Mudar de planos e carreira para atuar com tecnologia é possível?

Conversamos com jovens que trocaram de profissão para se dedicarem ao aquecido mercado da TI


Insatisfação com o emprego atual, busca por melhores salários, mais motivação ou apenas mais qualidade de vida. Esses são alguns dos fatores que fazem com que muitas pessoas decidam mudar de profissão.

E, em um cenário de 13 milhões de desempregados no Brasil, no qual o número de profissionais capacitados para ocupar as vagas demandadas pela área de TI é insuficiente, muitos profissionais têm mudado de carreira para se especializar no setor de tecnologia.

Gabriel Santos, por exemplo, foi montador de caminhões na Mercedes Benz durante dois anos e se tornou consultor em CRM e analista de BI na startup Canal da Peça. Depois de tomar gosto por programação em um curso técnico em eletrônica, o jovem de 23 anos decidiu ingressar na faculdade de TI/banco de dados e conseguiu um estágio no marketplace de peças automotivas. Um ano depois, em 2017, tornou-se administrador de plataforma da Salesforce.

Consciente da rápida e constante evolução da área, Santos pretendo fazer uma pós-graduação relacionada à gestão. “Sempre tive perfil técnico, mas é fundamental se adaptar à atual demanda, que pede especialização na gestão de negócios”, comenta, acrescentando que, com dedicação é possível aprender qualquer coisa, independentemente da área.

Nova visão da TI

Bruno Cesar Alvarenga, analista de TI júnior da fabricante de fertilizantes Yara Brasil, concorda que o profissional hoje deve estar atento às tendências de mercado e ressalta a importância de se ter uma nova visão da TI.

“Me formei no ano passado e muitos que fizeram faculdade comigo tinham essa visão antiga de que a TI era somente uma área técnica e não estratégica aos negócios. Ao mesmo tempo, muitas empresas também não querem mudar sua cultura”, afirma.

Seu interesse pela área surgiu quando fez um curso técnico de informática. Entre 2011 e 2013 ingressou na IBM como analista de suporte técnico, época que já prestava serviços para a Yara Brasil. Prestes a terminar a faculdade de engenharia de produção, surgiu a oportunidade de estágio na fabricante de fertilizantes, onde trabalha atualmente na área de projetos com software CRM.

Ao mesmo tempo em que acredita na abrangência de oportunidades que a TI oferece e que o preconceito enfrentado pelas mulheres na área tenha diminuído, Alvarenga ainda vê uma participação muito pequena delas no mercado. “Temos buscado mulheres para atuar nos projetos de CRM, por exemplo, mas é difícil encontrar profissionais com as habilidades que precisamos.”

Do direito à programação 

Há 12 anos atuando na área de TI, Jaqueline Teixeira Benedicto, responsável pela equipe de desenvolvimento de sistemas web da Sunset, acredita que o setor ainda não consegue ser democrático com as mulheres.

“Só consegui me manter neste mercado até hoje por amar tecnologia e querer aprender sempre mais”, avalia, ressaltando a importância de se manter sempre atualizada, visto que, assim como as tecnologias evoluem muito rápido, as skills dos profissionais também mudam.

Jaqueline estudou tecnologia por conta própria e começou a programar para pagar a faculdade de direito. Terminou o curso, passou no exame da OAB, mas decidiu seguir no campo da tecnologia. Hoje, ela concilia o trabalho de programação e desenvolvimento na agência de marketing digital com sua segunda faculdade, de sistemas da informação.

“Quando me formei em direito, percebi que por mais difícil que seja tirar a OAB, existem muitos advogados no mercado, a profissão está inflada. Foi então que percebi que gostava mesmo de informática e teria uma carreira mais gratificante e útil ao trabalhar com programação”, completa.

 

via IDG Now!

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