O ‘não IPO’ do Spotify pode mudar a relação startups x Wall Street

Chegou o grande dia: o Spotify tem suas ações na famosa bolsa de valores de Nova York (NYSE). Ao contrário da maioria das startups, a empresa sueca preferiu fazer uma listagem direta e não a oferta inicial de ações (o popular IPO). Com um valor de ações médio de USD 165 (25% a mais do que o esperado), a plataforma de streaming atinge um valor de mercado de USD 30 bilhões. Mas, o que isso significa tanto para a plataforma de streaming de música quanto para o mercado?

A primeira coisa que precisamos saber é como funciona um IPO. A abertura inicial de ações é a primeira vez que os acionistas da companhia abrem a possibilidade do mercado comprar parte da empresa. Nesse momento, a companhia entrega uma papelada imensa sobre seu negócio e precisa da validação de dois órgãos externos (bancos) muito rígidos. Ou seja, rola um verdadeiro “pente fino” no funcionamento da empresa e sua saúde financeira. Ao final do processo, a companhia ganha o “ok” para a venda de ações. Nem preciso dizer que isso custa muito dinheiro (e algumas noites de sono).

Na listagem direta, basicamente, o Spotify se livrou da mediação toda. Isso também quer dizer que o valor das ações não é definido e pode flutuar de acordo com o interesse (ou não) do mercado. Vai além: os bancos também não reservam as ações para os grandes investidores. Não existe emissão de novos papéis também, o que significa que todo o dinheiro arrecadado vai para os próprios acionistas da companhia. Os dois fundadores, Daniel Ek (também CEO da parada) e Martin Lorentzon enriqueceram, respectivamente, USD 2,4 bilhões e USD 3,4 bilhões.

Resumindo: num IPO, há uma “chancela” de nomes fortes do mercado para que “a magia aconteça”. Na listagem direta, o Spotify eliminou os intermediários e a companhia não está captalizando com o movimento.

Reflexo de “ser diferentão”

Mesmo sendo um procedimento mais arriscado, esse tipo de listagem permite que a empresa pague menos taxas e participações para os chamados “grandes bancos”. E tem mais? Tem. Listando sua ações para esse tipo de oferta, o Spotify não precisa compartilhar dados internos, algo obrigatório num IPO.

O sucesso (valorização) da empreitada do Spotify superou as expectativas. Até fevereiro, o valor de mercado da empresa era de USD 20 bilhões. Nada mal, para alguém que não tem o “aval” dos bancos, certo? Certo e ainda pode fazer outras startups repensarem suas aberturas de capital. Vale lembrar que o mercado de tecnologia não está bem falado em Wall Street, por conta dos escândalos recentes (sim, estamos falando de você, Mark) e polêmicas envolvendo nomes pesados, como Amazon e o governo norte-americano.

E teve gafe

Quando uma empresa gringa é listada na bolsa norte-americana, é praxe uma homenagem, colocando sua bandeira de origem. Até aí, tudo bem, mas advinha a sensação bacana que os suecos do Spotify tiveram quando viram a bandeira da Suíça hasteada por lá. O erro foi corrigido, mas a internet não esquece, não é mesmo?

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