Phoebe, lua de Saturno, deve ter sido formada muito além do gigante gasoso

Cientistas descobriram, usando um novo método para medir proporções isotópicas de água e dióxido de carbono, que a água presente nos anéis e nas luas de Saturno é surpreendentemente parecida com a encontrada na Terra — com exceção da lua Phoebe (também chamada de Febe aqui no Brasil), que tem uma água incomum, diferente de qualquer outro objeto do Sistema Solar.

O estudo foi conduzido pelo cientista sênior do Instituto de Ciências Planetárias, Roger N. Clark, mostrando que precisamos mudar os modelos de formação do Sistema Solar porque os novos resultados conflitam com os modelos existentes.

É que, de acordo com os modelos atuais, a relação deutério (quando adiciona-se um nêutron a um átomo de hidrogênio) para hidrogênio (chamada de D / H) deve ser muito mais alta no Sistema Solar externo, mais frio, do que no sistema interno, mais quente, onde a Terra se formou, com o deutério sendo mais abundante nas nuvens moleculares frias. Alguns modelos, inclusive, preveem que a relação D / H deveria ser 10 vezes maior no sistema de Saturno do que na Terra. E as novas medições mostram que este não é o caso nos anéis e satélites de Saturno, com exceção da lua Phoebe.

Algumas das mais importantes entre as mais de 60 luas que orbitam Saturno

Então, essa descoberta de um D / H incomum nesta lua significa que ela foi formada em uma parte distante do Sistema Solar, muito além de Saturno, posteriormente sendo atraída para sua órbita. E, por enquanto, ainda não se sabe exatamente onde no Sistema Solar a lua Phoebe se formou, já que ainda não há medições concretas em mundos como Plutão, por exemplo, para fins de comparação. Contudo, a nova metodologia usada pela equipe permitirá fazer essas medições em um futuro próximo.

As medições foram feitas a partir de dados coletados pela missão Cassini, da NASA. Uma calibração realizada no instrumento VIMS (Visor Espectrômetro de Mapeamento Visual e Infravermelho) permitiu, então, a precisão necessária para medir a luz refletida dos anéis e satélites. E, indo além, o novo método também permitirá medições isotópicas em outros objetos do Sistema Solar, o que deverá mudar aina mais os modelos atuais que determinam como o Sistema Solar se formou.

via Canaltech

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