Google e Mozilla divergem sobre Microsoft Edge adotar base do Chrome

O Microsoft Edge vai usar o Chromium, base de navegadores como Chrome e Opera, a partir de 2019. Ele poderá ser instalado no Windows 7 e Windows 10, e terá suporte às extensões do Chrome. O Google e a Opera apoiam a mudança, enquanto a Mozilla diz que isso “entrega ainda mais controle da vida online para o Google”.

O Google vê a adoção do Chromium no Edge como algo positivo. É algo esperado, já que a empresa criou o navegador de código aberto há dez anos. A Opera diz que a Microsoft está seguindo seus passos (ela fez o mesmo em 2012). Enquanto isso, a Mozilla acredita que essa decisão “dá ao Google mais capacidade de decidir sozinho quais possibilidades estarão disponíveis para cada um de nós”.

“O Chrome vem sendo um defensor da web aberta desde o início, e damos boas-vindas à Microsoft na comunidade de colaboradores do Chromium”, diz o Google ao VentureBeat. “Estamos ansiosos para trabalhar com a Microsoft e a comunidade de padrões da web para promover a web aberta, apoiar escolhas ao usuário, e proporcionar excelentes experiências de navegação.”

“Percebemos que a Microsoft parece estar seguindo os passos do Opera”, diz um porta-voz. “Mudar para o Chromium é parte de uma estratégia que o Opera adotou com sucesso em 2012. Essa estratégia foi proveitosa para nós, permitindo nos concentrar em trazer recursos exclusivos para nossos produtos.”

Mozilla: decisão da Microsoft pode ser prejudicial

Para a Mozilla, a decisão da Microsoft pode dificultar a existência do Firefox no futuro. O CEO Chris Beard explica no blog oficial:

Se um produto como o Chromium tem participação de mercado suficiente, torna-se mais fácil para desenvolvedores e empresas da web decidirem não se preocupar se seus serviços e sites funcionam com algo diferente do Chromium. Foi o que aconteceu quando a Microsoft detinha o monopólio de navegadores no início dos anos 2000, antes de o Firefox ser lançado. E isso pode acontecer novamente.

Os navegadores baseados no Chromium já representam 76% dos acessos no desktop, segundo o StatCounter; isso inclui o Opera, UC Browser e Vivaldi, além do próprio Google Chrome. Esse valor pode ultrapassar os 80% quando o Microsoft Edge entrar na lista.

Enquanto isso, a participação do Firefox não para de cair; ele tem 9,1% atualmente em desktops (contra 12% há um ano). Em celulares e tablets, sua presença é de míseros 0,4%.

O CEO da Mozilla escreve: “competimos com o Google não porque esta seja uma boa oportunidade de negócio. Competimos porque a saúde da internet e a vida online dependem da concorrência e da escolha”.

Essa é uma disputa difícil porque “o Google está muito perto de controlar quase completamente a infraestrutura de nossas vidas online”, diz Beard. A empresa tem o domínio das buscas, publicidade, smartphones e captura de dados; ela possui “funcionários altamente talentosos e uma participação monopolista em ativos exclusivos”.

A Microsoft diz que adotou o Chromium para melhorar a compatibilidade com os sites e reduzir a fragmentação para desenvolvedores web. Ela abriu as inscrições do programa Edge Insider para quem quiser testar, no ano que vem, o navegador baseado no Chromium. Você pode se cadastrar aqui para receber novidades.

Com informações: VentureBeat, Mozilla.

Tecnocast 070 – É o fim da guerra dos browsers?

Em um passado muito distante (pelo menos em anos de internet), um dos passatempos preferidos dos aficionados por tecnologia era testar vários navegadores diferentes e torcer pela dominância do seu predileto. Navegador (assim como antivírus e sistema operacional) era como time de futebol: você escolhia um e o defendia até o fim.

Mas, segundo Andreas Gal (ex-CTO da Mozilla), esses tempos ficaram para trás. O Chrome não só venceu, como é bem possível que todos os seus concorrentes estejam mortos em dois ou três anos (menos o Safari). Será? Dá o play e vem com a gente!

via Tecnoblog

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