Facebook teria discutido venda de dados de usuários em e-mails, segundo jornal

De acordo com o The Guardian, e-mails internos obtidos pelo Parlamento do Reino Unido sugerem que rede social discutiu propostas neste sentido entre 2012 e 2013


Em 2012, funcionários do Facebook chegaram a discutir a venda de acesso aos dados dos seus usuários para grandes anunciantes, apontam e-mails internos liberados nesta semana pelo parlamento do Reino Unido. Cerca de dois anos depois disso, a prática acabou sendo restringida pela rede social, conforme informações publicadas em reportagem sobre o assunto pelo The Guardian

De acordo com o jornal britânico, as mensagens em questão foram obtidas no mês passado por um comitê da Câmara dos Comuns daquele país – os conteúdos tinham sido revelados originalmente como parte de um processo do Facebook contra a desenvolvedora americana Six4Three. 

Entre outras coisas, os e-mails, que não trazem muito contexto ou continuidade, segundo o Guardian, mostram até mesmo o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, discutindo a possibilidade de vender os dados de usuários por receita, marcas valiosas ou pagamentos em dinheiro.

Em e-mails para funcionários, o executivo fala sobre as propostas para usar as informações para obter ganhos, como maior gasto com publicidade por parte de clientes. “Às vezes, a melhor maneira de habilitar as pessoas a compartilharem algo é ter um desenvolvedor criando um app ou rede específico para esse tipo de conteúdo e então tornar esse app social ao fazer o Facebook se conectar com ele”, teria afirmado Zuckerberg em uma das mensagens. 

Além disso, os e-mails também mostram outras supostas práticas controversas da gigante de tecnologia, incluindo usar um app de VPN chamado Onavo, comprado em 2013, para coletar informações sobre usos de apps em iPhones – a prática teria permitido ao Facebook saber, por exemplo, que o WhatsApp tinha mais usuários do que o Messenger na época – o aplicativo de mensagens acabou sendo comprado em 2014 pelo FB.

Para o diretor do comitê da Câmara dos Comuns que publicou o conteúdo, Damian Collins, os e-mails “mostram evidências do Facebook assumindo uma postura agressiva contra os aplicativos, com a consequência de que negar a eles acesso aos dados levou ao fim deste negócio”.

No entanto, como o The Guardian destaca, não há indicações nas mensagens de que o Facebook tenha chegado a concretizar as propostas de cobrar por acesso aos dados dos usuários. 

Posição Facebook

Em um comunicado enviado ao jornal britânico, o diretor de plataformas e programas para desenvolvedores do Facebook, Konstantinos Papamiltiadis, diz que os documentos reunidos pela Six4Three representam “apenas parte da história” e “são apresentados de maneira que é bastante enganosa sem contexto adicional” – no entanto, a rede social se recusou a fornecer os conteúdos em seu contexto adicional, destaca a publicação.

via IDG Now!

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