Facebook vai alertar afetados por coleta de dados da Cambridge Analytica

O Facebook começou esta semana anunciando que vai alertar seus usuários afetados pelo escândalo de coleta de dados da Cambridge Analytica. A informação deve aparecer nos feed de notícias de cerca de 87 milhões de pessoas atingidas por uma operação realizada em 2014 e que resultou no uso das informações em campanhas de marketing político. 400 mil atingidos estariam no Brasil.

A declaração surge em antecipação ao depoimento de Mark Zuckerberg, fundador da plataforma, diante do Congresso americano. A fala está marcada para acontecer nesta semana e faz parte de uma investigação federal sobre o tema, com o governo dos EUA exibindo preocupação não apenas quanto ao uso dos dados em manipulação política, que teria culminado na eleição de Donald Trump para a Casa Branca, mas também pela brecha na privacidade de seus cidadãos.

Dos 87 milhões de afetados, cerca de 70 milhões estariam nos Estados Unidos. Originalmente, porém, o Facebook havia dito que não seria capaz de falar diretamente com os atingidos devido à ausência de logs completos sobre a época em que a coleta de dados aconteceu. Até mesmo os números anunciados seriam estimados e não necessariamente fiéis à realidade.

Agora, a empresa conta que fará esse contato por estimativas do número de amigos de cada pessoa que respondeu ao quiz de personalidade usado para coleta de dados por uma empresa associada à Cambridge Analytica. Por conta de uma brecha na privacidade da rede social na época, ao dar permissão para acesso às informações de seu perfil, os respondentes também autorizavam o uso dos dados de amigos, o que levou ao gigantesco banco de dados que, agora, é centro do escândalo.

Mesmo com o anúncio do contato, porém, o Facebook alerta que a ação pode não ser exatamente precisa. Sendo assim, pode ser que usuários avisados não estejam no banco de dados da Cambridge Analytica e vice-versa, com muitos do que efetivamente estão não sendo alertados pela companhia. Por isso, a recomendação é que todos revejam suas configurações de privacidade – a brecha que deu origem ao escândalo foi fechada em 2015 – e compartilhamento de informações com aplicativos.

Também faz parte da iniciativa de recuperação do Facebook uma nova forma de lidar com esse tipo de acesso. Além de restringir a maioria dos desenvolvedores à utilização de informações básicas, com grande escrutínio para aqueles que precisarem de mais, o Facebook também facilitou o controle dos usuários sobre esse aspecto de seus perfis, tornando mais simples a visualização de todos os softwares ligados a uma conta e também o desvinculamento daqueles que o utilizador não quiser mais.

Tudo isso integra um esforço de recuperação. Desde a detonação do escândalo, há algumas semanas, as ações da companhia registram quedas sucessivas que levaram a uma desvalorização de mercado de mais de US$ 100 bilhões. Pedidos de desculpas e a promessa de que nada disso jamais vai voltar a acontecer também fazem parte do pacote de retomada da confiança de usuários e investidores na empresa.

Fonte: The Guardian

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

Eu, eu mesmo e eu, agora e nas horas vagas...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *