Por que a corrente elétrica como conhecemos não irá mais existir em 2019?

2019 será um ano de mudanças internacionais. Nós já explicamos aqui no Canaltech porque a medida do quilograma será mudada, mas não apenas a base para medição de massa pelo Sistema Internacional (SI) será modificada. O Ampere, unidade fundamental de medição de corrente elétrica, também será modificado no ano que vem.

Mas não precisa se preocupar: a mudança não irá obrigá-lo a mudar a fiação da casa ou ter qualquer efeito no funcionamento de aparelhos eletrônicos. A medida pretende não mudar o modo como a eletricidade é medida, mas aperfeiçoar o que é a unidade Ampere em si.

De acordo com os pesquisadores, o maior problema do Ampere é que ele não pode ser comprovado cientificamente. Desde que foi estabelecido em 1948, o Ampere era definido como a corrente constante na qual, se mantida em dois condutores paralelos, retilíneos e de comprimento infinito, de seção circular desprezível, e situados no vácuo a uma distância de um metro entre si, produziria entre esses condutores uma força de 0,0000002N — o valor base de uma unidade Ampere.

Mas, como é possível perceber pela descrição, esse experimento de definição é impossível de ser efetuado — afinal, é impossível criar um condutor infinito — e, por isso, a unidade não é tão precisa quanto os cientistas precisam que seja, principalmente agora que estudos de computação quântica necessitam da maior precisão possível em suas medições para dar certo.

Por isso os cientistas estão mudando o modo como o Ampere é medido, e a partir de 20 de maio de 2019 a unidade será baseada na carga elétrica elementar, ou seja, a nova base para a unidade de corrente elétrica será uma contagem do fluxo individual de elétrons. Ainda que o experimento físico de medição de carga elementar só possa ser feito em laboratórios quânticos de última geração, já é um grande avanço da medida atual, que é impossível de ser comprovado por experimentos.

Mas, como já comentado antes, essa mudança não irá mudar nada para o consumidor comum. As instalações elétricas continuarão funcionando sem nenhuma mudança, assim como os equipamentos eletrônicos, e nem mesmo a leitura da quantidade de energia mensal de sua fornecedora de eletricidade local deverá ser modificada.

A mudança mais significativa ocorrerá na indústria e nos laboratórios de pesquisa. Equipamentos de precisão, como máquinas de ressonância magnética, precisarão passar por nova calibração, e deverá ajudar bastante a indústria de smartphones. Isso porque, com a mudança da medida, será possível calcular com maior precisão quantos ciclos de vida a bateria tem, facilitando as pesquisas para criação de baterias menores e mais duráveis.

via Canaltech

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