Samsung Galaxy A7: abram alas para a câmera tripla

O Samsung Galaxy A7 (2018) é um smartphone que, nas lojas, provavelmente vai fazer interjeições como “eita” e “peraí” serem frequentes. Tudo porque, em vez de uma ou duas, ele traz três câmeras na traseira. Boa ideia ou exagero?

A ideia é recente, mas não inédita. O topo de linha Huawei P20 Pro, por exemplo, também é conhecido pela tripla câmera traseira. Só que, ao contrário do modelo chinês, o smartphone da Samsung é um intermediário premium. Sua ficha técnica inclui uma tela de 6 polegadas, processador octa-core Exynos 7885 e 4 GB de RAM.

Como o Galaxy A7 se comporta no dia a dia? O desempenho é decente? A bateria tem boa autonomia? Aquele “semáforo” na traseira faz mesmo alguma diferença? Eu usei o aparelho por duas semanas. Se você quiser saber o que eu descobri sobre ele, é só me acompanhar nas próximas linhas.

Em vídeo

VIDEO

Design

O Galaxy A7 testado aqui tem tampa e laterais de plástico, mas com um revestimento metalizado que chama muita atenção por seus reflexos. Eu prefiro uma aparência mais sóbria ou tradicional, mas reconheço que essa versão em azul é muita bonita, mesmo.

Tamanho cuidado com o visual é reforçado com uma camada de vidro que cobre a traseira, mas sem alcançar as laterais. O efeito é interessante, a despeito do risco de um desastre acontecer com esse vidro se o celular cair no chão.

Além desse azul bonitão, o Galaxy A7 está disponível e preto e cobreAlém desse azul bonitão, o Galaxy A7 está disponível e preto e cobre

Além desse azul bonitão, o Galaxy A7 está disponível em preto e cobre

Ainda bem que a pegada é boa o suficiente para diminuir os riscos de queda. As curvaturas das laterais combinam com a boa aderência da traseira para permitir que você segure o aparelho com firmeza, sem medo de deixá-lo escapulir da mão.

Mas há outro detalhe que chama atenção aqui: além dos controles de volume, a lateral direita abriga o leitor de impressões digitais, que também faz o papel de botão de liga / desliga. É uma solução que, por muito tempo, esteve presente nos smartphones da Sony, como o Xperia XZ e, mais recentemente, foi incorporada ao Moto Z3 Play.

Não precisa pressionar o botão: basta tocar no leitor de digitais que o Galaxy A7 é desbloqueadoNão precisa pressionar o botão: basta tocar no leitor de digitais que o Galaxy A7 é desbloqueado

Não precisa pressionar o botão: basta tocar no leitor de digitais que o Galaxy A7 é desbloqueado

Eu gosto dessa posição porque dá para desbloquear o aparelho com o polegar ao segurá-lo com a mão direita ou com o indicador se você pegá-lo com a mão esquerda. Mas ela tem uma pequena desvantagem: se o celular estiver sobre uma mesa, você vai ter que levantá-lo para conseguir desbloqueá-lo.

No lado esquerdo, sozinha, está a gaveta para os dois SIM cards e o microSD (de até 512 GB). Nada de abordagem híbrida aqui. Você pode usar os três chips ao mesmo tempo.

Samsung Galaxy A7 2018Samsung Galaxy A7 2018

Além de não trazer porta USB-C, o A7 não tem certificado contra água e poeira

Quando eu olhei para a lateral inferior, eu soltei uma “eba” e um “ué”. Um “eba” porque o smartphone tem conexão para fones de ouvido. Um “ué” porque o Galaxy A7 vem com porta micro-USB em vez de USB-C. Não tem nada de errado com ela, tudo funciona com tem que funcionar. Mas acho que não faz sentido insistir em um padrão que está sendo substituído.

Tela

As bordas são um tanto generosas, é verdade, mas a tela do Galaxy A7 não chega a ser ruim por causa disso. O painel é um Super AMOLED de 6 polegadas com resolução de 2220×1080 pixels (FHD+) e proporção 18,5:9. Como todo painel do tipo, temos cores vívidas aqui, mas não excessivamente saturadas, além de ótima visualização sob ângulos variados.

Me incomoda muito que smartphones como Galaxy J4 e Galaxy J8 não tenham sensor de luminosidade, mesmo sendo modelos lançados em 2018. Felizmente, a Samsung não cometeu esse deslize aqui (até porque a linha Galaxy A não costuma ser tesourada nesse quesito).

O Galaxy A7 tem sensor para ajuste automático de brilho e o faz de modo preciso. No entanto, eu achei a regulagem automática um pouco demorada. Pelo menos o brilho máximo é intenso o suficiente para o conteúdo da tela ser visualizado mesmo sob incidência direta de luz solar.

Software

É interessante como a Samsung conseguiu domar o seu software. Anos atrás, até ateu fazia o sinal da cruz quando ouvia o nome TouchWiz. Tudo mudou para melhor. Hoje chamada de Samsung Experience, a interface da companhia sul-coreana é tão padronizada que a gente já sabe o que vai encontrar nela, independente do aparelho: menus organizados, estabilidade e uma boa gama de recursos próprios.

Entre esses recursos próprios está o Dual Messenger (permite que você use duas contas do WhatsApp ou outro mensageiro), o Pasta Segura (protege apps e arquivos selecionados) e o Bixby, se bem que só nas versões Home (exibe cards de informações) e Vision (usa a câmera para reconhecer textos e objetos).

No app de câmera, a gente também encontra o AR Emoji, um modo que cria um avatar tridimensional do seu rosto e que apareceu no Galaxy S9 e no Galaxy Note 9. É um penduricalho que, para mim, tem relevância zero, mas que deve ter lá seus adeptos.

Dada a data de lançamento no Brasil — novembro de 2018 —, eu só torcia por uma versão mais recente do sistema operacional: o Galaxy A7 testado neste review veio com o Android 8.0 Oreo.

Câmeras: três sensores para te fotografar melhor

A tripla câmera traseira tem algo de excêntrico, mas a ideia não deixa de seguir uma linha de coerência. A câmera do meio é a principal e, como tal, conta com sensor de 24 megapixels e lente com abertura f/1,7. A câmera mais acima possui apenas 5 megapixels e abertura f/2,2, mas, tendo uma lente de profundidade, trabalha em conjunto com a principal para gerar fotos com fundo desfocado.

Temos, por fim, a terceira câmera: ela tem 8 megapixels e abertura f/2,4. A sua função é fazer mais informação caber na imagem. Para isso, ela vem com uma lente grande angular de 120 graus.

É uma ideia interessante. O Zenfone 5Z e o LG G7 ThinQ têm uma proposta parecida. Você pode usar a lente grande angular para fazer mais gente aparecer em uma foto de galera ou brincar com enquadramentos diferentes.

Por conta da amplitude da lente, a imagem ficar distorcida perto das bordas. Não vejo isso como um defeito, mas como uma característica que, por não ser usual, consegue dar um aspecto mais artístico para a imagem, digamos assim.

Na qualidade das imagens, os resultados não decepcionam, não. De modo geral, as fotos têm baixo nível de ruído, boa coloração e pouca perda de definição em condições favoráveis de iluminação.

Foto registrada com o Galaxy A7 2018Foto registrada com o Galaxy A7 2018

Com a grande angular

Foto registrada com o Galaxy A7 2018Foto registrada com o Galaxy A7 2018

Com a grande angular

Foto registrada com o Galaxy A7 2018Foto registrada com o Galaxy A7 2018

Com a grande angular

Esses parâmetros decaem um pouco em ambientes fechados ou com luminosidade reduzida por conta dos esforços do pós-processamento para compensar áreas escuras e reduzir ruídos, mas não a ponto de estragar as imagens. Com um pouquinho de esforço, você consegue registrar imagens bastante interessantes.

Nas cenas noturnas, por exemplo, pontos luminosos podem ficar estourados e paredes claras tendem a assumir um aspecto lavado. Mas, de novo, é o pós-processamento trabalhando para reduzir o ruído. É preciso ter em mente também que a câmera com a grande angular vai entregar resultados mais pobres.

Apesar de os resultados não ficarei perfeitos, eles são agradáveis. A câmera principal conta com uma técnica de pixel binning que combina quatro pixels para formar um e, assim, clarear fotos registradas em ambientes escuros ou dar mais nitidez.

Provavelmente, é isso o que deixa as imagens noturnas interessantes. O problema é que, com baixa luz, o disparo pode ser demorado, portanto, prepara-se para tentar duas ou três vezes para conseguir uma foto que não sai tremida.

Foto registrada com o Galaxy A7 2018Foto registrada com o Galaxy A7 2018

Com a grande angular: note que a definição cai bastante

E, sim, a câmera de 5 megapixels facilita bastante o registro de imagens com fundo desfocado. Tudo o que você precisa fazer é ativar o modo Foco Dinâmico e, em uma barrinha, ajuste o nível de desfoque. Dá para fazer isso inclusive depois de tirar a foto. Note, porém, que esse modo só vai funcionar em ambientes claros.

Com a grande angular: note que a definição cai bastanteCom a grande angular: note que a definição cai bastante

Com desfoque de fundo

Quanto ao modo HDR, ele vem configurado como automático no app de câmera. Eu recomendo que você o mantenha assim: na maioria das vezes, ele cumpre com precisão a missão de deixar em evidência áreas escuras das fotos sem prejudicar os pontos mais claros. A única ressalva é que, em determinadas circunstâncias, a saturação pode passar do ponto. Não muito, mas pode.

Foto registrada com o Galaxy A7 2018Foto registrada com o Galaxy A7 2018

Com HDR

Foto registrada com o Galaxy A7 2018Foto registrada com o Galaxy A7 2018

Sem HDR

Não podemos nos esquecer da câmera de selfie. Ela tem 24 megapixels, abertura f/2,0 e flash LED, além de também de usar uma técnica de pixel binning para melhorar a qualidade da foto deixando-a mais clara.

Mas não se deixe impressionar: a câmera frontal faz bons registros, inclusive com fundo desfocado, mas o pós-processamento pode errar na dose na tentativa de amenizar as imperfeições e, assim, te deixar uma aparência visivelmente não natural. Curiosamente, desativar o modo de embelezamento nem sempre resolve.

Ah, e você pode usar a câmera frontal para fazer desbloqueio via reconhecimento facial. Funciona até se você estiver em um local com iluminação apenas razoável. E o procedimento é rápido, me pareceu que até mais que o desbloqueio por impressão digital.

Hardware e bateria

O processador do Galaxy A7 é o Exynos 7885, da própria Samsung. Não é um chip novo no pedaço: ele também equipa o Galaxy A8, que foi lançado no Brasil no primeiro trimestre de 2018. Trata-se de um chip com dois núcleos Cortex-A73 de 2,2 GHz de alto performance e seis núcleos Cortex-A53 de 1,6 GHz para tarefas mais simples, além de GPU Mali-G71, 4 GB de RAM e 64 GB para armazenamento de dados.

Ele concorre com a série 600 da Qualcomm, com o Snapdragon 636 provavelmente aparecendo como o rival mais próximo em termos de desempenho. Nesse quesito, o Galaxy A7 se saiu bem: não notei travamentos em apps ou lentidão na execução deles.

Em contrapartida, você percebe que este é um processador intermediário porque, apesar de ele fazer o seu trabalho com consistência, não é difícil notar uma leve demora na abertura de aplicativos e no multitarefa. Deixando o Spotify executando em segundo plano, por exemplo, ele demorava um pouquinho para vir para o primeiro.

Desempenho no AnTuTu 7.1.1, Geekbench 4.3.1 e 3DMark 2.0Desempenho no AnTuTu 7.1.1, Geekbench 4.3.1 e 3DMark 2.0

Desempenho no AnTuTu 7.1.1, Geekbench 4.3.1 e 3DMark 2.0

Que fique claro que não é uma limitação que prejudica a experiência. Bom, a não ser que você exija demais do aparelho. Jogando Unkilled, por exemplo, houve uma queda na taxa de frames com os gráficos no máximo. Mas nada de drama: é só deixar essas configurações em médio ou automático e fica tudo certo.

Com seus 3.300 mAh, a bateria deve permitir que você mantenha o celular pelo menos um dia inteiro distante de uma tomada. Pelo menos é o que os testes sugerem: foram três horas de vídeo com brilho máximo na tela, quase meia hora de Unkilled, uma hora de Spotify via alto-falante, uma hora e meia de redes sociais e Chrome, e uma chamada de 10 minutos.

Tudo isso ao longo de um dia, com carga inicial em 100%. Por volta das 21:00, a bateria ainda tinha 33% de capacidade. Na recarga, precisei de 2h20min para ir de 3% para 100% — o dispositivo é acompanhado de um carregador convencional, sem suporte a recarga rápida.

Enquanto rolava o teste de bateria, eu aproveitei para prestar atenção no alto-falante. A Samsung destaca que o smartphone conta com tecnologia Dolby Atmos, “que fornece um som que se move ao redor do usuário”. Na prática, esse efeito faz diferença apenas com fones de ouvido. A saída de áudio em si é comum, com som claro até, mas volume que não é dos mais altos.

Conclusão

O grande trunfo do Galaxy A7 2018 é mesmo a câmera tripla na traseira. Não que essa característica seja essencial: dá para fazer fotos com fundo desfocado e mais campo de visão usando apenas uma combinação de duas câmeras, ainda que dentro de alguma limitação, a exemplo do já citado LG G7 ThinQ. Por conta disso, acho pouco provável que estejamos diante de uma tendência.

Aqui, o diferencial fica por conta de uma experiência um pouco mais rica com fotos. Não que os resultados se aproximem das imagens que smartphones como Galaxy S9Galaxy Note 9 são capazes de registrar, mas ao menos o usuário tem aqui mais possibilidades com as câmeras do que normalmente consegue com smartphones intermediários.

Combinando essa característica com o desempenho decente (mas não excepcional), a tela com boa qualidade de imagem (é difícil errar com um painel Super AMOLED) e um visual que é de encher os olhos (pelo menos na versão azul), temos um modelo bem equilibrado.

Ele não é perfeito em todos os parâmetros — senti falta de um acabamento mais robusto e de proteção contra água e poeira, por exemplo —, mas cumpre a sua missão nos aspectos mais importantes.

Para variar, os preços é que esfriam as expectativas: oficialmente, o Galaxy A7 custa R$ 2.199 (existe uma versão com 128 GB de armazenamento que sai por R$ 2.499). É um valor que faz o bolso reclamar — e não há apelo de três câmeras que amorteça o impacto.

Para quem se interessou pelo modelo, o truque aqui é o de sempre: esperar pelos descontos. Quem acompanha o mercado de smartphones no Brasil sabe que os preços da linha Galaxy não demoram muito a cair no varejo. Não deve ser diferente com o A7.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 3.300 mAh;
  • Câmeras: traseira tripla de 24 + 5 + 8 megapixels; frontal de 24 megapixels;
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, GLONASS, Bluetooth 5.0, micro-USB, NFC, rádio FM;
  • Dimensões: 159,8 x 76,8 x 7,5 mm;
  • GPU: Mali-G71;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 512 GB;
  • Memória interna: 64 GB (existe uma versão com 128 GB);
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 168 gramas;
  • Plataforma: Android 8.0 Oreo;
  • Processador: octa-core Exynos 7885 de 2,2 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, luminosidade, bússola, impressões digitais;
  • Tela: Super AMOLED de 6 polegadas com resolução de 2220×1080 pixels (411 PPI).

via Tecnoblog

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