A história do Android, o robô que domina o mercado mobile [vídeo]

A série de história da tecnologia continua dessa vez coma trajetória do Android, o sistema operacional móvel da Google. Você sabia, por exemplo, que ele não foi criado exatamente dentro da Google? E que o grande responsável por ele agora é um concorrente da empresa?

Confira o vídeo e o texto abaixo e conheça a história do robozinho verde da Google que hoje está em todos os cantos do planeta.

Na linha de montagem

Ao contrário do que muita gente pensa, o Android não nasceu na Google. A empresa com esse nome foi fundada em 2003 e tinha como ideia inicial ser um sistema operacional inteligente pra câmeras digitais. Só que os responsáveis sentiram que poderiam ir além e a marca começou a vender o produto para o mercado de celulares.

O mercado mobile era bem diferentes no início dos anos 2000

Precisamos entender que essa época é bem antes do iPhone, que revolucionou o mercado. O que dominava o setor no momento era o Symbian, o sistema operacional da Nokia. De forma bem mais tímida, havia ainda uma versão mobile do Windows.

Um dos homens por trás dessa fase inicial do Android é Andy Rubin. Ele é considerado o pai do Android porque é um dos cofundadores originais e foi chefiar a divisão já na Google. Antes disso, ele já lidava com celulares em uma empresa chamada Danger. Atualmente, ele é dono da Essential, que promete lançar um smartphone — com Android! — para balançar o mercado.

Andy Rubin: de pai do Android a rival.

Mas o Android não começou bem como companhia. A empresa não conseguia levantar dinheiro de investidores e as operadoras não queriam saber de um serviço que poderia tirar o controle da indústria das mãos delas. Com o dinheiro acabando, apareceu uma marca interessada na aquisição. Uma tal de Google, conhece?

Na boca da gigante

Em 2005, a Google com muito dinheiro sobrando compra várias startups e pequenas marcas que se destacavam, incluindo o YouTube. Nesse pacote, entra também a Android — sem gerar tanta empolgação assim, já que a marca ainda não tinha mostrado a que veio.

Depois de dois anos em desenvolvimento interno, o Android foi finalmente revelado junto com a Open Handset Alliance, uma parceria entre Google e várias fabricantes como Motorola, Samsung e LG para desenvolver uma plataforma única no mobile.

Jason Chen, da Google, apresenta o Android para desenvolvedores.

Isso porque o Android ainda tinha como diferencial ser um sistema operacional com kernel baseado em Linux, ou seja, código open-source que pode ser personalizado, modificado e ganhar novas versões pela comunidade.

Junto com a revelação, a Google lançou um concurso com 10 milhões de dólares em prêmios pra desenvolvedores criarem apps para o Android já ser lançado com um catálogo bem recheado. Isso, a promessa de agilidade nas atualizações e a experiência igual para usuários em todos os aparelhos eram as grandes promessas da marca.

O Sooner parecia um BlackBerry e foi descartado.

A primeira versão do Android se chamava Sooner e nem tinha touchscreen. Ela teve que ser descartada quase por completo porque, neste mesmo ano de 2007, um tal de iPhone foi revelado ao mundo e mudou os planos de todas as concorrentes.

Ainda sem os doces

A versão 1.0 do Android saiu em setembro de 2008 e foi anunciada no evento anual Google I/O. Várias funcionalidades clássicas já estavam presentes, como o Android Market, sincronização com o Gmail e outros apps da Google, um media player e notificações na barra de status.

O primeiro smartphone lançado comercialmente com Android saiu nesse mesmo mês. É o HTC Dream, que tinha teclado físico deslizável, 256 MB de RAM e tela de 3,2”. Ele não foi muito bem recebido pela crítica, porque o próprio Android, ainda muito limitado e com poucas funções, gerava desconfiança.

O HTC Dream, primeiro celular comercial com Android.

A 1.5 é a primeira versão do Android com um nome de doce. Ela é a Cupcake e trouxe suporte a outros teclados virtuais, gravação de vídeo e auto-rotação de tela. O robozinho verde símbolo da marca é um design original, mas algumas pessoas acusam a Google de ter se inspirado num personagem do jogo Gauntlet, do Atari Lynx.

As versões seguintes são 1.6 Donut, que trouxe o recurso de texto para voz para os apps lerem em voz alta o que está escrito na tela, e 2.0 Eclair, que é a bomba de chocolate, e estreou vários recursos de câmera e interface.

As estátuas da Google são ponto certo de foto para turistas em Mountain View.

Percebeu a evolução? Cada nova versão do Android é um doce ou sobremesa diferente e em ordem alfabética, aí sempre fica aquela expectativa pra saber qual é o próximo. No campus da Google em Mountain View tem estátuas de cada geração e os turistas não perdem a chance de tirar fotos por lá. A empresa diz que tudo começou como uma brincadeira e, quando eles viram, estava criado o padrão.

Uma nova era

A versão 2.2 Froyo, que é uma contração de frozen yogurt, trouxe o suporte a Flash e algumas otimizações especiais pra um aparelho chamado Nexus One. Fabricado pela HTC em 2011, esse foi o primeiro dispositivo da família Nexus, a linha da própria Google com Android puro, ou seja, sem uma skin por cima. Isso abre a era das várias funções exclusivas desses produtos.

No mesmo ano, veio também o 2.3 Gingerbread.  Acredite se quiser, ele é usado até hoje por uma parcela dos consumidores em modelos mais velhos.

A interface do Gingerbread. Você chegou a usar um aparelho com ele?

Essa, inclusive, é uma das principais críticas que o Android sofre até hoje: a fragmentação do mercado. Aparelhos antigos rodam o 2.3, 4.0, 4.1 e por aí vai. Isso faz com que os consumidores tenham acesso a funções e apps diferentes, tenham níveis de segurança relativos e complica até a situação dos desenvolvedores.

Dando um salto no tempo, a 3.0 Honeycomb é especial porque é a primeira feita especialmente tablets. Essa é uma época em que o iPad era líder absoluto no mercado e as fabricantes de Android queriam rivalizar, começando pelo Motorola Xoom.

O tablet da Motorola que estreou essa versão única do Android.

A 4.0 Ice Cream Sandwich trouxe várias melhorias na interface e funções como fechar apps com um deslize na tela e abrir apps direto da tela de bloqueio. De 2012, a 4.1 Jelly Bean foi uma das versões que mais trouxe estabilidade e atualizações nos bastidores, aprimorando uso e desempenho.

Ela também marca a estreia da assistente Google Now, no smartphone Galaxy Nexus, que aqui no Brasil virou Galaxy X. E esse ano ainda marca a aposentadoria do Android Market, substituído pela Google Play. A nova loja juntava num só lugar a Google Play Música, Livros, Banca e Filmes & TV.

Novos rumos

Você sabia? De 2008 até 2013, o grande porta-voz do Android no mundo foi um brasileiro! É Hugo Barra, natural de Belo Horizonte, que depois foi para a chinesa Xiaomi. No lugar dele, entrou Sundar Pichai, que dois anos depois viraria o CEO de toda a Google.

Hugo Barra passou anos como porta-voz do sistema.

Essa equipe teve trabalho: no fim de 2010, o Android já era o sistema operacional móvel mais usado no mundo, desbancando o Symbian e nunca mais perdendo o primeiro lugar. Agora em 2017, ele até desbancou o Windows como plataforma geral mais popular pra acessar a internet.

A grande vantagem do Android para manter essa marca é democratizar o smartphone, já que ele está presente tanto em dispositivos de entrada quanto nos top de linha.

Em 2013, surge a primeira parceria comercial no nome do sistema. É a versão 4.4 KitKat, que estreou no  Nexus 5. Ela trazia novidades na interface incluindo o maior uso da cor branca e melhorias pra multitarefas.

Projetos paralelos

Foi com base nessa geração KitKat que surgiu o Android Wear, versão do sistema pra dispositivos vestíveis, como smartwatches.

E em 2014, começa a iniciativa Android One, uma versão básica e menos potente do sistema pra celulares de baixo custo. A ideia da Google é levar smartphones e conectividade pra todos os mercados, países e consumidores. A iniciativa Android TV e os óculos improvisados de realidade virtual Google Cardboard também são desse ano.

Já o Android Auto, que é a versão para ser usada em carros com comandos de voz e apps de navegação em lazer, veio em 2015. Nesse mesmo ano, estreou o serviço de pagamentos mobile Android Pay.

Uma questão de segurança

É preciso também falar de segurança. O Android sempre foi criticado por causa das brechas e dos malwares. Algumas são mais graves que outras, como o bug Stagefright, de 2015, que permitia o controle remoto do aparelho das vítimas.

O problema aqui é que os alvos são quase sempre aparelhos com versões antigas do Android, que tem menos atualizações de segurança

Além disso, a facilidade de submeter apps na Google Play por um lado é muito positivo pra desenvolvedores, mas também facilita bastante a entrada de vírus.

Os mais recentes

E entre as várias mudanças de visual que o Android já sofreu, a Material Design com certeza se destaca. Com um esquema de cores individuais pra cada serviço da Google, organização em cartões e bordas bem visíveis, ele apareceu no Android Lollipop 5.0, que trouxe ainda melhorias na economia de energia.

O Material Design é a mudança mais radical da interface recente do Android.

Avançando mais no tempo, a versão Android Marshmallow 6.0 trouxe suporte aos smartphones com entrada USB-C e o recurso Now on Tap, uma busca imediata com base no que está na sua tela.

Já o Android 7.0 marcou a estreia do Daydream, o novo óculos de realidade virtual da Google, além do recurso Picture in Picture, que deixa você executar um vídeo em uma janela flutuante enquanto faz outra coisa na tela. Cada versão traz uma quantidade enorme de novidades, mas não dá para falar de tudo aqui.

E a versão mais recente?

via Novidades do TecMundo

2 respostas para “A história do Android, o robô que domina o mercado mobile [vídeo]”

    1. Olá Esdras,

      Muito obrigado, mas o texto em si não é meu. Apenas repasso as notícias de relativas a área de TI que considero relevantes, colocando-as em um único canal. Para visitar a fonte, basta acessar o link ao final de cada artigo/matéria.

      Abraço.

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