YouTube apresenta melhorias em sistema de recomendação de vídeos

A Google anunciou uma grande mudança no sistema de recomendação de vídeos do YouTube, de forma a se tornar mais relevante e entender melhor o que os usuários desejam assistir na plataforma. A ideia é garantir que a experiência seja a mais “gratificante” possível, nas palavras da própria companhia.

Apesar de ter surgido a partir de pesquisas que questionavam aos usuários, entre outras coisas, qual o melhor vídeo que eles já haviam assistido no site, o novo motor de sugestões se alimenta das métricas de utilização do serviço. Um algoritmo está constantemente em funcionamento, analisando hábitos dos espectadores de forma a entregar a eles recomendações exclusivas.

As pesquisas também continuam, mas agora se baseiam naquilo que cada usuário assistiu. Por meio de amostras obtidas pelos aplicativos móveis, site para desktop e também aplicativos de enquete da própria Google, as pessoas podem categorizar alguns clipes vistos entre “o melhor” ou “o pior” que já assistiram, com os resultados contribuindo para as recomendações.

Esse novo formato de sugestões já estava disponível desde janeiro, mas só foi revelado agora por se tratar de um dos epicentros da experiência com o YouTube daqui em diante. As recomendações aparecem em páginas iniciais e ao lado de todos os vídeos, o que contribuiu para que 70% de todo o tempo gasto pelos espectadores na plataforma viesse de tais recomendações.

Entretanto, há o outro lado dessa questão. Usuários cada vez mais reclamam que o YouTube tem criado uma “bolha” – ao utilizar as métricas de cada um para dar sugestões, eles acabam se deparando sempre com os mesmos canais, temas e pontos de vista. Isso dificulta a descoberta de novos conteúdos e acaba criando uma zona de conforto.

É uma questão levantada, principalmente, por pesquisadores. Em um ambiente cheio de fake news e opiniões inflamadas e extremas como o nosso, recomendações circulares desse tipo podem não apenas impedir que o usuário ventile suas ideias com novas abordagens, mas também solidificar certos pensamentos e ideias, muitas vezes erradas, pela repetição. Nesse caso, o novo motor de recomendações pode acabar causando mais danos do que benefícios.

O YouTube admite que isso pode, sim, acontecer, mas prefere deixar esse trabalho nas mãos do próprio usuário. Para Cristos Goodrow, um dos gerentes da Google responsável pela nova tecnologia de recomendação, existem muitas diferenças em relação ao que satisfaz uma pessoa – e se ela acredita que um vídeo político inflamado ou uma teoria de conspiração sobre o homem nunca ter pisado na Lua está entre os melhores vídeos que ela já assistiu, então que assim seja, com ela permanecendo tendo acesso a conteúdos semelhantes por meio das recomendações.

É uma ideia que não deve soar como absurda para ninguém, afinal de contas não deveria ser novidade que o grande foco do YouTube é maximizar seus números de visualização. E isso também passa por entregar aos usuários aquilo que eles querem ver, além de questões éticas relacionadas ao processo de decisão. Afinal de contas, quem e como decidir o que é relevante ou não?

Até mesmo um dos diretores gerais da Google, Eric Schmidt, acredita que as bolhas de conteúdo podem ser um problema, mas afirma que a empresa pouco pode fazer para mudar isso, já que o grande definidor, aqui, acaba sendo a vontade dos próprios usuários. Ele, entretanto, já afirmou que iniciativas como a que sugere conteúdo científico ou factual aos utilizadores está em andamento, de forma integrada ao novo sistema de recomendações.

Apesar de ter falado extensamente sobre o assunto agora, quase um ano depois do lançamento do motor de sugestões aprimorado, a Google não revela números nem métricas relacionadas a ele, apenas números de visualização. Ao falar sobre o assunto, a empresa também passou longe das polêmicas recentes, relacionadas à desmonetização de conteúdo de acordo com a vontade de anunciantes ou a indicação de vídeos, no mínimo, duvidosos e impróprios para crianças.

Fonte: Reuters

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via Canaltech

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