Mais de 400 mil perfis de brasileiros no Facebook podem ter sido acessados pela CA

Brasileiros também teriam baixado o app de teste de personalidade que, eventualmente, deu acesso às informações utilizadas pela consultoria política


O escândalo envolvendo o uso indevido de milhões de perfis de usuários do Facebook pela consultoria Cambdrige Analytica pode ter impactado milhares de brasileiros. Segundo próprio levantamento do Facebook, cerca de 440 mil perfis de usuários no Brasil podem ter sido acessados pela CA. A notícia foi dada nessa quarta-feira (4), mesmo dia em que a rede social de Mark Zuckerberg atualizou o número de 50 milhões para 87 milhões de perfis possivelmente explorados pela consultoria política contratada para trabalhar na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Até então, acreditava-se que a grande maioria dos perfis acessados pela CA eram de norte-americanos. Mas a recontagem do Facebook mostra que milhões de cidadãos de outros países não saíram “ilesos”. Pessoas nas Filipinas, Indonésia, Reino Unido, México e também o Brasil teriam sido impactadas.

O Facebook diz que não sabe precisamente quais dados o aplicativo de quiz de personalidade, o chamado “This is Your Digital Life”, compartilhou com a Cambridge Analytica ou exatamente quantas pessoas foram impactadas. 

“Usando uma metodologia extensiva o quanto possível, essa é a nossa melhor estimativa do máximo de número de contas únicas que diretamente instalaram o app This is your Digital Life assim como aqueles cujo dados podem ter sido compartilhados com o app através de seus amigos”, informou o Facebook em post publicado em seu blog oficial.

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Entenda o caso

O pesadelo do Facebook veio à tona quando um ex-funcionário da Cambridge Analytica, Cristopher Wyllie, deu entrevistas publicadas pelo jornal Observer e The New York Times, no dia 17 de março, detalhando como a empresa usou dados de 50 milhões de perfis, adotando o método conhecido como “psicografia”, para direcionar o voto destas pessoas em Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016. 

Os dados vieram por meio do teste de personalidade compartilhado no Facebook, o This is Your Digital Life, que foi feito por quase 300 mil pessoas. Entretanto, na época em que foi lançado – em 2014 – a política de privacidade da rede social permitia compartilhar também dados de seus amigos com aplicativos de terceiros, foi assim que o número foi escalado para milhões.

Na mesma semana em que estourou o escândalo, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou inquérito para investigar se as práticas da CA também teria implicações no Brasil. O órgão investiga se dados de brasileiros na plataforma foram utilizados para traçar perfis para fins de propaganda eleitoral “personalizada”. O inquérito também visa apurar a conduta da plataforma e da representação da empresa no Brasil, denominada CA Ponte.

Nessa quarta-feira (4), o Facebook também aproveitou para divulgar que está reformulando a sua política de dados e privacidade para tornar mais transparente o processo e interações dentro da plataforma. Em seu blog, a empresa detalhou planos para tornar “mais acessível” a linguagem de suas informações. Todos esses esforços, que incluem uma varredura nos aplicativos terceiros que se integram à rede social, visam também reduzir o mal-estar criado com o caso. 

Às sombras da Cambridge Analytica e desconfiança de milhares, o Facebook chegou a perder mais de US$ 40 bilhões em seu valor de mercado e campanhas na Internet defendiam a hashtag #DeleteFacebook.

 

 

via IDG Now!

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