Será que a gente ainda precisa de cartões microSD em pleno ano de 2018?

Cartões de memória do tipo microSD são extremamente populares, especialmente entre usuários de smartphones com Android que permitem essa expansão do armazenamento interno. Muita gente precisa de um espaço adicional para armazenar fotos, vídeos e músicas, já que o espaço nativo do aparelho acaba sendo consumido com o sistema e aplicativos instalados. Mas será que a gente ainda precisa desse tipo de mídia física para continuarmos armazenando arquivos?

Afinal, é comum que cartões de memória apresentem problemas depois de um certo tempo de uso, e há pessoas que chegaram a perder tudo o que estava salvo ali por conta de um cartão defeituoso. E já existem vários smartphones no mercado que oferecem grandes capacidades internas, restando a pergunta: estariam os cartões microSD com os dias contados? Precisamos mesmo de mais memória, ou podemos já nos ajustar à era da nuvem para esse tipo de armazenamento?

Bom, claro que os cartões físicos têm vantagens. O baixo custo é uma delas, além de sua disponibilidade, já que podemos comprar cartões microSD em praticamente qualquer loja de eletrônicos e equipamentos para informática, e esses cartões são vendidos até mesmo em bancas de jornais e no comércio popular de rua. Então, quando o espaço fica pequeno, é fácil e rápido correr até a esquina para comprar um cartão novo. Mas que tal pensarmos nas desvantagens dos cartões físicos e avaliar se já não é hora de escolher uma outra forma de armazenar arquivos móveis?

Não são muito duráveis

Na teoria, os cartões microSD deveriam durar muitos anos. Há fabricantes que dão garantias extendidas de até 10 anos, por exemplo, mas difícil é encontrar alguém que ainda use o mesmo cartão por tanto tempo. Uma simples queda do smartphone pode causar corrupção de dados no cartão. E a garantia fornecida pelos fabricantes não cobre esse tipo de situação.

Para piorar a coisa, quando cartões não conseguem mais ser acessados, não há nenhuma garantia de que será possível recuperar os arquivos ali salvos, mesmo contando com profissionais especializados nessa tarefa.

Sua leitura é mais lenta do que memória embutida

Um smartphone topo de linha moderno usa a tecnologia de armazenamento UFS, que é capaz de ler e gravar dados em velocidades elevadas (na casa de centenas de megabytes por segundo). Já a velocidade de um cartão microSD fica em torno de 90 megabytes por segundo, sendo que essa taxa pode ser ainda menor dependendo da operação realizada.

Uso limitado

Embora a maioria dos usuários de dispositivos móveis use cartões microSD para armazenar fotos, vídeos e músicas, existem aplicativos que exigem o uso da memória interna. Muitos deles dão a opção de usar a memória do cartão, mas o acesso a esses dados pode ser prejudicado pela menor velocidade de leitura/gravação, podendo gerar problemas de desempenho no app.

Ainda, quem gravar vídeos em 4K certamente precisará de um cartão mais potente, e imagine só perder uma gravação importante porque o cartão foi repentinamente corrompido? Para esse caso, a nuvem é a melhor saída.

Não são exatamente seguros

Suponha que você perdeu seu smartphone, ou teve o dispositivo furtado. A maioria dos aparelhos atuais conta com sistemas de segurança que impedem (ou dificultam muito) o desbloqueio de seu aparelho por parte de terceiros, incluindo leitura de impressões digitais e reconhecimento facial. Sendo assim, quem estiver de posse de um celular perdido ou roubado dificilmente conseguirá acessar os arquivos salvos localmente.

Mas quem usa um cartão microSD não tem a mesma segurança. Basta que o cartão seja removido e acessado sem grandes dificuldades, tanto em outro smartphone, quanto em um computador. Sendo assim, contar com cartões para guardar arquivos realmente pessoais não é exatamente seguro.

Com os dias contados

Considerando todas as questões acima, podemos concluir que usar cartões microSD é uma prática que tem data de validade. Sim, muita gente ainda tem celulares com baixa capacidade de armazenamento interno e precisam de um espacinho a mais, e, para isso, serviços de armazenamento em nuvem oferecem os mais diversos planos, desde opções gratuitas até as pagas via assinatura periódica.

E, justamente pavimentando a estrada para esse futuro próximo, muitos modelos de smartphones premium da atualidade sequer oferecem espaço para cartões de memória (como é o caso dos iPhones). Ao comprar uma opção com mais espaço interno, se o usuário não for um "acumulador" digital, dificilmente ele precisará usar o iCloud (ou outro serviço de nuvem escolhido) para guardar o que precisa. Mas, ainda asssim, quando precisar, esses serviços são práticos e seguros.

Podemos comparar o uso de cartões microSD aos disquetes do passado, ou aos CDs indispensáveis nas décadas passadas. Hoje em dia quem ainda usa um CD para guardar arquivos importantes? Certamente a maioria das pessoas que tinham esse hábito nos anos 2000 já fizeram backups na nuvem, usando o armazenamento virtual nos dias de hoje.

E o mesmo está acontecendo com os cartões de memória, especialmente ao se considerar a chegada do 5G, que tornará as transferências de dados pela internet móvel muito mais velozes do que as taxas que temos atualmente com o 4G. Portanto, a aposentadoria dos cartões de memória é somente uma questão de tempo.

via Canaltech

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