rostos diferentes

Um novo estudo americano aponta que, em média, você é capaz de reconhecer algumas milhares de faces – isso inclui sua mãe, ou o Justin Bieber

Por
Ingrid Luisa

access_time

15 out 2018, 19h02

Você é bom em reconhecer rostos? É daqueles que nunca erra o nome de ninguém? Ou você já esqueceu o nome daquela prima distante, durante uma festa de natal? Se esse segundo caso é o seu, agora você pode dar uma boa desculpa para não saber diferenciar a Julia da Juliana: um novo estudo está clamando que o rosto dela não está entre os cinco mil mais importantes da sua vida.

Alguns indivíduos são naturalmente melhores de reconhecimento facial que outros, mas pesquisadores da Universidade de York, EUA, acreditam que 5 mil é a média que um ser humano normal consegue reter, contando pessoas da vida real e da mídia. Esse foi o primeiro estudo a calcular um número preciso de rostos.

O curioso é que nós, normalmente, vivemos em pequenos grupos de cerca de cem indivíduos. Mas o estudo sugere que nossas habilidades de reconhecimento facial nos equipam para lidar com os milhares de rostos que encontramos no mundo moderno – tanto em nossas telas quanto nas interações sociais.

No estudo, a equipe de pesquisa pediu aos participantes que anotassem quantos nomes de amigos, colegas, conhecidos, membros da família e até pessoas famosas lembrassem no espaço de uma hora. Os participantes relataram que foi fácil chegar a muitos rostos no início, mas a dificuldade foi aumentando com o passar do tempo. Essa mudança de ritmo permitiu que os pesquisadores supusessem quando os voluntários ficaram completamente sem rostos na memória.

Depois disso, várias fotografias de celebridades apareceram para os participantes, e eles precisavam citar o máximo que conseguiam. De acordo com os resultados, eles foram capazes de distinguir entre 1.000 e 10.000 faces no total.

O Dr. Rob Jenkins, do Departamento de Psicologia da Universidade de York, explicou essa grande margem: “O alcance pode ser explicado por que algumas pessoas têm uma aptidão natural para lembrar rostos. Existem diferenças na quantidade de atenção que as pessoas dedicam para rostos e com que eficiência elas processam essas informações.” E ele também acrescenta uma alternativa curiosa: “Alternativamente, isso poderia refletir diferentes ambientes sociais – alguns participantes podem ter crescido em lugares mais densamente povoados, com mais participação social, por isso fixam mais rostos”.

Algo a se considerar é que a idade média dos participantes dos estudos era de 24 anos. E, de acordo com os pesquisadores, a idade pode fornecer um caminho intrigante para futuras pesquisas: “Seria interessante ver se há uma idade de pico para o número de rostos que conhecemos”, disse Jenkins. “Talvez nós acumulemos rostos ao longo de nossas vidas, ou talvez começamos a esquecer alguns depois que alcançamos uma certa idade.”

via Superinteressante