Qual o papel do Brasil no Acordo de Paris?

Firmado em dezembro de 2015 por 195 países, o Acordo de Paris representa o maior compromisso que a humanidade já assumiu com o ambiente.

A meta é uma só: manter a temperatura média da Terra até 2°C acima dos níveis “pré-Revolução Industrial” até o fim do século, esforçando-se para que a variação não passe de 1,5ºC.

Com “pré-Revolução Industrial” você pode entender a primeira metade do século 19. Na época, as máquinas ainda não haviam mudado toda a lógica de produção capitalista, colocando a Europa sob uma névoa cinzenta – e elevando as temperaturas médias pelo planeta por ação do famigerado efeito estufa.

A proposta atual do documento, de fato, é ousada. Isso porque, no ritmo que estamos, ultrapassaremos a meta dos 1,5°C ainda em 2040 – pelo menos, é isso que diziam estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas) do começo de 2018.

Tudo isso pode ser diferente, porém, se cada país fizer o mínimo estabelecido. A partir de 2020, cada nação precisará balizar suas decisões ambientais conforme manda a cartilha do Acordo de Paris – afinal, ele tem efeito de lei internacional.

A lista dos que se recusaram a entrar na dança pode ser contada nos dedos. Não dá para negar que a principal ausência, no entanto, não será sentida. Os EUA de Trump anunciaram sua saída do clube em 2017 – mesmo mandando para atmosfera 17,9% das emissões de gases do planeta. Países como a vizinha de América Nicarágua e a Síria, devastada por uma guerra civil que se arrasta por anos, também ficam de fora.

No caso do Brasil, a lição de casa para os próximos anos é extensa. Nos comprometemos, por exemplo, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, até 2025. Até 2030, tais taxas devem ser 43% menores. Atualmente, somos o sétimo maior emissor mundial de gases de efeito estufa do mundo.

Outra pauta é aumentar a participação de biocombustíveis em 18% até 2030. No mesmo ano, 45% da matriz energética deverá ser composta por energias renováveis, precisaremos ter renovado 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e zerado o desmatamento ilegal na Amazônia. Você pode acessar a lista completa neste documento, chamado de iNDC (sigla em inglês para Contribuição Nacionalmente Determinada).

É essencial para o resto do mundo que nos atenhamos a cumprir cada ponto, como prometido lá em 2015. Um estudo publicado por pesquisadores brasileiros na revista científica Nature Climate Change, mensurou o impacto que negligenciar por completo tais metas poderia trazer ao mundo.

O pior cenário de todos, em que tratamos com descaso total cada uma dessas metas ambientais, poderia trazer impacto financeiro gigantesco – para os outros.

O simples fato de o Brasil ignorar por completo suas metas para o Acordo de Paris faria o resto do mundo ter de gastar quase R$ 20 trilhões. Tudo para que a temperatura fosse mantida abaixo dos ideais 2°C acima, sem que nossa pátria amada mexesse uma palha para isso. Ou seja: a influência do Brasil na conta ambiental do planeta é tão grande quanto sua biodiversidade.

A boa notícia é que temos algum tempo até para prevenir antes que seja preciso aos outros remediar. Estima-se que o valor para que o Brasil cumpra suas metas individuais seja até três vezes menor do que a conta acima indica. É bom que assumamos essa – pelo bem do planeta.

via Superinteressante

Brasil está construindo rede de trilhas de 18 mil quilômetros

A expressão “do Oiapoque ao Chuí” é a forma mais comum de se definir algo que corta o Brasil de uma ponta a outra. Apesar de a cidade de Oiapoque não ser o ponto mais ao norte do país – Caburaí, em Roraima, é que defende este título –, a distância do roteiro impressiona. Um viajante que vai de Chuí, no Rio Grande do Sul, até atingir o topo do Amapá, precisaria percorrer incríveis 4.180 quilômetros, andando em linha reta.

A boa notícia para entusiastas da vida ao ar livre (e de distâncias enormes), é que, agora, o trajeto poderá ser feito a pé – e entre belas paisagens. É o que sugere uma parceria entre os Ministérios do Turismo e do Meio Ambiente, que quer implementar trilhas de longa extensão por todos os cantos do Brasil.

A ideia do projeto Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (Rede Trilhas) é interligar diferentes unidades de conservação e ecossistemas brasileiros, para até 2038, criar 18 mil quilômetros de rotas naturais de caminhada. A portaria que determina sua criação foi assinada nesta sexta-feira, 19 de outubro.

A iniciativa prevê a criação de quatro grandes corredores naturais:

  • Litorâneo, que se estenderá (literalmente) da amapaense Oiapoque até Chuí, no Rio Grande do Sul. Engloba, no total, 8 mil quilômetros, passando por mais de 100 unidades de conservação ambiental ao longo da costa nacional
  • Missão Cruls, entre a Cidade de Goiás e a Chapada dos Veadeiros. Com 600 quilômetros, seguirá o caminho percorrido por Luiz Cruls, cientista que delimitou a área onde seria construída Brasília
  • Caminhos do Peabiru, que atravessará o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, percorrendo o litoral do estado. São mais de mil quilômetros, e retrata o percurso que índios guarani faziam entre o Oceano Atlântico e os Andes
  • Estrada Real, que interliga os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A rota pode ser percorrida atualmente por carros e bicicletas, mas ganhará também um percurso para quem optar ir a pé. Acompanha o trajeto usado pela Coroa Portuguesa no período colonial, e tem mais de 1.700 quilômetros

(Ministério do Turismo/Reprodução)

“A definição do percurso não será feita pelo ICMBio dentro de um escritório. Nós iremos fomentar, com foco nas nossas áreas, a implementação de caminhos que se encaixem nesse traçado maior”, disse Pedro Menezes, representante do ICMBio, (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), órgão ambiental do governo brasileiro, em comunicado. “Ele será definido de baixo para cima. Na medida em que as unidades manifestem seu interesse em implementar trilhas no seu perímetro. E o percurso pode mudar, ir melhorando”.

Estima-se que pelo menos 10% das trilhas previstas (cerca de 1.900 km) já estejam prontas. Segundo a EBC, entre as rotas já finalizadas estão o Caminho da Serra do Mar (RJ), a Transcarioca (RJ), a Transespinhaço (MG), a Rota Darwin (RJ-PE) e o Caminho das Araucárias (RS/SC), que integram o corredor Litorâneo. Cada uma delas é sinalizada com uma pegada amarela sob um fundo preto, que indica o sentido a ser percorrido.

De acordo com o ICMBio, quem não tiver pique para percorrer Oiapoque ao Chuí e preferir caminhadas mais breves pode ficar despreocupado: as trilhas serão planejadas para serem percorridas em etapas. Espera-se que a iniciativa seja um incentivo ao ecoturismo e à conservação da biodiversidade, e que as novas rotas atraiam 2 milhões de pessoas por ano.

via Superinteressante

Este é o “som” de uma geleira da Antártida

Não é todo dia que se ouve o que as geleiras do Polo Sul estão dizendo. Nesta semana, pesquisadores conseguiram captar um som diretamente vindo da plataforma de gelo Ross, na Antártida.

Ficou curioso? Ouça abaixo no vídeo publicado pela União de Geofísica Dos Estados Unidos (AGU, na sigla em inglês):

Meio sinistro? O barulho foi captado pelos cientistas com a ajuda de sensores de movimentos sísmicos. Por serem ultrassensíveis, esses aparelhos conseguem registrar vibrações muito sutis. O som, na verdade, é resultado do atrito entre os ventos e a plataforma de gelo.

No entanto, a música polar que você acabou de ouvir sofreu, digamos, um remix. A frequência das ondas sonoras do fenômeno é imperceptível ao ouvido humano. Para que fosse possível ouvir, foi preciso acelerar a gravação em mais de 1.200 vezes.

Veja também

Monitorando gelo

O som não foi obtido de um estudo exclusivo para isso, mas apareceu durante um já existente: o artigo que reportou o fenômeno, publicado no Geophysical Research Letters, diz que há uma medição constante das plataformas de gelo da Antártida.

Segundo o jornal USA Today, em 2014 cientistas instalaram 34 sensores de atividade sísmica na plataforma Ross para acompanhar como o lugar se comporta conforme o avanço das mudanças climáticas. Com monitoramento, de acordo com com eles, é possível detectar se rachaduras estão sendo formadas e saber como o aumento das temperaturas está influenciando na região.

A plataforma de gelo Ross é a maior do mundo, com uma área de aproximadamente 487 mil quilômetros quadrados. É praticamente do tamanho da França, e a maior parte dela está em uma área reivindicada pela Nova Zelândia.

via Superinteressante

Grupo de cientistas usa Fortnite para falar sobre mudanças climáticas

O que você espera encontrar em uma partida de Fortnite? Um dos jogos mais populares de hoje, ele atingiu a marca de 125 milhões de jogadores em menos de um ano. Está tão em alta que é possível achar de tudo: de gente fazendo petição para acabar com o jogo porque ele vicia demais até quem procura conseguir bolsas em faculdades graças ao game.

Só não contavam com um grupo de cientistas falando sobre mudanças climáticas.

Antes dessa história, contada pelo site The Verge, uma breve explicação sobre Fortnite: os jogadores são lançados em um ambiente repleto de armas e ferramentas e, ao melhor estilo Jogos Vorazes, precisam eliminar uns aos outros. O último a sobreviver é o grande vencedor.

O game é o mais popular do gênero battle royale, e seus gráficos e modo de jogo foram estrategicamente pensados para ganhar a simpatia até de quem não curtia tanto assim jogos de tiro.

Esquadrão do Clima

A ideia nasceu a partir de um tuíte da climatologista Katharine Hayhoe, diretora do Centro de Ciência do Clima da Universidade Texas Tech. No post, ela se dizia inconformada com a diferença de visualizações entre um vídeo sobre mudanças climáticas que ela havia publicado e um sobre uma partida de Fortnite, feita pelo seu filho de onze anos. Enquanto o dela acumulava mil visualizações, o dele já havia sido visto por mais de 10 mil pessoas.

O tuíte chamou a atenção de Henri Drake, doutorando em oceanografia física no MIT. Juntos, eles decidiram criar o “Climate Fortnite Squad” – um dos grupos de divulgação científica mais incomuns que você provavelmente já viu.

Funciona assim: eles convidam professores, pesquisadores e jornalistas da área para conversar sobre o tema enquanto compartilham ao vivo suas partidas de Fortnite dentro do Twitch, plataforma de streaming popular entre os fãs de jogos online.

A empreitada ainda é tímida. Até agora, eles contabilizam 18 lives em seu canal de vídeos; no Twitter, o número de seguidores é pouco mais de 400. No entanto, o grupo acredita que é necessário debater o tema, especialmente nos EUA, onde, segundo eles, a questão não é tratada com a devida importância.

E eles não estão errados. Segundo a reportagem do Verge, 28% dos norte-americanos não acreditam que o aquecimento global irá trazer consequências diretas para eles. Em 2017, o presidente Donald Trump anunciou que o país sairá do Acordo de Paris, que estabeleceu diretrizes para a diminuição de gases do efeito estufa. Desde então, jornais de lá noticiaram que a Casa Branca estaria tentando (sem sucesso) implementar leis menos rígidas com relação à poluição.

Habilidade x conhecimento

Em seus vídeos mais recentes, o “esquadrão” tratou de assuntos como o furacão Florence, que atingiu a costa leste dos EUA em setembro. Mas a coisa mais difícil para esses especialistas não é a complexidade do tema, mas sim como jogar bem, sem morrer logo no início da partida.

“No começo, éramos muito ruins nisso. Pedíamos a conversa assim que um de nós levava um tiro, então demorou um tempo para se acostumar”, diz Drake. Para ele, os jogadores são atraídos por boas jogadas, e aperfeiçoar a habilidade de jogo pode ser um bom caminho para o canal crescer.

Talvez seja por isso que, vez ou outra, os filhos dos convidados também entram nas partidas. Os vídeos são semanais e é possível enviar perguntas no bate-papo da plataforma, que serão respondidas ao vivo, conforme o jogo avança. Sejam bons em Fortnite ou não, já valeu pela iniciativa.

 

via Superinteressante

Uma ilusão de ótica afasta pássaros e impede que eles colidam com aviões

Os acidentes de avião causados por aves são tão antigos quanto o próprio avião. O primeiro registro de uma colisão fatal entre pássaro e máquina aconteceu em 1912 – meros 6 anos após o voo do 14-Bis (e 9 depois dos irmãos Wright, sejamos justos). Esse acidente vitimou Calbraith Rodgers, um pioneiro da aviação americana, que caiu no mar em Long Beach, Califórnia, após chocar sua aeronave com um bando de gaivotas. De lá para cá, o problema ficou conhecido como “perigo aviário”, e continua perturbando aeroportos do mundo inteiro — em 2014, os EUA detectaram mais de 13 mil incidentes de aves contra aviões. Mas cientistas franceses parecem ter encontrado uma solução inusitada para o problema: uma ilusão de ótica que afasta aves de rapina.

Aves grandes são as maiores inimigas das turbinas de aviões. A SUPER já explicou, na reportagem Como cai um avião, que turbinas de aeronaves são projetadas para suportar colisões contra alguns tipos de pássaro, mas isso não inclui bichos grandes, como águias e falcões.

Em uma iniciativa para encontrar estratégias contra essas aves, uma equipe de cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, no original em francês) e da Universidade de Rennes, aplicaram conhecimentos de fisiologia aviária ao problema. Aproveitando o poderoso sistema visual das aves de rapina — que é cerca de 2 a 8 vezes mais aguçado que a visão humana –, os cientistas desenvolveram uma ilusão de ótica para afastar os pássaros dos aeroportos.

Para desenvolvê-la, os pesquisadores realizaram mais de 300 testes com esses pássaros, usando diferentes tipos de ilusões de ótica. Veja alguns modelos usados no estudo:

(Martine Hausberger, Anthony Boigné, Clémence Lesimple, Laurine Belin e Laurence Henry/Montagem sobre reprodução)

Entre todos, apenas um padrão resultou na repulsa das aves de rapina: um par de olhos arregalados crescendo. Veja no vídeo a seguir:

Ok, pode até não parecer tão ameaçador para seres humanos, mas os cientistas acreditam que isso se apresenta como uma ilusão de ótica para as aves. Para elas, não são apenas dois olhos: são outras aves se aproximando em alta velocidade, o que representa um risco iminente de colisão. Por isso, elas fogem.

Depois desse resultado, os pesquisadores levaram os olhos gigantes ao Aeroporto Lourdes-Tarbes-Pyrénées, na França, que é muito frequentado por aves de rapina e outros pássaros. Eles queriam testar a eficácia da ilusão de ótica em um ambiente real. Os cientistas colocaram os olhos em um par de telas LED, posicionadas estrategicamente no primeiro local que as aves conseguem ver assim que se aproximam do aeroporto.

A equipe, então, registrou o comportamento de 8.800 pássaros, ao longo de cinco semanas. E a ilusão funcionou incrivelmente bem: mais da metade das aves (55%) deu meia volta quando viu as telas de LED – e seus olhos arregalados. E um detalhe importante: os pássaros não mostraram sinais de terem “se acostumado” com os olhos (ou seja, perdido o “medo”), mesmo depois de mais de um mês de experimento.

Este estudo é o primeiro a mostrar a eficiência de um sistema visual inofensivo. A ilusão de ótica impediu que as aves de rapina se aproximassem sem causar nenhum prejuízo ao aeroporto – nem às aves.

via Superinteressante

“Eu, crossfiteiro”

Acabo de terminar meu primeiro treino de CrossFit. Barras, pesos, argolas suspensas, baldes com pó de magnésio e corpos estirados no chão se espalham à minha frente. A cena é caótica. Tomo um pouco de ar e compartilho minhas dores e pensamentos com outro aluno novo que acaba de viver ao meu lado o mesmo sofrimento, o WOD (o workout of the day ou “treino do dia”). Ele parece tão cansado quanto eu. Mas, de alguma forma, teima em sorrir.

Pergunto o que ele, afinal, está fazendo ali – eu mesmo ainda não sabia muito bem. Ele me responde que está em busca de resultados. “Passei muito tempo na academia. Quem sabe algo mais intenso resolve, né? ”. Faço um sinal positivo com a cabeça, enquanto retomo de vez meu fôlego, agradeço a parceria do dia e me despeço. Estou devastado. E isso parece ser o suficiente – descobriria algumas horas depois – para querer provar mais uma dose.

Dois dias depois daquela estreia intensa, ainda doído e um pouco temeroso do que viria pela frente, lá estava eu de volta ao box (como os crossfiteiros chamam suas academias). Uma hora de esforço depois – saltando sobre cordas e caixas, dando o sangue em uma máquina que imita remadas e completando agachamentos que não fazia há pelo menos uma década – constato que sobrevivi a mais um dia. Uma sensação que ainda me perseguiu por um bom tempo. Parto para casa, tão exausto quanto pensativo: “Bom, se eu não morrer antes, acho que vou ficar forte!”.

Acabei me empolgando um pouco e me esqueci de me apresentar. Pratico esporte desde criança com boa frequência: do judô e natação, na infância, a modalidades como corrida e ciclismo, passando pelos campos de rugby e por aventuras remando, andando em trilhas e em alta montanha. Tudo isso preenche uma parte importante da minha rotina. Curto me mexer, sinto prazer. Talvez por isso, aos 31, com 1,84 metro de altura e 82 kg, achei que estaria preparado fisicamente para não sofrer tanto. Não demorei a perceber que estava bem enganado.

“Galera das 8h, bem-vindos! Vamos que a aula hoje está ‘pegada’!”. É assim que começaria grande parte dos meus dias nos dois meses seguintes. Tudo acontecia dentro desse curioso galpão de teto alto, piso emborrachado e paredes pretas com desenhos em grafite de personagens “trincados”: homens, mulheres, palhaços e até um gorila – o box catarinense CrossFit 567. Muito mais divertido que espelhos ou paredes brancas, penso. Na caixa de som, a trilha sonora varia do rap ao rock, passando até pelo hino de Rocky Balboa.

Não foi fácil passar pelas primeiras semanas. Alguma coisa parecia estar fora de lugar.

Não foi fácil passar pelas primeiras semanas. Alguma coisa parecia estar fora de lugar. E eu ficava atento a qualquer pista que pudesse aliviar a minha culpa – é difícil assumir seu próprio despreparo. Eu mantinha meu radar ligado. O mergulho recente nesse universo já havia me despertado para o fato de estarmos brincando com fogo. Quer dizer, há um grande potencial de isso acabar bem, mas um descuido pode levar tudo para o ralo. E eu tinha uma certeza: queria sair dessa inteiro.

À medida que ia me acostumando com a ideia de sofrer sempre, passei a saborear um completo êxtase nas horas seguintes. Uma versão turbinada do bom e velho runner’s high, termo antigo usado na corrida e esportes em geral, traduzido como “barato de corredor”. Esses efeitos benéficos (e muitas vezes viciantes) da atividade física não eram novidade para mim. Mas o cenário, os elementos e os personagens da história, sim. É por isso que, sempre que sobrava um pouco de ar, eu puxava conversa com mais gente para comparar melhor as minhas impressões. Um deles me falava: “No meu primeiro mês aqui eu não conseguia completar um WOD”. Aquilo me chamou atenção. Poucos minutos antes, ele mesmo havia finalizado uma sequência exigente de exercícios sem fazer nenhuma careta.

Por trás do suor no meu rosto, começo a enxergar a competição presente no ambiente. Um grande quadro branco no centro do box, por exemplo, marca os tempos e cargas alcançadas pelos alunos das aulas do dia. Demorei a decifrar todas as siglas, mas rapidamente percebi: ninguém quer ser o último da turma. O que, aliás, pode ser ótimo. Um acaba puxando o outro para cima. Só que também esconde um enorme perigo: o risco de exagerar na dose. Instintivamente, algo me dizia que aí estava o segredo para eu dar conta de superar esse começo mais sofrido.

 1, 2, 3… Vai!

 “Treinão, galera!”. Era com essa frase que nosso coach gostava de decretar o fim do abastecimento da piscina de suor que nós havíamos ajudado a encher. Nós tínhamos seguido à risca a batuta do líder, essa mistura de DJ com treinador de boxe. Durante a hora anterior, ele mesclara momentos de atenção individual, frases de incentivo coletivo e goles no seu mate. Ao fim desse caos controlado, a maioria adora se jogar no chão. Outros, quando recuperam a respiração, trocam contatos. “Qual é seu ‘Insta’?”. “É @xxx_crossfit!”. “Oba, achei!”. Todos parecem contentes, menos uma aluna que se exercitava perto de mim: “Haaa, não acredito, meu celular não gravou!”.

Estamos vivendo uma quarta-feira comum, e ainda é bem cedo pela manhã. Volto para casa me arrastando após um treino realmente puxado, quando fiquei perto de conhecer pessoalmente Pukie, The Clown, o tal mascote crossfiteiro criado para celebrar atividades tão duras que levam o praticante a vomitar. Eu não estava achando graça.

Divido essa mistura de desgaste com a alegria de voltar são e salvo ao lar com minha mulher assim que piso em casa. Ela me provoca dizendo que estou começando a gostar de CrossFit. Penso na intuição e na sabedoria feminina, reflito um pouco, e respondo que pode ser mesmo. Mas tento explicar para ela um pouco mais a fundo o que estou sentindo – até porque isso ainda não estava claro nem mesmo para mim. Esse pode ser um jeito divertido de treinar, começo, tropeçando nas palavras. E, ainda que não caiba a mim dizer se realmente funciona ou não, esse primeiro contato me indica que sim. De alguma forma, o CrossFit dá um gosto dessa parte boa de ser atleta: as recompensas fruto do esforço.

A vida dentro do box

Quebrado o gelo da estreia, começo a notar outras nuances. A primeira: a recorrente devoção à figura do líder do movimento, o americano Greg Glassman. Seus discursos são comumente repetidos no dia a dia – “perigoso é ficar sentado no sofá”, ou então, “o CrossFit está formando as pessoas mais bem condicionadas do planeta”, só para citar dois clássicos. A segunda: muitos boxes estão refletindo sobre o que estão fazendo. Eles não copiam e colam simplesmente o WOD (disponível diariamente no site crossfit.com) e o passam adiante. Decido visitar o box pioneiro no País, o CrossFit Brasil, em São Paulo, para treinar e checar isso tudo na pele.

Encontro o que esperava. Nada de luxo e muito foco no treino em si. A aula é bem conduzida por um coach da nova geração da casa. Com canos de PVC, começamos simulando o complexo exercício de levantamento que estava por vir. No meio do caminho, acionamos cada músculo adormecido dos nossos corpos para dar conta de agachar e erguer pesos com mais eficiência. Na parte final, misturamos tudo isso com corridas em alta velocidade, séries de remadas e exercícios que deixariam nossos abdominais latejando por dias. Tudo com uma roupagem divertida: uma corrida/gincana em duplas. Saio de lá contente, dolorido e com uma sensação: daria uma chance ao CrossFit como preparação física intensa para algum esporte específico – o que, talvez, ainda faça na vida.

No centro dos holofotes, o CrossFit sacudiu mesmo este verdadeiro vespeiro: os paradigmas do mundo do condicionamento. De tempos em tempos, alguém precisa fazer isso. E o que se vê nos boxes por aí deixa a sensação de que muita gente ainda vai se aproximar para experimentar. Se o método vai dar conta de equilibrar demanda com qualidade, só os próximos anos vão dizer. Por enquanto, ele segue mantendo o discurso de dono de várias respostas quando as perguntas estão ligadas a treinamento. E, adivinhe, as pessoas querem respostas.

Por mais que um dos mantras dessa busca seja “Deixe seu ego do lado de fora do box”, frase disseminada por treinadores e escrita nas paredes de alguns espaços, na prática, isso é um desafio bem maior. Em um extremo dessa história (e os extremos são ambiente fértil para dar luz a estereótipos), surge uma linguagem própria e com ar de superior, como se o método fosse solução para tudo. Começo a observar que é isso que nutre algumas críticas ao CrossFit.

De volta à real

Pois é, a vivência me trouxe esse turbilhão de informações na cabeça. Se você chegou até aqui, hora de uma merecida pausa para respirar fundo. No meu caso, é mesmo necessário: escrevo estas próximas linhas pouco tempo depois de completar mais um WOD caprichado. 50 Lunges; 40 Kettelbell Swings; 30 Box Jumps; 20 Snatches; 10 Burpees. Outras 12 pessoas faziam o mesmo no box. Enquanto digito, percebo os benefícios do massacre. Sentimento de missão cumprida. Minha mente flui mais solta. E meu corpo, silenciosamente, vai se recompondo em um processo que me deixa mais bem preparado para a próxima.

Depois de 30 treinos, comecei a dominar os exercícios do CrossFit. Mas ainda não me sentia parte da tribo.

Na parte final dessa imersão, me sinto mais adaptado. Deixo para trás o protocolar “Há quanto tempo você treina? Está gostando?” para tentar cavar mais fundo. Encontro boas parcerias de conversas com gente experiente na área, entre coaches, donos de box e atletas. Com a mesma naturalidade que alguns deles me pedem centenas de saltos de corda, solto ideias que me vêm à cabeça. Tento instigar respostas menos óbvias como a clássica “minha vida mudou”. A tática funciona. Vários crossfiteiros e crossfiteiras mais rodados não têm nenhuma cerimônia em analisar e criticar algumas práticas espalhadas por aí. Dos exageros de novatos querendo impressionar à falta de tato de alguns coaches para conduzir evoluções pessoais em aulas com tanta gente.

Depois do WOD

A essa altura, com pelo menos três dezenas de WODs completados (ou o mais perto disso que minha condição física permitia), eu já entendia melhor a linguagem ao redor. Terminava as aulas em grupo satisfeito, afinal, tinha dado o meu melhor. Ainda assim, não me sentia parte da tribo. Eu definitivamente me identifico mais com os esportes outdoor e enxergo o CrossFit como um meio e não como um fim. Por isso, decidi que não seguiria com os treinos, mesmo tendo sentido os resultados no corpo, que ficou mais forte e definido.

No fim dessa experiência, fiquei com mais perguntas que certezas. Cada vez mais procurado, como o CrossFit vai passar por mais essa intensa bateria de testes? Qual influência os Games (e a presença brasileira na elite) vai exercer nos coaches e praticantes amadores? O próprio CrossFit, quase 20 anos após sua criação, vai se permitir questionar mais a si mesmo, colaborando para a evolução do universo da preparação física? Também indago lances mais pessoais. O que aconteceria se investisse nisso no longo prazo? Ou ainda: qual será o futuro dos meus companheiros e companheiras de suor? Vão desistir logo ou seguirão firmes?

Depois de todas essas dúvidas passarem voando pela minha mente, tudo se silencia quando piso novamente no box. Entro no “modo treino” e me concentro nas duras tarefas que estão me esperando na próxima hora. Tenho um estalo repentino, e vejo que tudo isso à minha frente só faz sentido se eu puder mesmo aproveitar na vida fora da “caixa”.

Em um breve momento de distração, observo o dia ensolarado que faz lá fora – como eu queria estar subindo uma montanha ou pegando uma onda… Não há comparações aqui. O que interessa é o que (e como) isso mexe com cada um de nós. Ao que parece, só funciona de verdade se estivermos nos divertindo. O que inclui, em alguns momentos, sofrer.

Bom, é melhor eu encontrar rápido a sintonia certa da diversão. Pelo menos nos próximos 15 minutos. É o que diz o cronômetro lá no alto do box e o rosto do coach. Meus músculos e meus pulmões já estão queimando e ainda tenho centenas de saltos na corda, levantamentos, agachamentos e burpees a cumprir. Em vez de chorar, acho melhor sorrir. E começar a contar. 1, 2, 3…

via Superinteressante

Como a ciência explica o ódio eleitoral

 (rudall30/Getty Images/Montagem sobre reprodução)

As pesquisas de rejeição deixam claro: Jair Bolsonaro e Fernando Haddad são odiados. Quem vota em um rejeita total e absolutamente o outro. Para entender exatamente por que isso acontece, não tem outro jeito. Precisamos esquecer por alguns instantes os valores e planos de governo de cada um e focar num objeto inquestionavelmente mais complexo: nosso cérebro. E ele traz à tona uma resposta incômoda, a de que somos mais intolerantes do que admitimos.

É o que aponta o neurocientista americano Joshua Greene, de Harvard, em seu livro Tribos Morais – A Tragédia da Moralidade do Senso Comum. Greene defende um pilar da psicologia evolutiva: o de que nosso cérebro não foi projetado para encarar a tarefa de viver em grupos complexos. Nossos instintos não toleram a ideia de conviver com quem pensa de forma distinta – muito menos oposta.

A evolução nos conduziu para a vida tribal. Entenda “tribal” não como algo primitivo, mas como uma família estendida. Fomos programados para conviver em grupos pequenos, com indivíduos que encaram a vida de uma forma parecida com a nossa – que comungam das mesmas crenças, hábitos e valores. Quem não comungasse era um inimigo, um predador humano, alguém pronto para roubar sua comida e matar você ao longo do processo.

Foi dessa forma que organizamos nossa vida coletiva por centenas de milhares de anos. O cérebro criou mecanismos para proteger os laços tribais. Um deles é o “viés de confirmação”. Somos recompensados com pequenas doses de dopamina, o neurotransmissor do prazer, cada vez que ouvimos alguém repetir crenças e valores iguais aos nossos. Isso indica que o sujeito é um membro em potencial da sua família estendida. Alguém que irá lhe proteger.

Por volta de dez mil anos atrás o mundo começou a ficar melhor, e menor. A agricultura, o comércio e as primeiras cidades nos obrigaram a conviver com outras tribos, outras famílias estendidas, que cultivavam valores distintos.

O comportamento tribal enfraquece a razão na hora do voto: coloca superstições no centro das nossas escolhas.

 

Era uma vitória do neocórtex, a parte mais complexa do cérebro – que nos difere basicamente de qualquer outro animal. Graças a ele conseguimos manter os instintos na rédea curta e conviver de forma civilizada (não é à toa que a palavra “civilizada” vem de “cidade”).

Mas esses dez mil anos não bastaram para reprogramar a massa cinzenta. Como diz Steven Pinker, colega de Greene em Harvard, nossos cérebros jamais saíram para valer das cavernas. O viés de confirmação segue firme. E os predadores humanos só mudaram de nome. Para quem vota em Haddad, esses predadores foram batizados como “bolsominions” e “fascistas”. Para quem vota em Bolsonaro, eles atendem por “petralhas”, “comunistas”.  

Algumas diferenças, de acordo com Greene, são menos conciliáveis que outras. As “tribos morais” de hoje tendem a discordar com mais veemência justamente nos temas que atiçam nossos instintos primitivos: sexo e morte. A sexualidade alheia gera estresse basicamente por lidar com um impulso primitivo. Logo, o homofóbico espuma ao falar sobre homossexualidade. E o defensor dos direitos LGBTs também irá reagir de forma sanguínea se detectar algum sinal de homofobia no discurso alheio – mesmo que se trate de um alarme falso.

Outro tema que aciona o lado selvagem é o combate ao crime, pois é algo ligado ao conceito de morte. Daí o tom alto de quem defende a pena capital, o fim das políticas de direitos humanos para presidiários, o atirar para matar. Cada expressão dessas é uma torrente dopaminérgica para quem compartilha dessas crenças e valores. As reações são destemperadas do outro lado também. Às vezes, basta não seguir certas cartilhas de pensamento para virar alvo. Exemplo: quem acha que a prisão não serve apenas para recuperar o condenado, mas também para puni-lo, pode acabar tachado de “assassino”.  

Se sexualidade e morte ativam ódios, aborto talvez seja o mais espinhoso de todos os temas, já que envolve sexo e morte. Desnecessário elencar aqui os argumentos pró e antiescolha. O ponto é que se trata de um debate que, não raro, decai para a barbárie – o neocórtex sabe que quem é a favor da legalização do aborto não é “matador de crianças”; sabe que o povo contra não é “nazista”. Mas o sistema límbico, o pedaço primitivo da massa cinzenta, não sabe de nada. E parte para o ataque sujo contra quem vai contra a posição da sua bolha, seja ela qual for.

Para deixar as coisas ainda piores, agora temos uma máquina anticivilizatória. Uma ferramenta criadora de bolhas, que nos faz voltar aos tempos tribais: as redes sociais. Como o algoritmo do seu Facebook, interessado em vê-lo dedicar longas horas conectado a ele, apresenta conteúdo com base naquilo que você se interessou no passado – textos que parou para ler, vídeos que assistiu, imagens que curtiu –, a tendência é que ele reforce ideias preconcebidas, concentrando no seu perfil postagens de páginas e amigos que replicam conteúdo que em geral você concorda.

Ou seja, as redes sociais alimentam um isolacionismo das tribos morais. Nós não estamos apenas ouvindo cada vez menos uns aos outros, interessados em alcançar exclusivamente o nosso próprio grupo social; nós também estamos acirrando os ânimos em relação a quem pensa diferente, reforçando os nossos preconceitos.

Esse comportamento tribal enfraquece a nossa capacidade de usar a razão na hora do voto, colocando superstições no centro das nossas escolhas.

 

A cada dia que passa, então, nós aumentamos a possibilidade de sermos engolidos pela histeria, provocados por uma leitura maniqueísta da realidade.

É nesse cenário que chegamos às eleições presidenciais de 2018 – enviesados pelos códigos morais excludentes das nossas tribos; influenciados por apelos estéticos; radicalizados pela crença de que nossos opositores políticos representam um clã selvagem inimigo, perfeitamente capaz de destituir as normas que regem a organização de nossa tribo da noite para o dia.

Bolsonaro e Haddad representam as principais tribos morais em evidência no País. Salvo exceções, a vasta maioria de seus eleitores é formada por pessoas absolutamente normais que frequentam os mesmos postos de trabalho, cruzam as mesmas esquinas e alimentam os mesmos sonhos sociais. Mesmo assim, cada uma delas afirma defender o lado mais virtuoso dessa equação.

Entender as motivações que levam essas pessoas a essas escolhas – sem a condescendência arrogante da superioridade moral – passa necessariamente pelo processo de distanciamento das bolhas que condicionam as nossas tribos. Ouvir não é o bastante – é preciso colocar-se no lugar do outro. Caso contrário, corremos o risco de internalizar de forma inconsciente o mantra autoritário eternizado por Millôr Fernandes: “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”.


Rodrigo da Silva é autor do Guia Politicamente Incorreto da Política Brasileira (Leya, 2018).

via Superinteressante

Pessoas com câncer podem salvar pacientes do futuro com seu DNA

Pessoas com câncer podem salvar pacientes do futuro com seu DNA

Tudo graças a um banco de dados mundial, para o qual qualquer paciente envia informações sobre o seu tumor para cientistas que estão procurando a cura.

Por
Ingrid Luisa

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19 out 2018, 15h33

 (krisanapong detraphiphat/Getty Images)

Pessoas com câncer passam por longos processos para tentar alcançar a cura. Às vezes, o paciente pode se sentir impotente por não ter muito mais o que fazer do que esperar e seguir corretamente o tratamento. Mas um novo projeto quer trazer a eles algo concreto com que se ocupar neste período – e que pode ajudar diretamente no combate mundial ao câncer.

Sem fins lucrativos, ele é apoiado por gigantes mundiais da saúde (incluindo o Instituto Broad, o centro de pesquisas biomédicas e genômicas de Harvard e do MIT). O objetivo da iniciativa é que pacientes com câncer em todo o planeta concentrem suas informações médicas em um banco de dados unificado, com acesso direto de pesquisadores que estão em busca de cura.

Chamado de Count Me In, o programa permite que pacientes com câncer enviem dados médicos – incluindo amostras de sangue, saliva e de células do tumor – para este reservatório compartilhado entre pesquisadores do mundo todo. As amostras são geneticamente sequenciadas, e os dados, junto com o histórico médico do paciente (incluindo todos os tratamentos já feitos) são anonimizados para a segurança de todos os participantes.

Os cientistas vão poder usar a ferramenta para encontrar padrões entre os pacientes – o que pode levar a novas descobertas sobre o câncer e, mais importante, sobre como tratá-lo. Até agora, 5.500 pessoas enviaram suas informações, e o objetivo do grupo é chegar a marca de 100 mil pessoas nos próximos anos.

“O Count Me In é uma tentativa de tirar proveito de um recurso subestimado: os dados que todo paciente com câncer fornece na forma do DNA de seu tumor, suas decisões de tratamento e seus resultados”, afirmou Eric Lander, presidente do Instituto Broad, a revista TIME. Hoje, o tumor e as amostras de sangue dos pacientes são usados apenas para o tratamento individual de cada pessoa. Combinar informações de centenas de milhares de pacientes com câncer poderia ajudar em tratamentos mais eficazes para a doença como um todo. Mas os médicos também afirmam que a iniciativa não pretende ser um recurso para mudar tratamento médico nenhum no momento, mas sim como um banco de dados que possa fazer diferença nos diagnósticos do futuro.

Até o momento, a plataforma está disponível dos Estados Unidos e Canadá, pois o Instituto Broad consegue verificar com cada hospital o histórico de todos os pacientes. Mas a ideia é expandir a participação no futuro para novos países. Ficaremos de olho caso eles decidam incluir o Brasil.

via Superinteressante

49 patrimônios do Mediterrâneo poderão sumir com o aquecimento global

49 patrimônios do Mediterrâneo poderão sumir com o aquecimento global

De acordo com uma pesquisa, Veneza e outras regiões históricas da Europa localizadas no litoral podem ser afetadas pelo aumento do nível dos oceanos

Por
Rafael Battaglia

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18 out 2018, 18h37

O ano é 2100. Você está de malas prontas para a tão sonhada viagem pela Europa e já se planeja para visitar o berço da civilização ocidental – países do Mediterrâneo como Itália e Grécia. Só tem um pequeno problema nesse roteiro: alguns patrimônios históricos da região não estarão mais por lá.

Um estudo publicado na revista Nature Communications mapeou os patrimônios mundiais da UNESCO localizados na região costeira do Mar Mediterrâneo e avaliou qual o impacto das mudanças climáticas nessas regiões. O resultado é preocupante: dos 49 lugares analisados, 37 estão em risco de inundação devido ao aumento do nível do mar. E mesmo que isso não aconteça, a diminuição da proximidade com o mar deixará 42 deles em risco de sofrer danos devido à erosão do solo.

A pesquisa foi liderada pela geógrafa Lena Reimann, da Universidade de Kiel (Alemanha). Ela e sua equipe simularam quatro cenários diferentes até 2100, tendo como base as taxas atuais de emissão de gases do efeito estufa. Foram observados os níveis de elevação do mar e da erosão costeira no litoral de países como Itália, Grécia, Croácia, Turquia e as nações do norte da África.

O que seria perdido 

Esqueça os passeios de barco por Veneza. A cidade dos canais está localizada no (adivinhe só) golfo de Veneza, região mais ao norte do mar Adriático onde Itália, Croácia e Eslovênia se encontram. Segundo o levantamento, essa seria uma das três regiões com riscos sérios de inundação. Por lá, o nível do mar pode subir mais de 2 metros até o fim do século.

Nos piores cenários, durante tempestades, “98% de Veneza e o que está em sua lagoa poderão ser inundados”, disse Reitmann em entrevista ao site Atlas Obscura. Além dessa região, as outras duas com mais risco são o golfo de Corinto, na Grécia, e o golfo de Gabès, na Tunísia.

Os pesquisadores sugerem intervenções para evitar o problema, como a construção de comportas para escoar a água. De acordo com eles, embora esses monumentos culturais estejam protegidos pela Convenção do Patrimônio Mundial, cada país define como será a sua preservação, mas poucos têm levado o problema do nível das águas em consideração.

Confira na galeria a seguir alguns dos patrimônios analisados pela pesquisa:

  • 1. Sabratha
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    1/5 Sítio arqueológico de Sabratha, na Líbia (UNESCO/Wikimedia Commons)

  • 2. Porec
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    2/5 A Basílica Eufrasiana em Porec, na Croácia (Carole Raddato/Wikimedia Commons)

  • 3. Rhodes
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    3/5 A cidade medieval de Rodes, na Grécia (Bernard Gagnon/Wikimedia Commons)

  • 4. Samos
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    4/5 A ilha de Samos, na Grecia (Tomisti/Wikimedia Commons)

  • 5. Veneza
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    5/5 A cidade de Veneza, na Itália (Peter Zelei Images/Getty Images)

via Superinteressante