Nova política de proteção de dados do Facebook compromete empresas parceiras

Mudanças recentes nos APIs também ferem todo um ecossistema de plataformas que ajudavam a rede social oferecer uma experiência relevante para o usuário final


Nos últimos dias fomos impactados por uma notícia que trouxe muita preocupação a todos que interagem com o meio digital: o vazamento de dados pessoais sem precedentes utilizados para fazer propaganda política.

Segundo denúncias feitas pelos jornais The New York Times e The Guardian, a empresa de análise de dados Cambridge Analytica teve acesso aos dados de 50 milhões de usuários ao lançar um aplicativo de teste psicológico no Facebook. Este número, aliás, já foi atualizado para 87 milhões. No Brasil, foram 443 mil usuários vítimas do vazamento de dados, o que representa 0,5% das informações totais. 

Os usuários que participaram do teste acabaram entregando à empresa as suas informações e ainda os dados referentes a todos os amigos do perfil. Essas informações foram utilizadas indevidamente, visando manipular a intenção de voto dos eleitores norte-americanos indecisos por meio de ações duvidosas, como a disseminação de notícias falsas.

Essa situação levantou muitos questionamentos sobre a transparência e o compromisso do Facebook com a proteção de dados dos usuários. O fato gerou uma onda negativa contra a rede social, que sofreu queda de suas ações na bolsa e foi constantemente cobrada por uma solução. A empresa também entrou na mira de autoridades não só dos Estados Unidos, mas também do Reino Unido, onde o CEO Mark Zuckerberg foi convocado para depor diante de um comitê legislativo.

Como uma das consequências do vazamento dessas informações, o Facebook anunciou no dia 4 de abril a mudança nas APIs para aplicativos externos. API é a interface que permite os apps trocarem informações com as redes sociais, o que impacta diretamente no trabalho de empresas que monitoram as redes para prestar os seus serviços, e a Scup está entre elas. A restrição envolve diversos pontos diferentes, como as informações compartilhadas em eventos, grupos, páginas e no Instagram.

De acordo com os termos e condições aceitos pelos usuários do Facebook, o monitoramento da rede tem base legal. Cabem as empresas que se utilizam desses dados respeitarem as boas práticas do seu uso e garantir a segurança das informações. 

Ferramentas como o Scup Social e o Scup Care estão baseadas nestas premissas, sempre respeitando a liberdade e o direito de privacidade dos usuários. O monitoramento e um atendimento de qualidade contribui para a experiência do consumidor, já que as empresas usam as ferramentas com o objetivo de tornarem as interações e ações com seus clientes mais agradáveis e assertivas.

É claro que situações com vazamentos de dados sempre geram uma preocupação com relação a este iminente assunto. É imprescindível que as empresas que lidam com informações confidenciais tenham uma atenção redobrada com a sua segurança para evitar, a todo custo, o seu uso indevido, afinal a proteção do usuário deve vir sempre em primeiro lugar. É nesta linha de raciocínio que considero positiva a atitude do Facebook em adotar  medidas que impossibilitem ou, ao menos, diminuam o risco de vazamento.

No entanto, mais eficiente que restringir dados a serem monitorados, seria criar um maior controle sobre os aplicativos que utilizam a rede social e garantir que respeitem à política de privacidade e responsabilidade de uso dos dados. Além disso, deixar mais claro ao usuário final com quem e com que profundidade ele está compartilhando sua informação pessoal. 

A questão é que a mudança veio de forma radical e vai afetar o trabalho de todas as ferramentas que foram criadas e se desenvolveram por causa do advento das redes sociais. O próprio Facebook pode ser impactado por isso, pois ao alterar a forma de permissão de recolher interações da plataforma por meio de ferramentas terceiras, pode condicionar as empresas a buscarem uma nova plataforma de comunicação, já que elas não conseguirão mais acessar as informações já pré-autorizadas do seu público. Como atualmente o Messenger é uma das principais ferramentas de relacionamento entre empresa e consumidor, a restrição pode fazer o próprio Facebook perder a posição de primeiro lugar.

Ainda precisaremos de um pouco mais de tempo para compreender as consequências e o teor dessas mudanças, mas ao restringir totalmente a coleta de dados autorizados pelo usuário, o Facebook em alguma medida também fere todo um ecossistema de plataformas que o ajudavam a oferecer uma experiência rica e relevante para o usuário final. 

Ao colocar esse assunto em pauta, me pergunto se a restrição aos dados do site vai trazer a real segurança das informações coletadas pelo Facebook. A própria rede já admitiu que é necessário monitorar o que os usuários dizem, principalmente em chats privados como o Messenger, para verificar se eles estão cumprindo as regras de uso e garantir que graves crimes, como exploração sexual e pedofilia, sejam cometidos por meio da plataforma. Nesse sentido, as ferramentas de monitoramento podem ser grandes aliadas ao disponibilizar a sua tecnologia, também, para a busca de conversas que geram alguma ação ilícita. Com o uso de políticas e cuidados adequados, o acesso à informação pode ser tratado com mais segurança e responsabilidade.

*Renato Shirakashi é General Manager da Scup, plataforma de gestão de experiência do consumidor


via IDG Now!

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