Android P: mais importante do que você imagina

Há poucas semanas presenciamos o lançamento da primeira versão, bem antes da Beta, do Android P, versão do sistema móvel que substituirá o Android Oreo em 2018. Fui uma das primeiras a reclamar da velocidade com quem as coisas estão indo, uma vez que o Oreo está em apenas pouco mais de 1% dos aparelhos Android do mundo.

Em uma velocidade dessas, pode-se pensar que a fragmentação não terá solução mesmo, e que a própria Google desmonta seu sistema em infindáveis versões, ao invés de procurar resolver o problema. Mas o que eu pude notar é que esse golpe fatal no Oreo pode ter um bom motivo.

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Arredondaram todo o Android! / © AndroidPIT (captura de tela)

O Android Oreo flopou, e isso é proposital

Mesmo que o Android P só seja lançado no terceiro trimestre, é difícil acreditar que o Oreo vá conseguir alcançar uma porcentagem razoável, e não deve chegar nem nos atuais 12% do KitKat. É triste, mas essa pode ser uma estratégia da Google. Com a correria para lançar cada vez mais versões novas (não apenas pela Google, mas nós usuários também pedimos isso), uma hora uma delas ficaria espremida, e a escolhida foi a 8.

O Oreo vai flopar, e isso vai ajudar a Google. Com a baixa adoção, é possível que as fabricantes passem logo para o P e assim estejam mais atualizadas, diminuindo a fragmentação. É como se elas tivessem mais tempo para adotar uma nova versão, o que ajuda de certa forma. O Oreo trouxe o Project Treble, Android One e Android Go. O Android P vai aprimorar e implementar essas novidades com mais segurança, ajudando em atualizações mais duradouras e rápidas.

Android P ainda não está agradando no visual

Na versão atual em que se encontra o Android P, ele ainda apresenta bugs enormes, de interface e de uso. Mas, como você pode comprovar pelo nosso hands on abaixo, já é possível ter uma ideia da cara que a versão 9 do Android deve ter. As notificações e todos os quadros do sistema possuem cantos arredondados.

Nos atalhos, a maior polêmica: os botões são redondos e muito espaçados, parecendo um visual primário. Embora eu não tenha achado de todo feio, torço para que mude alguma coisa até o lançamento. Fora isso, há poucas outras novidades visuais, como uma nova interface do volume e botão de energia, agora no canto.

Mais pessoas vão reclamar de que não há uma mudança radical no visual, mas nas últimas três ou quatro grandes versões do Android, a Google tem se preocupado em aprimorar o que já tem, deixar mais simples, aparar arestas, do que apresentar alguma mudança de paradigma no mundo das interfaces.

Mudanças internas são as mais esperadas

Um bom usuário de Android sabe que o que importa mesmo é a parte interna do sistema. Hoje em dia, ainda poucas OEMs trabalham com a versão pura do sistema, e colocam sua interface em grande parte do Android. Logo, o que vai fazer diferença são as melhorias internas, pois essas sim serão replicadas em quase todos os aparelhos.

Na verdade, sabemos que os updates do Android servem mesmo é para incorporar as coisas boas que as fabricantes colocaram em suas interfaces, como tela dividida. E isso é ótimo, pois vai deixando o Android puro mais completo para quem usa o sistema sem mexer demais nele também. A linha Pixel tem nosso respeito, mas vende em tão poucos lugares que vendas em si não parecem a prioridade da Google, usando os aparelhos mais como um portfólio do que sabe fazer.

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Mudou, mas não há nada de tão inovador. Por fora. / © AndroidPIT (captura de tela)

Temos implementações de segurança, como a que impede que a câmera seja usada em segundo plano; mais suporte ao HDR; notificações mais espertas com o Reply; GPS usando o Wi-Fi Round-Trip-Time (RTT) e mais integração com a Internet das Coisas, embora isso ainda não signifique muito para o Brasil.

Ou seja, não é um sistema que deu um tapa no visual e que se apresenta como novo. Traz mudanças internas interessantes, que só melhoram a usabilidade. Poderia ser uma versão 8.5 ao invés de uma 9? Certamente, mas isso não atrairia tanto marketing.

O objetivo ainda é a desfragmentação

Incorporando menos mudanças, a Google deixa mais fácil para as fabricantes passarem do Android Oreo (ou provavelmente do Android Nougat) para o Android P. É importante que a Google faça todo o possível para facilitar as atualizações, pois se mesmo facilitando as fabricantes não oferecem os updates, que dirá dificultando.

Eu quero crer que Treble, One e Go serão nomes muito ouvidos no ano do P, o Android 9. E minhas apostas vão na teoria de que a Google está sacrificando o Oreo para impulsionar a desfragmentação com o Android P. Se não for isso, creio que teremos problemas muito sérios em 2019, o ano do Android Q.

Apenas para terminar, deixo aqui minha aposta de nome. Na minha opinião, vai se chamar Android Pancake! 🥞

E você? Quais acha que são os objetivos do Android P?

via Notícias do Android + Análises de Apps – AndroidPIT

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