Documentos secretos do Facebook provam que app monitora ligações dos usuários

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O Parlamento Britânico publicou nesta quarta (5) trechos de documentos internos do Facebook como parte da investigação do órgão sobre fake news.

O conteúdo foi disponibilizado pela startup (já falida) Six4Three, que no fim de novembro liberou cópias de trocas de e-mail entre representantes da empresa e o Facebook, incluindo conversas com executivos sênior da rede social e até com o próprio CEO, Mark Zuckerberg.

Os documentos foram classificados como sigilosos pelo Departamento de Justiça da Califórnia, mas na semana passada, dias antes de uma sabatina marcada com representantes do Facebook, o Chefe do Departamento de Esportes, Mídia, Cultura e Meios Digitais do Parlamento, Damian Collins, avisou que usaria os privilégios inerentes de sua posição no governo para tornar esses documentos público caso o conteúdo deles fosse de interesse da população do Reino Unido.

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Ainda que apenas os fragmentos mais importantes (ao invés dos documentos completos) terem sido publicados, o conteúdo revelado pelo Parlamento soma 250 páginas, com documentos que datam desde 2012, época em que o Facebook estava no auge de seu crescimento ao redor do mundo.

Junto com os documentos Collins publicou também um memorando que resume as principais descobertas do Parlamento nos textos, que podem ser resumidas em quatro instâncias que os representantes classificaram como preocupantes:

  • o Facebook tentou esconder o fato de que coleta dados sobre ligações e mensagens de textos de usuários de smartphones Android, e durante todos esses anos se esforçou para que ninguém descobrisse isso porque sabia que a revelação poderia causar uma grande crise da empresa com seu público;
  • mesmo depois das mudanças criadas em sua política de privacidade nos anos de 2014 e 2015, o Facebook elaborou uma “lista amiga” de apps que não precisavam seguir as novas regras, e continuavam tendo acesso não só aos dados do usuário que instalava esses apps mas também ao de todos os amigos que ele tinha no Facebook;
  • os apps desta “lista amiga” tinham um acordo de reciprocidade com a rede social que não foi divulgado ao público, onde eles deviam enviar ao Facebook todas as informações sobre seus usuários que não poderiam ser acessadas pelo próprio app da rede social;
  • a empresa também obtinha dados sem autorização dos usuários sobre todos os apps que eram instalados em seus telefones, com o intuito de identificar rapidamente quais aplicativos poderiam se tornar potenciais rivais da rede social e tomar medidas para impedi-los de crescer ou comprá-los antes que se tornassem uma ameaça real ao monopólio do Facebook;

Tentando se defender das acusações, o Facebook afirmou que esses documentos contam apenas uma parte da história e decisões tomadas pela empresa durante esses anos, e que a revelação dessas informações fora do contexto correto está sendo usado para defender a agenda de políticos britânicos e desviar a opinião pública da verdade. Mas fica o questionamento: qual é o “contexto correto” que torna o monitoramento não autorizado de telefones e o armazenamento de ligações e mensagens sms sem o conhecimento do público uma atitude ética e acertada?

Fonte: CNet, Parlamento Britânico

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via Canaltech

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