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O cinema está para peixe: SUPER entrevista Aquaman

Entre os nerds, Aquaman sempre foi piada. O visual loiro engomadinho e a habilidade de falar com peixes criava comparações cômicas com heróis bem mais poderosos e estilosos. Coisa do passado. Nos cinemas, o personagem agora é interpretado pelo nada engomado Jason Momoa (o Khal Drogo de Game of Thrones). Conversamos com ele sobre o primeiro filme solo do herói.

Para as cenas aquáticas, era tudo computação gráfica ou você chegou a filmar submerso?

Algumas cenas a gente filmou embaixo da água, sim. Mas muita coisa foi computação gráfica. Tudo em Atlântida, por exemplo, é efeito especial. De qualquer forma, eu já tinha alguma habilidade em prender a respiração, sempre surfo com a minha família, então foi tranquilo.

Você, na verdade, tentou pegar o papel do Batman. Foi rejeitado e contratado como Aquaman. Considera um final feliz?

Com toda certeza! Na verdade, nunca acreditei que poderia ser o Batman. Quase não fui ao teste, e quando cheguei lá tentei ser o oposto do que Christian Bale fez nos filmes do Nolan. Achei que, caso fosse chamado, seria para o papel do vilão. Se eu tivesse sido escolhido como Batman, minha vida seria completamente diferente. Ainda bem que o meu caminho foi outro.

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Se você tivesse os poderes do Aquaman, qual animal aquático você gostaria de comandar?

Baleias. Elas são lindas, majestosas… mas definitivamente eu ia aproveitar alguns tubarões também. Haha!

Nos quadrinhos, o visual do Nick Fury foi inspirado no Samuel L. Jackson, que o interpreta nos cinemas. Você iria gostar se o Aquaman dos gibis começasse a parecer mais com você?

Na verdade, eu não sei. Acho que cada forma de arte tem uma interpretação muito própria sobre como representar o personagem. O Aquaman já teve muitos visuais diferentes. Não acho que eles precisem de mim para isso.

Já há conversas sobre um Aquaman 2?

Tive algumas ideias, falei com os produtores e eles amaram. Tenho uma noção bem clara sobre o que eu gostaria de fazer. Mas temos que esperar. Se o público gostar do primeiro filme, vai ser uma honra continuar essa história.

via Superinteressante

Amazônia abriga mais de 2.500 garimpos ilegais

Garimpo não é crime. É possível ser garimpeiro no território brasileiro – e lucrar extraindo minerais como ouro (ou diamante, ou columbita, ou cassiterita… a lista é longa) – sem colocar nenhum dedo fora da lei. Para isso, é claro, é preciso seguir algumas regras, todas resumidas em um documento especial, chamado Estatuto do Garimpeiro. Ele exige que todo garimpeiro se registre, mesmo que trabalhe sozinho ou com uma cooperativa, e que o trabalho só seja feito em áreas previamente aprovadas para extração.

Não é um pedaço pequeno de terra. São mais 500 mil hectares espalhados em 10 estados: Amazonas, Amapá, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rondônia e Tocantins. Chega perto da área da cidade de Toronto, no Canadá, inteirinha.

Ainda assim, não é segredo de que existe garimpo ilegal no Brasil – onde existe alguém disposto a fazer algo direitinho, existe uma bela dúzia de gente pulando etapas. O que pode ser surpresa para você são as dimensões extremas do garimpo ilícito – e as consequências drásticas que ele pode trazer à natureza.

A Raisg (Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada) lançou um especial chamado Amazônia Saqueada. Cheio de mapas interativos, ele é fruto de um relatório que traçou, milimetricamente, as rotas de entrada e saída da mineração na Amazônia, e dos rios que são diretamente afetados por ela.

Contanto todos os países que abrigam a Amazônia (são 6: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela), existem 2.557 regiões ilegais de garimpo e extração de minerais. Os números são resultado de análises de imagens de satélite, da coleta de notícias sobre desmatamento em todos os 6 países e de notificações de comunidades ribeirinhas e indígenas. Mas os especialistas acreditam que os resultados subestimam um número ainda mais de pontos de exploração não confirmados. Ou seja: o problema já parece ruim, e a realidade pode ser ainda pior.

O relatório, aliás, diferencia “pontos” e “áreas” de garimpo. Uma área é uma região já expandida de mineração ilegal – cujas dimensões aparecem demarcadas nos mapas interativos. A maioria dos registros, no entanto, são pontuais, de garimpos menores. O problema é que, na maioria dos casos, um ponto não fiscalizado tende a se tornar uma grande área de exploração com o passar do tempo.

De todos as áreas e pontos mapeados, a maioria está na Venezuela (1899), depois no Brasil (453), Peru (134) e Equador (68). A área com a mais profunda degradação causada por garimpos de ouro é Madre de Dios, no Peru, mas a região do rio Tapajós, aqui no Brasil, se mostra como um polo importante de casos ilegais.

Maurício Torres, doutor em geografia pela USP e atualmente professor na Universidade Federal do Pará, disse à Folha de S.Paulo que a exploração nessa região brasileira começou no final da década de 1950, mas os problemas mais graves decorrentes dessa atividade são mais recentes.

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Prejuízos diretos: agressão a floresta

O grande problema do garimpo ilegal é que ele vai ficando progressivamente mais prejudicial. Em Tapajós, por exemplo. Conforme o ouro superficial foi ficando mais raro, explorado lá atrás, pelos primeiros garimpeiros, os recém-chegados foram apelando para táticas mais drásticas.

As mangueiras bico-jato, por exemplo, usam água pressurizada para desmontar barrancos naturais. A lama resultante é filtrada em busca de ouro. Resultado? A prática produz grandes crateras artificiais, destrói a vegetação e prejudica toda a dinâmica orgânica da floresta.

Em 2008, de acordo com Torres e a Folha, a situação piora drasticamente: as gigantes retroescavadeiras hidráulicas (PCs) chegaram dentro da floresta. “A grande transformação da região ocorreu com a chegada das PCs. Elas geram um impacto ambiental insano. Eu arriscaria dizer que a alteração da cobertura florestal foi maior nos últimos 10 anos do que nos 50 anteriores”, explicou o geógrafo à Folha.

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Prejuízos indiretos: a questão do mercúrio

Além das escavadeiras e mangueiras, a busca pelo ouro acaba trazendo outro efeito colateral muito grave: o mercúrio. Esse metal é usado na purificação do ouro. E seus resíduos contaminam a água, o ar e os animais.

Depois de usado na indústria do ouro, o mercúrio acaba retornando à natureza como metilmercúrio. Mesmo em pequenas quantidades, ele produz efeito cascata – que pode acabam prejudicando não só outros bichos, mas também seres humanos.

Tudo graças a um fenômeno conhecido como magnificação trófica (ou bioacumulação). Vamos relembrar as aulas de biologia do ensino médio: a magnificação trófica é o nome dado ao acúmulo progressivo de uma substância tóxica de um nível trófico para o outro dentro da cadeia alimentar.

Traduzindo: uma plantinha contém 0,0Xg de mercúrio acumulado. Aí vai lá o peixinho herbívoro e sacia sua fome com 20 plantinhas. Resultado: 0,Xg de mercúrio acumulado. De repente chega um peixe maior, e come 5 peixinhos pequenos. Daí fica com Xg acumulado. Quando o ser humano come 2 desses peixes maiores, termina com 2Xg de mercúrio no organismo. São 200 vezes mais mercúrio do que existia no início do processo, em um só organismo. Isso é magnificação trófica.

Essa dose final de mercúrio afeta o sistema nervoso central, causando problemas de ordem cognitiva e motora, além de perda de visão e doença cardíaca. Sua acumulação, portanto, é algo gravíssimo… E ninguém come tanto peixes quanto o povo da Amazônia, certo?

Uma das regiões mais afetadas da floresta por esse problema é o território Yanomami, que se estende entre o Brasil e a Venezuela. Em novembro de 2014, um estudo realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) coletou 239 amostras de cabelo em nove aldeias próximas a região. As amostras concentravam os grupos mais vulneráveis à contaminação: crianças, mulheres em idade reprodutiva e adultos com alguma história de contato direto com a atividade de extração de ouro. Também foram coletadas 35 amostras de peixes que são parte fundamental da dieta alimentar das comunidades.

Resultado: 92% de todas as amostras apresentavam nível elevadíssimo de contaminação de mercúrio.

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Todas esse especial e essas informações foram liberadas para guiar uma nova dinâmica de proteção conjunta da Amazônia. A própria RAISG surgiu com esse propósito: em 2007, técnicos dos seis países perceberam que as informações sobre o bioma estavam dispersas pelos países que o continham, e não conversavam entre si para estabelecerem estratégias conjuntas. Com o objetivo de analisar a reunião como um organismo integral, surgiu a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georeferenciada (RAISG).

Hoje, eles representam oito organizações da sociedade civil que atualizam constantemente bancos de dados sobre as principais ameaças à região amazônica.

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Roger, o insólito canguru bombado, morre aos 12 anos

Roger, o insólito canguru bombado, morre aos 12 anos

O musculoso Roger ficou famoso em 2015 ao esmagar um balde de metal sem dificuldade. Ele tinha um verdadeiro harém de fêmeas no santuário de Alice Springs, na Austrália.

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10 dez 2018, 17h34

O canguru morreu. Mas é bom deixar claro: não é qualquer canguru. É, de fato, canguru. Com ênfase no “o”. Estamos falando de Roger, o canguru macho trincado da foto acima, que habitava o santuário de Alice Springs, na Austrália. Ele era musculoso. Musculoso o suficiente para disputar no trapézio descendente com o ex-BBB Kleber Bam Bam e se tornar um meme de monta.

Roger, com 2 m de altura e 89 kg, ficou famoso em 2015 após ser fotografado esmagando um balde de metal com as mãos sem muita dificuldade. Era mais ou menos isso, aliás, que ele fazia com qualquer outro canguru macho que se aproximasse – com o agravante de que esses oponentes não eram feitos de metal.

Por muito tempo, Roger conseguiu afastar a competição dos demais meninos e formar um verdadeiro harém de fêmeas. Quase um greatest hits da seleção darwiniana.

Não morreu de forma trágica, que fique claro. Só o pacote típico da velhice, com problemas de visão e artrite. A idade chega até para o Schwarzenegger do Outback – mais cedo do que o normal, diga-se de passagem: Cangurus vermelhos, da variedade de Roger, vivem até 23 anos na natureza e 16 em cativeiro.

“Ele faleceu de forma extremamente pacífica, debaixo de seu arbusto favorito [um vegetal chamado Acacia kempeana], onde ele gostava de dormir para escapar do sol quente”, garantiu Chris Barns, que administra o santuário, à imprensa. “Era uma árvore muito bonita, e ele foi encontrado debaixo dela.”

Roger chegou a Barns na virada de 2006 para 2007. Sua mãe foi atropelada e ele foi resgatado vivo, ainda filhote, da famosa bolsa de bebês que os cangurus têm no abdômen.

Com sua passagem para o paraíso – onde rios de leite, mel e whey o aguardam –, Roger garante um lugar de honra lista de bichinhos notáveis que conquistaram o Facebook: Knickers, o boi gigante (que virou lenda há duas semanas), o caracol canhoto Jeremy, que não tinha uma namorada, e os pandas marrons de uma exótica cordilheira chinesa. Veja uma lista deles aqui.

 

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A sonda InSight gravou o som do vento de Marte pela primeira vez – ouça

A sonda InSight, da Nasa, que pousou em Marte em 26 de novembro, fez um truque inesperado na última sexta (7): captou e enviou à Terra o som de uma brisa leve, de 16 km/h, no Planeta Vermelho. É a primeira vez que qualquer som marciano chega aos ouvidos terráqueos.

16 km/h equivale a uma nota 3 na escala Beaufort de medição do vento, que vai de 1 a 12 – sendo 1 o ar parado e 12 um ciclone tropical. Ou seja: um ventinho gostoso. E suficiente para transformar brisa em som.

A InSight, na verdade, não contém nenhum equipamento com função de microfone. Seus instrumentos são projetados, entre outras coisas, para medir o calor emanado pelo solo e detectar a atividade sísmica de Marte – isto é, seus terremotos, ou, como os cientistas preferem chamá-los, marsquakes (“martemotos”). Em outras palavras, o objetivo da sonda é ouvir o solo, e não o ar. Esses dados servirão para investigar a crosta, o manto e o núcleo do Planeta Vermelho, e descobrir no que seu interior é ou não parecido com o da Terra.

Acontece que o detector de martemotos da InSight – o nome técnico é sismógrafo – ainda não está apoiado no chão: ao longo da primeira semana de estadia em Marte, ficou pendurado no teto da sonda, como se estivesse no bagageiro, esperando para entrar em operação. Assim, foi possível usá-lo de improviso para sentir a vibração que o vento causou nos painéis solares redondos que fornecem energia elétrica à nave.

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Outro equipamento também registrou o fenômeno: um sensor de pressão atmosférica que faz parte do kit de equipamentos meteorológicos. Os sons estão no vídeo abaixo, divulgado pelo Laboratório de Propulsão à Jato (JPL) da Nasa, mas a SUPER já avisa que é difícil ouvi-los sem bons fones de ouvido ou um subwoofer. Isso porque a atmosfera de Marte é extremamente rarefeita e consiste principalmente em dióxido de carbono CO2 – duas características que beneficiam a propagação de frequências graves.

Por volta de 0:35, a Nasa toca o som original, da forma como foi captado. A partir de 0:58, ouve-se o som duas oitavas acima, em uma frequência mais aguda, confortável para o ouvido humano. “Oitava”, na física, é quando você toca a mesma nota em uma versão mais aguda ou mais grave. Em outras palavras, é como se a Nasa tivesse registrado uma música tocada por um baixista, mas tivese colocado um guitarrista para fazer uma versão mais aguda, audível num falante de celular ou notebook.

Em agosto deste ano, a SUPER conversou com o engenheiro brasileiro Ivair Gontijo, um veterano da Nasa que está participando dos preparativos para outra missão, a Mars 2020 (que será lançada, naturalmente, em 2020). A Mars 2020 levará equipamento especificamente para gravar sons de Marte – dessa vez, com um microfone de verdade, além de outras engenhocas incríveis, como um espectômetro para analisar moléculas orgânicas e uma câmera colorida para tirar fotos de longa distância. 

As previsões de Gontijo para a acústica do Planeta Vermelho bateram com o verificado na prática: “Cientistas franceses já simularam a atmosfera marciana aqui na Terra. Com pouco ar e uma concentração muito alta de gás carbônico, descobriram que as frequências sonoras mais altas desaparecem. Um ruído agudo em Marte, então, deve se tornar grave e abafado.”

Mandou bem, Marte. É a vingança que os baixistas esperavam.

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“Umbrella Academy” é uma das apostas da Netflix para 2019

Se você é fâ de Umbrella Academy, prepare-se: ela vai virar série da Netflix, a partir de fevereiro de 2019. Criada pelo quadrinista brasileiro Gabriel Bá e por Gerard Way (sim, o ex-frontman da banda My Chemical Romance), a graphic novel conta uma história sobre família e super-heróis. Neste sábado (8), no painel que rolou na CCXP 2018, os autores deram mais detalhes (e divulgaram o trailer) da versão live action.

“É uma gibi que eu adoro fazer porque é muito energética, caótica e bizarra. A história dessa família precisava ser contada, e agora essa família cresceu, esses atores e toda a equipe também fazem parte da família Umbrella Academy. Eu não poderia estar mais feliz”, disse Gabriel no evento, que acontece em São Paulo.

 

O primeiro volume da HQ original saiu em 2007 e ganhou, em 2008, o Eisner (prêmio considerado o “Oscar dos quadrinhos”) de melhor minissérie. O enredo conta que, em um dia aleatório de 1989, 43 mulheres – que não estavam grávidas – deram à luz.

O milionário Reginald Hargreeves (conhecido como O Monóculo) resolve adotar sete desses bebês porque sabe que eles são especiais, têm poderes e podem “salvar o mundo”. Mas, com personalidades e objetivos diferentes, as crianças, carinhosamente chamadas por números, se separam. Voltam a se reunir já adultos, com seus 30 e poucos anos, por conta da morte do “pai”. E, ao mesmo tempo que precisam lidar com velhos conflitos familiares, eles são impelidos a salvar o mundo de um apocalipse.

Palavra do elenco

Os atores principais da série estavam em peso no painel deste sábado. Marcaram presença Tom Hopper (o número 1, Luther ou Spaceboy – sim, todos têm muitos nomes), David Castañeda (número 2, Diego ou Kraken), Emmy Raver-Lampman (número 3, Allyson ou Rumor) e a aparição surpresa, Ellen Page (número 7 ou Vanya, única da família sem poderes especiais).

Nas entrevistas, os atores destacaram que tiveram muito trabalho desenvolvendo um estilo de luta diferente para cada personagem. E alguns acidentes aconteceram. “Eu quebrei meu nariz com meu próprio chute. Estava lutando com Tom e acabei me chutando. Tinha muito sangue”, contou David Castañeda. Tom Hopper logo brincou: “Eu fui muito respeitoso, comecei a rir na mesma hora”.

Ellen Page destacou uma característica de sua personagem, que é tocar violino. “Nossa! Quem toca violino sabe como é difícil. Eu fiquei chocada e muito grata à professora que tive, além da dublê de violino. Ela é incrível e era maravilhoso observá-la. Eu tentei aprender.”, relata.

Vem coisa boa por aí

Apesar dos temas pesados, a série promete ser leve. Prova disso é um trecho mostrado no painel que relata a cena icônica do bar protagonizada pelo número 5. Um dos melhores personagens das HQs (e protagonista do segundo volume, Dallas), número 5 tem o poder de viajar no tempo. Ele voltou ao presente na ocasião da morte do pai, mas algo deu errado: estava em seu corpo de 10 anos, idade em que viajou no tempo pela primeira vez.

Na cena, pessoas armadas aparecem para matá-lo enquanto ele está em um bar, e o garoto acaba matando todos. Nesse momento da HQ ele está com Pogo, o chipanzé que ajudou Hargreeves a criar ele e seus irmãos. Na série, antes da pancadaria, número 5 aparece conversando com um estranho, falando sobre quando era criança e como aquele lugar lhe dá nostalgia. O resultado é uma cena cômica, já que o estranho enxerga o personagem como uma criança.

Após essa introdução, os efeitos especiais e a música transformam uma situação extremamente violenta em algo até engraçado. Dá para ver que o personagem brilhará na série, assim como na história original. Bá e Way pareciam orgulhosos com o resultado.

A seguir, assista ao trailer de Umbrella Academy:

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“X-Men Fênix Negra”: Fox exibe 15 minutos do filme (e contamos tudo)

O painel da Fox exibido nesta sexta-feira (7), durante o segundo dia da Comic-Con Experience (CCXP) 2018, a maior feira de cultura pop do país, trouxe ao público os principais lançamentos do estúdio para 2019.

O destaque ficou para X-Men: Fênix Negra, o novo filme do universo mutante da Marvel. O painel contou com a presença do diretor do longa, Simon Kinberg, e das atrizes Jessica Chastain e Sophie Turner (a Sansa Stark de Game of Thrones).

“É uma das personagens mais poderosas que já interpretei”, disse Sophie, que estrela o filme como Jean Grey. O longa se baseia no arco de histórias em quadrinhos de mesmo nome, eleita pelos fãs como uma das melhores HQs da Marvel. Nela, os X-Men precisam enfrentar a ameaça da entidade cósmica Fênix Negra, que se apodera do corpo de Jean.

A atriz Jessica Chastain durante o painel da Fox na sexta (7) (Rafael Battaglia/Superinteressante)

“Outros enredos foram usados de inspiração, como a HQ Invasão Secreta, mas a saga da Fênix Negra é tão rica que nós tínhamos muito material ali”, contou Simon, que está envolvido na produção dos filmes dos mutantes desde 2006. “O tom será próximo ao de Logan, só que com mais personagens superpoderosos e uma pegada espacial”.

Em relação a Jessica Chastain, ainda não se sabe muito sobre sua personagem. “Ela é muito forte e encoraja Jean a abraçar todo o poder que possui”, disse a atriz. “Além disso, só o que posso revelar é que ela luta contra todos os X-Men”.

Cena exibida

Ao final do painel, o público do maior maior auditório do evento pôde assistir a um trecho de 15 minutos do filme. O diretor, Simon Kinberg, avisou antes que os efeitos especiais não estavam completamente finalizados, apesar de terem se mostrado bastante satisfatórios.

Quer spoiler? Aí vai: a cena começa com o lançamento do ônibus espacial Endeavour, da Nasa. O filme se passa nos anos 1990 e, nessa época, os mutantes são aceitos pela sociedade e os X-Men possuem uma legião de fãs e apoiadores.

Uma equipe na sala de controle monitora o lançamento quando algo dá errado assim que o foguete sai da Terra. Em seguida, o Professor Xavier (James McAvoy) recebe um pedido de ajuda do presidente dos EUA. Os X-Men, então, partem com o jato para resgatar os astronautas.

Ao chegarem próximos à espaçonave, a equipe se depara com uma estranha nuvem laranja, que se aproxima da tripulação. Liderados por Mística (Jennifer Lawrence), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee) se organizam para resgatá-los. Quando Jean tenta proteger os outros contendo o avanço da nuvem, ela é atingida pela força cósmica, que mais tarde se revela como a Fênix Negra, uma das entidades mais poderosas do universo Marvel.

Já de volta à Terra, os mutantes retornam à mansão dos X-Men, onde Mística discute com o Professor sobre o real papel do grupo – e sobre sua preocupação em relação à aceitação da sociedade.

Outros destaques

Além de X-Men, a Fox trouxe alguns dos dubladores de Dragon Ball para recriar ao vivo uma das cenas exclusivas do próximo filme do anime, Dragon Ball Super: Broly. O estúdio mostrou também um trecho inédito de Alita: Anjo de Combate. O longa mistura cenas de ação reais com personagens de computação gráfica e é dirigido por Robert Rodriguez (Sin City) e produzido por Jon Landau e James Cameron, os nomes por trás de TitanicAvatar.

X-Men: Fênix Negra estreia no dia 7 de junho de 2019. Assista ao trailer do filme:

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5 atrações e lançamentos da CCXP 2018 que vão mexer com sua nostalgia

A Comic-Con Experience (CXXP), um dos maiores eventos de cultura pop do mundo, recebe todos os anos estúdios de cinema, lojas de quadrinhos e de objetos colecionáveis e tantos outros estandes querendo promover seus próximos lançamentos. No entanto, não é só de novidade que vive uma CCXP.

 

Do relançamento de um produto antigo a uma nova versão de um desenho clássico, a edição de 2018 do evento – que acontece em São Paulo entre os dias 6 e 9 de dezembro – está trazendo de volta brinquedos, jogos e até locadora de filme que deixaram saudade.

A SUPER selecionou alguns dos mais especiais:

1. Pogobol

(Rafael Battaglia/Superinteressante)

Uma das atrações principais do estande da Estrela é o relançamento do Pogobol, brinquedo clássico dos anos 1990. A nova versão tem o mesmo objetivo da original, de 1987: ver quem consegue ficar mais tempo equilibrado na bola.

Três décadas atrás, aproximadamente 800 mil unidades foram vendidas. O brinquedo voltará a ser vendido a partir de janeiro de 2019, no site da marca, por R$159,99.

2. Magic: The Gathering

Você jogava Magic? O jogo de cartas, lançado em 1993, ainda conta com uma legião de fãs no Brasil e no mundo. São mais de 12 milhões de jogadores, e alguns deles marcaram presença na CCXP, num dos estandes mais animados da feira.

É a terceira vez que Magic: The Gathering vai ao evento. Quem for até lá pode participar de sorteios de decks, inscrever-se em oficinas e conversar com youtubers e membros da comunidade. Os iniciantes também podem aprender a jogar a versão física e conhecer a demo de Magic: The Gathering Arena, a versão digital do jogo e uma das apostas da marca.

3. Blockbuster

(Rafael Battaglia/Superinteressante)

Não, a Blockbuster não voltou. Mas a lendária locadora de filmes virou cenário no estande da Disney, já que ela aparece no trailer de Capitã Marvel, que estreia em fevereiro de 2019. O longa se passa nos anos 1990, quando a palavra streaming ainda nem existia.

Mas a Blockbuster não acabou de fato. Ainda existem algumas lojas, que permanecem funcionando: cinco na Austrália e uma nos EUA, na cidade de Bend, em Oregon. Em 2004, a empresa chegou a ter 9 mil unidades espalhadas pelo mundo.

4. Thundercats

(Rafael Battaglia/Superinteressante)

A PiziiToys, empresa especializada em colecionáveis, trouxe a linha de bonecos Mino Co e, dentre os modelos, está o conjunto dos ThunderCats. Criado em 1983 pelo estúdio de animação Hannah-Barbera, o desenho fez sucesso no Brasil nas décadas de 1980 e 1990.

Em 2011, a Warner Bros Animation produziu um reboot da série. Em maio deste ano, o Cartoon Network anunciou uma nova versão, ThunderCats Roar, que vai ao ar em 2019.

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5. Cavaleiros do Zodíaco

A Netflix reservou um espaço na CCXP para divulgar a nova animação de Cavaleiros do Zodíaco. Além dos pôsteres distribuídos, o público pôde tirar foto em um cenário do anime.

O desenho estreou em 1994 no Brasil, na Rede Manchete, e foi reprisado em diversas outras emissoras. A versão do serviço de streaming chega em 2019.

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Além dos gibis (e da Mônica): as novidades da Maurício de Sousa Produções

Quando a primeira tirinha do que viria a ser a Turma da Mônica chegou aos jornais, em 1959, protagonizada por Franjinha e Bidu, nem o próprio Maurício de Souza imaginava onde iria chegar. Além de marca líder na produção de quadrinhos nacionais há décadas, a Maurício de Sousa Produções (MSP) vem expandindo seu conteúdo para diferentes plataformas, gêneros e até países. Na CCXP 2018, o universo de lançamentos foi exposto ao grande público.

“É o terceiro ano que fazemos esse painel para a CCXP. Mostramos o que a MSP quer daqui pra frente: uma expansão de marca, de plataforma, ativando outras licenças que não tínhamos tão fortes através de graphic novels, jogos, youtube, cinema etc”, diz Marcos Saraiva, em entrevista à SUPER.

Ele é Diretor de Desenvolvimento Comercial e líder do núcleo digital da Maurício de Sousa Produções (além de filho da Mônica). Mas o neto de Maurício de Sousa é mais conhecido como o cara por trás de novidades como a conta da Turma da Mônica no twitter – que brilha na internet com seus memes e piadas desde agosto deste ano.

E essa expansão foi mostrada no painel da CCXP 2018. O selo Graphic MSP, que concedeu, pela primeira vez, o direito de outros artistas desenharem os personagens da turminha, anunciou quatro novidades para 2019. Já com 21 títulos no catálogo, no ano que vem finalmente teremos a estreia da personagem Tina, da turma do Rolo, em uma aguardada graphic novel própria, desenhada por Fefê Torquato. A sequência de Mônica – Força, de Bianca Pinheiro, Capitão Feio 2, de Marcelo e Magno Costa, e uma nova releitura de Piteco, por Eduardo Ferigato, fecharam os anúncios feitos pelo (empolgado) Sidney Gusmão – o Sidão, líder do planejamento editorial da MSP.

Mas, além de promover quadrinistas nacionais, a MSP expande seus horizontes para relações internacionais: na CCXP, foram exaltadas as parcerias com a DC Comics e com os personagens de Osamu Tezuka, o “pai do mangá moderno”. Enquanto Astroboy vai virar personagem da websérie Turma da Mônica Toy, Superman, Batman e outros personagens da Liga da Justiça estarão nas revistinhas semanais e até nos mangás da Turma da Mônica Jovem.

Falando em TMJ, finalmente ela ganhará sua tão esperada animação: os personagens ganham vida no ano que vem, pelo Cartoon Network. E não só eles: Astronauta – Propulsão, baseado na obra de Danilo Beyruth (que escreveu quatro graphics MSP do personagem), vai virar série pela HBO.

Dos quadrinhos para a telona

“A ideia é ter o máximo de conteúdo no maior número de plataformas possíveis”, resume Marcos Saraiva. Finalmente, depois de 60 anos, a turminha será vista em carne e osso nas telas do cinema.

O filme Turma da Mônica – Laços, baseado na graphic novel homônima dos irmãos Lu e Victor Cafaggi, teve seu trailer exibido em primeira mão na CCXP. Nele, podemos ver o desaparecimento de Floquinho (cachorro do Cebolinha) e o garoto com cinco fios de cabelo explicando que o plano para recuperá-lo é cada membro da turminha usar sua própria habilidade: “a Magali é muito magla, o Cascão cole lápido, a Mônica é bem folte, e eu sei ilitar pessoas como ninguém”.

Dava para ver a emoção no rosto da plateia assistindo aos personagens da sua infância ganharem vida – inclusive caíram lágrimas dessa repórter aqui. Ao final do trailer, finalmente o personagem de Rodrigo Santoro no longa foi revelado: o Louco.

O diretor Daniel Rezende e as quatro crianças também estiveram no painel, e o teatrinho com cada um “interpretando” os personagens ao vivo levantou sorrisos da plateia. Cebolinha se despediu com um “até a plóxima” e Cascão roubou o microfone para um recado final: “dica: não tomem banho!”.

Diversidade ainda que tardia

Milena, a primeira personagem negra da turminha, nasceu no fim do ano passado. Jeremias, que já é velho na Turma mas nunca tinha tido protagonismo, ganhou uma Graphic MSP só sua esse ano – Jeremias Pele, de Rafael Calça e Jefferson Costa, foi o terceiro livro mais vendido do Brasil em junho de 2018. Agora essa é a prioridade da MSP.

“Mauricio falou na graphic do Jeremias que está corrigindo um erro histórico, que é não ter dado um protagonismo para o Jeremias antes. A gente entende que temos personagens fortes dentro de todos os tipos [Luca é cadeirante, Dorinha é cega, Tati possui síndrome de Down…], e a ideia é essa, apresentar pras crianças que é natural ter diversidade em todo lugar. É normal um menino negro brincando com uma menina branca, com uma criança japonesa, com um garoto cadeirante, outro cego, e é isso que queremos mostrar”, diz Marcos Saraiva.

No painel, foi anunciada uma linha de produtos exclusiva do personagem Jeremias, produção em parceria com a Laboratório Fantasma, marca do rapper Emicida. Quando o cantor apareceu no telão anunciando a novidade, foi ovacionado. A MSP mostrou que só expande suas barreiras, em todos os bons sentidos.

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Praga mais antiga da história devastou a Europa há 5 mil anos

Um grupo de cientistas europeus descobriu evidências daquela que pode ser considerada a primeira pandemia da espécie humana. Segundo um artigo científico publicado na revista Cell nesta quinta-feira (6), a peste teria se alastrado ainda durante o período Neolítico, há quase 5 mil anos, e alterado a dinâmica de populações por toda a Europa.

A bactéria responsável tem nome e sobrenome: Yersinia pestis. Se você for bom de história, pode ser que se lembre que o micróbio em questão causa a peste negra (ou peste bubônica), doença que tirou a vida de um terço da população europeia no século 14. Uma cepa ancestral dele, no entanto, já fazia estrago milênios antes.

A existência da bactéria veio à tona a partir da análise do DNA de um dente que um dia pertenceu a uma mulher escandinava, morta aos 20 anos. Ela estava enterrada entre outras 77 pessoas em uma vila no oeste da Suécia. De acordo com estimativas dos pesquisadores, a ossada da europeia data entre 5.040 e 4.867 anos.

Ao comparar a variedade encontrada com genomas de outras bactérias do gênero Yersinia que existem atualmente, como Y. pseudotuberculosis, os cientistas descobriram tratar da versão evolutiva mais anciã que se tem notícia até hoje. Diferente da versão mais famosa de praga europeia, o contágio não acontecia pela urina de ratos, mas sim, a partir de gotas de saliva. E foi esse o principal motivo para o espalhamento da bactéria dar tão certo.

Rastreando as origens mais primitivas da espécie, os pesquisadores chegaram à cultura Cucuteni, grupo humano do período Neolítico que ocupava a região que hoje conhecemos como Romênia, Moldávia e Ucrânia. Acredita-se que a Y. pestis se espalhou entre eles há 6,1 mil e 5,4 mil anos.

À época, os Cucuteni contavam com comunidades agrícolas superpovoadas, em que vivam entre 10 mil e até 20 mil pessoas. Dessas vilas, a bactéria se espalhou por meio de rotas comerciais (possibilitadas por tecnologias como a roda e a tração animal) por todos os cantos do continente europeu, desde a fria Sibéria até a Escandinávia. E há indícios de que o micróbio tenha ido ainda mais longe. A descendente moderna de bactérias atuais, por exemplo, teria surgido no oriente asiático há 5,1 mil anos.

“Assim, pela primeira vez na história da humanidade, houve simultaneamente condições perfeitas para o surgimento de doenças, nesses grandes assentamentos, ao mesmo tempo que havia tecnologia suficiente para disseminá-las rapidamente por grandes distâncias”, disse Nicolás Rascovan, que liderou o estudo, à BBC.

De acordo com os pesquisadores, essa relação está diretamente ligada ao declínio de populações europeias observado no período, e iniciado há pelo menos 8 mil anos.

via Superinteressante

Por trás dos tabus: 8 perguntas e respostas sobre CrossFit

1. Afinal, CrossFit é um esporte?

(coletivo oitentaedois/Superinteressante)

Depende do ponto de vista. Antes de tudo, é uma marca: CrossFit Incorporaton. Baseada nos Estados Unidos, a companhia gerencia esse novo império fitness. Tanto o CrossFit Games (torneio mundial reunindo a elite dos praticantes) como todos os boxes (academias) afiliados estão associados à matriz.

A CrossFit Inc. também produz seus conteúdos oficiais – guias, diretrizes de treinos e cursos, demonstrações de exercícios, artigos, etc. – publicados no site crossfit.com. Apesar de ser uma prática metódica que demanda exercícios físicos com fins de condicionamento e saúde (parte da definição de esporte no dicionário), o fato de não possuir um sistema de federações faz com que em diversos países (como o Brasil) atletas e eventos não possam ser patrocinados com verba pública. Mas abre caminho para que empresas privadas assinem contatos com a matriz americana.

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2. Por que é caro?

Entre as diversas opções de programas e formas de pagamento, o valor médio mensal em um box no Brasil gira em torno de R$ 300 a R$ 400 – bem mais caro que as grandes redes de academia, que hoje cobram a partir de R$ 90.

Do lado dos proprietários, há custos fixos bastante comuns: aluguel do espaço, investimento em equipamentos, salários de funcionários e a taxa anual de afiliado, US$ 3 mil (cerca de R$ 11.700), pagos à CrossFit Inc. pelo uso do nome. Mas alguns instrutores ouvidos pela SUPER também agregam outo motivo: priorizar aulas com menos alunos (quatro alunos por treinador contra a média de 15) para aumentar a qualidade, um ingrediente que deve ser o diferencial para se manter vivo nos próximos anos.

E outo fator primordial: o aluno não pode (ou ao menos não deveria) treinar sem a supervisão do treinador, o que exige investimento em mão de obra qualificada por parte do dono do box.

Mas um iniciante não terá tantas despesas além da mensalidade, já que roupas esportivas confortáveis e um par de tênis adequado bastam para começar. Já se a ideia for se tornar atleta, obviamente investimentos com especialistas de outras áreas (médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, etc.) e demais gastos com viagens, por exemplo, vão aumentar essa conta.

3. Há um campeonato?

(Ostill/iStock)

Sim. Competições oficiais com “carimbo” CrossFit acontecem de forma regional e internacional. Vários boxes também organizam eventos locais próprios como forma de estímulo aos treinos e ferramenta de integração. A trajetória de atleta, no entanto, é uma escolha pessoal – até porque o alto rendimento (em qualquer prática) não é para qualquer um.

“Ao agir por excesso de empolgação, seja pessoal ou motivada por um treinador ruim, as pessoas têm se distanciado das raízes do CrossFit: promover atividade física com intuito de reabilitação e melhora na qualidade de vida”, observa Joel Fridman, sócio da CrossFit Brasil, primeiro box aberto no País, em 2009, ativo até hoje em São Paulo. Joel não é contra competições, pelo contrário. Ele já participou como competidor, prepara alunos e é organizador do Torneio da CrossFit Brasil (TCB), a mais tradicional competição nacional.

4. Qual benefício ele traz?

(Ostill/iStock)

Segundo a cartilha do CrossFit, um condicionamento físico completo que você nem imaginou que poderia alcançar. “O CrossFit veio para redefinir a preparação física, fugindo da monotonia da musculação tradicional, em um ambiente acolhedor, divertido e desafiador”, defende o crossfiter paulista Anderon Primo, 23, tetracampeão do TCB, que se define como um apaixonado pelo método. “A melhora no desempenho físico geral e o ganho de massa muscular acontecem de forma muito rápida em uma atividade intensa que te leva a novos limites do corpo e da mente”, completa Anderon, praticante assíduo há cinco anos, período em que trocou de vez os tatames de judô pelo CrossFit.

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5. Por que virou febre?

(coletivo oitentaedois/Superinteressante)

Por vários motivos. O primeiro é pessoal: no aspecto físico, o método realmente funciona, desde que bem aplicado. Mas, ainda que a prática e vários estudos acadêmicos comprovem sua eficácia, a carência de estudos de longo prazo é uma lacuna relevante.

O segundo motivo é coletivo: está ligado à sensação de pertencimento a uma comunidade. “As relações pessoais criadas no box são inspiradoras e compensadoras; todos realmente se incentivam, algo bem diferente da rede de academia de musculação com mais de 3 mil inscritos em que eu trabalhava antes”, diz Luís Miguel Ferreira, proprietário da CrossFit OPO, afiliada da cidade do Porto, no norte de Portugal.

Aberto em 2013, o OPO é o segundo box do país, somando atualmente mais de 200 membros. E o terceiro motivo vem de um resgate histórico unindo as duas razões iniciais. As práticas esportivas têm suas raízes conectadas à ideia de sacrifício. Só que a explosão de modismos fitness nas últimas décadas abriu espaço a exercícios isolados, repetitivos e, muitas vezes, sem sentido prático – o grande motivo da preguiça geral em se mexer.

O CrossFit tem resgatado a funcionalidade e o ritual coletivo, o que o torna, mais facilmente, um hábito. Em suma, realizar algo muito intenso e difícil em grupo (como uma tribo) tende a fortalecer relações e a impulsionar novas experiências recompensadoras.

6. Mas será que eu aguento?

Vamos por partes:

1. Iniciantes começam com aulas experimentais e, dentro do próprio método, há adaptações (usam-se os termos scale ou scaling) para aliviar movimentos mais complexos, cargas, velocidade de execução, tempo de descanso, entre outros.

2. Quem já pratica algum exercício tende a se sentir desafiado pelo CrossFit, e o engajamento é maior, segundo proprietários de boxes no Brasil; por outro lado, ainda que o CrossFit oficialmente apresente-se com o objetivo de diminuir o sedentarismo no mundo (sobretudo nos EUA, onde a taxa de obesos oscila perto dos 40%), cativar e manter pessoas sem prévio contato com atividades físicas é um caminho bem mais árduo, e depende, principalmente, da qualidade dos instrutores.

3. Para atingir o ponto em que a satisfação e o desejo de seguir adiante vencem as dores musculares é necessário ter paciência e persistência. Nem todos estão dispostos a isso. De uma forma ou de outra, especialistas recomendam exames prévios para quem está interessado em entrar de cabeça na brincadeira. “Atividades de alta intensidade alteram o sistema cardiovascular de várias maneiras, o que pode gerar benefícios à saúde ou ocasionar danos, dependendo do estímulo e das condições do indivíduo”, explica Hugo Thomé, cardiologista do Instituto do Coração (InCor-USP). “Se praticadas de forma inadequada, essas práticas podem desencadear alterações relevantes como insuficiência cardíaca. A alta intensidade dos treinos após longos períodos parece ser danosa às células do coração, chegando a se equiparar com um infarto. Quanto mais se quer performance, maior o risco.”

7. Posso usar como um complemento para meu esporte favorito?

Sim. Os ganhos biomecânicos proporcionados pelo CrossFit ajudam a melhorar a performance em outros esportes. Se esse é o objetivo, será preciso balancear bem os ciclos de esforço e repouso, inclusive aliviando os treinos dentro do box em alguns dias. “Adotei o CrossFit como preparação na época de jogador e percebi como foi eficaz. Ele me ajudou em termos de mobilidade e intensidade, além de trabalhar com a frequência cardíaca lá em cima”, conta Douglas Lorite Motta, ex-atleta de basquete 3×3, que defendeu o Brasil em cinco edições do World Tour e dois Mundiais. Douglas é o atual técnico da seleção brasileira na modalidade, que fará estreia nos Jogos Olímpicos em Tóquio 2020. Ele pretende usar o CrossFit com seus pupilos no ciclo rumo a uma vaga na Olimpíada.

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8. Há risco de eu me machucar?

(coletivo oitentaedois/Superinteressante)

Sim. E este é um tema importantíssimo. De forma geral, para evitar lesões, é preciso contar com um treinador experiente e bem capacitado, que promova uma evolução gradual e que priorize a boa técnica. Há também outros ingredientes-chave, como descanso apropriado e alimentação adequada. “Tudo depende do bom senso dos dois lados; só que um garoto com seus 20 anos e testosterona a mil quer provar que pode fazer mais. Logo, é melhor deixar o treinador conduzir”, defende João Abreu, coach da CrossFit Brasil e praticante há seis anos. “A intensidade é importante, claro, mas ela só deve ser trabalhada depois de duas etapas anteriores: o aprendizado técnico (repertório e mecânica de movimentos) e a consistência técnica, ou seja, manter a qualidade por mais tempo, mesmo com o desgaste”, completa.

via Superinteressante