Estudo afirma que brasileiros são engajados politicamente, mas caem em fake news

Na última quarta-feira (11), Mirella Sampaio e Felipe Tâmega, economistas da Itaú Asset Management, deram uma entrevista ao Bloomberg, apresentando um estudo elaborado por eles sobre a influência que o uso dos espaços virtuais de convivêcia, como sites de notícias e redes sociais, podem ter nas eleições deste ano.

Segundo eles, as redes sociais vão desempenhar um importante papel no sentido de direcionar os temas que serão debatidos pelos candidatos, mas não há certezas quanto ao poder delas a ponto de mudar o cenário político brasileiro. Num país com tanto engajamento digital, o risco de manipulação com notícias inverídicas tem se tornado cada vez mais digno de preocupações.

O estudo chegou à conclusão de que 57% dos eleitores brasileiros, independentemente da faixa etária em que estão inseridos, têm o hábito de usar internet. As preocupações com o impacto das fake news são crescentes não apenas para os candidatos e eleitores, mas também para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “E os eleitores não sabem onde buscar para saber se notícias são verdadeiras ou falsas”, adicionou Mirella.

“O brasileiro está exposto a mais notícias e mais interações, mas, normalmente, com pessoas que pensam igual a eles, as chamadas câmaras de ressonância”, explicou Mirella. Em adição à fala da economista, Felipe revelou: “Brasileiro gosta de notícias, interage mais, compartilha com amigos. A impressão que nos dá, principalmente colocando o WhatsApp na análise, é que o potencial para notícias falsas ou verdadeiras ecoarem mais fora das câmaras de ressonância parece maior no caso do Brasil”.

Segundo a análise, é necessário monitorar com cuidado que tipo de conteúdos podem extrapolar as tais câmaras de ressonância, onde os eleitores já têm seus posicionamentos políticos sem grandes espaços para dúvidas, e entrar em contato com o eleitor do meio, que ainda não definiu em quem votar e está procurando por informações para tomar sua decisão.

O estudo também citou outras pesquisas que corroboram com a conclusão que os eleitores inseridos nesses extremos polarizados das câmaras de ressonância são os que mais consomem conteúdo sobre política. Além dos dados obtidos pelos economistas, há também um estudo que a Fundação Getúlio Vargas que concluiu que contas automatizadas motivam até um quinto de debates em apoio a políticos pelo Twitter.

Essa será a primeira eleição após o TSE determinar que é permitido que os candidatos paguem pelo impulsionamento de conteúdos de campanha junto a sites e aplicativos, com intuito de ter mais alcance na internet. As mídias mais tradicionais, como jornais impressos e programas de televisão e rádio, estão perdendo espaço para as redes sociais, mas, segundo Felipe, a aparição na TV ainda é importante para a visibilidade dos candidatos, em especial as exibições rápidas durante a programação das emissoras. “Inserções podem ser mais efetivas, pois ninguém desliga a TV quando aparecem”, disse o economista, visto que alguns eleitores consideram o horário eleitoral obrigatório chato e desligam seus televisores no horário estabelecido por lei para que emissoras veiculem as campanhas.

Sobre as pesquisas online, feitas por meio de sites da internet, Mirella diz que falta prova social, e a metodologia utilizada pode ser incerta, motivo pleo qual os economistas acreditam que as pesquisas clássicas ainda são mais relevantes. A próxima pesquisa que a Datafolha preparou terá seus resultados divulgados no próximo domingo (15). A pesquisa de intenção de votos envolve candidatos como o ex-Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles; o atual ocupante do cargo de presidente do Brasil, Michel Temer; o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad; o ex-Ministro da Casa Civil, Jaques Wagner; o ex-Ministro do STF, Joaquim Barbosa; e também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está cumprindo pena desde o último sábado (7).

Fonte: UOL

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via Canaltech

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