O que será da NASA e da ISS após a falha com o foguete russo Soyuz?

Na última quinta-feira (11), o foguete carregando a nave russa Souyz e levando um astronauta norte-americano e um cosmonauta russo para a Estação Espacial Internacional (ISS) apresentou uma falha em seus propulsores durante a decolagem e, por isso, os astronautas precisaram usar uma cápsula de emergência para fazer um pouso forçado de volta à Terra. Apesar do susto, ambos chegaram com segurança — mas aí começaram a surgir algumas questões preocupantes: O que acontece a partir de agora? A NASA continuará confiando na Rússia para futuros transportes? Se não, qual o plano B? Os três astronautas que estão hoje na ISS conseguirão voltar à Terra dentro do cronograma? E a ISS pode ficar sem nenhum astronauta por conta disso?

O primeiro problema (além de possíveis tensões veladas entre Estados Unidos e Rússia) é que, por enquanto, o Soyuz é o único veículo do mundo capaz de levar humanos para a ISS — a agência espacial dos EUA vem contando com essa parceria com os russos há vários anos para tal, pagando mais de US$ 70 milhões por um assento na nave. E, para se livrar da dependência russa, há anos a NASA já vem trabalhando no Commercial Crew Program, que é justamente uma parceria com empresas privadas estadunidenses para que elas forneçam foguetes e naves à agência espacial. Mas o cronograma tanto da SpaceX quanto da Boeing está atrasado e, portanto, seus veículos ainda vão demorar um tanto até que estejam prontos para serem usados em missões reais.

Veículos da Boeing e da SpaceX que levarão, um dia, astronautas à ISS (Imagem: Divulgação)

A partir de 2019, ambas as empresas começarão seus testes não tripulados e, caso tais testes sejam bem sucedidos, os primeiros voos com tripulação acontecerão em 2020, provavelmente. Só que, sem tripulação na ISS, fica complicado monitorar se as naves de teste chegarão lá nos conformes. Ou seja: caso a ISS fique sem astronautas neste período, os primeiros voos do programa comercial da NASA serão adiados ainda mais.

Isso quer dizer que a ISS não pode ficar sem astronautas a bordo — o que já aconteceu no final dos anos 1990, mas, naquela época, a estação era composta apenas por alguns poucos módulos, ainda em seus primeiros estágios de desenvolvimento. Desde novembro do ano 2000, a ISS sempre abrigou grupos periódicos de astronautas. A Rússia já anunciou que pretende enviar novos três tripulantes no dia 20 de dezembro, com a nave, então, servindo como veículo de retorno para os próximos astronautas que ali estão só aguardando suas missões acabarem para voltarem ao lar. Só que, caso um envio tripulado ainda represente riscos, a única maneira de resgatar os astronautas que estão ali é enviando uma Soyuz não tripulada — o que garantiria o retorno da tripulação, mas resultaria justamente em uma ISS vazia até um próximo lançamento.

"Isso [uma ISS vazia] é algo para o qual estamos sempre preparados, em termos de poder apoiar a falta de uma equipe", disse Kenny Todd, gerente de operações da Estação Espacial Internacional na NASA. A agência pode controlar coisas como sistemas robóticos, bombas e demais instrumentos da estação espacial daqui do solo, ao menos para garantir que nada seja danificado enquanto a ISS estiver abandonada.

Mas a NASA afirma que ainda usará a solução russa, apesar do incidente

Alguns dias depois do início da polêmica quanto a continuar contando ou não com a nave russa para o transporte de astronautas à ISS, Jim Bridenstine, administrador da agência espacial dos EUA, colocou panos quentes na situação, elogiando o programa espacial russo e dizendo que espera, sim, que uma nova equipe de astronautas vá à Estação Espacial Internacional em dezembro.

"Não tenho motivos para acreditar que [um novo voo] não esteja dentro do cronograma", disse ele a repórteres. Bridenstine conversou com a imprensa na última sexta-feira (12) na embaixada dos Estados Unidos em Moscou, quando também elogiou a "maravilhosa relação" entre as agências espaciais russa e estadunidense.

Essa é uma cápsula Soyuz acoplada na Estação Espacial Internacional (Foto: NASA)

Agora, especialistas russos seguem trabalhando para determinar as causas do fracasso do último lançamento com o foguete Soyuz. Um porta-voz do presidente Vladimir Putin disse que, no momento, "é impossível tirar quaisquer conclusões" a respeito. Contudo, ainda que o mais recente lançamento tenha sido mal sucedido, o fato de que os astronautas conseguiram usar a cápsula emergencial e retornar ao solo em segurança é um ponto positivo para a Rússia. "Por mais estranho que pareça, o acidente só confirmou a confiabilidade do foguete russo", disse um jornal local chamado Novaya Gazeta. E, realmente, o fato de o acidente não ter sido fatal é de extrema importância para a continuidade da união entre Rússia e Estados Unidos no que diz respeito à Estação Espacial Internacional — enquanto as empresas privadas norte-americanas não assumem essa função, claro.

E os astronautas Alexey Ovchinin e Nick Hague, aqueles que iriam à ISS na semana passada e tiveram que fazer o retorno de emergência, deverão fazer um novo voo para a estação espacial em meados de 2019, de acordo com anúncio feito no fim de semana por Dmitry Rogozin, diretor da Roscosmos. "Os dois astronautas definitivamente vão voar", garante.

No momento, vivem na Estação Espacial Internacional os seguintes membros da Expedição 57: o comandante Alexander Gerst (da ESA), a piloto Serena Auñon-Chancellor (da NASA) e o piloto Serguei Prokópiev (da Roscosmos). Eles chegaram lá no dia 4 de outubro de 2018, e aguardavam os colegas de missão nesta última semana.

Com informações de The Verge, Phys.org, RTP

via Canaltech

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