Tesla planeja lançar outro automóvel até 2020

Documentos internos da Tesla vazados nesta segunda-feira (3) indicam que a empresa estaria planejando lançar um novo modelo de veículo até 2020.

O veículo não seria uma produção totalmente nova, mas sim um automóvel baseado no Model 3 com algumas adições e mudanças, como um IP Riser, Console Riser e uma terceira fileira de bancos. Segundo informações levantadas pelo Business Insider, os documentos foram distribuídos entre os funcionários da Tesla antes da empresa revelar os resultados financeiros do terceiro trimestre, o primeiro lucrativo desde 2016.

Perguntada sobre a veracidade dos documentos, a Tesla se limitou a dizer que eles estão desatualizados e as janelas de conclusão dos planos de fabricação não coincidem com as que a empresa está seguindo no momento. A empresa também se reservou ao direito de não explicar quando que aquelas datas do documento foram estipuladas e nem se o objetivo de fabricar o Model Y até o fim de 2020 continuava em voga. Segundo um ex-funcionário da Tesla, os papéis foram distribuídos a todos os engenheiros da companhia para marcar o fim das atividades com o Model 3 e o início dos projetos para o Model Y.

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A ideia, segundo os documentos, é que a Tesla conseguisse aumentar sua capacidade de produção de 5.000 carros por semana para 7 mil até dezembro de 2020 na fábrica instalada no estado norte-americano de Nevada. Ainda, a meta para a fábrica da China, que ainda está em construção, é de 5.000 carros por semana até fevereiro de 2021.

De acordo com Rebecca Lindland, analista da empresa de avaliação automotiva Kelly Blue Book, os números mostrados do documento da empresa estão agressivos e otimistas demais. Ela destaca que a Tesla atingiu há apenas poucos meses a produção de 5.000 Model 3 por semana; por isso, acreditar que conseguirá produzir 7.000 Model Y até 2020 parece ser otimista demais em comparação com os resultados recentes da fábrica.

Não se sabe exatamente como a timeline do Model Y foi modificada, mas diversos especialistas da indústria automotiva acham que a Tesla havia se equivocado com os números do documento que foi revelado. De acordo com esses especialistas, o lançamento de um novo modelo de automóvel no mercado chega a demorar entre três e cinco anos, e a Tesla acreditava ser possível lançá-lo em apenas dois. Além disso, a fábrica da companhia na China ainda precisa ser construída, então é muito otimista achar que em apenas três anos ela já estará produzindo em escala praticamente igual à de Nevada.

Ainda que o novo automóvel seja apenas uma “versão atualizada” do Model 3, mudando a lataria e acrescentando uma nova fileira de bancos, os desafios encontrados pela Tesla para produzir o veículo em massa deverão ser grandes o suficiente para inutilizar a previsão inicial de dois anos para o lançamento.

Por exemplo, ainda que a empresa reaproveite as máquinas utilizadas na montagem do Model 3, ela ainda terá que repensar toda sua linha de produção para criar espaço para a montagem do Model Y. Além disso, há também o fator China: a Tesla ainda tem que erguer um prédio, enchê-lo de máquinas e ferramentas e contratar e treinar os funcionários que irão operá-las. Ela também terá que lidar com as diferenças culturais do país, onde a rotatividade de funcionários é muito maior, o que acaba afetando diretamente na produção.

E, de acordo com pessoas de dentro da empresa, o modelo de expansão da Tesla para a China parece fadado a complicar muito a vida da empresa. Um ex-engenheiro da empresa comentou que os planos de expansão da Tesla parecem os mesmos usados para a fábrica em Fremont, que segundo o CEO Elon Musk tinha um problema tão sério em sua produção que quase chegou a falir a empresa. O mesmo fator é citado por um funcionário da empresa que prefere permanecer anônimo. Ele afirma que parece que a empresa, ao invés de aprender com os erros do passado, está apenas os exportando para a China esperando que dê tudo certo.

A principal preocupação desses funcionários é os problemas que a replicação desse modelo de produção poderá causar na China, citando como exemplo a falta de espaço de buffer para os automóveis, o que significa que se ocorrer algum problema no final da montagem, a linha toda tem que parar porque não há espaço para ir acumulando os carros. E, de acordo com o ex-engenheiro da empresa, por tudo o que foi passado para eles esse era um problema que não seria corrigido na fábrica da China.

Fonte: Business Insider

via Canaltech

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