Samsung Galaxy Tab S4: o que era bom ficou melhor (e mais caro)

No que depender da Samsung, os tablets não morrem tão cedo. Pelo menos essa é a impressão inicial que o Galaxy Tab S4 causa: lançado no Brasil em outubro de 2018, o modelo chama atenção pelo requinte do seu acabamento e por ostentar uma bela tela de 10,5 polegadas.

Mas a Samsung sabe que o visual caprichado não pode ser o único atrativo. Por conta disso, a companhia focou o Galaxy Tab S4 em um ideal que meio mundo busca: o da produtividade. Para tanto, o tablet foi equipado com um processador Snapdragon 835, traz a caneta S Pen e é compatível com o DeX, modo que “transforma” o dispositivo em desktop.

Esses atributos fazem o Galaxy Tab S4 valer a pena? A tela é tudo isso mesmo? A bateria dura bastante? Como é o desempenho? Eu usei o dispositivo durante alguns dias e conto as minhas impressões sobre ele a partir de agora.

Em vídeo

VIDEO

Design e áudio

Até certo ponto, o Galaxy Tab S3 aparenta ser um smartphone da Samsung, só que esticadão. Mas o Galaxy Tab S4 é diferente. Com ele, a companhia sul-coreana teve mais cuidado com o design. O efeito disso é perceptível já na primeira olhada: as bordas da tela estão um pouco mais finas e o botão físico frontal foi aposentado.

Apesar da renovação no visual, o Galaxy Tab S4 preserva algumas características da geração anterior. A principal delas é a traseira, que continua com um vidro que atrai os olhares por conta do efeito brilhante, mas que também fica manchada de dedos facilmente, sem contar o provável fim trágico que esse vidro vai ter se o tablet cair no chão.

Pelo menos as laterais, de metal, têm uma curvatura que ajuda bastante na pegada. A lateral direita concentra o botão de liga / desliga e os controles de volume. Mais abaixo, na mesma lateral, está o slot para microSD (de até 400 GB) e para o SIM card — o tablet é compatível com 4G. Já o lado esquerdo tem apenas os encaixes para a capa com teclado que é vendida separadamente (R$ 699).

Outra característica herdada do Tab S3 é o conjunto de alto-falantes. São quatro, dois na lateral superior, dois na inferior. Todas têm tecnologia de som imersivo AKG e suporte ao padrão Dolby Atmos, nas palavras da própria Samsung.

A porta USB-C e a conexão para fones de ouvido também ficam na parte inferiorA porta USB-C e a conexão para fones de ouvido também ficam na parte inferior

A porta USB-C e a conexão para fones de ouvido também ficam na parte inferior

De fato, o áudio é interessante. Deveras interessante. O volume máximo é bem alto e o som é reproduzido com muita clareza. Prestando atenção, dá até para escutar detalhes em músicas que, normalmente, a gente só percebe com fones de ouvido.

Os graves não são intensos, mas, para um tablet, até que apresentam boa intensidade. No volume máximo, eu notei distorções em algumas músicas, mas discretas. De modo geral, a experiência de áudio é muito positiva. O único detalhe capaz de atrapalhar é que, se você segurar o dispositivo na horizontal, poderá acabar bloqueando uma ou outra saída com as mãos.

Tela e S Pen

Durante todo o tempo em que fiquei com o Galaxy Tab S4, a atividade que eu mais executei nele foi a reprodução de filmes e séries, simplesmente porque a tela é excelente para consumo de conteúdo.

O painel tem 10,5 polegadas de tamanho e formato 16:10 — para fins de comparação, a geração anterior conta com proporção 4:3. Já a resolução é de 2560×1600 pixels. Distinguir pixels aqui acaba sendo uma tarefa quase impossível, portanto.

Por ser Super AMOLED, a tela exibe cores vívidas e preto profundo. Eu não notei excessos na saturação, mas, em um display grande, as chances de você ficar incomodado com os tons de determinadas cores são maiores. Felizmente, é possível ajustar a saturação e a gama de cores no Modo de Tela das configurações do sistema operacional.

Os níveis de brilho também somam pontos. A intensidade máxima é forte o suficiente para garantir que você enxergue todo o conteúdo da tela se estiver em uma área aberta — o quintal da sua casa, por exemplo — durante um dia bem claro. Ah, e o ajuste automático é rápido e preciso, como tem que ser.

É impossível não notar que, na comparação com as gerações anteriores, a Samsung fez um ótimo trabalho de aproveitamento do espaço frontal. As bordas finas não são só mais simétricas como também permitem que a tela tenha mais área útil. Mas, comigo, houve um efeito colateral: vez ou outra eu tocava na tela ao apoiar os polegares no tablet e acabava executando uma ação indesejada, como abrir um link em uma página.

Mera questão de costume, porém. Depois de uns três dias, eu já não tinha mais esse problema. Mas essa questão dos toques na tela nos leva a um acessório que acompanha o Galaxy Tab S4: a caneta S Pen.

Curti a S Pen logo de cara por ela ter tamanho equivalente ao de uma caneta convencional e possuir ponta de 0,7 mm, detalhes que a tornam mais prática no dia a dia. Além disso, a caneta não precisa de bateria, e tem tempo de resposta e precisão a toques tão bons quanto a S Pen que acompanha o Galaxy Note 9 — de acordo com a Samsung, o acessório permite 4.096 níveis de sensibilidade à pressão.

Eu acredito que o complemento da S Pen torna o Galaxy Tab S4 interessante para designers, ilustradores e afins, pelo menos para que essa turma possa dar retoques em alguns trabalhos. Mas, mesmo que você não trabalhe com artes ou algo próximo disso, a caneta ainda pode ser útil, graças às ferramentas de produtividade pré-instaladas no sistema operacional.

Pena não existir nenhum tipo de mecanismo para fixar o acessório ao tablet. A capa com teclado da Samsung até possui uma base para a caneta, mas, como já dito, ela é vendida separadamente.

Software

Entre as tais ferramentas pré-instaladas estão apps similares aos que encontramos no Galaxy Note 9. Para acessá-las rapidamente, tudo o que você precisa fazer é aproximar a S Pen da tela. Um ícone suspenso surgirá na lateral da interface. Toque nela e você terá acesso a ferramentas para criação de notas, escrita na tela, tradução de textos em mais de 70 idiomas, entre outras.

Um aplicativo interessante é o Penup, que permite que você compartilhe ilustrações ou use a S Pen para colorir. Mas, talvez, você encontre mais utilidade na função que permite fazer anotações na tela mesmo com ela desligada. Para isso, basta tocar no display com a S Pen e apertar o botão existente nela. Até barulho de caneta sobre papel o app simula quando você está escrevendo.

PenupPenup

Penup

Tudo isso roda com base no Android 8.1 Oreo acompanhado da Samsung Experience, uma interface bem organizada, intuitiva e estável. Entre os recursos que ela traz que não são atrelados à S Pen estão o Game Launcher, que dá acesso fácil a todos os jogos instalados, e o já clássico Pasta Segura, que oculta arquivos e apps selecionados.

Achei curioso o modo Quadro Diário, que exibe slide de fotos, previsão do tempo e outras informações quando o tablet está sendo recarregado. Já o Bixby continua sendo uma presença um tanto frustrante: o assistente ainda não fala português e, por isso, só está disponível nas funções Home (exibe cards diversos) e Vision (usa a câmera para ler QR Codes, traduzir textos e afins).

Apesar de o recurso não ter sido testado para este review, vale destacar que o Galaxy Tab S4 é o primeiro tablet a trazer suporte ao Samsung Dex. Com esse modo, você pode usar o dispositivo como um desktop. A já mencionada capa com teclado da Samsung é própria para essa função.

Câmeras

Usar um tablet para tirar fotos é um prática abominável, para ser dramático, mas se você precisar do Galaxy Tab S4 para isso, vai conseguir registros apenas aceitáveis. O tablet possui câmera de 13 megapixels na traseira com abertura f/1,9. Em boas condições de iluminação, as cores têm boa saturação e os níveis de ruídos são ok.

Com menos luz, a perda de definição e os ruídos são mais intensos, como esperado. De qualquer forma, se você precisar da câmera para ler um QR Code ou um código de barras, por exemplo, vai poder contar com ela tranquilamente.

A câmera frontal tem sensor de 8 megapixels com lente de abertura f/1,9 e também é apenas ok. Mas, provavelmente, ela vai ser mais útil. Primeiro porque essa câmera é suficientemente boa para videoconferências. Segundo porque o componente ajuda o Galaxy Tab S4 a fazer desbloqueio por reconhecimento facial e leitura de íris.

Você pode realizar o desbloqueio tanto com o tablet na horizontal quanto na vertical. O desbloqueio é rápido, mas nem sempre funciona de primeira. Deitado na cama, eu só consegui fazer o desbloqueio levantando a cabeça. Além disso, se as condições de luz não forem favoráveis, você pode ter que levantar o tablet como se quisesse fazer uma selfie para o procedimento funcionar.

Esses problemas ocorreram com tanta frequência que me fizeram sentir falta do bom e velho leitor de impressões digitais.

Selfie feita com o Galaxy Tab S4Selfie feita com o Galaxy Tab S4

Selfie com a câmera frontal

Hardware e bateria

O hardware básico do Galaxy Tab S4 é formado por um processador Snapdragon 835, 4 GB de RAM e 64 GB de capacidade para armazenamento de dados (existe uma versão com 256 GB, mas ela não está disponível no Brasil). Por ser mais atual, o Snapdragon 845 seria mais interessante aqui. Mas, mesmo não sendo recente, o Snapdragon 835 não deixa de ser um chip astuto.

Eu não notei travamentos, lentidão ou fechamentos inesperados aqui. Todos os apps testados abriram rapidamente e o multitarefa funcionou sem nenhum problema. O mesmo vale para jogos pesados. Em Asphalt 9, por exemplo, até houve uma queda na taxa de frames com as configurações gráficas no máximo, mas muito discretas.

Desempenho no AnTuTu 7.1.1Desempenho no AnTuTu 7.1.1

Desempenho no AnTuTu 7.1.1

Não sei como vai ser ao longo do tempo: não é raro encontrar gente reclamando de queda considerável no desempenho em tablets da Samsung após alguns meses de uso. Mas, pelo menos durante as quase duas semanas em que usei o Galaxy Tab S4, tudo rodou de modo consistente.

A bateria tem 7.300 mAh (contra 6.000 mAh do Galaxy Tab S3) e conseguiu me convencer. Para testá-la, rodei três horas de vídeo com brilho alto na tela, joguei Asphalt 9 por cerca de 30 minutos, usei Chrome e redes sociais por uma hora, deixei o Spotify tocando via alto-falantes também por uma hora e finalizei brincando com o Penup por uns 15 minutos.

Fiz os testes no decorrer de um dia, começando com a bateria em 100%. Por volta das 22:00, o tablet ainda tinha 54% de carga. O tempo de recarga de 10% para 100% foi 2h50min, aproximadamente.

Conclusão

O Galaxy Tab S4 aparece fácil como um dos melhores tablets Android de 2018 — quiçá de todos os tempos. É verdade que o modelo não tem muita concorrência, mas isso não invalida os esforços da Samsung para criar um tablet notável: a tela é primorosa, os alto-falantes são caprichados, o desempenho é consistente e a bateria tem autonomia satisfatória.

A S Pen, os apps atrelados a ela e o modo Dex não são recursos primordiais, mas amenizam um ponto fraco do Tab S4: o ecossistema do Android, que, até hoje, tem um número considerável de aplicativos que não são otimizados para a tela grande de um tablet.

Senti isso no Gmail, Google Drive, Facebook Messenger, Evernote e outros. Não que esses apps sejam ruins no tablet, mas dá para perceber um certo desperdício de espaço na interface deles. Em compensação, a experiência com vídeos e jogos é excelente.

Só que o preço a se pagar por tudo o que é oferecido é alto: o Galaxy Tab S4 custa, oficialmente, R$ 4.299. Já dá para encontrá-lo com descontos interessantes em algumas lojas, mesmo assim, ele continua caro.

Há um forte apelo em prol da produtividade aqui, mas, se é para levar esse aspecto em conta e desembolsar bastante dinheiro, pode valer mais a pena recorrer a um bom laptop. Um modelo híbrido, talvez: opções do tipo também costumam ser caras, mas pelo menos conseguem ser mais práticas.

Para quem faz questão de um tablet Android, o Galaxy Tab S4 é, do ponto de vista técnico, a melhor opção disponível atualmente no Brasil. Mas, por conta do tropeço no custo-benefício, é preciso fazer questão mesmo.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 7.300 mAh;
  • Câmera: 13 megapixels (traseira) e 8 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, GLONASS, Beidou, Galileo, Bluetooth 5.0, USB-C no padrão 3.1;
  • Dimensões: 249,3 x 164,3 x 7,1 mm;
  • GPU: Adreno 540;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 400 GB;
  • Memória interna: 64 GB (50,5 GB livres);
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 483 gramas;
  • Plataforma: Android 8.1 Oreo;
  • Processador: octa-core Snapdragon 835 de 2,35 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, giroscópio, bússola, luminosidade, proximidade, leitor de íris;
  • Tela: Super AMOLED de 10,5 polegadas com resolução de 2560×1600 pixels (287 ppi).

via Tecnoblog

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