A ciência comprova: pais realmente dão mais atenção às filhas

Não é só modo de dizer: as filhas são mesmo as princesinhas de seus papais. Por meio de uma pesquisa publicada no periódico Behavioural Science, pesquisadores dos EUA confirmaram que pais de meninas tendem a ser mais atenciosos com suas crias em comparação a pais de filhos homens. E a explicação está na forma como eles interagem com os pequenos: ter uma postura mais emocional ou mais competitiva depende do gênero da criança.

Isso foi comprovado em um experimento realizado com 52 pais – de 30 meninas e 22 meninos com até 2 anos. Eles tinham idade entre 21 e 55 anos e eram todos moradores de Atlanta. Os pesquisadores monitoraram sua rotina por 48 horas (um domingo e uma segunda-feira). Durante esse tempo, os adultos carregaram junto do corpo um gravador eletrônico, para registrar em áudio as interações com suas crianças.

Para evitar que os voluntários atuassem, protagonizando momentos dignos do prêmio de “pai do ano”, os gravadores foram programados para funcionar apenas em alguns períodos do dia. Os aparelhos ligavam sozinhos a cada nove minutos, e passavam 50 segundos captando o som ambiente.

Enquanto para os garotos o tempo junto dos pais era preenchido por lutas de mentira e corridas de cavalinho, as meninas mantinham um tipo de relação diferente. Em geral, elas eram ouvidas com atenção por um tempo até 60% maior, e seus pais também cantavam para elas por cinco minutos a mais.

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Com as meninas, as conversas eram também mais profundas. Notou-se uma maior abertura dos pais para falar sobre emoções, incluindo tristeza. Isso explica a maior incidência de palavras como “chorar”, “lágrimas” e “sozinha”, o que pode estar relacionado à criação de empatia, segundo os cientistas.

Da mesma forma, referências a aparência também foram ouvidas com mais frequência – como “barriga”, “bochecha”, “rosto”, “gordura” e “pés”. Coincidência ou não, são palavras que podem moldar a forma como elas enxergarão a si próprias quando tiverem idade para isso – levando em consideração que meninas costumam ter mais problemas em relação a seu corpo e auto-estima.

Em compensação, pais de meninos preferiam incentivar sua veia competitiva. Nas suas interações, apareceram mais vezes palavras como “vitória”, “orgulho” ou “melhor”. “O fato é que os pais parecem se atentar menos às necessidades emocionais dos garotos – apesar de suas claras boas intenções, é importante reconhecer”, aponta Jennifer Mascaro, uma das autoras do estudo, em entrevista ao The Guardian.

Tudo isso parece ter ligação à forma como as meninas e meninos são criados. Desde ganhar carrinhos de presente até serem matriculados em aulas de balé, tudo na formação das crianças acaba interferindo na pessoa que os pais irão formar. Apesar de muitas vezes não intencionais, esses estereótipos tratamento desempenham papel significativo na forma como as crianças se relacionam com os pais ou encaram seus problemas, por exemplo.

No fim das contas, a mensagem que fica é: vale a pena deixar um pouco de lado as brincadeiras mais convencionais para trocar uma ideia olho no olho com seu bebê.  Afinal, desenvolvimento emocional serve para todo mundo, não é mesmo?

via Superinteressante

Melhores comentários da semana (22/05 – 26/05)

Ok, a história do novo contraceptivo à base de plantas que dopa espermatozoides fez mesmo sucesso. Tanto que os leitores começaram até a prever o futuro.

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Ou se identificar com a descoberta mais do que deveriam.

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Estes daqui esperavam uma experiência 100% realista do Titanic que a China está construindo.

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Literalmente.

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Nem mesmo um prato especial desenvolvido na Letônia foi capaz de conter o apetite deste leitor.

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Falando em comida, essa foi a semana dos cogumelos – principalmente dos mágicos, que são a droga mais segura do mundo. Esses simpáticos integrantes do reino fungi despertaram em nossos leitores interesses científicos duvidosos…

…e também seu senso de humor – afiadíssimo, como sempre.

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Eles sabem que nada é capaz de parar a internet. Nem mesmo um veto presidencial que proíba o uso de fotos de Michel Temer em memes sem os devidos créditos.

Por fim, a história da leitora com limite de dados no pacote do 3G, mas que não podia deixar de conferir o porquê dos flamingos ficarem em uma perna só.

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via Superinteressante

Em busca da pele artificial perfeita

A pele é o maior órgão do corpo humano – e também o mais imitado. De fabricantes de telas de celular a cosméticos, todo mundo quer saber os segredos de um tecido que é flexível, resistente e se regenera sozinho por anos a fio.

A criação de uma pele artificial que simula perfeitamente a humana é um campo de muito potencial. Poderia simbolizar o fim do uso de animais para testes de segurança de cosméticos, a cura (ou, ao menos, uma compreensão mais profunda) de uma série de doenças dermatológicas e, finalmente, trazer uma clareza maior sobre os misteriosos fenômenos que causam o envelhecimento do corpo.

Isso não só porque a pele artificial perfeita seria um laboratório perfeito para esse tipo de experimento, mas porque próprio processo de construí-la já revelaria respostas sobre os mistérios que tornam a pele humana tão complexa.

Uma ideia com tamanho potencial, é claro, atrai não apenas os cientistas, mas também a indústria.

Em 1979, alguns pesquisadores da L’Oréal se mudaram para Lyon. Não por acaso: lá ficava um dos grandes hospitais para pessoas queimadas da França. O propósito inicial era descobrir os mecanismos que levam a pele a se regenerar. Aos poucos, foram criadas técnicas para reconstruir a pele. A partir de algumas células humanas doadas, os pesquisadores conseguiram cultivar tecidos inteiros. Eram simples, mas ajudavam a entender o funcionamento da pele humana.

“O propósito era ter uma ferramenta de pesquisa da biologia da pele – e, principalmente, do envelhecimento da pele. A velhice é algo que você precisa aguardar para começar a ver os resultados. Precisávamos de um modelo acelerado da velhice, uma pele em que pudéssemos induzir o envelhecimento para entendê-lo melhor. E, então, encontrar uma forma de prevení-lo”, explica Patrícia Papineau, diretora de Pesquisa e Inovação da empresa na França.

Com o avanço da ciência, a complexidade da pele aumentou: os queratinócitos, que formam 90% da pele humana, não eram só “clonados”, mas também se diferenciavam. Dando o estímulo correto às células, os cientistas reconstruíram as duas camadas da pele, epiderme e derme, em laboratório.

O processo se expandiu de tal forma que virou outra empresa, a Episkin. Em seus laboratórios, a pele reconstruída faz testes de eficácia e segurança para os produtos da L’Oreál, mas também comercializa kits de epiderme para pesquisadores e outras empresas.

A pele reconstruída responde à testes de irritação e corrosão, testando fórmulas em qualquer formato: pó, gel ou creme, por exemplo. Também responde à luz ultravioleta, apontando problemas de pigmentação. Ou seja, a pele bronzeia.

A L’Oréal garante que o método ajudou a substituir os testes com animais para todos os novos ingredientes dos seus produtos. E tem melhores condições de prever os efeitos em uma pele de verdade do que um experimento com ratos, por exemplo, porque usa células humanas.

Mas as aplicações têm limite – e esse limite é a complexidade da pele. Os queratinócitos são 90% dela. Só que os outros 10% incluem folículos capilares, nervos e vasos sanguíneos, conectados a todo o organismo.

Criar todo esse conjunto em laboratório, com células diferentes capazes de interagir e funcionar como em um corpo normal é um desafio gigante. E por isso mesmo exige apoio e parcerias com os mais diversos especialistas.

O cabelo, sozinho, já tem uma estrutura extremamente complexa. Cada folículo capilar tem dentro de si uma série de células tronco e vive em um processo de degeneração e regeneração constantes – e por isso, seu cabelo tanto cai quanto cresce.

Introduzir vasos sanguíneos na pele artificial também é um desafio internacional. Técnicas de impressão 3D e manipulação de células-tronco têm sido tentadas ao redor do mundo – mas nenhum método consistente e reproduzível o suficiente apareceu, por enquanto.

Mas um dos campos com maior avanço atualmente é a adição de células do sistema nervoso à pele artificial. E tem gente fazendo esse trabalho aqui mesmo, no Brasil.

Por aqui, os cientistas do Instituto D’Or, que abriga o banco nacional de células-tronco, desenvolveram técnicas para induzir células de pele adultas a voltar ao seu estado de células-tronco. Essas células “adaptáveis” eram reprogramadas para neurônios sensoriais periféricos, os responsáveis pela sensibilidade da sua pele.

No corpo humano, esses neurônios ficam muito próximos à junção entre a epiderme e a derme. Desde março, o IDOR e os pesquisadores da L’Oréal têm tentando unir os neurônios reprogramados e a pele reconstruída para ver se é possível reproduzir a enervação que ocorre na vida real.

“A pele demora de 17 a 21 dias para ficar pronta. O neurônio 44 dias, mas já começa a ficar funcional a partir do 33º dia. É preciso combinar o tempo de maturação do neurônio e o de diferenciação da epiderme”, explica Rodrigo De Vecchi, pesquisador da L’Oréal do Brasil e um dos coordenadores do programa.

Tudo fica mais fácil porque, graças à parceria entre as instituições, os dois estudos ocorrem em salas vizinhas. “A pele é produzida dentro do próprio laboratório, basta abrir uma porta e juntar os projetos”, explica Vanja Dakic, que também coordena o projeto de pele.

Não basta, é claro, fazer que os dois tipos de célula funcionem juntos. Seus mecanismos precisam representar o que células de um sistema nervoso fariam. Mas os resultados, até agora, são positivos. “Conseguimos ter uma resposta funcional do neurônio. Se damos a ele uma substância que seria irritante, assim como a pimenta tem efeito irritante na língua, por exemplo, ele responde como esperado”, afirma Marilia Zaluar Passos, que coordena a parte neurosensorial do IDOR no projeto.

Ou seja: em um corpo real, esse neurônio iria dar um sinal para o cérebro de que há um agente irritante ali. E o seu cérebro produz a sensação ardida. O neurônio artificial não está conectado ao sistema nervoso, mas mesmo assim ele dá o sinal, produzindo um neurotransmissor chamado de Substância P.

“Tanto a pele quanto o neurônio têm reprodutibilidade interessante separados e respondem bem a estímulos. O desafio agora é fazer essa conexão”, conclui Steven Rehen, co-coordenador, junto à professora Marília.

A adição dos neurônios ao modelo aumenta sua complexidade, torna-o mais parecido com a pele de verdade e permite não só uma quantidade maior de testes quanto mais precisão em cada um deles. A capacidade de prever o efeito de uma substância na pele aumenta, junto com a possibilidade de medir a resposta inflamatória do corpo.

“Obviamente ainda é artificial, é um proxy do que seria um organismo. Mas a pele já é usada para fazer teste de sensibilidade. Será que com os neurônios eu vou tornar aquele tecido mais sensível, como ocorre com a pele real?”, pergunta a pesquisadora.

Para os testes de cosméticos, isso significa resultados mais seguros quanto à irritação, alergia e inflamação da pele. Mas o valor científico dos experimentos é muito maior: só o processo de junção dos projetos já pode oferecer informações preciosas sobre a formação do nosso sistema nervoso e a sua coordenação com outros órgão do corpo.

Da mesma forma, a pele artificial se torna uma estrutura cada vez mais completa para o estudo de mazelas humanas – dos mecanismos por trás das alergias e problemas de pigmentação da pele até a moléstia mais inescapável: a de ficar velho.

via Superinteressante

Em busca da pele artificial perfeita

A pele é o maior órgão do corpo humano – e também o mais imitado. De fabricantes de telas de celular a cosméticos, todo mundo quer saber os segredos de um tecido que é flexível, resistente e se regenera sozinho por anos a fio.

A criação de uma pele artificial que simula perfeitamente a humana é um campo de muito potencial. Poderia simbolizar o fim do uso de animais para testes de segurança de cosméticos, a cura (ou, ao menos, uma compreensão mais profunda) de uma série de doenças dermatológicas e, finalmente, trazer uma clareza maior sobre os misteriosos fenômenos que causam o envelhecimento do corpo.

Isso não só porque a pele artificial perfeita seria um laboratório perfeito para esse tipo de experimento, mas porque próprio processo de construí-la já revelaria respostas sobre os mistérios que tornam a pele humana tão complexa.

Uma ideia com tamanho potencial, é claro, atrai não apenas os cientistas, mas também a indústria.

Em 1979, alguns pesquisadores da L’Oréal se mudaram para Lyon. Não por acaso: lá ficava um dos grandes hospitais para pessoas queimadas da França. O propósito inicial era descobrir os mecanismos que levam a pele a se regenerar. Aos poucos, foram criadas técnicas para reconstruir a pele. A partir de algumas células humanas doadas, os pesquisadores conseguiram cultivar tecidos inteiros. Eram simples, mas ajudavam a entender o funcionamento da pele humana.

“O propósito era ter uma ferramenta de pesquisa da biologia da pele – e, principalmente, do envelhecimento da pele. A velhice é algo que você precisa aguardar para começar a ver os resultados. Precisávamos de um modelo acelerado da velhice, uma pele em que pudéssemos induzir o envelhecimento para entendê-lo melhor. E, então, encontrar uma forma de prevení-lo”, explica Patrícia Papineau, diretora de Pesquisa e Inovação da empresa na França.

Com o avanço da ciência, a complexidade da pele aumentou: os queratinócitos, que formam 90% da pele humana, não eram só “clonados”, mas também se diferenciavam. Dando o estímulo correto às células, os cientistas reconstruíram as duas camadas da pele, epiderme e derme, em laboratório.

O processo se expandiu de tal forma que virou outra empresa, a Episkin. Em seus laboratórios, a pele reconstruída faz testes de eficácia e segurança para os produtos da L’Oreál, mas também comercializa kits de epiderme para pesquisadores e outras empresas.

A pele reconstruída responde à testes de irritação e corrosão, testando fórmulas em qualquer formato: pó, gel ou creme, por exemplo. Também responde à luz ultravioleta, apontando problemas de pigmentação. Ou seja, a pele bronzeia.

A L’Oréal garante que o método ajudou a substituir os testes com animais para todos os novos ingredientes dos seus produtos. E tem melhores condições de prever os efeitos em uma pele de verdade do que um experimento com ratos, por exemplo, porque usa células humanas.

Mas as aplicações têm limite – e esse limite é a complexidade da pele. Os queratinócitos são 90% dela. Só que os outros 10% incluem folículos capilares, nervos e vasos sanguíneos, conectados a todo o organismo.

Criar todo esse conjunto em laboratório, com células diferentes capazes de interagir e funcionar como em um corpo normal é um desafio gigante. E por isso mesmo exige apoio e parcerias com os mais diversos especialistas.

O cabelo, sozinho, já tem uma estrutura extremamente complexa. Cada folículo capilar tem dentro de si uma série de células tronco e vive em um processo de degeneração e regeneração constantes – e por isso, seu cabelo tanto cai quanto cresce.

Introduzir vasos sanguíneos na pele artificial também é um desafio internacional. Técnicas de impressão 3D e manipulação de células-tronco têm sido tentadas ao redor do mundo – mas nenhum método consistente e reproduzível o suficiente apareceu, por enquanto.

Mas um dos campos com maior avanço atualmente é a adição de células do sistema nervoso à pele artificial. E tem gente fazendo esse trabalho aqui mesmo, no Brasil.

Por aqui, os cientistas do Instituto D’Or, que abriga o banco nacional de células-tronco, desenvolveram técnicas para induzir células de pele adultas a voltar ao seu estado de células-tronco. Essas células “adaptáveis” eram reprogramadas para neurônios sensoriais periféricos, os responsáveis pela sensibilidade da sua pele.

No corpo humano, esses neurônios ficam muito próximos à junção entre a epiderme e a derme. Desde março, o IDOR e os pesquisadores da L’Oréal têm tentando unir os neurônios reprogramados e a pele reconstruída para ver se é possível reproduzir a enervação que ocorre na vida real.

“A pele demora de 17 a 21 dias para ficar pronta. O neurônio 44 dias, mas já começa a ficar funcional a partir do 33º dia. É preciso combinar o tempo de maturação do neurônio e o de diferenciação da epiderme”, explica Rodrigo De Vecchi, pesquisador da L’Oréal do Brasil e um dos coordenadores do programa.

Tudo fica mais fácil porque, graças à parceria entre as instituições, os dois estudos ocorrem em salas vizinhas. “A pele é produzida dentro do próprio laboratório, basta abrir uma porta e juntar os projetos”, explica Vanja Dakic, que também coordena o projeto de pele.

Não basta, é claro, fazer que os dois tipos de célula funcionem juntos. Seus mecanismos precisam representar o que células de um sistema nervoso fariam. Mas os resultados, até agora, são positivos. “Conseguimos ter uma resposta funcional do neurônio. Se damos a ele uma substância que seria irritante, assim como a pimenta tem efeito irritante na língua, por exemplo, ele responde como esperado”, afirma Marilia Zaluar Passos, que coordena a parte neurosensorial do IDOR no projeto.

Ou seja: em um corpo real, esse neurônio iria dar um sinal para o cérebro de que há um agente irritante ali. E o seu cérebro produz a sensação ardida. O neurônio artificial não está conectado ao sistema nervoso, mas mesmo assim ele dá o sinal, produzindo um neurotransmissor chamado de Substância P.

“Tanto a pele quanto o neurônio têm reprodutibilidade interessante separados e respondem bem a estímulos. O desafio agora é fazer essa conexão”, conclui Steven Rehen, co-coordenador, junto à professora Marília.

A adição dos neurônios ao modelo aumenta sua complexidade, torna-o mais parecido com a pele de verdade e permite não só uma quantidade maior de testes quanto mais precisão em cada um deles. A capacidade de prever o efeito de uma substância na pele aumenta, junto com a possibilidade de medir a resposta inflamatória do corpo.

“Obviamente ainda é artificial, é um proxy do que seria um organismo. Mas a pele já é usada para fazer teste de sensibilidade. Será que com os neurônios eu vou tornar aquele tecido mais sensível, como ocorre com a pele real?”, pergunta a pesquisadora.

Para os testes de cosméticos, isso significa resultados mais seguros quanto à irritação, alergia e inflamação da pele. Mas o valor científico dos experimentos é muito maior: só o processo de junção dos projetos já pode oferecer informações preciosas sobre a formação do nosso sistema nervoso e a sua coordenação com outros órgão do corpo.

Da mesma forma, a pele artificial se torna uma estrutura cada vez mais completa para o estudo de mazelas humanas – dos mecanismos por trás das alergias e problemas de pigmentação da pele até a moléstia mais inescapável: a de ficar velho.

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O rosto de Júpiter

O nome dele em proto-indo-europeu, a língua que deu origem a quase todos os idiomas do Ocidente, é “Papai do Céu”. No original, Dyaus Pita. Dyaus (céu) viraria “Zeus” em grego, e essa palavra passou a denominar o chefe do panteão divino dos helênicos. Em Latim, Dyaus virou “Deus”. Os gregos deixaram de lado o Pita (“papai”). Os romanos, não. Por lá, a divindade central continuou chamando Dyaus Pita, ainda que numa versão contraída: Júpiter. Mais tarde, você sabe, o nome migraria para o céu de fato, desta vez para identificar o mais majestoso dos planetas.

E agora. Só agora. O maior de todos do Sistema Solar mostra o seu rosto de verdade. Graças à Juno, a sonda que já está há um ano nos arredores do gasoso. Neste momento, a sonda está dando voltas em Júpiter numa trajetória extremamente elíptica: numa hora, ela se afasta bastante do planetão; depois volta como um bumerangue, passando quase que de raspão pelo pólo-sul jupteriano a cada 53 dias. De raspão mesmo: a sonda chega a apenas 4 mil quilômetros do planeta. Para você ter uma ideia, os nossos satélites de telecomunicações ficam a 35 mil quilômetros da Terra – a Lua, que é logo ali, dez vezes mais do que isso.

Bom, o resultado desses raspões da Juno são imagens inéditas e inesperadas, como esta aí em cima. Elas dão uma cara nova a Júpiter, bem diferente daquela mais conhecida, que mostra as listras do plano equatorial do planetão. Uma cara tempestuosa, diga do deus nervosinho que o batizou.

O pólo sul de Júpiter é uma coleção de tornados sem fim, feitos de neve misturada com amônia. Os maiores têm 1.400 quilômetros de diâmetro – curiosamente, o mesmo tamanho dos ciclones aqui da Terra, apesar de Júpiter ser 11 vezes maior.

(Nasa/NASA)

 

A maior novidade, porém, não vem dessas imagens. A Juno mediu o campo gravitacional de Júpiter, e atestou que o planeta não é exatamente uma bola de gás com um núcleo sólido minúsculo. Tal núcleo é bem maior do que se pensava: tem algo entre 7 e 25 vezes a do nosso planeta e, calcula-se, ela pode ter 70 mil quilômetros de diâmetro – metade do total do planeta (a Terra tem 12 mil).

 

Depois de tudo isso, ainda fica uma expectativa: em julho a Juno vai sobrevoar de perto a Grande Mancha Vermelha – a “tempestade eterna” do tamanho da Terra que assola Júpiter há mais de 300 anos. Certamente o Papai do Céu trará novas surpresas.

 

via Superinteressante

Você já ouviu o barulho que Júpiter faz?

Na sua próxima conversa de bar, quando ter perguntarem qual a coisa mais legal que você escutou ultimamente, a resposta vai ser fácil: “Júpiter”.

Como você já pode saber, em 2011, a Nasa enviou a sonda Juno para o maior planeta de nosso sistema solar. A ideia é que a máquina coletasse a maior quantidade de dados possíveis e enviasse tudo de volta para cá, afim que entendêssemos melhor nosso vizinho colossal. Pois bem, na última quinta ,25, a Nasa revelou suas descobertas e, no meio das fotos e compreensões sobre os tornados jupiterianos, havia um áudio. O robozinho gravou os sons do planetão. Você o ouve abaixo:

Para sermos mais precisos, o som que você está ouvindo é relativo à ionosfera do planeta (região acima da atmosfera). São ondas plasmáticas, ou seja, os sons aparecem conforme os elétrons se movimentam pelos gases de Júpiter.

A Nasa também facilitou para nossa audição. Os sons originais foram emitidos em uma frequência de 150 kHz (acima da frequência perceptível aos humanos, portanto, inaudível pra gente). A agência espacial, então, diminuiu a velocidade da gravação para que pudéssemos apreciá-la. Ainda bem. Jupiter Greatest Hits 2017.

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Os tipos de emprego com mais (e menos) qualidade de vida

O Índice de Qualidade de Vida no Trabalho (IQVT), a ferramenta de medição online de satisfação profissional criada pela Sodexo no começo do ano, trouxe seus primeiros resultados sobre a realidade brasileira.

A partir dos dados de percepção colhidos de mais 3,5 mil pessoas, a Sodexo informa que a nota atual geral de qualidade de vida é de 5,83, sendo 10 o máximo. Medir o seu nível de satisfação no trabalho não leva mais do que cinco minutos, no site da pesquisa.

Esta é a primeira leva de resultados com base em amostra não controlada: pessoas de todos os tipos responderam às perguntas espontaneamente no site da Sodexo.

A ideia é colher novos resultados a cada trimestre. Na divisão por cargo, pessoas em cargos de liderança se mostram mais satisfeitas, e predominantemente têm entre 35 anos e 54 anos, além de nível superior completo e algumas com pós-graduação. Homens são maioria. Confira a tabela:

Cargo Índice de Qualidade de Vida (De 0 a 10)
Presidência/diretoria/gerência/proprietário/dono 6,31
Outros 5,93
Professor 5,9
Coordenação/supervisão/chefe de seção 5,77
Empregado de áreas executivas/administrativas/ financeiras, sem atribuição de chefia 5,56
Empregado de serviços de limpeza e manutenção 5,51
Serviços de apoio administrativo (secretários, recepcionistas, telefonistas) 5,49
Estagiário 5,48
Corretor de imóveis 5,47
Empregado de área de fabricação/operário/operador de maquinário 5,38

Entre as hipóteses que colocam os líderes entre os mais satisfeitos do grupo pesquisado, a remuneração alta e a estabilidade profissional – mais frequentes em cargos de chefia – falam mais alto por se tratar de momento de crise, segundo Fernando Cosenza, diretor de marketing da Sodexo. “Especialmente com o desemprego rondando, não nos surpreende”, diz.

O grupo profissional definido que aparece em seguida é o dos professores. A heterogeneidade da profissão deve ser levada em conta já que há grandes diferenças entre ensino público e privado, por exemplo.

Apesar de o reconhecimento financeiro ser menos frequente na carreira, a interação social e o aprendizado são aspectos bem evidentes do dia a dia de um professor. “Além disso, fora em casos extremos do ensino público, o ambiente de uma escola é, digamos, bom, se você for comparar com o de uma fábrica, uma plataforma de petróleo”, diz o diretor da Sodexo. Professor, diz ele, não dá aula de capacete.

O ambiente, muitas vezes barulhento e com riscos de acidente, é, aliás, uma das hipóteses que pode ter influenciado a percepção negativa de qualidade de vida no trabalho entre profissionais de fábrica, o grupo dos mais descontentes segundo a pesquisa.

“Tem também a questão da dificuldade de transporte já que muitas fábricas são afastadas do centro. Isso implica na questão de saúde e bem-estar”, diz. Com relação a idade, a pesquisa mostra que os mais jovens parece estar sendo as pessoas mais insatisfeitas.

As 6 dimensões da qualidade de vida

Qualidade de vida é uma percepção variável. “Depende de valores de cada um e envolve a expectativa individual”, explica Fernando Cosenza.

Apesar de comumente confundida com felicidade, qualidade de vida não é seu sinônimo. “Com certeza está no caminho da felicidade, mas não é a mesma coisa”, diz o diretor da Sodexo.

A pesquisa definiu cientificamente seis dimensões que compõem a percepção de qualidade de vida para os brasileiros e estabeleceu peso diferente para cada uma delas. “O brasileiro valoriza em maior grau questões ligadas a saúde, conforto e segurança financeira, por exemplo”, diz.

São elas:

Saúde e bem-estar: ligada à promoção de um modo de vida saudável, baseada em alimentação equilibrada e prática de atividades físicas.

Facilidade e eficiência: conjunto de fatores que permitem que o bom trabalho seja feito: processos fluidos, acesso a serviços e pessoas-chave.

Reconhecimento: iniciativas da empresa que têm o objetivo de valorizar e recompensar as pessoas.

Interação Social: tudo que contribui para reforçar vínculos interpessoais e facilitar o acesso à cultura e ao entretenimento.

Crescimento pessoal: tudo que permite que um profissional aprenda e desenvolva.

Este conteúdo foi publicado originalmente em Exame.com

via Superinteressante

Brasileiros criam cérebro feito de xixi para estudar doenças

Imagine se você pudesse estudar minuciosamente um cérebro doente, sem ter de abrir a cabeça de ninguém. Existe uma receita para isso. Os ingredientes são desafiadores: células tronco, doenças neurológicas graves e drogas das mais inusitadas. Agora adicione urina e pronto. Temos a estrutura básica dos minicérebros desenvolvidos no Instituto D’Or, no Rio de Janeiro.

No seu laboratório, o neurocientista Stevens Rehen cria estruturas que imitam os cérebros humanos, ficam doentes (deprimidos, esquizofrênicos, epiléticos) como cérebros humanos e respondem a remédios mais ou menos como o seu cérebro faria.

Isso porque eles são criados a partir de células reprogramadas de gente de verdade. Uma célula adulta, de pele por exemplo, é induzida a voltar ao seu estado de célula-tronco, quase tão adaptável quanto as células de um embrião.

Depois que ficou “maleável”, ela é programada para se tornar um neurônio adulto. E esse neurônio carrega todo o background genético do paciente. Ou seja: se a pele inicial foi tirada de um esquizofrênico, aquele neurônio vai carregar, nos seus genes, marcadores da esquizofrenia.

Mas onde entra o xixi em tudo isso?

O problema é que extrair células de pessoas com doenças graves, mesmo as células banais como a da pele, pode ser difícil. Por conta desses casos especiais, o laboratório se especializou em reprogramar células expelidas na urina.

“Você pega idosos com Alzheimer. Trabalhamos com crianças que têm doenças muito graves. Dependendo do grau, não é uma coisa trivial pegar um pedaço de pele. Já com urina é completamente tranquilo. É muito menos invasivo e traumático”, explica Rehen, que apresentou os estudos do Instituto D’Or no 1º Simpósio de Engenharia Tecidual, organizado pelo Inmetro e pela L’Oréal.

O processo depois disso é o mesmo: uma célula adulta é induzida ao estado de célula-tronco e depois levada a se transformar em neurônio.

Nova psiquiatria

Os pesquisadores do Instituto I’Dor usam os minicérebros programados a partir da urina para como funciona (e como tratar) um tipo de epilepsia chamada Síndrome de Dravet.

Dravet é uma doença genética, que causa convulsões violentas e frequentes em crianças. No Brasil, é uma das doenças ligadas à cannabis medicinal, porque o canabidiol (CBD), presente na maconha, parece ter um efeito poderoso contra as convulsões (assunto abordado pelo documentário Ilegal, o primeiro filme da SUPER).

Ainda que os efeitos do CBD já sejam conhecidos, falta entender mais sobre a droga e sobre a doença para saber, de fato, qual é o mecanismo de ação da maconha sobre o cérebro com Dravet.

É exatamente isso que pesquisadores brasileiros têm feito, no I’Dor e em outros laboratórios. “Reprogramamos células da urina de crianças com Dravet e agora estudamos as substâncias que têm efeito nos minicérebros criados a partir delas”, explica Rehen. “Temos quatro pacientes reprogramados. Podemos testar combinações de compostos presentes na cannabis e chegar a uma formulação personalizada”.

Como o minicérebro reflete o DNA do paciente, o estudo final pode não só apontar os compostos da cannabis com maior potencial de serem usados para remédios, mas também a receita ideal específica para aquela criança estudada.

Esse estudo reflete uma nova tendência na psiquiatria, chamada de Renascença Psicodélica. Há anos não são lançadas formulações totalmente novas de remédios como os antidepressivos – e por isso, os pesquisadores buscam nas drogas tidas como recreativas um potencial terapêutico.

No Brasil, o destaque vai para o ayahuasca, combinação de drogas ligadas a rituais de religião como Santo Daime. Tanto o Instituto D’Or com seus minicérebros quanto o Instituto do Cérebro, no nordeste, estudam o potencial do ayahuasca contra a depressão.

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Força epidêmica

Mas nem só de drogas vivem os minicérebros. Eles também já foram postos à prova durante a epidemia de Zika.

O modelo foi o primeiro a demonstrar, em laboratório, a associação entre o vírus e a microcefalia. “Confirmamos que as células neurais humanas eram infectadas pelo vírus Zika. Mostramos que há uma redução de 30% no crescimento desses minicérebros depois de expostos à doença”, conta o pesquisador.

Em parceria com a Fiocruz e a UFRJ, mapearam as proteínas afetadas no modelo e começaram a testar medicamentos que agissem sobre essas proteínas afetadas. Resultado: chegaram a dois “medicamentos candidatos”, seguros para uso em mulheres grávidas, que indicavam um potencial para reduzir os prejuízos do Zika.

“A questão não é apenas o vírus. E sim demonstrar que a plataforma pode ser utilizada para outras situações, outras doenças e já está disponível no laboratório”, conclui Stevens. E nem é preciso sair do território nacional.

via Superinteressante

7 passos para ser mais eficiente

1. Registre todas as coisas que você precisa resolver

Boa parte do nosso stress está ligado ao excesso de pendências – as tarefas que ficam só na sua cabeça, sem jamais serem resolvidas no mundo real. De fato, estudos comprovam que nosso cérebro tem capacidade limitada para gerenciar (e lembrar de) compromissos. A lógica é parecida com a de um computador que está com muitos programas abertos – ele fica sobrecarregado e perde desempenho.

Para se livrar dessas pendências, o primeiro passo é registrá-las. Faça isso da forma que achar melhor: num aplicativo, num caderno, em um arquivo do Word. O importante é que esse registro respeite algumas exigências:

– Você precisa ser capaz de encontrá-lo rapidamente e sempre. Não adianta salvar em uma pasta obscura de um computador que você mal usa, por exemplo. O ideal é que esse arquivo seja acessível em qualquer lugar e esteja em um local confiável e seguro, para que não corra o risco de perdê-lo.

– Ele precisa ser facilmente compreendido. Você precisa poder ler e saber do que se trata; logo, é necessário algum nível de detalhamento na descrição da pendência.

– Ele precisa estar organizado. Ter suas pendências todas em um só local já pode ser de grande ajuda, mas você continuará sem saber por onde começar se tudo estiver desorganizado.

– Ele precisa estar atualizado. Mesmo que você tenha parado para organizar sua vida por um momento, inevitavelmente continuará recebendo novas demandas – sejam pedidos de seu chefe, seja um newsletter que você gosta de ler com regularidade. Bote também as pendências novas no arquivo.

 

2. Classifique as pendências e defina as ações necessárias

Depois de reunir tudo que estava incomodando você em um só lugar, é hora de definir o que fazer com cada coisa. Elas demandam algum tipo de ação neste momento? Se a resposta for não, há alguns cenários possíveis:

Não há o que fazer com essa pendência.

Se você avaliou sua lista e viu que essa pendência é inútil e não vai exigir nenhuma ação sua, nem agora nem no futuro, jogue-a fora. Pode ser o caso, por exemplo, daquelas centenas de newsletters que você acumulou, mas que sabe que jamais terá tempo para ler. Ou daqueles jornais que guardou para ler depois, mas que já ficaram amarelados.

– Você não precisa tomar nenhuma ação neste momento, mas pode ser que precise no futuro.

Este pode ser o caso de um projeto pessoal que está parado aguardando investimento, de um livro que você quer ler algum dia ou daquelas pendências que não precisam ser resolvidas agora. As coisas que estão nesta categoria devem ser guardadas para depois em uma lista específica de tarefas em espera.

– Não é necessária nenhuma ação, mas trata-se de uma informação útil de que precisarei no futuro.

Pode ser aquele link com um texto interessantíssimo que te marcou muito ou o material de um curso que você quer aplicar em seu trabalho. Neste caso, separe-a em outra pilha: a do seu acervo de referências.

A forma como irá guardar e organizar essas referências vai depender de você. No próximo capítulo, trago algumas sugestões de ferramentas que podem ajudar.

– Pendências que exigem ação.

Tarefas que exigem uma ação devem ser divididas em dois grupos: aquelas que demandam uma ação simples e aquelas que envolvem múltiplos passos. Em relação às pendências que envolvem uma ação simples para a sua conclusão (como um e-mail que você precisa responder ou a mesa de trabalho caótica que você precisa arrumar), pergunte-se: qual é essa ação? Ela pode ser resolvida em menos de dois minutos? Se a resposta for sim, faça e tire logo esse item da sua lista.

Se a resposta for não, verifique antes se você é mesmo a pessoa certa para resolver isso. Se não for, delegue para quem possa fazer. Se for, você tem duas opções: definir uma data para resolvê-la, marcando esse compromisso em um calendário, agenda ou mesmo um post-it, ou colocá-la em uma lista de “próximas ações”.

Para as pendências mais complexas, você precisará parar para refletir um pouco mais. Em um sistema de organização eficiente, não é possível ter uma lista de afazeres com itens genéricos, como “escrever meu livro”. Isso não ajuda nada: você não tem uma visão do que é preciso realmente ser feito e, portanto, é incapaz de estimar quanto trabalho tem pela frente. Além de tudo, isso aumenta sua ansiedade e pode atrapalhar toda a organização do seu dia, já que você perderá tempo tentando descobrir por onde começar e se frustrará ao descobrir que sua previsão de entrega não era realista.

Portanto, divida essa pendência em ações simples e faça com elas o mesmo que fez com as outras: coloque-as em um calendário ou em sua lista de próximas ações.

 

3. Estabeleça suas prioridades

Ao terminar o processo anterior, você provavelmente estará com quatro listas. Duas delas não demandam ação (a lista de itens em espera mais a de referências); e as outras duas demandam (a lista de próximas ações e o calendário com ítens agendados).

É bem possível que, embora tenha se livrado de várias pendências, você esteja um pouco assustado com a quantidade de coisas que tem para resolver. Isso é normal: você só deu uma ajeitada na bagunça. Para resolvê-la de fato, é preciso entrar em um processo mais profundo de organização do seu dia. Uma forma de começar é priorizando algumas tarefas.

Reveja suas listas de ações e selecione aquelas que são mais urgentes. Se sobrar espaço, inclua as tarefas que envolvam objetivos importantes também. Há muitos itens com essa classificação? Se sim, você precisará fazer escolhas e talvez tenha de abrir mão de alguma coisa.

Precisei fazer isso quando estava na reta final deste livro: embora quisesse me dedicar mais ao meu curso de filosofia, aceitei que, por pelo menos um mês, teria de deixá-lo de lado. Troquei as aulas e as leituras pelo trabalho no livro e me programei para correr atrás do conteúdo perdido no mês seguinte. Como dá para perceber, o “abrir mão” pode ser algo temporário.

(Stephanie Frey/iStock)

4. Estime o tempo que as tarefas levarão

Tendo mais clareza sobre quais são as ações em que você precisa se empenhar primeiro, é hora de estimar quanto tempo, aproximadamente, cada uma delas exigirá. Se não souber fazer isso, pergunte para outras pessoas que já fizeram a mesma tarefa, pesquise na internet, quebre-a em pequenos passos e descreva-os detalhadamente para que possa ter uma ideia melhor de quanto tempo cada um deles deve durar.

Sei por experiência própria que é ainda mais difícil fazer isso com tarefas criativas. Nesse caso, tente estipular um limite de tempo que você está disposto a usar para a sua conclusão e não deixe que ela tome todo o seu dia. Tendo ultrapassado esse limite, você partirá para outra atividade.

 

5. Organize suas ações em um planejamento semanal ou quinzenal

Muitas pessoas planejam suas atividades diariamente, fazendo uma lista de afazeres todo dia de manhã. Isso é útil, mas mantém você focado no curto prazo – e quando pensamos só no que é mais imediato corremos o risco de deixar de lado o que é importante. Ou seja, ficamos apenas nas atividades urgentes. Isso também nos atrapalha de ter uma visão do todo para monitorar o andamento de projetos maiores.

O ideal é que a sua lista diária de atividades seja parte de uma programação semanal ou quinzenal que leve em conta suas prioridades e quanto tempo cada uma das suas ações deve durar. Você pode definir um objetivo principal para esse período de tempo – e isso, sim, poderá envolver algo mais geral e abstrato, como “finalizar meu livro”, “tirar o atraso das leituras da faculdade” ou “me dedicar mais aos meus amigos”.

Ao fazer sua programação, não se esqueça de reservar tempo suficiente para o descanso e o lazer, bem como de deixar espaço para imprevistos. E use todo o conhecimento que você tem de si mesmo para fazer algo realista. Respeite seus horários mais e menos produtivos do dia, por exemplo. Se sua criatividade está em alta pela manhã, concentre suas tarefas mais complexas nessa hora e deixe as reuniões e outras atividades burocráticas para quando seu nível de energia estiver baixando.

(Martin Barraud/iStock)

6. Seja constante

Esse é clichê, mas merece ser repetido: não espere pela visita espontânea da motivação, concentração e criatividade para começar seu trabalho. Fazer isso seria deixar o caminho livre para a procrastinação. Force-se a começar na hora que definiu para começar e vá em frente. A constância é essencial para o nascimento do hábito.

 

7. Saiba quando parar

Vamos abordar a questão dos limites na próxima seção, mas cabe adiantar a dica: respeite seus limites e aprenda a reconhecer os sinais que seu corpo dá quando estiver realmente cansado. Virar noites trabalhando e não parar nem para almoçar com calma podem dar a impressão de que você está fazendo muito. Mas não fazem de você uma pessoa mais produtiva a longo prazo: ao trabalhar no limite da energia, você vai demorar mais para terminar as tarefas.

 

via Superinteressante

O Mr. Robot da vida real

Se um dia você for preso em uma cadeia americana, e estiver planejando fugir, tem um jeito de fazer isso sem cavar túnel nem nada. Basta sair pela porta da frente. Mas, claro: você vai precisar de uma ajudinha de alguém de fora. Primeiro, alguém que use uma conexão bluetooth para hackear o computador de bordo de uma viatura que faça parte da frota do seu presídio. Se o hack der certo, uma linha de código pode ficar escondida na memória da máquina. Quando a viatura se aproximar da penitenciária, o computador de bordo vai se conectar automaticamente com a rede de Wi-Fi da penitenciária. Nisso, o código escondido consegue “pular” para dentro da central da prisão.

O código maroto, então, dá uma ordem para a central: abrir todas as celas e portões. Se a ação for em massa, dificilmente os guardas conseguirão segurar todo mundo. É só não dar bobeira que você estará de volta às ruas. Parece coisa de Hollywood… E é.

O processo todo passou na série Mr. Robot. Mas o hackeamento não é completamente fictício. Em tese, ele funcionaria em prisões americanas da vida real – com a diferença de que não é tão simples criar códigos que abrem portas de cela de segurança máxima. Mas vamos dar o desconto: a precisão técnica de Mr. Robot é um artigo raro no mundo do entretenimento. E o responsável por isso é o programador Kor Adana, que ocupa o cargo de roteirista e consultor tecnológico do programa; em outras palavras, ele recebe para bolar hacks inacreditáveis, completamente ilegais – e funcionais.

O trabalho de Kor é tão complexo quanto seus hacks. Ele precisa tornar críveis até os momentos mais irreais, quando o assunto é tecnologia e anarquismo. Isso porque a trama de Mr. Robot gira em torno de Eliot, um jovem e perturbado analista de segurança digital que se vê no meio de uma empreitada hacker com objetivo tão sinistro quanto complexo: apagar os servidores que mantêm os registros financeiros do mundo todo. Eliot quer fazer com que o planeta inteiro acabe com $ 0,00 na conta bancária, de modo a eliminar a desigualdade.

Claro que ele conta com artifícios de roteiro para tornar essa empreitada, impossível no mundo real, plausível no mundo virtual – na série, todos esses dados são armazenados por uma única empresa, facilitando um pouco o processo. Mas só um pouco. “Fazer isso com uma abordagem realista, que poderia de fato acontecer, é a minha luta diária”, conta Kor. “Todo tipo de ato destrutivo é conversado entre os roteiristas, mas há sempre uma noção de que, quando alguém aparece na sala com alguma ideia, eu que tenho que dizer `olha, você não sabe exatamente como fazer isso, esses são os passos necessários¿, ou simplesmente falar que seria impossível.”

ALT+/AJUDA

Vingança dos nerds

Tal preciosismo pode parecer exagero, já que algo bem além de 99% do público é incapaz de compreender programação avançada. Mas não. Mr. Robot tem como objetivo conquistar o público mais nerd possível. E isso já é uma revolução em si. “Você tem que ir contra anos de indústria que vêm construindo uma ideia errada. Ninguém nunca ligou, ninguém nunca se importou”, afirma.

Para atingir o nível de precisão que considera satisfatório, Kor testa os macetes com uma equipe própria de hackers, e foca em detalhes inéditos. “Cada linha do código que aparece nas telas da série é correta. Depois de escrevê-las, treinamos com os atores, para que eles teclem de maneira certa e sincronizada. Ninguém ali está apertando um botão que não é o certo”, conta.

“A gente só pode mostrar as telas com linhas por alguns segundos, por conta do tempo. E eu preciso ter certeza que tudo que eu mostrar são as coisas mais importantes e interessantes daquele hack em questão. Não dá para contar todos os passos, mas – pessoalmente -, eu adoraria.”

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Histórico

(Kor Adana/Divulgação)

“Kor Adana” é um nome artístico. O nome dele, de origem turca, é Korhan Gurocak. E Korhan, praticamente, nasceu hacker. A coisa toda começou quando ele ainda era adolescente, na Detroit dos anos 1990. Kor descobriu como funcionava um orelhão: cada moeda inserida no aparelho resultava em um som que era transmitido para a operadora telefônica. A combinação correta dos sons, que equivalia ao custo da ligação, dava o sinal verde, e a linha era liberada. Ótimo. Kor, então, construiu um dispositivo que imitava o barulho das moedas, na frequência exata, enganando o telefone – o que lhe rendia chamadas infinitas, para qualquer lugar do mundo.

Kor não inventou isso – Steve Jobs também começou a carreira hackeando telefones para fazer chamadas de graça, junto com o amigo Steve Wozniak. Diferentemente da dupla de fundadores da Apple, Kor seguiu pelo caminho hacker, mas não exatamente no Lado Escuro da Força. Cursou segurança de redes na universidade e começou a trabalhar na Toyota fazendo testes de penetração em sistemas. Exatamente como o Eliot de Mr. Robot, seu trabalho era proteger grandes empresas.

Depois de quase seis anos trabalhando com TI, ele resolveu explorar sua outra paixão: escrever. Kor saiu da Toyota em 2012 e começou a trabalhar como roteirista em produtoras até que, em 2014, caiu dentro da televisão pública americana USA Network como assistente de diretor executivo da série médica Rush. Não rolou, a série foi cancelada e, no fim do mesmo ano, o recolocaram em outra série do mesmo canal, o então embrionário Mr. Robot, também como assistente.

Foi aí que veio a sorte grande. Sam Esmail, o diretor, soube que Kor tinha um background com tecnologia, e concluiu que Kor deveria ser mais do que um mero assistente. O programador, então, foi promovido ao cargo que tem hoje: consultor de tecnologia e membro do time de roteiristas. E deu bem certo. A equipe da série já foi indicada para seis Emmys (levando dois deles) e a cinco Globos de Ouro (garantindo outros dois).

CTRL+C

Mr. Robot tornou-se uma série umbilicalmente ligada à comunidade hacker, com Kor Adana no papel de cordão umbilical. Muitas das técnicas mostradas nasceram em conferências – a própria cena da cadeia veio de um encontro anual de programadores, a DEF CON. Como contrapartida, Kor espera que a série ajude a mudar a imagem dos hackers. “Há um estigma muito grande, tentamos deixar claro que nem todos os hackers querem ver o mundo pegar fogo”, diz. E que nem todos os hackers são como o senso comum imagina. O elenco de Mr. Robot é especialmente plural, com hacker mulher, hacker muçulmano, hacker transexual. Kor assina embaixo: “Gostaria de inspirar mulheres a mexerem com tecnologia”.

via Superinteressante