5 momentos mais importantes de Mark Zuckerberg no depoimento ao Congresso americano

Mark Zuckerberg foi ao Congresso americano nesta terça-feira (10) para prestar depoimento sobre as atividades do Facebook, especialmente com relação ao uso de dados e respeito à privacidade dos usuários, em meio ao escândalo Cambridge Analytica, que afetou milhões de pessoas no mundo, incluindo 443 mil no Brasil.

No Senado, a sessão durou cinco horas (!) e Zuckerberg respondeu às perguntas sobre uma versão da rede social sem propagandas, os concorrentes inexistentes e até sobre a velha teoria da conspiração de que o Facebook estaria monitorando o microfone do seu celular para direcionar anúncios.

Ele também presta depoimento à Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11). Estes são os momentos mais importantes (e de maior tensão) até agora:

Uma versão paga do Facebook não está descartada

E se o Facebook fosse livre de anúncios? Vários senadores questionaram Zuckerberg sobre a possibilidade de existir uma versão paga da rede social, sem as propagandas direcionadas. O CEO fez questão de ressaltar que “sempre haverá uma versão gratuita” (perceba o meu destaque). Aliás, a frase “é gratuito e sempre será” aparece na página inicial do Facebook.

Mas isso não significa que nunca haverá uma versão paga. A primeira declaração de Zuckerberg, ao republicano Orrin Hatch, deixa em aberto um cenário em que um Facebook grátis coexista com um Facebook pago, mas como uma possibilidade distante. Depois, o tom mudou um pouco: ele disse ao senador Ron Johnson que “certamente considera ideias como essa”.

Você pagaria? Quanto?

Zuckerberg diz que o Facebook não é um monopólio (mas não consegue nomear um concorrente)

Quando perguntado sobre qual era o maior concorrente do Facebook, Zuckerberg não conseguiu responder de forma direta. Ele tentou classificar os competidores em três categorias, sendo que uma delas incluía “Google, Apple, Amazon e Microsoft”, já que essas companhias trabalham como o Facebook em algumas áreas. Mas ele logo foi interrompido (cada senador tinha apenas cinco minutos, afinal).

“Se eu comprar um Ford e ele não funcionar direito, e eu não gostar dele, posso comprar um Chevrolet. Se eu estiver decepcionado com o Facebook, qual é o produto equivalente no qual eu posso me cadastrar?”, perguntou o senador Lindsey Graham. Zuckerberg tentou insistir nas três categorias, mas foi interrompido novamente.

Então, veio a pergunta cabeluda: “você não acha que tem um monopólio?”. Mark negou. O público riu.

O Facebook monitora o microfone do celular para coletar dados sobre você?

Não.

Essa foi a resposta de Mark Zuckerberg para a pergunta do democrata Gary Peters. O CEO negou a teoria da conspiração, dizendo que o Facebook até grava o microfone quando você filma com a câmera do aplicativo, para garantir que haja som no vídeo (o que todos sabemos), mas que não ouve o que você está falando em outros momentos com o objetivo de direcionar anúncios.

Facebook - revenge

Os políticos americanos também não sabem como a internet funciona

Se você fica irritado com algumas decisões judiciais no Brasil, como quando o WhatsApp é bloqueado em território nacional por não fornecer mensagens trocadas entre usuários sob investigação (a criptografia de ponta a ponta, em teoria, impede que terceiros tenham acesso ao histórico de conversas), saiba que os políticos americanos não são nem um pouco melhores quando o assunto é tecnologia.

As primeiras perguntas dos senadores foram muito concentradas em saber como o Facebook (e a internet funciona). Uma das que me lembro claramente veio do republicano Orrin Hatch: “Como você espera manter seu negócio funcionando no longo prazo sem cobrar dos usuários?”. Houve uma pausa meio constrangedora antes de Zuckerberg responder: “nós exibimos anúncios”.

E uma provocação para a Apple

Isso não foi verbalmente discutido com os senadores, mas estava nas anotações de apoio de Zuckerberg, que foram flagradas por um fotógrafo da Associated Press. Na seção “Tim Cook sobre o modelo de negócios”, um dos tópicos era “Há várias histórias sobre apps usando dados da Apple de maneira indevida, mas nunca vi a Apple notificando os usuários”.

Colocando em contexto: logo que o escândalo Cambridge Analytica estourou, Tim Cook comentou que a Apple “poderia fazer toneladas de dinheiro se nossos consumidores fossem monetizados, se nossos consumidores fossem nosso produto”. E, quando o CEO da Apple foi perguntado sobre o que faria se estivesse na situação de Mark Zuckerberg, respondeu que “não estaria nessa situação”.

A resposta de Zuckerberg provavelmente tem a ver com ao menos dois casos: em 2015, hackers roubaram contas de 250 mil usuários que tinham jailbreak em seus iPhones; em 2017, a polícia chinesa prendeu 22 pessoas suspeitas de vender dados de usuários da Apple. E não podemos esquecer do caso do Uber, que quase foi removido da App Store por violar uma regra de privacidade (o assunto só veio a público anos depois).

Este artigo será atualizado com as novidades do segundo (e último) dia.

Com informações: CNBC, Engadget, Recode, The Guardian, The Next Web, The Verge, Wall Street Journal.

5 momentos mais importantes de Mark Zuckerberg no depoimento ao Congresso americano

via Tecnoblog

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