Trabalhadores descrevem situações de racismo dentro de fábrica da Tesla

Uma longa reportagem publicada pelo New York Times descreve dezenas de situações de racismo dentro da fábrica da Tesla, fabricante de veículos elétricos inteligentes dos Estados Unidos. Segundo os relatos, o racismo dentro da estrutura da Tesla pode ser visto em diversos casos, como funcionários negros forçados a limpar o chão da fábrica ou sendo deixados de lado em promoções.

“Você ouve coisas como ‘ei, garoto, venha aqui’, ‘c-r-i-o-u-l-o’, você sabe, tudo isso”, relata Owen Diaz, um dos funcionários negros que relatou ver suásticas e referências ao Black Face desenhadas em banheiros e caixas de papelão dentro da fábrica em Freemont.

Em ao menos dois casos, o presidente da empresa Elon Musk estava ciente da situação, mas pouco fez para resolvê-la. Num deles, Musk apenas se limitou a enviar um email alertando a todos na empresa para que evitassem “ser babacas” com representantes “de um grupo historicamente menos representado”.

Apesar da postura, o executivo contemporizou a situação na mesma mensagem. “Se alguém é um babaca com você, mas pede desculpas sinceras, é importante ser casca-grossa e aceitá-las”, registrou Musk.

Racismo dentro da Tesla

Em outro caso marcante citado pela reportagem, o eletricista DeWitt Lambert reclama de ter sido alvo de piadas pelo seu sotaque sulista e de diversas injúrias de cunho racial. Ele chegou a enviar um vídeo com evidências para os seus supervisores, mas a não resolução do problema levou ele a mover uma ação judicial.

Lambert chegou a mudar de estação de trabalho para tentar diminuir as ocorrências, mas sucesso. Ele, então, consultou um advogado e entrou com uma ação junto ao Departamento de Emprego Justo do governo dos Estados Unidos. A Tesla ofereceu um acordo de US$ 100 mil, mas a proposta não foi aceita pelo funcionário, que foi colocado em licença administrativa paga.

Em junho do ano passado, três meses após a licença, a Tesla demitiu Lambert alegando que teria descoberto “atos inconsistentes com os valores da Tesla” por ele ter “instigado o uso da palavra com N”. A palavra em questão é “nigger”, forma ofensiva de se referir a negros nos EUA, mas comum entre a comunidade negra — Lambert confirmou o seu uso, mas garante ter feito apenas com outros negros.

Após o encerramento do vínculo trabalhista e da ação, um juiz emitiu uma decisão preliminar defendendo que o caso merecia uma análise mais aprofundada, afirma o NYT.

Tesla se explica

“A Tesla se opõe a todas as formas de discriminação, assédio e tratamento injusto e nos esforçamos para proporcionar um ambiente de trabalho respeitoso para todos os empregados, fazendo o melhor para prevenir más condutas”, disse a empresa em nota enviada ao The Verge.

A companhia disse, ainda, que casos de má conduta são esperados “em uma companhia do tamanho de uma cidade pequena” e que o volume de reclamações dela é menor do que em outras empresas de tamanho semelhante.

via Novidades do TecMundo

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