Qual é a temperatura ideal dos componentes do PC?

Geralmente nos atentamos para a temperatura dos componentes da máquina até escutarmos o cooler trabalhando pesado. Isso significa que eles estão esquentando demais? Melhor ainda: o que significa “esquentar demais”? Não raro encontramos dois extremos de respostas. De um que não existe “quente demais” e do outro que a máquina deve funcionar como estivesse dentro de um iglu. Então qual é a resposta certa?

Refrigeração ativa: CPU e GPU

A verdade é que não existe uma temperatura ideal fixa para todos os componentes. Nem mesmo para um componente específico (como CPU, GPU, HD), já que varia de modelo, segmento e geração. Cada um deles tem uma temperatura ideal de trabalho. O mesmo acontece com motores de carro: 90º C pode ser realmente quente, mas é o recomendado para certos carros. Em alguns casos passa tranquilamente dos 100º C.

Cada processador tem uma temperatura máxima de segurança, mas raramente a alcançam.

Vamos pegar um Intel Core i7-8750H, modelo hexa-core de oitava geração. Segundo a própria Intel, ele pode trabalhar no máximo a 100º C. Mesmo que ele trabalhe “quente” (digamos, uns 80º C), ainda está dentro de uma boa margem de segurança, ainda que seja interessante investigar uma maneira de manter a temperatura em um patamar (bem) menor. Ou seja, limpar o cooler, trocar a pasta térmica ou mesmo investir em um modelo mais sofisticado.

O mesmo vale para a GPU, ainda que geralmente a preocupação aqui seja menor. Isso acontece pois os fabricantes já trazem um sistema de refrigeração superior (na maioria dos casos). Raros são os casos em que uma placa de vídeo superaquece. E quando isso acontece ou é um problema de refrigeração do gabinete, que não conta com um bom fluxo de ar, ou a GPU já tem alguns anos sem manutenção. Manutenção, aliás, praticamente obrigatória em modelos de alto desempenho voltados para jogos ou aplicações pesadas em geral.

Alguns pecam pelo excesso, superestimando o sistema de refrigeração mesmo para configurações "frias".

Voltando à introdução: o cooler “no talo” é um problema? Pode ser que sim, mas também pode ser algo previsto no projeto original da máquina. Se você está jogando um título pesado, é natural que isso exija mais da máquina. Agora, caso a máquina trabalhe “quente” em tarefas comuns, temos um bom indicativo de que há um problema. De qualquer forma, se você possui um PC “comum”, com cooler box e assim por diante, é uma boa investir em um cooler menor, além de um sistema de refrigeração mais possante se a máquina for voltada para jogos.

Refrigeração passiva: HD, RAM, etc.

Até agora vimos componentes que contam com refrigeração ativa. Não é o caso de discos rígidos, memória RAM e até mesmo da placa-mãe. Vamos pular a fonte pois ela tem um sistema ativo, mas fica (relativamente) isolada do resto da máquina. Dizemos que contam com refrigeração passiva pois não contam com um cooler ativo, ainda que alguns deles contem com dissipador (memórias RAM de alto desempenho, por exemplo). Isso não significa que não esquentam, ou que não precisam de cuidado.

O grande “perigo” aqui é que esses componentes podem sofrer com o calor de outros (leia-se: CPU e GPU). Um gabinete bem arejado garante um bom funcionamento desses componentes, que funcionam com suas temperaturas ideais. Fora que não chegam a gerar calor o suficiente para influenciar na temperatura do resto, mas estamos pensando em “casos normais de uso”.

Acima, o Duron, que rendeu a gama de CPUs que esquentam por um bom tempo para a AMD.

Por exemplo, se você usa a máquina ligada para compartilhar arquivos, é interessante pensar em uma forma de manter o HD (ou os HDs), mais frescos. É um caso semelhante ao que acontece com a CPU que dissemos acima: se ele será utilizado com mais intensidade, o ideal é pensar em um sistema melhor para esse determinado componente.

Conclusão: nem vulcão, nem iceberg

Atualmente, até mesmo alguns coolers inclusos com o processador são perfeitamente capazes de garantir seu bom funcionamento. É o caso, por exemplo, dos modelos mais recentes da AMD. Isso significa que não há motivo para a preocupação? Não. É importante estar atento à temperatura e ao comportamento da máquina em geral. Programas como o CPUtemp, um dos mais conhecidos, ajudam nessa tarefa. No caso das GPUs, não é incomum que a própria fabricante ofereça um software de monitoramento.

Dito isso, cada componente tem sua temperatura ideal de trabalho, o que naturalmente varia de acordo com a demanda. Dizer que um processador está trabalhando quente com 40º C é pecar pelo excesso, assim como não se preocupar quando a máquina está excessivamente quente na hora de jogar é obviamente um descuido. É uma questão de observar o comportamento do PC em diversas situações, monitorando como ele se comporta (o programa OCCT é excelente para isso).

via Canaltech

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