Cibersegurança é como piolho, diz diretora da Siemens

Em fevereiro desse ano, a Siemens e oito parceiros do setor assinaram a primeira carta de compromisso para promover a cibersegurança. Chamada de “Charter of Trust”, o documento exige regras e normas obrigatórias para gerar confiança na cibersegurança e avançar com a digitalização das empresas e países. Como parte do projeto, no fim de agosto, a empresa esteve ao Brasil para incentivar o governo e empresas nacionais a se unirem à iniciativa.

“Governos globais entenderam que a cibersegurança é uma questão importante. Muitos estão preparando regulamentações, cada um em um estágio de maturidade diferente. E a Siemens está preparada para que se os governos cheguem até nós e peçam ajuda. Hoje podemos contribuir fortemente”, comentou Eva Schulz-Kamm, diretora global de assuntos governamentais da Siemens, em entrevista exclusiva ao Canaltech.

O Charter of Trust tem três principais objetivos: proteger os dados dos indivíduos e empresas; evitar danos às pessoas, empresas e infraestruturas e criar uma base de confiança em redes em que o mundo digital pode crescer e criar raízes.

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“Ter a confiança de que está garantida a segurança dos dados e dos sistemas em rede é um elemento fundamental da transformação digital”, disse. “É por isso que temos que tornar o mundo digital mais seguro e mais confiável. Já é tempo de atuarmos, não apenas individualmente, mas com parceiros fortes, líderes em seus mercados. Esperamos que mais parceiros se juntem a nós para fortalecer nossa iniciativa”, completou.

A carta ainda se apoia em dez princípios-chave: posse de segurança cyber e da IT; responsabilidade em todo o cadeia de fornecimento digital; segurança por padrão; usuário no centro; inovação e co-criação; educação; certificação para infraestruturas críticas e soluções; transparência e resposta; estrutura regulamentada e iniciativas conjuntas.

A ideia, segundo Eva, é liderar por exemplo. A Siemens executou mudanças internas para garantir que cada um dos dez princípios da carta fossem cumpridos. Um deles foi a criação dentro da companhia de um novo cargo, o Chief Cybersecurity Officer, ou, Diretor de cibersegurança, que diz respeito à propriedade de segurança na TI. Outra amostra, ligada ao princípio de segurança por padrão, é a fábrica da companhia em Amberg, na Alemanha, que usa um conceito de segurança holística aplicada em todo o ciclo de vida, desde o design e desenvolvimento do produto até a produção e manutenção.

“Isso começou com a Siemens, mas foi se espalhando. Temos como regra agora que todos nossos produtos e serviços vão aderir a esses princípios”, explicou. “Blockchain e Big Data são algumas das tecnologias que estamos trabalhando para gerar inovação no segmento de cibersegurança.”

Governos e indústrias

A abertura de governos e indústrias em relação ao tema, de acordo com a diretora, é grande. Para ela, os governos têm muito interesse em atingir um alto nível de confiança já que muitos de seus serviços são usados pela população. “Hoje os ataques são direcionados a países e no fim, se forem atacados, o governo será responsável”, falou.

Eva também revelou que algumas indústrias não estão “felizes” com a obrigação de se preocupar com a cibersegurança, além disso, muitos nem sempre querem se mostrar vulneráveis. “É como uma mãe que percebe piolhos nos filhos. Por mais que precise, ela não vai gostar de dizer à professora ou as demais mães que seus filhos estão com piolho”, brincou.

Ainda assim, ela reforça que, por mais que a cibersegurança nunca esteja 100% – uma vez que os ataques estão em constante mutação -, as empresas sabem que este é um assunto de máxima importância. “Acho que elas estão tomando consciência de que se seguirem critérios rigorosos, por mais que sofram ataques, saberão que foi uma fatalidade”, finalizou.

Para quem se interessou em saber mais sobre o Charter of Trust, basta acessar o link. Vale lembrar que assinam a carta as empresas Airbus, Allianz, Daimler Group, IBM, NXP, SGS e Deutsche Telekom.

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via Canaltech

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