Unilever ameaça parar de anunciar em redes sociais se conteúdo tóxico permanecer

Uma das maiores anunciantes da internet, a Unilever, está ameaçando parar de pagar por publicidade em redes sociais caso elas sigam permitindo a propagação de conteúdos tóxicos, incluindo notícias falsas, apologia a terrorismo e exploração infantil. A Unilever é dona de várias marcas de alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal e cosméticos.

De acordo com o CEO da companhia, Keith Weed, “é fundamental que nossas marcas permaneçam não apenas em um ambiente seguro, mas adequado”, sendo que “a Unilever, como anunciante confiável, não quer anunciar em plataformas que não contribuam positivamente para a sociedade”.

A empresa entende que os consumidores se preocupam com coisas como práticas fraudulentas, fake news e manipulação de informações, sendo sensíveis às marcas que consomem. Dessa maneira, se uma marca tiver um anúncio posicionado ao lado de algo considerado negativo, sua imagem acaba sendo afetada.

E o alcance gigantesco de plataformas como Facebook e YouTube faz com que esses conteúdos considerados tóxicos sejam disseminados em grandes dimensões, fazendo com que as companhias que administram esses serviços precisem tomar medidas para que os conteúdos ali publicados sejam não somente genuínos, como bem-intencionados. Do contrário, acabarão perdendo receita com publicidade, caso a Unilever leve adiante sua ameaça, arriscando inspirar outras grandes marcas a fazerem o mesmo.

Como o Facebook e a Google são os maiores beneficiários de despesas com publicidade nos Estados Unidos, e a Unilever é uma das maiores anunciantes da internet, não se pode ignorar uma declaração como a de seu CEO. E Mark Zuckerberg, CEO da rede social mais popular da atualidade, já vem se empenhando para treinar ainda melhor seus algoritmos e equipes, a fim de construir um ambiente saudável na plataforma. Contudo, muitas notícias falsas ainda são disseminadas por lá diariamente.

O YouTube também sentiu um impacto desde o ano passado, com empresas tirando seus anúncios da plataforma de vídeos, preocupadas com os tipos de conteúdos que estavam sendo associados às suas propagandas (pois os anúncios eram programados automaticamente em tudo quanto é tipo de vídeo). A Google decidiu, então, em 2017, declarar que estava expandindo seus controles de posicionamento de publicidade para os anunciantes, dando mais poder a eles para definir exatamente onde suas marcas seriam exibidas no YouTube. Outra medida em andamento são penalizações mais rígidas para usuários que publicarem conteúdos considerados impróprios, arriscando remover a monetização.

Com essa pressão, a Unilever espera que as gigantes da internet assumam sua responsabilidade social de uma vez por todas, usando o dinheiro como arma para tal. Assumindo o compromisso de não arriscar ter a confiança de suas marcas prejudicada por conta disso, a companhia prometeu três ações principais em 2018:

  • não investir em “plataformas ou ambientes que não protejam nossos filhos, ou que criem divisão na sociedade e promovam o ódio”, priorizando “investir apenas em plataformas responsáveis que se comprometam a criar um impacto positivo na sociedade”;
  • seguir empenhada em criar “conteúdo responsável” com foco inicial na abordagem de estereótipos de gênero na publicidade;
  • pressionar a criação de uma “infraestrutura responsável” ao somente firmar parcerias com organizações que estejam “empenhadas em criar uma melhor infraestrutura digital, melhorando a experiência do consumidor”

Sendo assim, ainda que essas revelações não sejam um ultimato final, o alerta não pode ser ignorado, e empresas como Google e Facebook podem ter uma bela dor de cabeça comercial caso não dêem ouvidos para o que a Unilever tem a dizer.

Fonte: TechCrunch

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via Canaltech

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