Facebook é criticado por dificultar divulgação de produtos de saúde feminina

O Facebook passa atualmente por um turbilhão de notícias ruins relacionadas à privacidade de seus usuários, mas este não é o caso – o que não significa que a informação seja boa. Startups e pequenas empresas de produtos femininos estão acusando a empresa de dificultar ou impedir completamente a divulgação de seus produtos na rede social, tirando publicações do ar ou impedindo a veiculação de propagandas na plataforma.

Uma das reclamantes é Jenna Ryan, fundadora da Uqora, empresa que fabrica uma solução para ajudar mulheres a prevenirem e tratarem infecções urinárias. Como tal, muitos posts de sua página oficial no Facebook, bem como propagandas de seus produtos, falam sobre saúde sexual. É justamente aí que está o problema.

Ryan aponta que a maioria das publicações realizadas por sua equipe acaba denunciada e retirada do ar por ação do próprio sistema automatizado da rede social. O motivo? A utilização de palavras como “vagina”, “sexo”, “relação sexual” e outras no título ou descrição, termos que iriam contra as políticas de uso da plataforma.

Um dos anúncios da Joylux que foram bloqueados pelo Facebook (Imagem: Reprodução)

Mesmo sem a utilização delas nos destaques, e a troca por siglas ou sinônimos que, com certeza, diminuiriam o alcance e eficácia dos posts, ainda assim as publicações não foram aprovadas. Imagens de pés femininos entrelaçados com masculinos em uma cama, para identificar o ato sexual, ou de uma tangerina partida ao meio, como forma de simbolizar a vagina, também acabaram bloqueadas.

Situação semelhante foi relatada por Colette Courtion, fundadora da Joylux, fabricante de um artigo que “rejuvenesce” a vagina, nas palavras da própria, comprimindo o canal e prevenindo incontinência urinária, além de tornar o sexo mais prazeroso. Mesmo não utilizando tais termos no título e descrição de seus anúncios, ela os viu sendo bloqueados devido a problemas com imagens ou o teor dos produtos divulgados.

A principal conclusão é que tais produtos estariam sendo categorizados como itens “adultos”, que não podem ser anunciados no Facebook, de acordo com suas políticas de uso. Ambas, entretanto, refutam essa conclusão e apontam, ainda, para a ampla presença de propagandas de lingeries, com corpos femininos expostos, sites de encontros ou jogos para celular com temáticas picantes, todos liberados e sendo veiculados normalmente.

Propagandas com temática semelhante, mas voltados para homens, não estariam sendo bloqueados (Imagem: Reprodução)

As mulheres acusam o Facebook, ainda, de discriminação, pois publicações com as palavras “esperma”, “pênis” ou imagens de homens na cama são aprovadas normalmente. De acordo com o Facebook, se tais publicações estão ativas, isso aconteceu por um engano ou falha de detecção em seus algoritmos, pois os mesmos filtros deveriam ter sido aplicados em tais casos.

Além disso, a rede social negou qualquer discriminação de gênero, afirmando que boa parte dos bloqueios é feita de maneira automática. Sendo assim, os motivos encontrados não podem ser divulgados como forma de proteger a tecnologia. Entretanto, a rede social garantiu que não existe preconceito envolvido e prometeu dar mais foco à questão no futuro.

Fonte: VentureBeat

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via Canaltech

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