Facebook considerou vender dados de seus usuários para parceiros

Uma das principais críticas de Tim Cook, o CEO da Apple, aos negócios do Facebook é a ideia de que, quando um serviço é gratuito, os usuários são o produto. A rede social sempre negou que vendia dados de seus utilizadores, mas documentos internos vazados pela imprensa internacional mostraram que, entre 2012 e 2014, a empresa pelo menos considerou fazer isso, atrelando o acesso às informações ao total gasto por seus parceiros em publicidade.

Trechos de papéis confidenciais da rede social foram publicados pelo Wall Street Journal e falam até mesmo em valores e funcionamento das propostas. Em um e-mail, por exemplo, um representante não-identificado do Facebook sugere um mínimo de US$ 250 mil por ano em gastos com propaganda para que os parceiros tivessem acesso total às informações dos usuários.

Em outra comunicação, uma reunião estratégica com a Amazon é citada com o assunto sendo o mesmo. O e-commerce estaria preocupado com uma mudança de políticas que a levaria a acessar menos dados no futuro, com o mesmo temor sendo exibido pelo Banco Real do Canadá. Em ambos os casos, representantes também não-identificados perguntam quanto as entidades teriam concordado em gastar com publicidade.

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Os envolvidos nas conversas não foram revelados, nem, e principalmente, se o CEO Mark Zuckerberg estava ciente sobre elas. O que se sabe é que, na ocasião em que a comunicação aconteceu, ainda estava aberta a possibilidade de visualização total de dados não apenas dos usuários que interagiam com um app, mas também dos amigos destes utilizadores. Foi a brecha usada pela Cambridge Analytica para obter as informações de centenas de milhões de pessoas para fins publicitários.

Há de se levar em conta, ainda, que 2012 foi o ano de abertura das ações do Facebook na Bolsa, algo que, com certeza, levantou temores internos quanto à viabilidade do negócio no longo prazo. A declaração oficial da rede social sobre as revelações vazadas segue nesse sentido, com a porta-voz da empresa afirmando que, na época, a empresa trabalhava na criação de um negócio sustentável. Ela confirmou que conversas desse tipo aconteceram, mas que as iniciativas jamais saíram do papel.

Entretanto, uma declaração separada pode indicar que o buraco é um pouco mais embaixo. Em uma audiência internacional realizada nesta quarta-feira (28) no Reino Unido, o diretor de políticas do Facebook, Richard Allan, admitiu que a companhia dava uma espécie de “carta branca” para empresas e serviços que comprassem um grande volume de anúncios.

O executivo também não entrou em detalhes sobre isso, mas a tal abertura estaria ligada à mesma época das revelações vazadas pelo Wall Street Journal e envolveria a coleta de dados em grande quantidade. Na audiência, o Facebook chegou a ser chamado de grande ameaça à democracia devido à abordagem quanto às informações pessoais de seus usuários e o que esse tipo de acesso pode proporcionar.

As informações publicadas pela imprensa internacional estariam disponíveis em uma série de documentos apreendidos pelo governo do Reino Unido e relacionado a um processo de uma empresa chamada Six4Three contra o Facebook. Na ação, a desenvolvedora de aplicativos diz ter sido fraudada pela rede social e a acusa de espionar usuários, além de coletar informações sobre eles às quais não deveria ter acesso.

Os papéis foram um dos pontos centrais da audiência internacional ocorrida nesta semana, mas o parlamento britânico afirma que o conteúdo completo dos documentos deve ser liberado somente na próxima semana. O Facebook pede que os representantes não façam isso, uma vez que estão contidos ali segredos da empresa e do funcionamento de seus algoritmos.

Fonte: The Wall Street Journal

via Canaltech

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