Conversamos com Peter Serafinowics, protagonista de “The Tick”

A Amazon Prime estreia nesta sexta, 25, sua nova aposta: a série The Tick, uma tiração de sarro com os lugares-comuns dos super-heróis. Conversamos aqui com Peter Serafinowicz, que faz o protagonista bonachão.

SUPER: Os quadrinhos do The Tick já foram adaptados antes. Teve um desenho animado nos anos 90, uma série com atores nos anos 2000, além de jogos de videogames. Você usou alguma dessas obras pra se inspirar?

Peter Serafinowicz: Não! Eu foquei nos roteiros. Quando comecei a fazer o papel, eu nem conhecia o personagem, só descobri depois que as pessoas o amavam. Inclusive eu não assisti à série antiga de propósito para ter certeza que não estava copiando, mesmo que sem querer. Mentira, eu vi uma cena no Youtube, achei brilhante e pensei: “Meu deus do céu, não posso assistir mais isso”.

SUPER: Mas você tem alguma referência externa? O jeito que você fala, por exemplo, me lembra o Adam West [ator da série de TV do Batman de 1966]. Isso foi intencional, ato falho?

P.S.: Cara, que eu fico muito feliz que você reparou nisso. Ele é uma influência gigantesca. Eu assistia Batman quando era criança e a cara dele era tão engraçada, era tão brilhante. Definitivamente foi intencional, tem até algumas frases que eu pensava nele na hora de pensar como interpretar.

SUPER: Mas por que reviver esse personagem agora?

P.S.: O programa estreou há 17 anos, era uma fase diferente pros super heróis e a TV está  quase irreconhecível. Ela mudou muito. Se você falasse sobre um programa da Amazon, as pessoas iam achar que você tinha enlouquecido. Hoje você assiste Game of Thrones e os episódios são melhores do que os filmes que a gente costuma ver. É nisso que você mira. É isso que as pessoas esperam. Esse é um programa muito ambicioso, foi um baita desafio.

O Tick da Amazon Prime e o do desenho de 1994 (Amazon Prime / Fox//Reprodução)

SUPER: Qual você acha que é o ponto alto dessa nova versão?

P.S.: Acho que os personagens são muito bem escritos. Por exemplo, no primeiro episódio a gente conhece o pior e mais desprezível vilão – aí no segundo aparece um flashback, e você se sente mal em ver ele sofrer. Eu sempre gostei de pensar as vidas, os problemas dos super heróis e vilões, o que eles fazem nos momentos entediantes. É meio que olhar pelo espelho e pensar: “o que eu estou fazendo com a minha vida?”

SUPER: E não é sua primeira vez em territórios mais nerds, né? Você participou de Guardiões da Galáxia e você é a voz do  Darth Maul, em Star Wars: A Ameaça Fantasma. Dá pra comparar essas experiências com The Tick?

P.S.: Nesses dois processos eu fiz papéis muito menores. Foram participações pequenas, mas que eu tenho orgulho de ter feito. O humor de Guardiões tem um tom semelhante com o Tick, eles são uns desajustados, que nem no nosso show.

SUPER: E com esse renascimento de Star Wars, esses filmes se passando no passado – como Rouge One e o Han Solo, que vai sair ano que vem, temos a chance de ver você como Darth Maul de novo?

P.S.: Eu não sei. É engraçado que eu nunca conheci a maior parte do elenco. Já faz quase 20 anos e eu nunca os conheci. Mas amaria.

SUPER: Mas como você acha que esses trabalhos de dublador influenciaram seu trabalho em The Tick?

P.S.: Meu trabalho sempre começa com a voz. Acho que isso é um pouco do fruto desses trabalhos anteriores. E o que eu faço em The Tick é um pouco específico. Ele tem uma voz empostada, e eu amo esse tipo particular, bem americano de tipo narrador. Era a voz que fazia quando era criança imitando os comerciais. É bem nostálgico.

SUPER: E alguns trechos foram exibidos em convenções, como a Comic Con de San Diego. Como foi essa recepção prévia?

P.S.: É dificil medir isso. As pessoas só haviam assistido trailers, então eu não queria nem que elas começassem a julgar nada ali. Por exemplo, eu sou um grande amigo do Edgar Wright, você já viu o filme novo dele, o Ritmo de Fuga?

SUPER: Sim! Eu entrevistei o protagonista, Ansel Elgort, recentemente…

P.S.: Que incrível! Eu amei esse filme, e estava falando pro Edgar que não gosto dos trailer. Acho que vendem o filme como um longa de ação, e pra mim é um musical. Então, pro The Tick, acho que vai todo mundo ter que esperar até o dia da estreia para ver se vai gostar ou não, e espero que elas gostem. Porque eu assisti até o quarto episódio. E eu gosto muito.

via Superinteressante

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