Obesidade não diminui expectativa de vida, aponta estudo

Obesidade não diminui expectativa de vida, aponta estudo

Uma pesquisa conduzida no Reino Unido garante que existe, sim, a obesidade “saudável”

A ligação entre a obesidade e a expectativa de vida pode não ser tão óbvia assim. Pesquisadores da Universidade de York, no Reino Unido, descobriram que pacientes obesos, mas com nenhum outro fator de risco metabólico, não apresentam aumento na taxa de mortalidade em relação às pessoas magras. Isso contraria a maior parte da literatura sobre o assunto, que inclui a obesidade como um risco por si só.

O estudo acompanhou 54.089 homens e mulheres, alguns apenas obesos e outros com disfunções associadas (cardiovasculares ou relacionados à glicose). Aqueles com a chamada obesidade metabólica saudável não tiveram uma taxa de mortalidade maior do que a média da população.

Hoje, qualquer um que estiver com o IMC acima de 30 kg/m2 é instruído a perder peso, como se o fato por si só já fosse um risco para a saúde. Mas a pesquisa apresenta outra maneira de enxergar a situação, ao constatar que 1 a cada 20 voluntários não apresentavam nenhum problema metabólico.

“Estamos mostrando que os indivíduos com obesidade metabolicamente saudável não estão em uma taxa de mortalidade elevada. Descobrimos que uma pessoa com peso normal e sem outros fatores de risco metabólicos tem a mesma probabilidade de morrer do que a pessoa com obesidade e sem outros fatores de risco”, diz Jennifer Kuk, coordenadora do projeto, ao Science Daily. “Isso significa que centenas de milhares de pessoas na América do Norte com obesidade metabolicamente saudável serão orientadas a perder peso, mesmo que o benefício para isso seja questionável.”

Calma, não tranque a matrícula na academia agora. O estudo não contesta, de nenhuma forma, os benefícios em praticar atividades físicas e nem de ter uma alimentação saudável. O que eles dizem é que, se você cuida da sua saúde, não precisa se preocupar com as gordurinhas aparecendo.

via Superinteressante

Novo estudo diz que maconha medicinal NÃO funciona para dor crônica

Novo estudo diz que maconha medicinal NÃO funciona para dor crônica

Pesquisa acompanhou 1.514 adultos que sofrem de dor crônica e encontrou até pioras no quadro de alguns que consumiram a erva

O uso de opiáceos para aliviar dores crônicas debilitantes é um problema, principalmente por conta da dependência que causa nos usuários e as mortes por overdose que já atingiram números tão altos que a questão já é tratada como uma epidemia. Neste cenário, a maconha tem se mostrado um substituto perfeito, causando os mesmos efeitos sem tantos danos à saúde. Agora, novos estudos surgiram para cortar o barato da comunidade científica e mostrar que a solução não vai ser tão simples assim.

O estudo liderado pela Dra. Gabrielle Campbell no Centro Nacional de Pesquisas sobre Drogas e Álcool da Universidade de New South Wales mostrou que pessoas com dores crônicas não relacionadas ao câncer que usaram cannabis não tiveram melhoras na dor em comparação com aqueles que não a consumiram no período de um ano.

Para isso a pesquisa acompanhou 1.514 adultos de toda Austrália que sofrem de dores crônicas. Os pesquisadores também observaram os diferentes estilos de vida, fatores psicológicos e autoeficácia de dor (a capacidade das pessoas de realizar atividades mesmo com dor). Muitos dos voluntários precisaram recorrer aos opióides. Além disso, aqueles que usavam maconha apresentavam menor autoeficácia de dor e tinham as atividades diárias mais prejudicadas pela dor.

A pesquisa não coloca um ponto final na discussão. Os próprios responsáveis reconhecem que é possível que os voluntários que escolheram usar maconha já estivessem mais angustiados com a dor e apresentassem taxas maiores de ansiedade. Também é preciso levar em conta que o estudo foi realizado antes da maconha medicinal ser legalizada na Austrália, o que significa que os usuários precisaram recorrer a formas ilícitas e tiveram acesso a uma erva pior e que não foi projetada especificamente para tratar a dor. Ainda tem muita pesquisa pela frente.

via Superinteressante

Projeto de empoderamento da Disney leva jovens para estudar cinema nos EUA

A Disney, um dos alvos tradicionais de parte do movimento feminista por perpetuar o estereótipo da “princesa”, vem tentando provar que pode ser uma aliada na luta por um mundo mais igualitário. Sua mais nova iniciativa é a campanha #SouPrincesaSouReal, que irá levar 21 meninas de 13 países, que sonham em ser cineastas, para um workshop de cinema em Washington DC.

Dentre as 21 participantes está a brasileira Alyssa Schiavon Gandini, de 22 anos, que é apaixonada por questões femininas e busca pela igualdade das mulheres na indústria cinematográfica.

A ideia é misturar jovens com vivências diversas, colocá-las em contato com grandes mulheres profissionais da sétima arte (como por exemplo, a vencedora do Oscar Jennifer Lee) e, no fim da experiência, produzir curta-metragens digitais, com mentoria da Disney, da Apple e da Summerjax. Eles serão publicados nas redes sociais ainda em outubro deste ano. O tema? Empoderamento, claro.

A cada curtida ou compartilhamento de vídeos ou fotos no Facebook, Instagram ou Twitter com a hashtag #SouPrincesaSouReal, a Disney Worldwide Services vai doar US$ 1 para o Girl Up, campanha da Fundação das Nações Unidas. Essa ação terá início em 10 de outubro e ficará ativa até 20 de novembro de 2018. A meta é angariar US$ 1 milhão!

“A série #SouPrincesaSouReal disponibiliza uma plataforma poderosa para que a próxima geração de aspirantes a cineastas crie conteúdo sobre as mulheres que as inspiraram.”, afirma Jennifer Lee, autora e diretora da animação Frozen – Uma Aventura Congelante.

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via Superinteressante

Tratamento que promete reverter o envelhecimento passa no primeiro teste

Tratamento que promete reverter o envelhecimento passa no primeiro teste

A nova droga inibe proteínas relacionadas ao envelhecimento e fortalece o sistema imunológico

Desde sempre o humano sonha em, de alguma forma, evitar o envelhecimento. É só observar o número de lendas antigas que falam sobre o assunto, como a greco-romana fonte da juventude que foi apropriada pelo Renascimento europeu no século 16. Agora, podemos estar mais perto de ver essa lenda se tornar realidade: um estudo clínico publicado pela American Association for the Advancement of Science obteve resultados positivos com drogas antienvelhecimento experimentais, que de quebra reforçam o sistema imunológico. 

O teste envolveu pessoas acima de 65 anos, que receberam dois remédios inibidores de mTOR (um grupo de proteínas responsáveis por multiplicar e envelhecer as nossas células). Essa inibição causou um retardo no processo de envelhecimento dos voluntários.  

Testes com camundongos mostraram que as mesmas drogas também foram responsáveis por revitalizar o sistema imunológico e os órgãos que se deterioram na velhice, aumentando a expectativa de vida das cobaias. Ainda não se sabe como a droga pode ter atuado na revitalização dos órgãos dos humanos. Mas o sistema imunológico deles foi rejuvenescido: os voluntários tiveram quase 50% menos infecções durante o ano seguinte ao teste. As drogas também foram eficientes em aumentar as respostas dos voluntários à vacina contra a gripe, revelando 20% a mais de anticorpos contra gripe no sangue um mês após a vacinação.

O próximo passo da pesquisa é descobrir se os medicamentos funcionam bem em todos os grupos de idosos. Por exemplo, pessoas com mais de 85 anos, com asma, diabetes ou insuficiência cardíaca. Se tudo der certo, poderemos ter um futuro com uma melhor qualidade de vida à medida que envelhecemos.

via Superinteressante

Pesquisadores descobrem última refeição de homem que viveu há 5 mil anos

Ötzi, o Homem de Gelo, foi descoberto há quase 30 anos, com o corpo mumificado, nos Alpes orientais italianos. Ele é importantíssimo para a ciência, não só por ter vivido há mais de 5.300 anos, o que o torna uma das múmias mais antigas já descobertas, mas também por seu excelente estado de conservação, que viabiliza uma série de estudos: os cientistas já analisaram desde as bactérias que habitaram o corpo de Otzi, até o que ele costumava vestir.

A mais recente pesquisa liderada por Frank Maixner, do Instituto Eurac de Estudos de Múmia, desvendou qual foi a última refeição do Homem de Gelo: carnes selvagens de íbex (caprino que habita os Alpes) e de veado, trigo selvagem e vestígios de um tipo de samambaia.

Era a melhor última refeição que alguém poderia ter naquela época, muito variada e saudável. Por isso, os pesquisadores começaram a trabalhar com a hipótese de que Otzi sabia bem o que estava fazendo. Uma das teorias é de que ele estava se preparando para uma viagem pelas montanhas e comeu um banquete para aguentar o tranco da jornada.

Os pesquisadores não acreditam que Ötzi se alimentava sempre assim, mas acham que ele devia ter uma dieta bem equilibrada, incluindo gordura, cereais e frutas. Também apresentava algum conhecimento rudimentar de medicina, pois o tipo de samambaia que ele consumiu serviria para acalmar dores de estômago.

Ötzi não chegou a realizar a viagem que planejava. Foi assassinado com uma flechada nas costas pouco tempo depois do banquete, aos 45 anos de idade.

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App de corrida revela a localização de militares e espiões

Há cada vez mais ceticismo quanto à segurança dos dados que as pessoas fornecem às grandes empresas de tecnologia. O caso do vazamento de informações do Facebook ainda está fresco na memória. Mas pouca gente desconfiaria de um aplicativo fitness como o Polar Flow, que registra atividades como caminhada, corrida e ciclismo.

Uma investigação do site de notícias holandês de Correspondent descobriu que era possível usar as informações cedidas pelo app para identificar os funcionários que trabalham em bases militares e prédios governamentais, bem como onde eles moram e quais locais costumam frequentar. No total, foram identificados mais de 6.400 usuários que, acredita-se, trabalham em locais sensíveis, como a National Security Agency, a Casa Branca, a agência de inteligência britânica MI5 e sua contraparte russa, a GRU.

Os dados também permitiram identificar equipes de instalações de armazenamento nuclear, silos de mísseis, prisões e locais como a Baía de Guantánamo. Por uma falha de segurança, o Polar Flow expunha essas informações na internet. Seu fabricante admitiu o problema, e prometeu uma atualização para corrigi-lo. 

Não é a primeira vez que acontece algo do tipo. No início do ano, o aplicativo de exercícios Strava esteve no meio de uma polêmica parecida, quando foi descoberto que os mapas de calor da empresa, que mostram atividades dos usuários ao redor do mundo, também poderiam ser usados para identificar bases militares, inclusive algumas que eram secretas até então. Está ficando cada vez mais difícil se esconder – e isso também vale para espiões.

via Superinteressante

Pesquisa diz que alimentar bebês com sólidos precocemente traz benefícios

A regra é clara: o ideal é alimentar bebês exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade e só depois introduzir alguns alimentos pastosos, certo? Bem, há quem discorde. Um estudo financiado pela Food Standards Agency (agência de segurança alimentar britânica), recém-publicado no periódico JAMA Pediatrics, mostrou que ingerir alimentos sólidos depois dos três meses de idade, como um complemento ao leite materno, é benéfico para a saúde.

Para chegar à essa conclusão, os cientistas observaram mais de 1300 crianças saudáveis durante três anos. Um grupo foi amamentado exclusivamente até os seis meses, enquanto o outro recebeu o leite materno enquanto se alimentava de sólidos pastosos a partir dos três meses. O resultado da introdução precoce de certos alimentos foi a redução das chances da criança desenvolver alergia – e a dieta incluía alimentos frequentemente alergênicos, como amendoim, ovos e trigo.

Além do benefício imunológico, o grupo que consumia sólidos também teve um sono melhor, dormindo cerca de dezesseis minutos a mais por noite (quase duas horas a mais por semana) e acordando duas vezes menos durante a noite.

O resultado do estudo gerou controvérsia, principalmente porque a Assembleia Mundial da Saúde, promovida em maio pela OMS (Organização Mundial da Saúde) se baseou em quatro décadas de pesquisas e concluiu que o leite materno deve ser o único alimento de uma criança até seis meses de idade.

O próprio porta-voz da Food Standarts Agency declarou: “Estamos encorajando todas as mulheres a seguir os conselhos atuais para exclusivamente amamentas pelos primeiros seis meses. Se houver alguma dúvida sobre o que é melhor para o seu bebê, por favor, procure orientação do seu médico ou profissional de saúde”. A nova pesquisa serviu para acender um novo debate na comunidade científica. Até lá, o ideal é seguir as recomendações de amamentação e, acima de tudo, ter a saúde e a nutrição do bebê como prioridade.

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“Neymar que me perdoe, mas não existe craque burro”

Sempre fui fã do Neymar. Apesar de ele ser marrento, mimado, mal-assessorado, ególatra. Tudo bem. É que, apesar de disso tudo, ele joga muito. Muito mesmo. Mas nessa Copa, pela primeira vez, peguei raiva do cara. Não porque ele tenha ido tão mal (nem bem). Mas porque ele foi burro.

Burro, burraldaço. E aí dá raiva.

Raiva que não senti nem quando ele deu um chapéu no Chicão com o jogo parado. Ou quando deu um chapéu no Santos e disputou o Mundial de Clubes contra o Barcelona já contratado pelo… Barcelona. Ou quando deu um chapéu na Receita Federal. Ou quando deu um chapéu… 

Não, nada. Cansei de defendê-lo em inúmeras situações. Porque, repito, ele é fera. No começo, havia o medo de o Neymar virar um Robinho, alguém que prometia ser um dos grandes, mas no fim, pfff, não era nada daquilo. Pensar isso hoje é bobagem. Basta lembrar dos títulos que Neymar já ganhou: em todos, ele foi decisivo. Em muitas dessas conquistas, ele fez gol na final (Libertadores-2011 no Santos, Champions-2015 no Barcelona, Olimpíadas-2016 na Seleção, por exemplo).

Por isso, nunca liguei para os seus penteados, suas tatuagens ou seus tuítes. Pra falar a verdade, nunca me importei nem com a sua fama de cai-cai, piscinero ou diver (dependendo do país onde você está). Afinal, a cada jogo, ele apanha mais que o Rocky Balboa em todos os filmes da série. Apanha mais do que qualquer outro jogador no mundo. Se ele provoca, se chama a falta, aí é outra história. Mas apanha. Os caras pisam no pé dele, no tornozelo, dão cotovelada, o UFC todo. E aí ele desaba no chão e, em seguida, rola, rola feito um pneu. A hipérbole da sua reação era uma maneira de punir quem o surrava. Uma maneira de gritar: manhê, olha o que o meu irmão mais velho fez! 

Só que agora não precisava. E por não ter percebido isso, ele foi burro.

Neymar não sacou que, em uma Copa marcada pela vigilância do VAR e, paradoxalmente, por uma certa complacência à porrada (foram poucos amarelos, parece que a FIFA não queria suspender ninguém), não adiantava nada ele rolar no chão daquele jeito. Quer dizer, só adiantou para melhorar nossos memes.

Não precisava cair como se tivesse levado uma bala perdida. Tava todo mundo vendo, pô. E o artifício, que antes poderia servir como uma defesa, passou a ser prejudicial. Contra a Costa Rica, ele preferiu cavar um pênalti (que foi anulado) a continuar o lance. Contra a Bélgica, a mesma coisa. Nas oitavas de final, o cúmulo: sua reação exagerada impediu a expulsão do mexicano que pisou criminosamente no seu tornozelo. Neymar gritou e rolou – como ele sempre faz. Então não foi nada de mais, pensou o juiz e o mundo inteiro. Não, o açougueiro mexicano tinha que ser expulso!

Nosso maior ídolo foi burro ao não ver como esse comportamento não fazia mais sentido. Um erro crasso de avaliação das circunstâncias. A opinião pública, do menininho vendo TV em casa aos árbitros de vídeo vendo TV naquela salinha fechada, estava contra ele.

Isso tudo afetou seu rendimento, o rendimento do time e a sua própria imagem. Neymar virou uma piada. O planeta agora o cita mais como mau ator do que como excepcional jogador de futebol. Que burrice.

Claro que ser marrento, mimado, mal-assessorado, ególatra afunda ainda mais a situação.

Difícil dizer quem pode tirar Neymar desse buraco. O pessoal à sua volta o “protege” tanto que ele continua, aos 26 anos e com um filho no colo, sendo chamado de menino. Seu pai continua fazendo tudo para ele — até mesada o jogador mais caro do mundo ainda recebe. Neymar, uma dica: seu brother Lewis Hamilton estourou de vez na F-1 quando o pai parou de acompanha-lo em todas as corridas, negociar com os empresários, gerenciar sua carreira. Hamilton contratou profissionais para isso e, depois, virou gente grande, esportivamente falando.

Na Copa, até o Tite e toda a comissão técnica, supostamente tão equilibrada e justa, passaram a mão na cabeça (ora loira, ora não) do “menino”. Ele não deu entrevistas, não deu a cara a tapa, assim como nunca soube nada dos seus contratos nem das suas declarações de renda. Vive numa bolha. As críticas são tão filtradas que viram apenas conspirações de quem tem “inveja” dele. Ei, Ney, críticas também servem para a pessoa melhorar. Se você não as ouve, como vai evoluir?

Mas tudo isso eu sempre perdoei. Porque o cara é o cara. Mas burrice, não dá. Não existe craque burro.

Sócrates, Zico, Falcão, Tostão, Cruyff, Beckenbauer, Zidane: todos superdotados com os pés e com a cabeça. Não peço a Neymar a eloquência, a articulação, o pensamento complexo sobre questões existenciais desses caras. Estou falando daquela inteligência que se manifesta entre o apito inicial e o final do juiz. Aquela que o maior crânio de todos, Pelé, cansou de demonstrar.

Garrincha? Um gênio — de um tipo específico de inteligência, a inteligência corporal. Ele foi capaz de enganar dezenas, centenas de zagueiros ao redor do mundo em frações de segundo. Mais: em 1962, com Pelé machucado, teve a percepção profunda de que deveria mudar seu jogo para ganhar a Copa. Deslocou-se para todos os lados, fez gols de direita, esquerda e até de cabeça. Ganhou a Copa praticamente sozinho. Gênio. Neymar não conseguiu ter esse nível de discernimento.

Por isso, se eu pudesse furar a bolha e dar um conselho de amigo (ou melhor, de parça) a Neymar, pelo bem dele e de todos nós, torcedores, seria esse: fica esperto, mano.


Marcos Abrúcio, autor deste texto, é publicitário e editor do site Copawriters 

via Superinteressante

Por que todo jogador leva as mãos à cabeça quando erra?

Durante uma partida acirrada da Copa do Mundo, o jogador recebe um bom passe e corre o suficiente para ficar sozinho na frente do gol, mira bem, coloca força nos pés, chuta e… erra feio. Quando esse tipo de situação acontece, você pode esperar que o jogador leve as duas mãos para o topo da cabeça em sinal de desespero, um gesto que parece dizer “como perdi isso?”. Foi o que Neymar fez quando errou um lance parecido. Coutinho também repetiu o mesmo gesto, assim como Messi, Cristiano Rolnado e dezenas de outros jogadores, não importa em qual país ou cultura em que cresceu. O que acontece é uma resposta instintiva e a psicologia tem uma explicação para ela.

Em seu estudo publicado em 1981 sobre esportes, o zoólogo Desmond Morris incluiu o gesto em seu catálogo de 12 reações universais do jogador à derrota. No texto, ele descreve o ato de levar as mãos à cabeça como  “uma forma de auto contato, um dispositivo usado quando o indivíduo sente necessidade de um abraço reconfortante, mas não tem ninguém imediatamente disponível para oferecer um”. É a melhor maneira de se consolar naquele segundo desesperador. Algumas espécies de macacos repetem o mesmo gesto com frequência.

O choque em perder um lance fácil também ativa o sistema de autoproteção do jogador, por isso muitos deles levam às mãos ao rosto na hora, pois é a primeira coisa que o nosso corpo pensa em proteger. É como quando uma pessoa leva um susto e levanta as mãos na altura do rosto na hora sem racionalizar sobre isso.

E como explicar o gesto se repetindo mesmo entre os jogadores que só observaram o lance, os torcedores no estádio e, algumas vezes, até você que está assistindo de casa? Segundo Philip Furley, professor de psicologia esportiva da Universidade Alemã de Esportes, em entrevista ao The New York Times, o que acontece é uma “resposta espelho”, uma espécie de contágio do comportamento não-verbal devido a sua empatia pelo o que está rolando em campo. Nada mais do que antiga sensação que conhecemos bem de estar participando da partida.

Colocamos nossas mãos no topo da cabeça várias vezes durante o jogo contra a Bélgica. E tudo bem, faz parte do jogo.

via Superinteressante