Japão encerrará serviços de pager; confira breve história dos beepers

O ano é 2018. O foco da tecnologia é aperfeiçoar inteligência artificial e suas ramificações. E um dos hardwares mais aguardados para o ano seguinte é o smartphone dobrável – com rede 5G ainda por cima, se possível. E, em meio a todo esse ciclo, um dos pioneiros da comunicação e tecnologia está encerrando seus serviços no Japão: o pager.

Muitos certamente não devem se lembrar desses pequenos aparelhos porque já nasceram na época em que os smartphones tomavam o mercado – ou estavam começando a dominá-lo. Quando a era dos celulares movéis estava em voga, os serviços de comunicação via pager já enfrentavam seu declínio e o Japão foi um dos poucos lugares que resistiram em desistir. E isto está mudando nesta quinta-feira (6).

Acontece que a Tokyo Telemessage Inc., prestadora de serviços remanescente para pagers no Japão, está encerrando suporte aos pequenos dispositivos de comunicação. A companhia não pretende desligar o serviço abruptamente, porém, e está proporcionando um período de carência. Isso ajudará os últimos 1.500 usuários que ainda usufruem do serviço a se adaptarem a situação. Após setembro de 2019 não será mais possível usar pagers no país.

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Vale lembrar que muitos desses usuários incluem funcionários de hospitais, que ainda optam por usar pagers porque os dispositivos não emitem ondas eletromagnéticas. Outro subgrupo de usuários é o de pessoas com idade mais avançada e que provavelmente criarão alguma resistência até se desfazerem do serviço – 20% da população total do Japão tem mais de 65 anos.

Até mesmo em Vingadores: Guerra Infinita, vimos um pager sendo usado por Nick Fury. (Imagem: Marvel Studios)

A Tokyo Telemessage Inc. vinha fabricando pagers há quase duas décadas e, antes dela, as últimas fornecedoras de comunicação via pager, NTT Docomo e Okinawa Telemessage, desligaram os serviços em 2007 e 2017, respectivamente.

Era uma vez…

Imagine que antigamente, as pessoas apenas recebiam uma mensagem breve por texto e liam quando apitavam seus beepers – nome pelo qual o pager era chamado por conta dos sons que emitia. Não havia emoji, não havia sticker, não havia GIF. Era um texto simples e prático, sem muitos caracteres incrementados. E que no início nem era possível responder muito bem, pois exigia um certo conhecimento em taquigrafia para tal!

Isso porque o pager foi historicamente inventado em 1921, quando um Departamento de Polícia da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, usou um sistema muito semelhante. Então, em 1949, o primeiro pager foi patenteado e os dispositivos começaram a ser amplamente desenvolvidos entre 1950 e 1960 para serem usados por profissionais de segurança pública, tais como socorristas, policiais, bombeiros e médicos.

Os profissionais dessas áreas preferiam usar pagers devido à confiabilidade dos sistemas de comunicação que usavam sinal de rádio via satélite de alta frequência (VHF). Além disso pesavam pouco mais de 200 gramas e, portanto, eram facilmente carregados por aí – presos no cinto, dentro do bolso de uma camisa ou anexado à alça de uma bolsa.

Os pagers por texto permitiam códigos e sinais em tons diferentes para alertar os usuários sobre ações diferentes. (Imagem: It Still Works)

Só na década de 1980 é que os beepers foram se tornar realmente populares. E, assim como portar um iPhone X é símbolo de status hoje em dia, o mesmo aconteceu com os beepers há muitos anos.

Pioneiros dos smartphones

Existiram também diferentes tipos de pagers: unidirecionais, que se limitavam a apenas receber mensagens; e pagers bidirecionais (ou de resposta), cujo nome é autoexplicativo. Contudo, no início, como os primeiros modelos não possuíam transmissores, era difícil até compreender a intensidade do sinal dos beepers.

A Motorola teve um grande papel transformando o pager em um receptor de sinais codificados, mesmo o dispositivo não sendo capaz de armazenar mensagens ou tendo um alcance de comunicação limitado. Foi na década de 1960 que a companhia desenvolveu uma rede digital para permitir que os usuários de pager recebessem e enviassem sinais, os quais eram exibidos em um display alfanumérico.

Além disso, houveram os Handie-Talkies, semelhantes a rádio-comunicadores usados pelos profissionais de segurança pública e, alguns anos mais tarde, foram desenvolvidos também os Pageboys I e II, os primeiros pagers comerciais de sucesso da Motorola. E no início da década de 1980, o UK Post Office apresentou um protocolo de comunicação para os dispositivos portáteis, o qual ainda é usado hoje em dia: o POCSAG (Grupo Consultivo de Padronização de Código Postal).

Ainda antes dos pagers com mensagens digitais, alguns modelos ostentavam altofalante e receptor de áudio analógico – também conhecidos como Handie-Talkie (Imagem: Modern Mechanix)
Hoje em dia os profissionais de segurança pública ainda usam pagers com altofalantes e saída de áudio mais modernos e com maior alcance (Imagem: Times Herald) 

Com esse sistema, era possível fornecer dados em taxas que variavam entre 512 e 2400 bits (dígitos binários) por segundo, com suporte para até dois milhões de endereços (na época e em dispositivos exclusivos). Obviamente esse protocolo foi aprimorado ao longo dos anos, tanto pela União Europeia quanto pela própria Motorola, ampliando a taxação e a quantidade de endereços.

Em 1994, mais de 61 milhões de pessoas já tinham aderido aos pagers e, em 1996, a Skytel desenvolveu o primeiro pager que podia enviar e receber e-mails. Mais tarde, esse dispositivo evoluiu para o que hoje se conhece como BlackBerry.

Fonte: Ubergizmo, ThoughtCo., Explain That Stuff

via Canaltech

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