Facebook admite que coleta dados mesmo se você não tiver conta na plataforma

Depois de todo escândalo envolvendo o uso indevido de dados de contas de mais de 87 milhões de usuários do Facebook, a rede social resolveu contar mais sobre quais e como as informações são coletadas pela plataforma mesmo quando se não está conectado a ela. Ou seja, o Facebook admitiu que recebe dados mesmo se o usuário não estiver na rede.

Em um post oficial na área de imprensa do site, o diretor de produtos da empresa, David Baser, explica “quais dados o Facebook coleta quando não estamos usando o facebook e por quê?”.

Primeiro, Baser diz quais os caminhos utilizados para coleta de dados em outros apps e websites. São: plugins sociais, como botões “curtir” e “compartilhar”; uso do login pelo Facebook; uso de Facebook Analytics, plataforma que mostra acesso a apps e sites pela rede; e as ferramentas de medição de audiência com o Facebook Ads. Esta última é a principal rede de troca de informações entre Facebook e parceiros em uma via de mão dupla. Ou seja, a rede social também recebe informações, mesmo se você não tiver conta no Facebook.

A função do Facebook é de analisar os dados e devolver estratégias de comunicação para os desenvolvedores. Em troca disso, quando o usuário fornece permissão de compartilhamento de dados com o app, estas informações são fornecidas também ao Facebook.

“Quando você visita um site ou aplicativo que usa nossos serviços, recebemos informações mesmo que você tenha feito logout ou não tenha uma conta do Facebook. Isso ocorre porque outros aplicativos e sites não sabem quem está usando o Facebook”, assume o diretor.

Ele ainda ressalta que esta é uma prática comum da indústria sendo que “o Twitter, o Pinterest e o LinkedIn têm botões curtir e compartilhar similares para ajudar as pessoas a compartilharem coisas em seus serviços”. Pesquisa recente do AdGuard mostrou, inclusive, que apps da Google Play fazem isso recorrentemente nos aparelhos Android, sendo que a Google troca informações com cerca de 65% dos apps da loja.

Em relação aos tipos de dados, o post explica que recebe informações com base no que os servidores precisam enviar para o Facebook para fazer a conexão. Como exemplo, ele cita um site que usa um botão curtir. Quando o usuário aperta o botão, o Facebook recebe informações sobre local de onde a pessoa veio, IP da máquina, qual navegador está usando e qual site acessa.

Interessante reparar que, a cada tópico, Baser enfatiza que esta não é uma prática singular do Facebook, mas um fator comum do mercado.

O diretor segue explicando onde os dados coletados de terceiros são utilizados dentro do Facebook. Basicamente, ele diz que seria para melhorar os serviços que a rede oferece a apps e sites parceiros. Então, estes dados são compartilhados via botão curtir e compartilhar; via Facebook Analytics; pela rede Facebook Audience Network; e pelas ferramentas de mensuração de propagandas.

O post oficial ainda mostra duas ferramentas que o usuário pode utilizar para minimizar esta exposição, caso queria que menos dados sejam utilizados. Caso você queira proteger as suas informações dentro da plataforma, o Canaltech tem um tutorial com 5 passos que para aumentar sua privacidade no Facebook.

Por fim, Baser justifica a publicação dizendo que Mark Zuckerberg teve de responder a mais de 500 perguntas a congressistas e havia prometido entregar respostas a cerca de 40 questionamentos que ficaram pelo caminho. “Comunicamos o Congresso diretamente, mas também queremos aproveitar a oportunidade para explicar mais sobre as informações que recebemos de outros sites e aplicativos”, explica.

A transparência também faz parte do esforço da empresa em se adequar ao General Data Protection Regulation (GDPR), lei europeia que entra em vigor em 25 de maio e que obriga empresas de comunicação digital a garantirem ferramentas para que usuários possam controlar as informações compartilhadas.

Fonte: Facebook Newsroom

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via Canaltech

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