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As 5 músicas do século 20 mais tocadas no streaming hoje em dia

O streaming mudou a forma de se consumir música. Nas décadas passadas, as pessoas dependiam de LPs, rádios, TVs, CDs, enquanto hoje basta um clique, já que está tudo online. O Spotify, um dos maiores serviços de streamings do mundo, liberou recentemente os artistas mais tocados de 2018.

Dá para ver como a música é a verdadeira linguagem universal: enquanto Anitta tocou 988 milhões de vezes durante o ano, o grupo sul-coreano BTS ganhou o play em suas músicas 2 bilhões de vezes.

Mas quais músicas do século 20 continuam populares hoje em dia? A Universal Music Group fez o levantamento: Bohemian Rhapsody, do Queen, é a música da era pré-streaming mais tocada no streaming.

Tudo bem, o hit é um clássico incontestável, mas muito do seu ibope atual (e do seu novo público) veio graças ao sucesso do filme homônimo. A cinebiografia de Fredy Mercury – que está bem mais para uma cinebiografia do próprio Queen – fez as músicas do grupo inglês ressurgirem como nunca. Bohemian Rhapsody, single do álbum A Night at the Opera, foi transmitido mais de 1,6 bilhão de vezes no Spotify, na Apple Music, no YouTube e outros serviços de streaming.

Mas as canções de rock do século passado que ainda fazem bastante sucesso não param por aí. Além do clássico do Queen, há outras quatro músicas listadas pela Universal (e quatro delas são de rock). Confira:

Smells Like Teen Spirit, do Nirvana

Sweet Child O’ Mine, do Guns N’ Roses

November Rain, Guns N’ Roses

Take on Me, do A-ha

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Por que, entre os mamíferos, só a mulher tem seios grandes a vida toda?

A cultura do homem sexualizou os seios femininos. Essa visão é discutida e combatida por muitas mulheres atualmente, já que, para elas, os seios podem ser símbolo de força e liberdade. Mas, pare e pense: mais de 5 mil espécies de mamíferos habitam este planeta e só as fêmeas do Homo sapiens têm, em boa parte da vida, seios grande. Você já se perguntou por quê? Qual a vantagem disso? Foi um erro da seleção natural?

Bem, a seleção natural nunca falha. A diferença das mamas humanas para as de outras fêmeas de mamíferos é que as nossas contêm mais gordura, que preenche o tecido mamário e dá forma aos seios. Mais ou menos como o leite faz em animais, só que de forma permanente.

Em todos os outros animais que mamam, as tetas avantajadas são temporárias, crescem apenas quando usadas para sua função primordial: armazenar leite. Uma fêmea grávida precisa guardar o alimento de seu filhote. Mas, logo após o desmame, as mamas murcham novamente.

Nas mulheres, os seios se formam durante a puberdade, não na gravidez. E diversos teóricos já estudaram o porquê disso. A ideia mais aceita foi proposta pela primeira vez pelo próprio Charles Darwin e posteriormente explorada pelo zoólogo Desmond Morris em seu livro O Macaco Nu, de 1967.

Nele, Morris sugere que os seios evoluíram no Homo sapiens como um símbolo sexual para substituir a “extremidade traseira inchada” (a famosa bunda) de outros primatas femininos adultos. Oi? Entenda: uma vez que nossos ancestrais começaram a andar eretos, os órgãos sexuais e o bumbum avantajado não eram mais tão visíveis. E os machos precisavam de uma maneira clara de saber quando uma fêmea já estava sexualmente madura.

Foi aí que as mamas – que já cresceriam na gravidez – evoluíram para se desenvolver antes e viraram o indicativo de que as fêmeas já poderiam cruzar. Essa teoria explica por que os peitos de mulheres incham durante a puberdade. Mas há estudiosos que ainda têm ressalvas: a hipótese não explica o motivo de os seios permanecerem grandes mesmo após a menopausa.

De qualquer forma, no estágio de evolução em que estamos, o homem não precisa mais ver seios para saber se uma mulher é “sexualmente madura” ou não. Mas essa ainda é como nosso corpo se desenvolve. Espera-se que, assim como acontece com a natureza, a sociedade evolua e deixe de ver o peito feminino apenas como símbolo sexual – ele é só mais uma parte de quem somos.

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Robô à la “Black Mirror” é capaz de perseguir você até debaixo d’água

Robô à la “Black Mirror” é capaz de perseguir você até debaixo d’água

O Velox possui um sistema de locomoção que se adapta até para o gelo. Veja um vídeo de demonstração.

Por
Rafael Battaglia

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14 dez 2018, 19h42

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 (Pliant Energy Systems/Reprodução)

Lembra dos cães-robôs perseguidores de Metalhead, um dos episódios da quarta temporada de Black Mirror? De acordo com o criador da série, Charlie Brooker, eles foram inspirados nas máquinas da Boston Dynamics e, na história pós-apocalíptica, caçavam os humanos sobreviventes.

Pois é. Pela primeira vez, a vida real superou a ficção científica. O robô Velox, criado pela empresa de engenharia Pliant Energy Systems, é insuperável no quesito perseguição. Ele foi desenvolvido para conseguir se locomover na terra, no gelo e até debaixo d`água.

Veja um vídeo de demonstração:

VIDEO

Robôs do tipo são projetados para ajudar em missões de resgate em lugares de difícil acesso e para pesquisas em ambientes inóspitos. As “barbatanas” do Velox são úteis porque permitem que ele mantenha velocidade e estabilidade mesmo que a consistência do solo mude.

O Velox foi anunciado em junho e ainda está em desenvolvimento. Vida real: 1. Black Mirror: 0.


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Mandíbula mais rápida do mundo: a formiga que morde a 324 km/h

O biólogo Andrew Suarez, da Universidade de Illinois, acabou de adicionar mais um item à lista de coisas que você não deve fazer de jeito nenhum antes de morrer (nem depois, de preferência): ser mordido por uma formiga da espécie Mystrium camillae, típica da Austrália e do sudeste da Ásia.

Ele descobriu que as mandíbulas da dita cuja alcançam 324 quilômetros por hora em 0,0015 segundo. Só para fins de comparação, um Bugatti Chiron – que é um carro esportivo realmente muito rápido – demora um pouco menos de 40 segundos para chegar lá. Ou seja: é 25 mil vezes mais lento. Um piscar de olhos é 5 mil vezes mais lento. De fato, esse é o movimento mais rápido já registrado na natureza.

A velocidade razoavelmente alta que você alcança quando estala os dedos é uma boa pista para entender como, exatamente, essa pestinha (chamada popularmente de “formiga Drácula”) faz para fechar a boca tão rápido.

Ao estalar os dedos, um ser humano pressiona o dedo do meio contra o polegar. Os dois se mantém unidos por um breve momento por causa do atrito. Mas uma hora o dedo médio vence o páreo e acaba escorregando. Ele escapa. Bate com força na palma da mão – e é isso que produz o barulho. Teste essa maravilha da física em casa, leitor – faz uns minutos que a redação da SUPER está estalando os dedos sem parar.

As mandíbulas da formiga tem a aparência de duas garras, posicionadas na frente da cabeça. O que elas fazem é pressionar a ponta de uma garra contra a outra – da mesma maneira que fazemos com os dedos. Quando as estruturas finalmente cedem e deslizam, atingem a vítima em ritmo de festa Fórmula 1. Foi preciso usar uma câmera de 48 mil quadros por segundo para registrar o momento em slow motion. Veja no vídeo abaixo:

“Elas estão andando no subterrâneo, e se encontrarem algo como uma centopeia ou um cupim, podem atingi-los com a mandibula para matar ou atordoar”, explicou Suarez ao The Guardian. A pancada é tão forte que o atingido dá algumas piruetas no ar antes de cair. “Depois, elas podem incapacitar ainda mais o oponente com uma picada, e aí carregá-lo de volta para o ninho.”

Se você se assustou com a violência da formiga Drácula na rua, por favor, não pergunte o que ela faz quando chega em casa. Pois são justamente seus hábitos domésticos que lhe deram nome de vampiro: a dita cuja é incapaz de digerir a própria comida. Por isso, ela primeiro alimenta as larvas – isto é, as formigas bebês – e depois dá uns goles no sangue delas para se nutrir com o produto final, já digerido. Suas definições de “comer criancinhas” foram atualizadas.

 

 

 

 

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Artistas brasileiros ilustram artigos da Declaração dos Direitos Humanos

Na última segunda-feira (10), a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos desde a sua adoção pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para comemorar, um coletivo de artistas brasileiros resolveu fazer uma singela – e colorida – homenagem.

Criado em 2016, o Mutirão é um grupo de ilustradores de Recife. Naquele ano, os fundadores do coletivo, Celso Filho e Raul Souza, criaram o projeto direitoshumanos70anos.com e convidaram desenhistas para adaptar cada um dos 30 artigos da declaração.

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Veja abaixo algumas obras do projeto:

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi assinada em 1948 pelos países membros da ONU, na época formada por 58 nações. Traduzida para mais de 500 idiomas, ela estabelece os direitos básicos para qualquer pessoa.

Entre seus artigos, estão temas como igualdade, liberdade, moradia, sem nenhum tipo de distinção de cor, classe social, orientação sexual, nacionalidade ou religião.

Como as ilustrações foram feitas

O Mutirão reuniu 30 artistas (15 homens e 15 mulheres) e sorteou os artigos entre eles. O 21o, que fala sobre o direito a participar da política do país, caiu nas mãos do designer Thales Molina, que já trabalhou para a SUPER.

“Quando vi que estava com a representação do direito à democracia nas minhas mãos, caí em estudos de como podia representá-lo”. Thales conta que, ao pesquisar sobre ilustrações relacionadas, encontrou em quase todas homens engravatados. “Essa era a última coisa que queria fazer”.

O resultado final ficou assim:

(Thales Molina/Divulgação)

Thales procurou representar o maior número possível de grupos da população brasileira: negros, LGBT+, umbandistas, católicos e inclusive quem tem vitiligo. “Fotografei as mãos de amigos e conhecidos e transformei no contexto que queria”. As mãos vão em direção à faixa presidencial, que remete aos políticos eleitos pelo voto popular. “Aqueles em que votamos têm que pensar em todos nós. Estamos indo atrás do que merecemos”.

De acordo com a página oficial do projeto, que conta com o apoio da revista Continente, o objetivo é aproveitar a data de aniversário para propagar as ideias contidas na declaração. Os organizadores defendem que, apesar de a DUDH ter sido usada como base para constituições mais recentes, em quase todos os países há casos em que ela não é respeitada.

Cada obra vem acompanhada do seu artigo de origem. Além do site, é possível conferir os trabalhos no Facebook e no Instagram do Mutirão.

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Cientistas criam primeiro tijolo feito de urina

Cientistas criam primeiro tijolo feito de urina

Inventado por estudantes, o método é mais ecológico – e não deixa cheiro.

Por
Rafael Battaglia

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14 dez 2018, 17h27

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 (Augusto Zambonato/Superinteressante)

Para produzir um tijolo normal, é necessário queimá-lo a 1.400 ºC. Esse processo libera uma grande quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Pensando nisso, estudantes da Universidade da Cidade do Cabo desenvolveram uma maneira inusitada para criar o material usando a urina como componente.

Eles coletaram o xixi em banheiros da faculdade e juntaram com areia e bactérias. Expondo a urina a reações químicas disparadas pelas bactérias, eles obtiveram o carbonato de cálcio (CaCO3), ingrediente principal de rochas como o calcário.

O processo é semelhante à criação dos corais marinhos. Tudo é feito a temperatura ambiente e leva de quatro a seis dias para ficar pronto. De acordo com os criadores, para produzir um único bloco, você precisa de 25 a 30 litros de urina – o equivalente a cem idas ao banheiro.

O cheiro do xixi? Desaparece após 48 horas.


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O que foi a Guerrilha do Araguaia?

Foi a maior tentativa do Partido Comunista do Brasil de instaurar um movimento comunista rural no País. O PCdoB se inspirou na Grande Marcha na China, em que 100 mil combatentes caminharam por 10 mil quilômetros em apoio a Mao Tsé-tung, em 1934.

O plano era mobilizar os camponeses da região do Araguaia, na divisa dos Estados do Pará, Maranhão e do atual Tocantins, e marchar até Brasília para tomar o poder.

Em 1967, depois de passarem por um treinamento na China, os primeiros membros chegaram ao Araguaia. Cinco anos depois, o Exército iniciou o combate aos guerrilheiros, na maior mobilização de tropas brasileiras desde a 2ª Guerra Mundial.

Guerra aberta

Guerrilha do Araguaia

(Kiko Mauriz/Mundo Estranho)

1. Os “paulistas”

O Araguaia foi escolhido por ser isolado e marcado por conflitos de terra. Os militantes chegaram aos poucos, compraram lotes e montaram comércios nas vilas ao redor de Xambioá (GO, atual TO) e Marabá (PA).

Os camponeses desconfiaram dos jovens, chamados de “paulistas” porque vinham, em geral, do Sul e do Sudeste. Mas os forasteiros os conquistaram por serem prestativos.

2. Treinamento militar

Os militantes faziam incursões no mato, onde aprendiam a sobreviver carregando apenas munição e um pacote de sal. Jovens universitários urbanos, eles aprenderam a encontrar o lugar mais seguro para dormir na selva e a caçar porcos-do-mato para comer.

Também aproveitavam para mapear a área e encontrar esconderijos, onde guardariam suas armas e se protegeriam quando necessário.

3. Aulas de política

A região tinha 6.500 km2 (pouco mais de quatro vezes o município de São Paulo) e só 20 mil moradores, que viviam na pobreza. Os jovens instalaram salas de aula, onde alfabetizavam crianças e adultos e transmitiam noções de política (com um viés totalmente socialista).

Os padres da região, muitos deles missionários franceses inconformados com a miséria local, passaram a simpatizar com os guerrilheiros.

4. A reação

No início de 1972, parecia que tudo ia bem. O PCdoB estimava que, com mais dois anos de treinamento, poderia deflagrar uma revolta armada. Acontece que, meses antes, dois jovens fugiram do Araguaia. Uma era Lúcia Martins, que estava doente e grávida.

Ela foi presa em São Paulo e torturada. Acredita-se que Lúcia tenha sido a primeira pessoa a revelar ao Exército o que acontecia no Araguaia.

5. Fiasco na mata

Em abril de 1972, tropas do Exército começaram a chegar a Xambioá e Marabá. A Operação Papagaio contou com 3.200 homens e uso de helicópteros e até napalm (arma incendiária que os EUA estavam usando na Guerra do Vietnã).

Os militares tinham mais recursos, só que não conheciam a região. Prenderam alguns militantes, como o futuro deputado José Genoino, mataram outros, mas sofreram mais baixas que os guerrilheiros. Em outubro, recuaram.

6. O massacre meticuloso

Em abril de 1973, uma segunda operação teve início. Dessa vez, eram menos agentes, mas eles conseguiram se infiltrar na região.Aos poucos, prenderam e torturaram camponeses suspeitos de serem aliados dos guerrilheiros.

A partir de outubro, começaram a entrar na mata, em grupos pequenos, bem informados e bem armados. A ordem era não deixar nenhum guerrilheiro vivo.

7. Fim melancólico

Em outubro de 1974, a última militante encontrada na região, Walkiria Afonso Costa, foi presa e morta. Era o fim de uma ação em que o Exército decapitou guerrilheiros e queimou seus corpos. Muitos foram jogados vivos de cima de helicópteros. Estima-se que morreram 20 militares, 67 guerrilheiros e 31 camponeses.

As Forças Armadas negam até hoje as atrocidades, mas as descobertas de ossadas, os documentos e os depoimentos de ex-militares mostram que a guerrilha foi exterminada de maneira cruel.

Fontes: Documentários Camponeses do Araguaia – A Guerrilha Vista por Dentro, de Vandré Fernandes, e Soldados do Araguaia, de Belisario Franca; site Comissão Nacional da Verdade; livros Os Protagonistas do Araguaia, de Patricia Sposito Mechi, Operação Araguaia, de Tais de Morais e Eumano Silva, e A Lei da Selva, de Hugo Studa.

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CrossFit: o que acontece no seu corpo antes, durante e depois do treino

Quando começou a receber praticantes de CrossFit em seu consultório, José Wilson Ribas não sabia ao certo com o que estava lidando. De forma geral, as consultas com o Dr. Ribas – especialista em medicina esportiva com experiência em áreas como nutrologia e ortomolecular – visavam um acompanhamento médico mais frequente, na busca de melhores performances.

Curioso, Ribas aceitou um convite de um paciente e se lançou para dento de um box de CrossFit aberto havia pouco tempo em Brasília (DF). Àquela altura, o boom da prática no Brasil estava começando. “Na primeira aula eu só me preocupei em sobreviver”, diverte-se Ribas. “Mas aquilo me instigou, e decidi investigar mais a fundo”, comenta sobre a experiência de quatro anos atrás.

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Desde então, ele tem se dedicado a um campo ainda bastante vasto no País: aliar teoria e prática para decifrar melhor os benefícios e os riscos do CrossFit. Em paralelo a isso, Ribas segue praticando até hoje e, inclusive, gerencia seu próprio box desde 2017.

O médico também montou uma equipe multidisciplinar (com fisiologia, psicologia, fisioterapia e demais especialidades em saúde) que tem se debruçado em cima do assunto diariamente. Seu approach vai muito além dos elogios óbvios de quem pegou gosto pela prática e traz parte do sustento disso.

Estudos pioneiros no Brasil liderados por ele, e baseados no trabalho coletivo de sua clínica, a Reviv, estão agora em fase final. Dente os principais focos das pesquisas, Ribas quer começar a responder perguntas importantes que vão desde as zonas de treino específicas da modalidade até a relação entre envelhecimento, prática esportiva e saúde.

Acumulando dados de iniciantes a atletas de elite, ele tem notado vários aspectos comuns, como um relevante (e rápido) ganho de massa muscular e a redução significativa de taxa de gordura. Além disso, medições corporais de crossfiteiros tendem a ser mais simétricas e proporcionais em comparação a adeptos mais assíduos de outas modalidades.

Junto de sua equipe da Reviv, Ribas dividiu as mais recentes vivências com a SUPER, que agregou informações de dezenas de outros trabalhos para mostrar, a seguir, o que acontece no organismo de quem embarca no CrossFit.

O raio x do treino

Isto tudo está acontecendo (mesmo sem você ver)

1. A chegada no box

Crossfit

(Macrovector/iStock)

Antes mesmo de começar a treinar para valer, seu organismo já está em plena atividade. A excitação gerada por algo intenso (e ainda desconhecido) nos coloca em prontidão. É o que a ciência chama há décadas de estado de atenção, algo semelhante a uma urgente fuga ou necessidade de luta, herança de nossos ancestrais.

Dá-se início à preparação funcional do corpo, com destaque para os mecanismos ligados ao aumento da capacidade de consumo de oxigênio. Em paralelo a isso, há outros processos químicos e psíquicos mais complexos a pleno vapor.

Acontece que, ao se exercitar, estimula-se a produção de substâncias como a endorfina (ligada tanto à sensação de satisfação como à redução de dores), algo que nosso organismo se aprimora a fazer com o tempo, chegando ao ponto de desejá-la. É um estímulo bem-vindo, mas cuidado!

Em um estudo de 2016 divulgado no fórum online Addictive Behaviors Report, registrou-se 5% de dependência de exercícios em um grupo de cerca de 600 praticantes de CrossFit. Ao liberar endorfina ou apenas lembrar-se de quão bem você se sentiu após um duríssimo esforço recentemente, o sistema límbico – parte do cérebro responsável, dentre outras coisas, pela regulação de comportamentos e emoções – é ativado.

É uma ajuda e tanto, ainda que relativamente traiçoeira. Se bem usada, vai te ajudar muito nas próximas horas. Caso contrário, pode se tornar o seu algoz, criando comparações indesejadas e te desviando do foco atual.

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2. Aqueça os motores

Sua temperatura corporal começa a se elevar, o que explica a transpiração e a consequente perda de eletrólitos (minerais como sódio, potássio e magnésio que atuam como reguladores internos por meio da corrente sanguínea), em um processo natural e importante chamado de termogênese.

Em resumo, seu organismo está tentando oferecer energia para as células de forma mais eficiente. Ele decide o que é essencial nessa hora. E adivinhe quem ele escolhe? Cérebro e coração, falando de forma geral. Como o volume de sangue e a capacidade de transporte de oxigênio não podem diminuir nessas áreas, são preteridas funções de estômago e intestino, por exemplo. É neste momento que se aumenta tamb´m a dilatação dos vasos dos músculos.

Isso tudo explica por que é fundamental pegar leve nos primeiros minutos. Acelerar logo de cara costuma ser um erro imperdoável. Você ainda não tem sangue (e oxigênio) disponível suficientemente nos membros exigidos.

Seu sistema nervoso precisa de um pouco de tempo para compilar toda essa informação e fazer a “máquina” funcionar. Até lá, apertar o ritmo demais significa sofrer mais tarde, ou cedo demais.

3. Capriche na técnica

Crossfit

(Macrovector/iStock)

É comum na rotina dos coaches de CrossFit separar um pedaço da aula para enfatizar movimentos específcos. Enquanto grande parte do organismo está trabalhando na ativação da síntese proteica (um mecanismo engenhoso que garante todo o combustível do treino e é responsável pela evolução das capacidades fisiológicas), seu cérebro atua na conexão entre foco e concentração com os repertórios de gestos exigidos naquele dia. Essa “preparação neural” vale ouro. Melhores movimentos significam eficiência, permitindo economia de energia.

4. Hora do WOD (oba!)

O momento mais esperado (ou temido) do treino certamente é o que mais exige do organismo como um todo. É uma verdadeira explosão interna: músculos passam por microrrupturas e inícios de processos infamatórios, e seu corpo produz mais lactato (composto fruto da exigência energética).

Seu organismo está oscilando entre três sistemas energéticos disponíveis: aeróbico, anaeróbico lático e anaeróbico alático (o ATP-CP) – também se usa a nomenclatura oxidativo, glicolítico e fosfagênio. Eles são divididos justamente pela forma como transformam compostos disponíveis em energia.

O aumento da frequência cardíaca e da velocidade respiratória, só para citar dois momentos fáceis de visualizar, mostram bem como seu corpo está tentando de tudo para atender a demanda. A falta de ar que nós sentimos não quer dizer exatamente que falta oxigênio, mas sim que o organismo não tem capacidade de transportá-lo com tanta eficácia para aquela exigência.

Em exercícios mais explosivos, quando força e velocidade são extremamente exigidos, o organismo aciona os sistemas energéticos de rápida resposta e curta duração (o segundo e o terceiro da lista acima), que não dependem, inclusive, do oxigênio.

Isso ajuda a explicar por que em 12 semanas de intensos WODs um grupo de crossfiteiros analisado pela Universidade de Wroclaw, na Polônia, apresentou aumento na produção de uma proteína que estimula o processo de formação de novos neurônios no cérebro. O mesmo trabalho também registrou melhoras em composição corporal e capacidade cardiovascular, fruto desses exigentes “treinos do dia”.

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5. Fim de treino

Crossfit

(Macrovector/iStock)

Seus membros relaxam, mas seu sistema nervoso continua estimulando neurotransmissores hormonais – destaque para a liberação de GH, o hormônio de crescimento, serotonina, testosterona e o cortisol – que estimulam a redução de danos e dores, e explica a mistura de alívio com a sensação de euforia.

Nas próximas horas, há um trabalho intenso de reparação muscular sendo feito. Esse processo pede fluxo de oxigênio – o tempo exato dessa recuperação depende da intensidade do exercício e da sua condição atual, ou seja, podem ser horas ou dias.

Outras alterações estão rolando, caso do aumento do número e tamanho das mitocôndrias e da reserva de glicogênio muscular, ambas ligadas à tal qualidade na geração de energia.

O equilíbrio desses índices internos (principalmente a relação entre testosterona e cortisol) está ligado diretamente ao chamado overtraining, quando a pessoa desrespeita o tempo necessário para se recuperar e entra em um estado perigoso, causado pelo excesso de estímulos.

6. O milagre da recuperação

Lembra do sacrifício do WOD? É hora da recompensa! Silenciosamente, seu corpo evolui na arte de queimar combustível (glicose ou gordura, por exemplo), o que vai te ajudar bastante em esforços futuros.

Em termos menos técnicos, suas células se tornam mais capazes de extrair oxigênio da corrente sanguínea, ao mesmo tempo em que aprimoram o caminho de acesso de fontes energéticas primordiais para contrações musculares. Essa agilidade maior no acesso e uso produz mais energia para se exercitar.

Uma frequência de estímulos bem feitos também colabora no sentido de metabolizar melhor os hormônios do corpo – e isso se reflete em ganhos para várias áreas da saúde, não apenas na prática esportiva em si. Nesse aspecto, a qualidade do descanso, sobretudo no período de sono, entra como protagonista.

A parte boa da história é que os próprios estímulos físicos regulares, como comprovam estudos, colaboram e muito nesse processo. É exatamente aí que entra o conceito de descanso ativo. Em linhas gerais, trata-se da ideia de equilibrar intensidade com recuperação sem deixar o corpo exatamente parado nos dias mais leves (esqueça hibernar no Netflix).

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Se isso estiver bem alinhado com alimentação e descanso, o organismo vai conseguir manter em ótimo funcionamento todos esses mecanismos citados nas fases anteriores. Esse raciocínio ilustra uma máxima do treinamento. A de que não é exatamente no ato dos exercícios que o corpo evolui, mas na recuperação.

Bônus: sua liberação intensa de substâncias como endorfina do dia anterior já acabou. Ao se movimentar de novo, pode-se dar início a um novo ciclo, gerando mais benefícios, desde que bem dosados.

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Filmes com mulheres protagonistas atraem mais público (e dinheiro)

Holywood parece estar mudando – e para melhor. Na última quarta-feira (12), uma pesquisa divulgada pela agência Creative Artists mostrou que filmes com mulheres em papéis principais atraem mais público (e, consequentemente, mais dinheiro).

O estudo analisou as 350 maiores bilheterias de 2014 a 2017. Desse total, 105 foram categorizadas como produções com protagonistas femininas, contra 245 estreladas por homens. O método de classificação foi observar se o nome das atrizes aparecia logo no início dos materiais de divulgação dos filmes.

Os longas foram em divididos em blocos, de acordo com o orçamento de cada um. Depois, foi feita uma média com a quantia arrecadada de cada produção, e os filmes com mulheres protagonistas foram comparados aos que não têm elas nos papéis principais.

Veja uma parte dos resultados no gráfico abaixo:

(Arte/Reprodução)

Teste de Bechdel

O que Mulher-Maravilha, os novos Star WarsJogos Vorazes e até A Bela e a Fera têm em comum? Além do desempenho nas bilheterias, todos passaram no Teste Bechdel.

A gente explica: ele serve para avaliar se um filme faz bom uso dos personagens femininos. Foi criado em 1985 pela cartunista Allison Bechdel, como forma de ironizar a representação das mulheres em Hollywood.

Basicamente, um filme precisa seguir três regras:

1. Deve haver ao menos duas personagens mulheres.

2. Elas precisam conversar entre si no mínimo uma vez.

3. O papo não pode ser sobre homens.

O site bechdeltest.com mantém uma lista dos lançamentos dos últimos anos e aplica o teste neles. Por mais simples que pareça, boa parte dos longas não passam.

A pesquisa do Creative Artists também mostrou que filmes aprovados no Teste de Bechdel se saem melhor nas bilheterias. De 2014 a 2017, onze longas ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão e, apesar de alguns não serem protagonizados por mulheres, todos passaram no teste.

Para entender se esse é um fenômeno recente, o levantamento voltou até 2012 – e o cenário se repete: todas as produções que alcançaram mais de US$ 1 bilhão cumpriram os requisitos do teste. O último filme do gênero reprovado foi O Hobbit: Uma Jornada Inesperada.

Quando o assunto é representatividade e empoderamento, todo mundo sai ganhando.

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Descoberto fóssil quase completo de “leão marsupial” extinto

Ornitorrincos, coalas comedores de veneno, falcões vândalos e incendiários, um canguru musculoso chamado Roger, uma água viva com toxina suficiente para matar 60 pessoas e uma cobra que cobre o recorde e leva 100 com uma dentada só.

A Austrália não é para biólogos iniciantes – 30 milhões de anos de isolamento geográfico transformaram o misto de ilha e continente em um parque de diversões darwinista. 85% das plantas com flores, 84% dos mamíferos, 45% das aves e 89% dos peixes costeiros que existem lá só existem lá – e em mais lugar nenhum.

A lista acaba de ganhar mais um membro. Ainda que emérito. Rod Wells, especialista em vombates da Universidade Flinders, montou o primeiro esqueleto completo de um marsupial carnívoro de nome científico Thylacoleo carnifex, que foi extinto há 30 mil anos – muito, muito tempo antes da chegada dos primeiros naturalistas europeus, no século 18.

Na verdade, uma hipótese bem aceita é que ele tenha desaparecido graças às mudanças de habitat impostas pela chegada dos primeiros seres humanos à Austrália, há cerca de 40 mil anos. 

O animal, com 1,5 m de comprimento e mais de 100 kg, tinha todas as características exóticas dos marsupiais contemporâneos. A principal delas, uma bolsa abdominal para carregar os filhotes – que nascem com a aparência de um feto, de tão prematuros. É a bolsa, inclusive, que dá nome ao grupo: “marsúpio” vem do grego mársippos, que significa “bolsa”.

(Roderick T. Wells / Aaron B. Camens/Reprodução)

Apesar disso, ele não se parecia em nada com o canguru – um herbívoro razoavelmente pacífico. Era mais próximo do famoso diabo-da-Tasmânia, o carnívoro pequeno e nervosinho que inspirou o personagem Taz. O carnifex era um caçador barra-pesada, no topo da cadeia alimentar. Atarracado feito um buldogue, tinha mandíbula forte e garras retráteis.

Embora sua anatomia não fosse boa para correr – uma das principais descobertas de Wells é que a coluna lombar do bicho era pouco flexível –, ele provavelmente era bom em armar emboscadas, subir em árvores e capturar animais maiores. Seu rabo, espesso e forte, era usado para formar um tripé com as patas traseiras, que o ajudava a se equilibrar ao estilo bípede quando os membros anteriores estavam sendo usados para outras funções.

O carnifex foi descrito pela primeira vez em 1859 pelo famoso naturalista britânico Richard Owen, graças a um crânio e fragmentos de mandíbula encontrados no lago Colongulac, na província de Vitória, no sul da Austrália. Ele o descreveu como “uma das mais temíveis e destrutivas das bestas predatórias”. 

O nome científico Thylacoleo reflete a descrição: é uma espécie de trocadilho entre o grego thylakos, que também significa “bolsa” ou “saco”, e leo, que significa, naturalmente, “leão”. Ou seja: leão com saco.   

Bem-vindo então, leão com saco, ao hall de esquisitices australianas. Qualquer dia a gente te vê no museu.

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