Facebook fecha 2017 com o menor crescimento em número de usuários da história

O Facebook encerrou 2017 com o menor crescimento em número de usuários já registrado em sua história. De acordo com os dados do quarto trimestre do ano passado, a companhia chegou em dezembro com 1,4 bilhão de utilizadores diários, um aumento de apenas 2,18% em relação ao período anterior.

Ao final de setembro, eram 1,37 bilhão de pessoas usando a plataforma e um aumento de 3,8% em relação ao período anterior. Os motivos por trás da retração, entretanto, pouco têm a ver com escândalos relacionados a fake news ou a influência de agentes internacionais em manipulação de informações – de acordo com a rede social, foram as mudanças no feed de notícias que levaram ao resultado mais morno.

De acordo com dados preliminares, as alterações em priorização de postagens levaram a uma redução de 5% na utilização diária do Facebook, cerca de 2,14 minutos a menos de presença na rede por usuário. A principal vítima foram os vídeos virais, com a linha do tempo, agora, dando preferência a publicações pessoais de amigos e conteúdo informativo, que geram maior engajamento e interação.

Existem algumas más notícias, como uma redução de 700 mil pessoas no índice de usuários diários registrados no Canadá e Estados Unidos, mas, de maneira geral, os resultados eram esperados. Além disso, trazem também algumas boas notícias – o índice de utilizadores mensais do Facebook aumentou no quarto trimestre, por mais que as pessoas estejam utilizando a rede com uma frequência menor.

2,13 bilhões de pessoas acessam a rede social todos os meses, um aumento de 3,3% em relação ao trimestre anterior. Além disso, a permanência também se manteve estável – 66% destes acessam a plataforma pelo menos uma vez por dia, mesmo que permaneçam nela por menos tempo. O índice, que é de extrema importância para a plataforma, se mantém praticamente inalterado desde 2015, o que mostra uma significativa retenção.

Enquanto isso, no que para muita gente é o que realmente importa, aumentou a renda gerada por usuário. Houve incremento de 27% na média de gastos dos utilizadores do Facebook, que hoje, é de US$ 6,18 por pessoa. Isso inclui, por exemplo, compra de anúncios, microtransações e qualquer tipo de pagamento realizado por meio da rede social.

São números que levaram a rede social a um lucro de US$ 4,26 bilhões no período e faturamento total de US$ 12,9 bilhões. Os ganhos, entretanto, poderiam ter sido maiores, não fosse as altas cargas tributárias cobradas por operações realizadas no mercado internacional, o que acabou derrubando tanto esse aspecto quando a valorização por ação, que foi de US$ 2,21.

Os números podem ser satisfatórios, mas, ao apresentá-los, o Facebook recomendou cautela para investidores e acionistas. A previsão é de uma redução no fluxo de crescimento da renda gerada por usuário devido ao fato de que não há mais muito espaço para colocação de propagandas na interface e feed de notícias. A rede social afirma ter algumas ideias na manga para lidar com isso, mas também sabe que inundar a linha do tempo com comerciais pode ter um efeito oposto ao desejado e bastante nocivo.

Outras ações previstas para conter a desaceleração no ritmo de usuários diários é o foco em expansão internacional e um aumento na renda obtida por anúncio, com uma coisa compensando a outra. Além disso, o Facebook enxerga com entusiasmo a ferramenta de Stories, que ainda ganha tração e que, no futuro, espera ver tendo tantas postagens quanto o feed de notícias tradicional.

Apesar do otimismo da companhia, a notícia de que as pessoas estão passando menos tempo no Facebook levou a uma queda de 4,5% nas ações da empresa após o fim do pregão desta quarta-feira (31). Após a divulgação dos números e, principalmente, das previsões e análises dos executivos da companhia, o movimento de queda foi interrompido, com os papéis voltando a operar de maneira estável, apresentando pequena alta de 2%.

via Canaltech

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