Doação de Jeff Bezos, mais rico do mundo, é insignificante frente a sua fortuna

Jeff Bezos, dono da Amazon e da Blue Origin, é o homem mais rico do mundo. Na verdade, a fortuna de Bezos é tão grande que ele foi apontado como o homem mais rico da história moderna. Ele já falou publicamente sobre como aproveita as grandes fortunas vindas do lucro da Amazon para financiar seus projetos espaciais na Blue Origin, afirmando que essa é a melhor forma de empregar seu dinheiro: “Estou atualmente liquidando cerca de US$ 1 bilhão por ano de ações da Amazon para financiar a Blue Origin. E pretendo continuar fazendo isso por um longo tempo”, disse Bezos em uma entrevista concedida em abril de 2018.

Na última quinta-feira (13), anunciou, por meio do Twitter, que estaria criando o Bezos Day One Fund, um fundo de US$ 2 bilhões voltado para educação infantil e abrigamento de pessoas em necessidade, como pode ser visto na reprodução abaixo:

O montante pode parecer generoso para os simples mortais não-milionários, mas a verdade é que, dadas as proporções, a doação dos US$ 2 bilhões não significa tanto assim para o patrimônio de Bezos, estimado em aproximadamente US$ 163 bilhões. Doando 2 bilhões de dólares à caridade, Bezos está comprometendo cerca de 1,2% de seu patrimônio líquido. Seria como se um indivíduo com renda mensal de R$ 3 mil resolvesse destinar R$ 36 todos os meses para alguma causa social. Não parece muito, não é mesmo?

Não há como comparar Jeff Bezos com nenhum outro ricaço contemporâneo. Sua renda seria próxima do que resultaria da combinação dos patrimônios de dois outros magnatas estadunidenses: Bill Gates e Warren Buffett. Mas se considerarmos Gates, o segundo cara mais rico dos EUA, lembraremos que o fundador da Microsoft já doou mais de US$ 31,5 bilhões em vida, o que equivale a 41% de sua fortuna. Warren Buffett, o terceiro na lista de magnatas estadunidenses, fez doações de US$ 30 bilhões nos últimos dez anos. Mark Zuckerberg, ocupando o quarto lugar da lista, recentemente doou US$ 45 bilhões à caridade.

Todos os supracitados, juntamente com mais alguns bilionários célebres providos de consciência social e bons corações e excetuando-se Jeff Bezos, assinaram o Giving Pledge, ou Compromisso de Doação, uma promessa pública de reverter a maior parte de suas fortunas pessoais em financiamento de causas caridosas. A motivação desses detentores de riqueza é justamente o fato que ninguém precisa ostentar um bilhão de dólares em suas contas pessoais enquanto o mundo abriga gente sem moradia, sem alimentação e sem direitos básicos por serem pobres demais. A ética de quem está com a vida ganha, para esses bilionários, inclui pensar nos menos — muito menos — afortunados.

Jeff Bezos não topou assinar o Giving Pledge (Imagem: Reprodução / Pinterest)

Jeff Bezos, entretanto, não é signatário do Giving Pledge. Ele não se comprometeu publicamente, como os outros bilionários, e ele não concedeu um décimo sequer de sua fortuna para a caridade, mesmo estando em um outro patamar de bonança. Mas você deve estar pensando que não é porque um indivíduo consegue armazenar uma quantidade imensa de recursos que ele é obrigado a repartir sua fatia de fartura com quem não tem nada, afinal, ele se esforçou para isso. Seria um ponto de vista válido, não fosse o fato que a fortuna de Jeff Bezos, ao menos em parte, é sugada de seus próprios funcionários.

Salários baixos e condições de trabalho inflexíveis são o cotidiano dos empregados da Amazon, empresa que conta com incentivos fiscais de municípios desesperados por abrir suas portas, esperançosos por ofertas de emprego e melhoria de qualidade de vida para seus cidadãos. Além disso, também não faltam relatos de funcionários de Bezos afirmando os esforços que o magnata faz para coibir a presença de sindicatos de seus postos de trabalho.

Segundo publicação do Splinter News, “tudo o que Jeff Bezos faz como empresário é predatório. E, ao contrário da maioria dos predadores capitalistas de sucesso, ele nem se dá ao trabalho de encontrar um lugar decente para doar os bilhões que nunca poderá gastar”, defendendo que um indivíduo médio que dá alguns trocados a um pedinte na rua merece mais atenção como alma caridosa que o homem de maior sucesso financeiro que já houve.

Fonte: Splinter News

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via Canaltech

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