Oito aplicativos para Android são acusados de fraudar sistema de indicações

Oito aplicativos para Android estão sendo acusados de fraudar o sistema de indicações de app da Google Play Store. Desse grupo, sete pertencem à empresa chinesa Cheetah Master, que produz, entre outras aplicações, o popular Clean Master, que promete limpar arquivos temporários e realizar outras manutenções preventivas no smartphone. Ao todo, as soluções acumulam quase 2,5 bilhões de downloads e teriam desviado milhões de dólares em comissões.

Quem revelou o esquema foi a Kochava, que explicou como a tática funcionava e quais soluções faziam parte dela. Basicamente, os softwares pediam permissão do usuário para acessar a lista de aplicativos instalados. Uma vez autorizados, eles monitoravam o sistema por novos downloads que, quando detectados, geravam o envio de cliques falsos para sistemas de indicação, fazendo parecer que o usuário baixou seu novo app a partir de um link patrocinado, sujeito a comissão.

O esquema envolve o Kika Keyboard, de uma empresa de mesmo nome, e as soluções mais populares da Cheetah. São elas: Clean Master, Battery Doctor, Security Master, CM Launcher 3D, Cheetah Keyboard, CM Locker e CM File Manager; alguns, inclusive, com presença frequente na lista de melhores aplicativos de produtividade e segurança da Play Store. De acordo com a Kochava, outros softwares também foram identificados como praticantes da fraude, a ponto de a empresa de análise citar a atitude como comum no mercado chinês de apps.

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Dois oito apps identificados como participantes da fraude, sete são de uma mesma empresa, a Cheetah Master (Imagem: BuzzFeed News)

É uma prática chamada de “click flooding”, costumeiramente associada a cliques inválidos em anúncios publicitários, de forma a render dividendos para sites ou serviços fraudulentos. No caso do sistema de indicações, entretanto, a Kochava categorizou a atitude como “roubo”, uma vez que os aplicativos não apenas recebem créditos indevidos, como também impedem que a comissão seja paga a quem realmente é devido. Para a empresa de análise, o caso se torna ainda pior quando se percebe que duas empresas estão plenamente envolvidas na prática.

Em comunicado oficial, a Kika negou qualquer atividade fraudulenta, mesmo depois de receber da Kochava provas em vídeo de que sua aplicação estaria atuando no envio de cliques irregulares para sistemas de comissão. Mesmo assim, a empresa disse que vai investigar as alegações e sugere que a fraude estaria sendo realizada por códigos injetados por terceiros, ligados ou não à companhia, como forma de trazer os ganhos irregulares para si.

A Cheetah, entretanto, não foi tão extensa em sua resposta. Ao ser apresentada com as provas da fraude, a empresa apenas afirmou que seus aplicativos móveis não estão envolvidos em nenhuma atividade de cliques inválidos. Curto e grosso, sem mais detalhes ou palavras adicionais. A empresa revelou um faturamento de US$ 196 milhões oriundo de “produtos e serviços relacionados” no terceiro trimestre deste ano, um total que representa quase metade de seus ganhos totais. Por outro lado, ela, que tem capital aberto em seu país de origem, não revelou a parcela desse total que veio a partir de comissões e indicações.

Após a publicação da denúncia pelo site BuzzFeed News, entretanto, a Cheetah removeu os aplicativos CM Locker e Battery Doctor da loja de aplicativos para o Android, com o segundo já tendo sido relançado no momento em que esta reportagem é escrita. A Google, entretanto, não se pronunciou oficialmente sobre a fraude, mesmo quando informada sobre ela.

Mesmo assim, a gigante se viu obrigada a tomar atitudes quanto a um problema semelhante recentemente. Em outubro, veio a tona um esquema pelo qual aplicativos também populares realizavam um rastreamento dos hábitos online dos usuários para gerar cliques inválidos em anúncios. Ao todo, seriam mais de 120 softwares envolvidos e cerca de US$ 75 milhões anuais em ganhos sendo revertidos a quem não era devido. Neste caso, a Google removeu as aplicações da Play Store e impediu o lançamento de novos apps por seus desenvolvedores.

Fonte: BuzzFeed News

via Canaltech

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