O futuro da nuvem é a descentralização, diz Maddog na Campus Party Natal

Quem já foi a alguma Campus Party certamente já deu de cara com a figura de Jon Hall. Mais conhecido como “Maddog”, “por causa do meu temperamento explosivo quando era jovem”, o senhor de barba e cabelos brancos já é visto por muitos campuseiros como uma lenda, tendo participado de 11 edições do evento, que ele diz jamais cansar de vir para “fazer jovens conhecerem a maravilha que é o software livre”.

Assim como a Campus Party, entretanto, esta é a primeira vez que o norte-americano considerado um dos gurus do software livre vem a Natal. Principal atração do segundo dia de #CPNatal, que acontece no Centro de Convenções até domingo (15), ele falou de temas que já vêm abordando há algum tempo: linguagens abertas de programação, sistemas operacionais baseados em Unix e algumas iniciativas focadas em open source em que vem trabalhando mundo afora.

Ambição que não decolou

Há cerca de sete anos, Maddog apresentou um dos seus mais ambiciosos projetos: o Cauã. Basicamente, a ideia era instalar servidores em espaços subutilizados e incentivar jovens a aprenderem sobre instalação, montagem e manutenção tanto de software quanto de hardware livre. Dessa forma, seriam gerados até 2 milhões de empregos de alta tecnologia somente no Brasil, e cerca de 4 milhões em toda a América Latina.

Com um planejamento digno de uma grande empresa, o Projeto Cauã, infelizmente, não decolou como seu idealizador imaginou. “É difícil conseguir tempo livre para investir no desenvolvimento de um negócio próprio”, lamenta Maddog referindo-se à indisponibilidade de profissionais e estudantes brasileiros para tocar um projeto como esse. “Mesmo assim, o Cauã está tomando novas formas e queremos ajudar estudantes a ganharem entre R$ 500 e R$ 1.000 para custearem sua educação”.

Centenas de pessoas se reuniram na Campus Party Natal para ouvir um pouco da palavra trazida pelo guru do software livre, Jon
Centenas de pessoas se reuniram na Campus Party Natal para ouvir um pouco da palavra trazida pelo guru do software livre, Jon “Maddog” Hall (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

Além de pincelar esse assunto, o “cachorro louco” aproveitou sua fala para atacar grandes empresas que fornecem soluções na nuvem. “Não podemos confiar em companhias como AWS, Google e Microsoft”, esbravejou.

“E sabe por quê? Porque o modelo de negócio dos serviços de nuvem dessas empresas é todo centralizado nos Estados Unidos. Apesar de esse ser o meu país, eu tenho que dizer que não podemos confiar nele. A legislação de lá permite que agências e programas de espionagem acessem seus dados quando você pensa que está tudo bem, e essas empresas obedecem a essa legislação”.

Então, qual seria a solução?

Subutai

Para Maddog, o futuro da computação na nuvem é a descentralização da infraestrutura com o uso de softwares open source peer-to-peer. Sua aposta, nesse sentido, é o Subutai, ferramenta de cloud computing descentralizada criada pela OptDyn, da qual ele é CEO.

Ele explica que a principal vantagem do Subutai em relação ao que chama de “Big Cloud” é que o usuário pode não só criar sua própria nuvem, mas também controlar todos os seus recursos: “Ao invés de comprar e pagar por recursos, você pode determinar quanto de CPU, memória e disco serão alocados para a sua nuvem, e eventualmente vendê-los para outras pessoas que estiverem precisando disso”.

Outra característica da plataforma é que o usuário pode determinar quais dispositivos funcionarão em sua nuvem – ela não precisa necessariamente ficar restrita a computadores. Diante disso, abre-se a possibilidade de criar uma cadeia aberta de dispositivos voltados para a mineração de criptomoedas.

Uma das apostas atuais de Maddog é a descentralização da nuvem com a plataforma Subutai; com ela, os usuários podem criar suas próprias nuvens
Uma das apostas atuais de Maddog é a descentralização da nuvem com a plataforma Subutai; com ela, os usuários podem criar suas próprias nuvens (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

Software livre é o caminho

Muitas pessoas criticam as ideias de Maddog dizendo que elas são ótimas no papel, mas que na prática não decolam e não encontram espaço no mercado. É difícil dizer se o Subutai vai seguir os mesmos caminhos do Projeto Cauã, empacando como um protótipo, ou se vai decolar de vez.

Em todo caso, Jon Hall, que atualmente também é diretor do Linux Professional Institute, acredita que o mais importante é o que aprendemos com o software livre. “É um conhecimento gratuito que você leva com você por toda a sua vida; e é o que as empresas querem saber de você quando estão procurando contratar alguém, se você sabe algo de código aberto, livre”, defende de maneira entusiasmada.

E é justamente desse conhecimento livre e compartilhado por toda uma comunidade que Maddog acredita que surgem grandes ideias e grandes negócios que podem mudar os rumos da economia global.

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via Canaltech

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