1 em cada 3 pessoas consegue ouvir sons nestes vídeos mudos. E você?

1 em cada 3 pessoas consegue ouvir sons nestes vídeos mudos. E você?

Entenda porque o fenômeno acontece – e faça o teste para descobrir se você é capaz de escutar.

 (City University London/Reprodução)

O cientista Elliot Freeman, da City University de Londres, escuta sons imaginários. Quando olha para pessoas na rua, pode ouvir os seus passos, mesmo que elas estejam longe demais para que o barulho seja real. Ele vê carros darem seta e escuta tec-tec-tec-tec quando as luzes piscam.

Esse tipo de experiência entra no grupo das sinestesias – quando estímulos percebidos por um sentido específico dão origem a outras percepções sensoriais.

Algumas pessoas sentem gostos ou cheiros ao ouvirem palavras relacionadas a eles. Há quem escute música e escute uma cor para cada nota. Alguns matemáticos atribuem cores aos números na imaginação. Não é um sistema que precisaram inventar. A sinestesia é involuntária e consistente. Ou seja: sempre que pensam no número 3 ou na nota dó, veem a cor correspondente, espontaneamente.

A sinestesia visual-auditiva é uma das menos estudadas – e, por algum tempo, Elliot Freeman só achou que era meio maluco. Mas o pesquisador resolveu dedicar sua própria carreira à investigação desse fenômeno estranho. E descobriu que ele era muito mais comum do que ele imaginava: entre 20% e 30% das pessoas ouve sons imaginários quando vê vídeos sem som.

 (City University London/Reprodução)

Como identificar esse “superpoder”

A pesquisa de Freeman mostra que a maioria dos “sinestésicos” ouve sons relacionados a imagens do cotidiano. O GIF de uma chaleira, por exemplo, pode fazer SHHHHH para muita gente. Mas tipos mais recorrentes dessa sinestesia acontecem quando as pessoas associam sons a imagens abstratas. Blocos mudando de forma, luzes neon piscando, quadros de arte modernista em movimento.

O fenômeno ficou famoso com o GIF de uma torre elétrica “pulando corda”. Já até falamos especificamente sobre ele antes. Muita gente (esta repórter inclusa) ouve distintamente o som de BUM! toda vez que a torre dá impulso no chão.

Segundo Freeman, geralmente a pessoa é capaz de perceber que o som está vindo da sua mente. É como cantarolar uma música dentro da sua cabeça. Mas todo som é uma interpretação do seu cérebro, certo? E, exatamente por isso, ainda é possível confundir esses barulhos com sons reais, especialmente em um ambiente muito silencioso.

O novo passo da pesquisa de Freeman é descobrir que tipo de estímulo visual mais leva à sinestesia. E também se ela é associada a outras variações de percepção.

 (City University London/Reprodução)

Superpoderes colaterais

Freeman supõe que as pessoas que escutam os sons em vídeos mudos tem uma capacidade de percepção visual maior do que a média das pessoas. Além disso, as áreas cerebrais que coordenam estímulos visuais e auditivos provavelmente colaboram melhor que a maioria das pessoas.

Você pode ajudá-lo a confirmar (ou não) essa hipótese – e, de quebra, descobrir se você está entre os 20%-30% das pessoas com esse superpoder sinestético. É só clicar neste quiz. Está em inglês, mas é bastante intuitivo. Ele vai te mostrar uma série de GIFs mudos e perguntar, de 0 a 5, qual a intensidade de som que você percebe ao observá-lo.

 (City University London/Reprodução)

Dica de quem fez o quiz: no começo, achei que não ia ouvir nada. Até o momento em que os GIFs soltam flashes de luz ou aceleram de movimento. Aí a sinfonia começou e não parou mais. Tenha paciência para ver as animações até o final.

Eu não escuto nada. E agora?

A página pessoal do pesquisador – onde ele conta sua história – também tem alguns vídeos COM som. Neles, Freeman acrescentou o áudio que mais se parece com o que ele escuta ao ver os GIFs mudos. Assim, mesmo que você não faça parte dos 30%, ao menos consegue ter uma ideia do que acontece. E não precisa se sentir deixado de lado.

via Superinteressante

1 em cada 3 pessoas consegue ouvir sons nestes vídeos mudos. E você?

1 em cada 3 pessoas consegue ouvir sons nestes vídeos mudos. E você?

Entenda porque o fenômeno acontece – e faça o teste para descobrir se você é capaz de escutar.

 (City University London/Reprodução)

O cientista Elliot Freeman, da City University de Londres, escuta sons imaginários. Quando olha para pessoas na rua, pode ouvir os seus passos, mesmo que elas estejam longe demais para que o barulho seja real. Ele vê carros darem seta e escuta tec-tec-tec-tec quando as luzes piscam.

Esse tipo de experiência entra no grupo das sinestesias – quando estímulos percebidos por um sentido específico dão origem a outras percepções sensoriais.

Algumas pessoas sentem gostos ou cheiros ao ouvirem palavras relacionadas a eles. Há quem escute música e escute uma cor para cada nota. Alguns matemáticos atribuem cores aos números na imaginação. Não é um sistema que precisaram inventar. A sinestesia é involuntária e consistente. Ou seja: sempre que pensam no número 3 ou na nota dó, veem a cor correspondente, espontaneamente.

A sinestesia visual-auditiva é uma das menos estudadas – e, por algum tempo, Elliot Freeman só achou que era meio maluco. Mas o pesquisador resolveu dedicar sua própria carreira à investigação desse fenômeno estranho. E descobriu que ele era muito mais comum do que ele imaginava: entre 20% e 30% das pessoas ouve sons imaginários quando vê vídeos sem som.

 (City University London/Reprodução)

Como identificar esse “superpoder”

A pesquisa de Freeman mostra que a maioria dos “sinestésicos” ouve sons relacionados a imagens do cotidiano. O GIF de uma chaleira, por exemplo, pode fazer SHHHHH para muita gente. Mas tipos mais recorrentes dessa sinestesia acontecem quando as pessoas associam sons a imagens abstratas. Blocos mudando de forma, luzes neon piscando, quadros de arte modernista em movimento.

O fenômeno ficou famoso com o GIF de uma torre elétrica “pulando corda”. Já até falamos especificamente sobre ele antes. Muita gente (esta repórter inclusa) ouve distintamente o som de BUM! toda vez que a torre dá impulso no chão.

Segundo Freeman, geralmente a pessoa é capaz de perceber que o som está vindo da sua mente. É como cantarolar uma música dentro da sua cabeça. Mas todo som é uma interpretação do seu cérebro, certo? E, exatamente por isso, ainda é possível confundir esses barulhos com sons reais, especialmente em um ambiente muito silencioso.

O novo passo da pesquisa de Freeman é descobrir que tipo de estímulo visual mais leva à sinestesia. E também se ela é associada a outras variações de percepção.

 (City University London/Reprodução)

Superpoderes colaterais

Freeman supõe que as pessoas que escutam os sons em vídeos mudos tem uma capacidade de percepção visual maior do que a média das pessoas. Além disso, as áreas cerebrais que coordenam estímulos visuais e auditivos provavelmente colaboram melhor que a maioria das pessoas.

Você pode ajudá-lo a confirmar (ou não) essa hipótese – e, de quebra, descobrir se você está entre os 20%-30% das pessoas com esse superpoder sinestético. É só clicar neste quiz. Está em inglês, mas é bastante intuitivo. Ele vai te mostrar uma série de GIFs mudos e perguntar, de 0 a 5, qual a intensidade de som que você percebe ao observá-lo.

 (City University London/Reprodução)

Dica de quem fez o quiz: no começo, achei que não ia ouvir nada. Até o momento em que os GIFs soltam flashes de luz ou aceleram de movimento. Aí a sinfonia começou e não parou mais. Tenha paciência para ver as animações até o final.

Eu não escuto nada. E agora?

A página pessoal do pesquisador – onde ele conta sua história – também tem alguns vídeos COM som. Neles, Freeman acrescentou o áudio que mais se parece com o que ele escuta ao ver os GIFs mudos. Assim, mesmo que você não faça parte dos 30%, ao menos consegue ter uma ideia do que acontece. E não precisa se sentir deixado de lado.

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1 em cada 3 pessoas consegue ouvir sons nestes vídeos mudos. E você?

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 (City University London/Reprodução)

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Esse tipo de experiência entra no grupo das sinestesias – quando estímulos percebidos por um sentido específico dão origem a outras percepções sensoriais.

Algumas pessoas sentem gostos ou cheiros ao ouvirem palavras relacionadas a eles. Há quem escute música e escute uma cor para cada nota. Alguns matemáticos atribuem cores aos números na imaginação. Não é um sistema que precisaram inventar. A sinestesia é involuntária e consistente. Ou seja: sempre que pensam no número 3 ou na nota dó, veem a cor correspondente, espontaneamente.

A sinestesia visual-auditiva é uma das menos estudadas – e, por algum tempo, Elliot Freeman só achou que era meio maluco. Mas o pesquisador resolveu dedicar sua própria carreira à investigação desse fenômeno estranho. E descobriu que ele era muito mais comum do que ele imaginava: entre 20% e 30% das pessoas ouve sons imaginários quando vê vídeos sem som.

 (City University London/Reprodução)

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A pesquisa de Freeman mostra que a maioria dos “sinestésicos” ouve sons relacionados a imagens do cotidiano. O GIF de uma chaleira, por exemplo, pode fazer SHHHHH para muita gente. Mas tipos mais recorrentes dessa sinestesia acontecem quando as pessoas associam sons a imagens abstratas. Blocos mudando de forma, luzes neon piscando, quadros de arte modernista em movimento.

O fenômeno ficou famoso com o GIF de uma torre elétrica “pulando corda”. Já até falamos especificamente sobre ele antes. Muita gente (esta repórter inclusa) ouve distintamente o som de BUM! toda vez que a torre dá impulso no chão.

Segundo Freeman, geralmente a pessoa é capaz de perceber que o som está vindo da sua mente. É como cantarolar uma música dentro da sua cabeça. Mas todo som é uma interpretação do seu cérebro, certo? E, exatamente por isso, ainda é possível confundir esses barulhos com sons reais, especialmente em um ambiente muito silencioso.

O novo passo da pesquisa de Freeman é descobrir que tipo de estímulo visual mais leva à sinestesia. E também se ela é associada a outras variações de percepção.

 (City University London/Reprodução)

Superpoderes colaterais

Freeman supõe que as pessoas que escutam os sons em vídeos mudos tem uma capacidade de percepção visual maior do que a média das pessoas. Além disso, as áreas cerebrais que coordenam estímulos visuais e auditivos provavelmente colaboram melhor que a maioria das pessoas.

Você pode ajudá-lo a confirmar (ou não) essa hipótese – e, de quebra, descobrir se você está entre os 20%-30% das pessoas com esse superpoder sinestético. É só clicar neste quiz. Está em inglês, mas é bastante intuitivo. Ele vai te mostrar uma série de GIFs mudos e perguntar, de 0 a 5, qual a intensidade de som que você percebe ao observá-lo.

 (City University London/Reprodução)

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Eu não escuto nada. E agora?

A página pessoal do pesquisador – onde ele conta sua história – também tem alguns vídeos COM som. Neles, Freeman acrescentou o áudio que mais se parece com o que ele escuta ao ver os GIFs mudos. Assim, mesmo que você não faça parte dos 30%, ao menos consegue ter uma ideia do que acontece. E não precisa se sentir deixado de lado.

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1 em cada 3 pessoas consegue ouvir sons nestes vídeos mudos. E você?

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Entenda porque o fenômeno acontece – e faça o teste para descobrir se você é capaz de escutar.

 (City University London/Reprodução)

O cientista Elliot Freeman, da City University de Londres, escuta sons imaginários. Quando olha para pessoas na rua, pode ouvir os seus passos, mesmo que elas estejam longe demais para que o barulho seja real. Ele vê carros darem seta e escuta tec-tec-tec-tec quando as luzes piscam.

Esse tipo de experiência entra no grupo das sinestesias – quando estímulos percebidos por um sentido específico dão origem a outras percepções sensoriais.

Algumas pessoas sentem gostos ou cheiros ao ouvirem palavras relacionadas a eles. Há quem escute música e escute uma cor para cada nota. Alguns matemáticos atribuem cores aos números na imaginação. Não é um sistema que precisaram inventar. A sinestesia é involuntária e consistente. Ou seja: sempre que pensam no número 3 ou na nota dó, veem a cor correspondente, espontaneamente.

A sinestesia visual-auditiva é uma das menos estudadas – e, por algum tempo, Elliot Freeman só achou que era meio maluco. Mas o pesquisador resolveu dedicar sua própria carreira à investigação desse fenômeno estranho. E descobriu que ele era muito mais comum do que ele imaginava: entre 20% e 30% das pessoas ouve sons imaginários quando vê vídeos sem som.

 (City University London/Reprodução)

Como identificar esse “superpoder”

A pesquisa de Freeman mostra que a maioria dos “sinestésicos” ouve sons relacionados a imagens do cotidiano. O GIF de uma chaleira, por exemplo, pode fazer SHHHHH para muita gente. Mas tipos mais recorrentes dessa sinestesia acontecem quando as pessoas associam sons a imagens abstratas. Blocos mudando de forma, luzes neon piscando, quadros de arte modernista em movimento.

O fenômeno ficou famoso com o GIF de uma torre elétrica “pulando corda”. Já até falamos especificamente sobre ele antes. Muita gente (esta repórter inclusa) ouve distintamente o som de BUM! toda vez que a torre dá impulso no chão.

Segundo Freeman, geralmente a pessoa é capaz de perceber que o som está vindo da sua mente. É como cantarolar uma música dentro da sua cabeça. Mas todo som é uma interpretação do seu cérebro, certo? E, exatamente por isso, ainda é possível confundir esses barulhos com sons reais, especialmente em um ambiente muito silencioso.

O novo passo da pesquisa de Freeman é descobrir que tipo de estímulo visual mais leva à sinestesia. E também se ela é associada a outras variações de percepção.

 (City University London/Reprodução)

Superpoderes colaterais

Freeman supõe que as pessoas que escutam os sons em vídeos mudos tem uma capacidade de percepção visual maior do que a média das pessoas. Além disso, as áreas cerebrais que coordenam estímulos visuais e auditivos provavelmente colaboram melhor que a maioria das pessoas.

Você pode ajudá-lo a confirmar (ou não) essa hipótese – e, de quebra, descobrir se você está entre os 20%-30% das pessoas com esse superpoder sinestético. É só clicar neste quiz. Está em inglês, mas é bastante intuitivo. Ele vai te mostrar uma série de GIFs mudos e perguntar, de 0 a 5, qual a intensidade de som que você percebe ao observá-lo.

 (City University London/Reprodução)

Dica de quem fez o quiz: no começo, achei que não ia ouvir nada. Até o momento em que os GIFs soltam flashes de luz ou aceleram de movimento. Aí a sinfonia começou e não parou mais. Tenha paciência para ver as animações até o final.

Eu não escuto nada. E agora?

A página pessoal do pesquisador – onde ele conta sua história – também tem alguns vídeos COM som. Neles, Freeman acrescentou o áudio que mais se parece com o que ele escuta ao ver os GIFs mudos. Assim, mesmo que você não faça parte dos 30%, ao menos consegue ter uma ideia do que acontece. E não precisa se sentir deixado de lado.

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Moscas usam saliva para se refrescar

Quando a temperatura aumenta, todo mundo dá um jeitinho de se refrescar. Humanos suam, cachorros colocam a língua para fora, já moscas-varejeiras (Chrysomya megacephala) usam a própria saliva. Pode parecer meio nojento, mas foi exatamente isso que um novo estudo do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), em colaboração com o Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IBRC-Unesp), e publicado na revista Scientific Reports.

Acontece assim: as moscas movimentam uma gota de saliva para dentro e para fora da boca de 1 a até 15 vezes, em segundos, antes de engolir. Essa repetição faz a gotícula esfriar até 8 ºC em relação à temperatura ambiente em cerca de 15 segundos. “Quando a mosca move esse fluido da gota mais resfriado para dentro do aparato bucal, ela consegue diminuir sua temperatura, primeiramente, da cabeça, posteriormente do tórax e, por fim, do abdome”, explicou Guilherme Gomes, líder do estudo, à Agência Fapesp. A ingestão da saliva resfriada pode reduzir a temperatura do corpo da mosca em até 3 ºC em áreas importantes como os músculos do voo e o cérebro.

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Esse é um comportamento denominado “bubbling”. Para chegarem a essas conclusões, os pesquisadores registraram com uma câmera termográfica, durante vários dias, as atividades de moscas-varejeiras adultas mantidas em uma câmara climática, com vedação e isolamento térmico. As imagens, que captaram a radiação infravermelha emitida por conta da temperatura, permitiram a medição da temperatura corpórea dos insetos em diferentes horários e condições de umidade e temperatura.

Outra descoberta interessante é quando a mosca faz isso. “Ela reduz entre 2 ºC e 3 ºC a temperatura corpórea por oito horas durante a noite repetindo esse comportamento a cada 30 ou 60 minutos”, diz Gomes. “Se a mosca mantivesse sua temperatura corpórea alta durante a noite, ela estaria metabolicamente muito ativa”. Ou seja, esse é um mecanismo também utilizado para economizar energia nesse período.

via Superinteressante

A verdadeira tartaruga ninja (e punk) está em risco de extinção

Pensou bichos malucos, pensou Austrália. Além de cangurus, ornitorrincos, coalas, vombates e outros mamíferos com pinta de alienígena, a mais criativa das colônias britânicas também tem uma dose considerável de répteis que não se parecem com nada que você já viu. Como a tartaruga do rio Mary, na foto acima (nome científico Elusor macrurus).

Além do moicano verde – que não é feito de cabelo, mas de estilosas algas que crescem em sua cabeça –, essas cascudas têm estruturas análogas a guelras no interior da cloaca. Elas permitem que a macrurus passe mais de três dias absorvendo oxigênio da água como um peixe, sem ter que aparecer na superfície para respirar.

(Chris Van Wyk/Reuters)

No último dia 11, a tartaruga caiu na mídia por ser parte de uma lista de 100 répteis (muito) exóticos que foram declarados em risco de extinção pela Sociedade Zoológica de Londres. A instituição também forneceu compilações de anfíbios, pássaros, mamíferos e até corais. Não é qualquer espécie em perigo que entra nesse ranking específico, chamado EDGE. Ele é dedicado só aos animais que são extremamente peculiares do ponto de vista evolutivo (por terem características anatômicas curiosas ou viverem só em lugares muito específicos) – e que, portanto, seriam perdas mais tristes que o normal para a biodiversidade. 

(Chris Van Wyk/Reuters)

macrurus tem em média 40 cm de comprimento, e se tornou um animal de estimação popular na década de 1970 – o que acelerou seu declínio. Além dela, há outras seis tartarugas australianas em risco. Conservacionistas afirmam que répteis, na média, não recebem a mesma atenção que os carismáticos mamíferos e pássaros na hora de planejar programas de preservação governamentais.  

via Superinteressante

Cientistas descobrem genes que ajudam humanos a mergulhar

Máscara de mergulho, barbatanas, tubo de oxigênio: enquanto você precisa de um grande aparato para tentar mergulhar, os nômades Bajau, da Indonésia, não — eles possuem adaptações genéticas para isso. Segundo uma nova pesquisa publicada na revista Cell, essa tribo possui genes que desenvolveram o baço, e por isso conseguem chegar até profundidades inimagináveis apenas com um óculos de madeira e um par de pesos.

Os Bajau, conhecidos como “nômades do mar”, são uma tribo que vive pelos mares do sudeste asiático, em casas flutuantes, há mais de 1000 anos. Eles coletam todo seu alimento mergulhando com lanças, pesos e óculos de natação de madeira feitos pelos próprios membros da tribo. Curiosa com essa situação, uma pesquisadora do Centro de Geo Genética da Universidade de Copenhague, Dinamarca, passou vários meses com os Bajau coletando dados. Eles chegam a mergulhar 70 metros — não se sabe, ao certo, quanto tempo são capazes de ficar submersos, mas um deles relatou à pesquisadora que já ficou embaixo d’água por 13 minutos.

Usando amostras genéticas, ela descobriu que os Bajau possuem baços 50% maiores que os de seus vizinhos terrestres, da tribo Saluan. O baço é um órgão do sistema linfático que desempenha um papel central no prolongamento do tempo de mergulho livre, pois ele libera mais oxigênio no sangue quando o corpo está sob estresse, ou quando se prende a respiração. “Sabemos que focas de mergulho profundo, como a foca-de-Weddell, têm baços desproporcionalmente grandes. Se a seleção [natural] age dando-lhes baços maiores, pode fazer o mesmo em seres humanos”, disse Melissa Llardo, líder dos estudos.

Os pesquisadores descobriram que os membros do Bajau têm um gene chamado PDE10A, que os Saluan não possuem — e acredita-se que esse gene esteja relacionado com o controle dos níveis do hormônio da tireoide T4, determinante para o tamanho do baço. Os resultados poderão auxiliar no entendimento de como o corpo reage à perda de oxigênio em vários contextos — não só no mergulho, mas em alta latitude, cirurgias e até doenças pulmonares.

via Superinteressante

A semente da guerrilha

Enquanto pierrôs e colombinas brincavam nas ruas de Santiago, no dia 24 de julho de 1953, um grupo formado por 162 jovens de classe média chegava à cidade. Eles vinham da capital, Havana. Mas aquelas pessoas não tinham viajado quase 800 km para pular o carnaval (que, em Cuba, acontece no meio do ano). O objetivo era menos festivo: dar início a uma revolução que derrubaria o ditador Fulgêncio Batista. Liderados por Fidel Castro, recém-saído da faculdade de Direito, então com apenas 26 anos, eles pretendiam invadir o quartel Moncada – uma das maiores fortalezas do Exército de Batista, perto de Santiago. Os rebeldes instalaram-se num sítio alugado a 20 minutos de distância. E só sairiam de lá na alvorada do dia 26, prontos para o ataque.

Os rebeldes seriam divididos em quatro times, comandados por Fidel e por seu irmão, Raúl Castro, além de Abel Santamaría e Raúl Martinez Ararás. Em investidas sincronizadas, eles tomariam de assalto não apenas o quartel e sua estação de rádio, mas também o Palácio da Justiça e o Hospital Civil, ao lado da fortaleza militar. Enquanto isso, outro grupo rebelde iria se encarregar de impedir que o Exército enviasse reforços, neutralizando o quartel de Bayamo, um município vizinho.

No dia do ataque, tudo teria de funcionar com absoluta precisão. Às 5 horas da manhã, todos deixariam o sítio numa comitiva de carros, com uniformes iguais aos dos soldados de Batista. Fidel, a bordo de um Buick verde alugado, placa 169-361, tentaria se passar por general do Exército em visita. Seria um dos primeiros a entrar em Moncada. E o faria em grande estilo, pelo portão principal – onde as sentinelas já teriam sido rendidas. Assim que a rádio fosse ocupada, o poeta Raúl Gómez García leria um manifesto pedindo a volta da democracia e incitando a população à luta armada. O passo seguinte seria distribuir as armas do quartel entre civis dispostos a encampar a revolução.

Baixas além da conta

Depois de revelados os detalhes do plano, poucas horas antes do início da operação, pelo menos dez integrantes do grupo pularam fora. Outros tantos, talvez 30 ou mais, declararam-se incapacitados para a tarefa – ou porque estavam doentes, ou porque as armas não eram suficientes para todos. Fidel compreendeu. Ele mesmo já tinha declarado a seus comandados que aquela seria uma missão suicida, e que não haveria represálias para quem desistisse. Só não contava com tantas baixas. Dos 162 rebeldes originais, restavam menos de 120.

Quando o dia 26 de julho começou a raiar, o que restou do bando de Fidel já não se aguentava de ansiedade. Às 5h, teve início a operação. Mas logo de cara dois acontecimentos colocaram tudo a perder. Os carros que levavam Fidel Castro e seus camaradas não convenceram no papel de “comitiva de general”. Resultado: foram interceptados antes de chegar ao quartel. O Buick de Fidel acelerou e partiu para cima dos soldados. Acabou espatifando-se contra um muro, mas o comandante escapou.

Enquanto isso, no portão principal do quartel, uma patrulha do Exército apareceu justo na hora em que os rebeldes se preparavam para render as sentinelas. Teve início um tiroteio infernal, com clara vantagem para os 400 soldados em serviço, munidos até de canhões. Rebeldes foram presos, é claro, entre eles Raúl Castro e Abel Santamaría. Mas a maioria escapou.

Na investida contra o quartel Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo, a situação também fugiu ao controle. O morador local que conduziria rebeldes disfarçados para dentro do quartel sumiu na véspera. O jeito, agora, seria depositar todas as fichas no elemento-surpresa e atacar com a maior violência possível. Mas o avanço do grupo foi percebido de longe. A troca de tiros durou cerca de 20 minutos. De um lado, soldados do Exército aquartelados; do outro, rebeldes mal treinados e mal-armados, inteiramente expostos ao fogo inimigo. Somados os ataques a Moncada e Bayamo, 18 rebeldes morreram e quase 70 foram parar atrás das grades. 

Salvo por um tenente

Uma semana depois dos ataques frustrados, Fidel foi encontrado. Estava escondido numa pequena choupana em Sierra Maestra, uma região montanhosa, de mata fechada e acesso difícil. Tudo leva a crer que ele só não foi assassinado graças à intervenção de um integrante da Guarda Rural. “Ele era tenente, um homem negro, que levou Fidel à delegacia de polícia de Santiago de Cuba em vez de conduzi-lo ao quartel Moncada, onde certamente teria sido morto com os demais rebeldes capturados”, escreve o jornalista e historiador britânico Richard Gott no livro Cuba: Uma Nova História. O arcebispo Pérez Serantes, amigo da família de Mirta Díaz-Balart, primeira esposa de Fidel, pediu pela vida do foragido. E acabou operando um verdadeiro milagre. Em vez de fuzilamento, o líder rebelde teria de enfrentar um tribunal. Seu julgamento foi marcado para 21 de setembro.

Em 16 de outubro de 1953, após quase um mês de julgamento, saiu a sentença: Fidel Alejandro Castro Ruz e seu irmão Raúl estavam condenados a 15 anos de prisão. Mas as penas seriam transformadas em apenas 22 meses de detenção, a serem cumpridos no presídio da ilha de Pinos. Depois de libertados, os irmãos Castro partiriam para o México.

Bons tempos do exílio 

O México serviu de trampolim para a Revolução Cubana. Foi lá que os irmãos Castro conheceram o jovem Ernesto Guevara e convenceram-no a participar da empreitada. Também foi lá que Fidel reuniu outros exilados cubanos e reorganizou o Movimento 26 de Julho, para derrubar o ditador Fulgêncio Batista. E foi lá que o Exército Rebelde recebeu treinamento de guerrilha para os combates que viriam pela frente em Sierra Maestra. Por que a revolução acabou sendo gestada em território mexicano? A resposta começa em maio de 1955, quando Fidel e Raúl Castro deixaram a cadeia em Cuba.

Libertados depois de 22 meses de prisão, por terem comandado os ataques aos quartéis de Moncada e Bayamo, os irmãos acreditavam que, se permanecessem na ilha, acabariam assassinados pela ditadura. Preferiram o exílio e encontraram, no México, o ambiente perfeito para planejar uma nova investida contra o regime de Batista. O país, na década de 1950, era um santuário de exilados latino-americanos. Essa tradição começara 15 anos antes, quando os mexicanos haviam recebido de braços abertos os refugiados da Guerra Civil espanhola. “Se você precisasse ir para algum lugar no continente, esse lugar era a Cidade do México, a grande metrópole para onde fluíam as ideias, as pessoas e a cultura”, diz o jornalista americano Jon Lee Anderson, biógrafo de Guevara. Que ganharia o apelido de “che” por, como bom gaúcho argentino, usar esse pronome o tempo todo para se referir aos seus interlocutores.

Recém-chegados

Nos primeiros meses de sua estada no México, Che Guevara fez de tudo: fotografou os Jogos Pan-Americanos para uma agência de notícias argentina, descolou um bico num hospital, viajou pelo país e reencontrou exilados que conhecera em suas andanças – entre eles o amigo cubano Ñico López, integrante do ataque fracassado ao quartel de Bayamo.

Foi López quem o apresentou a Raúl Castro, outro recém-chegado ao México. “Quando Che soube do plano de invadir Cuba, soltou uma gargalhada: ‘Esses caras não têm solução!’”, relata o jornalista argentino Hugo Gambini na biografia El Che Guevara (sem tradução no Brasil). Mas nasceu ali uma profunda simpatia pela causa dos irmãos Castro, e Guevara a abraçaria imediatamente.

Em julho de 1955, Fidel finalmente chegou à Cidade do México. Desceu do ônibus vestindo um terno usado, sem um tostão no bolso e com sede de ação. Ele tinha pressa para reunir os exilados e retomar a luta contra o regime de Fulgêncio Batista. Em poucos meses, Fidel juntou exilados cubanos e reorganizou o Movimento 26 de Julho (M-26-7, data do assalto ao quartel Moncada), que ele havia fundado pouco antes em Cuba, na clandestinidade. O primeiro objetivo do grupo era desembarcar na ilha com um contingente bem-armado e fazer um chamado aos camponeses, para que se unissem à revolução.

Uma vez garantido o respaldo popular, Fidel esperava levar adiante seu programa de governo. Pretendia eliminar funcionários corruptos, iniciar a industrialização do país, assentar 100 mil pequenos agricultores, limitar o tamanho das fazendas e repartir o excesso de produção entre famílias camponesas. Em busca de recursos, viajou a Tampa, Miami e Nova York, divulgando a revolução entre exilados cubanos. Angariou cerca de 50 mil dólares, dinheiro prontamente convertido em armas e munições para embrião do Exército Rebelde – que, àquela altura, já contava com mais de 80 voluntários. “Esse valor, é claro, foi doado por cubanos ricos que acreditavam muito mais na queda de Fulgêncio Batista do que no programa social de Castro”, afirma Gambini.

De volta ao México, Fidel achou o homem ideal para treinar seus recrutas: o cubano Alberto Bayo, antigo oficial do Exército Republicano espanhol. “Durante três meses, Bayo ensinou os segredos da guerrilha”, diz Gambini. “Eles aprenderam a dar tiros; fabricar bombas; localizar e derrubar aviões; camuflar-se e esconder-se; transportar e atender feridos; e andar pela selva sem ser descobertos.” Embora sofresse de asma, Guevara foi o melhor aluno da turma.

Em fins de 1956, Fidel e Raúl decidiram que já era hora de tentar tomar o poder em Cuba. Compraram um barco e deixaram silenciosamente o cais do rio Tuxpan, em Veracruz, levando na popa uma bandeira vermelha e preta – as cores do Movimento 26 de Julho. A proa embicava rumo à costa leste de Cuba. Era lá que Fidel, Che Guevara, Raúl Castro e o resto da tropa colocariam em prática tudo o que haviam planejado no México. 

via Superinteressante

A semente da guerrilha

Enquanto pierrôs e colombinas brincavam nas ruas de Santiago, no dia 24 de julho de 1953, um grupo formado por 162 jovens de classe média chegava à cidade. Eles vinham da capital, Havana. Mas aquelas pessoas não tinham viajado quase 800 km para pular o carnaval (que, em Cuba, acontece no meio do ano). O objetivo era menos festivo: dar início a uma revolução que derrubaria o ditador Fulgêncio Batista. Liderados por Fidel Castro, recém-saído da faculdade de Direito, então com apenas 26 anos, eles pretendiam invadir o quartel Moncada – uma das maiores fortalezas do Exército de Batista, perto de Santiago. Os rebeldes instalaram-se num sítio alugado a 20 minutos de distância. E só sairiam de lá na alvorada do dia 26, prontos para o ataque.

Os rebeldes seriam divididos em quatro times, comandados por Fidel e por seu irmão, Raúl Castro, além de Abel Santamaría e Raúl Martinez Ararás. Em investidas sincronizadas, eles tomariam de assalto não apenas o quartel e sua estação de rádio, mas também o Palácio da Justiça e o Hospital Civil, ao lado da fortaleza militar. Enquanto isso, outro grupo rebelde iria se encarregar de impedir que o Exército enviasse reforços, neutralizando o quartel de Bayamo, um município vizinho.

No dia do ataque, tudo teria de funcionar com absoluta precisão. Às 5 horas da manhã, todos deixariam o sítio numa comitiva de carros, com uniformes iguais aos dos soldados de Batista. Fidel, a bordo de um Buick verde alugado, placa 169-361, tentaria se passar por general do Exército em visita. Seria um dos primeiros a entrar em Moncada. E o faria em grande estilo, pelo portão principal – onde as sentinelas já teriam sido rendidas. Assim que a rádio fosse ocupada, o poeta Raúl Gómez García leria um manifesto pedindo a volta da democracia e incitando a população à luta armada. O passo seguinte seria distribuir as armas do quartel entre civis dispostos a encampar a revolução.

Baixas além da conta

Depois de revelados os detalhes do plano, poucas horas antes do início da operação, pelo menos dez integrantes do grupo pularam fora. Outros tantos, talvez 30 ou mais, declararam-se incapacitados para a tarefa – ou porque estavam doentes, ou porque as armas não eram suficientes para todos. Fidel compreendeu. Ele mesmo já tinha declarado a seus comandados que aquela seria uma missão suicida, e que não haveria represálias para quem desistisse. Só não contava com tantas baixas. Dos 162 rebeldes originais, restavam menos de 120.

Quando o dia 26 de julho começou a raiar, o que restou do bando de Fidel já não se aguentava de ansiedade. Às 5h, teve início a operação. Mas logo de cara dois acontecimentos colocaram tudo a perder. Os carros que levavam Fidel Castro e seus camaradas não convenceram no papel de “comitiva de general”. Resultado: foram interceptados antes de chegar ao quartel. O Buick de Fidel acelerou e partiu para cima dos soldados. Acabou espatifando-se contra um muro, mas o comandante escapou.

Enquanto isso, no portão principal do quartel, uma patrulha do Exército apareceu justo na hora em que os rebeldes se preparavam para render as sentinelas. Teve início um tiroteio infernal, com clara vantagem para os 400 soldados em serviço, munidos até de canhões. Rebeldes foram presos, é claro, entre eles Raúl Castro e Abel Santamaría. Mas a maioria escapou.

Na investida contra o quartel Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo, a situação também fugiu ao controle. O morador local que conduziria rebeldes disfarçados para dentro do quartel sumiu na véspera. O jeito, agora, seria depositar todas as fichas no elemento-surpresa e atacar com a maior violência possível. Mas o avanço do grupo foi percebido de longe. A troca de tiros durou cerca de 20 minutos. De um lado, soldados do Exército aquartelados; do outro, rebeldes mal treinados e mal-armados, inteiramente expostos ao fogo inimigo. Somados os ataques a Moncada e Bayamo, 18 rebeldes morreram e quase 70 foram parar atrás das grades. 

Salvo por um tenente

Uma semana depois dos ataques frustrados, Fidel foi encontrado. Estava escondido numa pequena choupana em Sierra Maestra, uma região montanhosa, de mata fechada e acesso difícil. Tudo leva a crer que ele só não foi assassinado graças à intervenção de um integrante da Guarda Rural. “Ele era tenente, um homem negro, que levou Fidel à delegacia de polícia de Santiago de Cuba em vez de conduzi-lo ao quartel Moncada, onde certamente teria sido morto com os demais rebeldes capturados”, escreve o jornalista e historiador britânico Richard Gott no livro Cuba: Uma Nova História. O arcebispo Pérez Serantes, amigo da família de Mirta Díaz-Balart, primeira esposa de Fidel, pediu pela vida do foragido. E acabou operando um verdadeiro milagre. Em vez de fuzilamento, o líder rebelde teria de enfrentar um tribunal. Seu julgamento foi marcado para 21 de setembro.

Em 16 de outubro de 1953, após quase um mês de julgamento, saiu a sentença: Fidel Alejandro Castro Ruz e seu irmão Raúl estavam condenados a 15 anos de prisão. Mas as penas seriam transformadas em apenas 22 meses de detenção, a serem cumpridos no presídio da ilha de Pinos. Depois de libertados, os irmãos Castro partiriam para o México.

Bons tempos do exílio 

O México serviu de trampolim para a Revolução Cubana. Foi lá que os irmãos Castro conheceram o jovem Ernesto Guevara e convenceram-no a participar da empreitada. Também foi lá que Fidel reuniu outros exilados cubanos e reorganizou o Movimento 26 de Julho, para derrubar o ditador Fulgêncio Batista. E foi lá que o Exército Rebelde recebeu treinamento de guerrilha para os combates que viriam pela frente em Sierra Maestra. Por que a revolução acabou sendo gestada em território mexicano? A resposta começa em maio de 1955, quando Fidel e Raúl Castro deixaram a cadeia em Cuba.

Libertados depois de 22 meses de prisão, por terem comandado os ataques aos quartéis de Moncada e Bayamo, os irmãos acreditavam que, se permanecessem na ilha, acabariam assassinados pela ditadura. Preferiram o exílio e encontraram, no México, o ambiente perfeito para planejar uma nova investida contra o regime de Batista. O país, na década de 1950, era um santuário de exilados latino-americanos. Essa tradição começara 15 anos antes, quando os mexicanos haviam recebido de braços abertos os refugiados da Guerra Civil espanhola. “Se você precisasse ir para algum lugar no continente, esse lugar era a Cidade do México, a grande metrópole para onde fluíam as ideias, as pessoas e a cultura”, diz o jornalista americano Jon Lee Anderson, biógrafo de Guevara. Que ganharia o apelido de “che” por, como bom gaúcho argentino, usar esse pronome o tempo todo para se referir aos seus interlocutores.

Recém-chegados

Nos primeiros meses de sua estada no México, Che Guevara fez de tudo: fotografou os Jogos Pan-Americanos para uma agência de notícias argentina, descolou um bico num hospital, viajou pelo país e reencontrou exilados que conhecera em suas andanças – entre eles o amigo cubano Ñico López, integrante do ataque fracassado ao quartel de Bayamo.

Foi López quem o apresentou a Raúl Castro, outro recém-chegado ao México. “Quando Che soube do plano de invadir Cuba, soltou uma gargalhada: ‘Esses caras não têm solução!’”, relata o jornalista argentino Hugo Gambini na biografia El Che Guevara (sem tradução no Brasil). Mas nasceu ali uma profunda simpatia pela causa dos irmãos Castro, e Guevara a abraçaria imediatamente.

Em julho de 1955, Fidel finalmente chegou à Cidade do México. Desceu do ônibus vestindo um terno usado, sem um tostão no bolso e com sede de ação. Ele tinha pressa para reunir os exilados e retomar a luta contra o regime de Fulgêncio Batista. Em poucos meses, Fidel juntou exilados cubanos e reorganizou o Movimento 26 de Julho (M-26-7, data do assalto ao quartel Moncada), que ele havia fundado pouco antes em Cuba, na clandestinidade. O primeiro objetivo do grupo era desembarcar na ilha com um contingente bem-armado e fazer um chamado aos camponeses, para que se unissem à revolução.

Uma vez garantido o respaldo popular, Fidel esperava levar adiante seu programa de governo. Pretendia eliminar funcionários corruptos, iniciar a industrialização do país, assentar 100 mil pequenos agricultores, limitar o tamanho das fazendas e repartir o excesso de produção entre famílias camponesas. Em busca de recursos, viajou a Tampa, Miami e Nova York, divulgando a revolução entre exilados cubanos. Angariou cerca de 50 mil dólares, dinheiro prontamente convertido em armas e munições para embrião do Exército Rebelde – que, àquela altura, já contava com mais de 80 voluntários. “Esse valor, é claro, foi doado por cubanos ricos que acreditavam muito mais na queda de Fulgêncio Batista do que no programa social de Castro”, afirma Gambini.

De volta ao México, Fidel achou o homem ideal para treinar seus recrutas: o cubano Alberto Bayo, antigo oficial do Exército Republicano espanhol. “Durante três meses, Bayo ensinou os segredos da guerrilha”, diz Gambini. “Eles aprenderam a dar tiros; fabricar bombas; localizar e derrubar aviões; camuflar-se e esconder-se; transportar e atender feridos; e andar pela selva sem ser descobertos.” Embora sofresse de asma, Guevara foi o melhor aluno da turma.

Em fins de 1956, Fidel e Raúl decidiram que já era hora de tentar tomar o poder em Cuba. Compraram um barco e deixaram silenciosamente o cais do rio Tuxpan, em Veracruz, levando na popa uma bandeira vermelha e preta – as cores do Movimento 26 de Julho. A proa embicava rumo à costa leste de Cuba. Era lá que Fidel, Che Guevara, Raúl Castro e o resto da tropa colocariam em prática tudo o que haviam planejado no México. 

via Superinteressante

Miniatura de cérebro humano cresce depois de implantada em rato

Miniatura de cérebro humano cresce depois de implantada em rato

O órgão desenvolveu neurônios, mas isso não significa que o bichinho ficou mais inteligente

Doenças no cérebro são sempre complicadas para a medicina. Como não é possível fazer testes em humanos — afinal, quem se arriscaria a ter sua cabeça revirada? —, estudar essas patologias e propor tratamentos exigem métodos bem complexos. Em 2013, cientistas australianos criaram os primeiros “mini cérebros” humanos através do estímulo de células-tronco, que originaram neurônios. A partir daí, pesquisadores conseguiram formar estruturas semelhantes às dos cérebros de fetos, gerando diferentes tipos de células cerebrais e desenvolvendo, para estudo, anormalidades neurológicas — como a Síndrome de Timothy, que causa má formação física e de desenvolvimento.

Mas havia um problema: para que as pesquisas prosseguissem, esses mini cérebros precisavam sobreviver mais tempo nas culturas de laboratório. A solução encontrada foi implantá-los em um lugar onde pudessem crescer e se desenvolver: no cérebro de ratos. Sim, cientistas do Instituto Salk, nos Estados Unidos, colocaram estruturas cerebrais humanas do tamanho de uma ervilha em ratos. Os resultados desse experimento foram divulgados recentemente na revista Nature Biotechnology.

Na experiência, foram usados mini cérebros de 31 a 50 dias de vida em mais de 200 ratos. Os cientistas furaram o crânio dos ratinhos, removeram um pouco do tecido cerebral dos próprios camundongos e implantaram a “ervilha humana” — que havia sido geneticamente projetada para produzir proteínas verdes. Assim, a parte humana ficava com uma coloração esverdeada, visível através de uma espécie de tampa transparente que fechava o buraco.

O resultado foi animador: 80% dos implantes não causaram danos aos ratos. Entre uma e doze semanas, os mini cérebros criaram mais neurônios, de diferentes regiões do cérebro. Em 14 dias, quase todos haviam se incorporado ao cérebro dos ratos, dando origem a uma rica rede de vasos sanguíneos que carregava oxigênio e nutrientes, permitindo que os mini cérebros vivessem normalmente por pouco mais de 200 dias. Seu nível de desenvolvimento era semelhante ao de um bebê recém-nascido.

Um fato curioso é que, mesmo com neurônios humanos, os roedores com os implantes não eram mais inteligentes que os ratos comuns. Os pesquisadores descobriram isso fazendo um teste comportamental simples: colocaram os camundongos em uma plataforma circular com 20 buracos ao redor da borda, e os levaram até o único orifício que tinha um túnel de escape (os outros eram becos sem saída), para que eles aprendessem onde era a saída. Em seguida, deixaram que eles mesmos tentassem ir até o buraco certo. No primeiro dia, os ratos com os mini cérebros humanos cometeram menos erros, mas essa vantagem sumiu no segundo dia. Mesmo assim, o líder do estudo, Fred Gage, afirmou que ainda é cedo para se tirar conclusões, pois esses ratinhos podem, sim, demonstrar mais inteligência em outras situações: “não posso excluir, neste momento, outros impactos comportamentais”.

Outro ponto levantado pelo estudo fala sobre as questões éticas: os mini cérebros poderiam influenciar na consciência e até na identidade dos camundongos? Eles ainda são, de fato, ratos? Ou um híbrido? Os pesquisadores ainda não conseguem responder isso, mas as pesquisas continuam.

via Superinteressante