Vazam as regras do Twitter para combater o assédio e o ódio

Em meio a polêmicas sobre sua atuação junto a bullies, assediadores e a disseminação de discurso de ódio, o Twitter anunciou no último final de semana uma série de novas regras com relação à moderação e denúncias de casos desse tipo na rede social. A revelação feita pelo CEO Jack Dorsey por meio da própria plataforma veio sem detalhes, revelados agora pelo vazamento de um e-mail interno.

As novas normas aparecem em uma comunicação enviada aos membros do Conselho de Confiança e Segurança, um grupo interno criado pelo Twitter no início de 2016 para combater esse problema e criar políticas que tornassem a rede social um local mais seguro. Elas são fruto de meses de reuniões e encontros, muitas vezes diários, que aconteceram entre os integrantes da divisão ao longo dos últimos dois anos, e que se intensificaram nos últimos meses.

São diversos os tópicos abordados pelo documento, que indica as posturas diante de diferentes situações. Contas que postarem “nudez não consensual” – ou seja, imagens íntimas vazadas, imagens de câmeras de segurança ou filmagens realizadas sem autorização e qualquer tipo de foto sensual que não tenha consentimento – serão banidas permanentemente da rede social. Quem compartilhar tais publicações por meio de retweets pode ser suspenso temporariamente, enquanto aqueles que hospedarem as imagens novamente estarão sujeitos às mesmas sanções.

O Twitter também levará mais a sério denúncias de assédio sexual. Se antes a empresa considerava “um desafio” reconhecer quando uma conversa de teor erótico era ou não desejada por ambas as partes, agora ela passará a levar em conta não apenas o tom das mensagens, mas também interações anteriores entre os envolvidos, como bloqueios, silenciamentos ou citações. Assim, ao lado das denúncias, espera tornar o ambiente mais seguro principalmente para as mulheres.

Com a introdução das novas regras, símbolos de ódio passarão a ser ocultados por um aviso de que as imagens em questão são fortes. Entretanto, a rede social não define exatamente o que será considerado como tal. Da mesma forma, não disse exatamente quais grupos serão considerados como propagadores de discurso de ódio, afirmando apenas que vai levar em conta interações passadas e notícias publicadas na imprensa para definir sobre banimentos, suspensões e outras punições caso a caso.

A glorificação da violência também não terá mais vez no Twitter. Se antes a empresa agia somente em relação a ameaças diretas ou veladas, agora todo tipo de apoio à “ameaça física, morte ou doença”, bem como comemorações do tipo, resultarão na remoção da postagem e possível suspensão da conta. Isso se aplica, por exemplo, a membros de comunidades religiosas que comemorem ataques contra “infiéis” ou partidários de uma determinada política que enalteçam violência contra rivais, apenas para citar alguns exemplos.

Com tudo isso, a rede social também pretende incrementar seu sistema de denúncias, de forma a informar melhor aos usuários sobre o que pode, ou não, ser relatado. Além disso, a companhia disse que vai melhorar a terminologia em suas comunicações sobre suspensão ou banimento de contas, além de criar um centro de ajuda específico para que vítimas de abusos ou violência digital saibam como agir.

Ao se pronunciar sobre o vazamento, o Twitter disse que a intenção era divulgar publicamente as novas políticas no final desta semana e que o e-mail vazado servia para que os membros do Conselho de Confiança e Segurança soubessem antecipadamente sobre o que está por vir. A empresa disse esperar que as novas regras auxiliem a tornar a rede social um ambiente mais seguro e protegido para a liberdade de expressão.

Entretanto, ela não disse exatamente quando as normas passarão a vigorar, apesar de a noção inicial ser de que isso comece a valer a partir de sua publicação. Os novos sistemas de denúncia, bem como mudanças em termos de informação e sanções, também não têm data para entrarem na ativa. Originalmente, antes do vazamento, Dorsey havia afirmado que as normas chegariam ao longo das "próximas semanas".

via Canaltech

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