Nasa vai mandar supercomputador para o espaço

Em março de 2015, a Nasa mandou o astronauta Scott Kelly passar um ano na Estação Espacial Internacional (ISS), na órbita da Terra. Seu irmão gêmeo, Mike Kelly, ficou no chão. Por terem corpos idênticos, eles eram os voluntários ideais para uma experiência curiosa: ver como uma longa permanência no vácuo afeta o organismo de um ser humano e compará-lo com um organismo igual e saudável que ficou por aqui.

Deu tão certo que agora a agência espacial fará isso de novo — mas, desta vez, com dois computadores. Na tarde do dia 14 de agosto, um foguete CRS-12 da SpaceX (de Elon Musk) levantou voo com 2,7 toneladas de suprimentos destinados à ISS. Entre eles, um computador com capacidade de processamento de 1 teraflop o equivalente a 1 trilhão de operações matemáticas por segundo. Um clone dessa calculadora fora de série ficará em Wisconsin, aqui na Terra, e pesquisadores coletarão dados do funcionamento de ambos para ver como, na prática, uma viagem ao espaço afetaria uma máquina desse tipo.

O objetivo é ver se é viável colocar um desses na bagagem da primeira expedição a Marte. No espaço, os tripulantes dessa viagem precisarão fazer cálculos de trajetória o tempo todo — alguns emergenciais, afinal, pousar em outro planeta pela primeira vez é uma situação com muito potencial para imprevistos. Mandar esses cálculos para a Terra, resolvê-los aqui e devolvê-los para a nave demora mais de 40 minutos. É mais prático fazer as contas lá mesmo, no espaço, evitando o delay.

A HP, que construiu o computador, afirma que ele está preparado para resistir a radiação cósmica, erupções solares, partículas subatômicas, micrometeoritos, fornecimento de energia elétrica instável e resfriamento irregular — nem uma passeio na Millenium Falcon tem tantas chances de dar errado.

Ilustração do Spaceborne Computer, com jeitão de anos 90 (NASA/Reprodução)

“O Spaceborne Computer fica dentro de um armário projetado pela HP e aprovado pela Nasa, e fica preso no lugar por parafusos aprovados pela NASA”, explica o pesquisador responsável, Eng Lim Goh. “Nós usaremos o próprio frio do espaço para manter o computador refrigerado, e todo o sistema funcionará com placas de captação de energia solar.”O computador faz parte de uma experiência, e não irá substituir os sistemas de controle da ISS. 

via Superinteressante

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