Por que as empresas tradicionais não são mais tão atraentes para se trabalhar?

Por gerações as empresas foram vistas como organizações, onde o dinheiro, os processos, os bens, a produção e o lucro definiam o core das corporações e eram base para a definição das metas e valores. Mas, na verdade, empresas são organismos vivos, e possuem valores, desejos, anseios, inseguranças e uma infinidade de outras características humanas. O motivo é simples: as empresas são feitas por um coletivo de pessoas que formam a alma, os valores, os hábitos e comportamentos da empresa como um todo. E quando essa cultura corporativa não está alinhada com a cultura individual de seus funcionários, o ambiente corporativo é tomado por desmotivação, desinteresse, desentendimento, desvalorização e baixa produtividade entre outras.

Richard Barrett, durante a primeira conferência Crescimentum Leadership Summit, define esse desalinhamento como Entropia Cultural. Entropia, na física, é uma forma de medir a desordem ou grau de agitação das moléculas. Ou seja, a Entropia Cultural é uma forma de medir a agitação ocasionada devido divergência entre os valores corporativos e os valores individuais de seus funcionários. Barrett ainda sinalizou que quando a Entropia Cultural é alta a produtividade entra em queda, interferindo no lucro das empresas de forma negativa. E que o contrário também ocorre.

Como exemplo, a Pesquisa Nacional de Valores 2017, realizada por Barrett com o apoio da Crescimentum/DataFolha, revelou que o principal valor que define o Brasil é a Corrupção, mas entre os principais valores pessoais dos brasileiros está a honestidade. Somente este desalinhamento já gera uma enorme Entropia Cultural, seja no âmbito político ou corporativo. Tanto que, em uma simulação corporativa ocorrida durante o evento, o principal valor corporativo apontado pelos participantes deveria ser a Ética. Sendo que Ética deveria ser uma premissa tão básica, um valor tão primordial e profundo, que não precisaria nem ser citado.

Na contramão desta pesquisa, empresas com valores mais humanos e éticos despontam como destino desejado por talentos, e possuem alta produtividade, engajamento, motivação, ambiente positivo e uma série de outras características que tornam essa empresa diferenciada, promissora e altamente produtiva.

Por fim Paulo Alvarenga, sócio-diretor da Crescimentum, enfatiza que a cultura corporativa é um espelho de seus líderes. Ou seja, para mudar a cultura corporativa, “ou os líderes mudam, ou mudam-se os líderes.” (Richard Barrett).

Você deve estar se perguntando: “E eu com isso?”. Neste caso, talvez você não esteja trabalhando na empresa certa ou talvez não esteja sendo o líder que deveria ser.

via Canaltech

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