Cientistas brasileiros descobrem novo planeta do tamanho de Saturno

Um estudo realizado por uma equipe de cientistas brasileiros revelou a existência de um novo planeta a 1.200 anos-luz, na direção da constelação de Monoceros. A descoberta, publicada na revista britânica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, foi feita por uma equipe formada por sete brasileiros vindos da Universidade de São Paulo (USP), do Observatório Nacional do Rio de Janeiro (ON), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O novo planeta possui o tamanho aproximado de Saturno, mas conta com metade de sua massa e orbita uma estrela parecida com o Sol, porém com massa 8% maior, raio 21% menor e temperatura 200°C mais quente. Segundo as medidas, a densidade do planeta é menor do que a densidade da água, o que significa que se existisse um oceano grande o suficiente para conter o planeta ele flutuaria. As medidas foram definidas depois de serem analisadas os dados coletados pelo satélite CoRoT (COnvection ROtation and planetary Transits), operado e desenvolvido pela Agência Espacial Francesa, pela Agência Espacial Europeia e pelo Brasil.

O HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), um dos melhores instrumentos de espectroscopia localizado em La Silla, no Chile, foi utilizado para realizar a confirmação da existência do planeta. A técnica para encontrar o planeta chama-se "trânsito planetário", que é semelhante ao fenômeno dos trânsitos de Mercúrio e Vênus em frente ao nosso Sol. Os cientistas observaram a diminuição do brilho da estrela pelo fato de o planeta ter passado em frente à estrela.

"A órbita do planeta é muito próxima da estrela. A distância entre eles é cinco vezes menor que a de Mercúrio ao Sol, o que o torna muito quente", explicou o professor da UEPG Marcelo Emílio, um dos pesquisadores que realizaram a descoberta. "Estimamos que a temperatura do planeta esteja em torno de 1.100°C e que ele possui ventos de milhares de quilômetros por hora".

O estudo também descobriu dois outros planetas do tamanho de Júpiter, mas que precisam ser melhor observados. A descoberta de novos planetas deve se tornar cada vez mais comum à medida que a tecnologia avança. O número de planetas descobertos até agora também é pequeno e devem existir muitos outros em nossa galáxia, tornando este um dos campos mais promissores da astronomia.

"Esse trabalho mostra o grau de maturidade da ciência brasileira", afirmou Jorge Marcio Carvano, coordenador do Programa de Pós-Graduação do Observatório Nacional. "Os pesquisadores melhoraram algoritmos para tentar identificar planetas em outros sistemas. Isso é importante, porque este processo pode ser usado em outros conjuntos de dados e, com isso, melhorar aspectos da identificação de exoplanetas, um tema muito importante nas pesquisas".

via Canaltech

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