Pesquisador que modificou genes de bebês suspende testes após polêmicas

O nascimento de dois bebês geneticamente modificados, na última segunda-feira (26), já começa a criar polêmica na comunidade científica. He Jiankui, responsável pela pesquisa, editou embriões soropositivos para terem resistência ao vírus HIV. Ainda, outro pesquisador chamado Michel Deem, da Universidade de Rice, está sendo investigado nos Estados Unidos por conta de sua possível participação na pesquisa. Por conta de polêmicas, o chinês informou que vai fazer uma “pausa” nos experimentos.

Jiankui revelou que dois bebês nascidos no dia 26 na China, chamados Nana e Lulu, haviam sido modificadas geneticamente usando uma técnica chamada CRISPR/Cas9. Nela, cientistas seriam capazes de editar partes do DNA com uma técnica chamada de “tesouras moleculares”.

Tal procedimento ainda precisa ser revisado pela comunidade científica. Contudo, se for verdade, levanta um dilema ético sobre reprogramação genética e eugenia. Mesmo sob polêmica, Jiankui já informou que há mais bebês “editados” que devem vir ao mundo, participantes da mesma pesquisa.

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Jiankui apresentou seus feitos em uma conferência internacional chamada Human Genome Editing, em Hong Kong, nesta quarta-feira (28). Ele pediu desculpas pela forma como a informação foi passada e disse que pretende pausar os experimentos por conta da repercussão negativa da comunidade.

A pesquisa

O grupo do pesquisador, na Universidade Sulista de Ciência e Tecnologia de Shenzhen, alterou um gene chamado CCR5, o qual é atacado pelo vírus HIV, responsável pela AIDS. A ideia é que este gene seja capaz de suportar tais ataques e crie imunidade contra a doença nestes bebês.

Segundo Jiankui, ao menos oito famílias trabalharam com ele em prol da pesquisa, sendo que uma desistiu do processo. Os casais teriam concordado com a modificação genética, pois apesar de as mães serem soronegativas, todos os pais são positivos, o que aumenta a probabilidade de o bebê também contrair a doença (atualmente, há técnicas que permitem a inseminação segura). A alteração genética tem como objetivo exatamente evitar que os bebês contraiam o HIV.

Segundo o pesquisador, uma das gestantes, inclusive, deve dar à luz em breve. Por questões de segurança, ele diz que mantém os nomes do bebês e de seus pais em sigilo, para evitar investigações e perseguição.

EUA

Além da polêmica em torno de novos bebês modificados, a Universidade de Rice abriu um processo de investigação de um de seus pesquisadores. A suspeita é de que Michel Deem tenha colaborado com a pesquisa chinesa. Ele foi citado em reportagens sobre o assunto e já publicou ao menos três trabalhos em parceira com Jiankui. Ainda, ele chegou a ser orientador do pesquisador chinês por três anos e meio.

A Universidade de Rice divulgou nota em que informa não saber que a pesquisa estava sendo feita no país. “Esta pesquisa levantava questões científicas, jurídicas e éticas problemáticas. Nós iniciamos uma investigação completa sobre o envolvimento do Dr. Deem nesta pesquisa”, disse o time de mídia da Universidade à CNN.

Junto disso, a instituição também acredita que nenhum procedimento tenha sido feito nos Estados Unidos. “Independente de onde tenha sido feito, este trabalho descrito pela imprensa viola protocolos de conduta científicos e é inconsistente com normas éticas da comunidade científica e da Universidade de Rice”, informou a instituição.

À Associated Press, Deem informou que estava com os casais na China, na época da pesquisa, e que tem certeza que todos consentiram com a pesquisa, sabendo dos riscos éticos consequentes. Contudo, ele nega uma participação profunda no trabalho, alegando que era apenas um conselheiro científico em duas das companhias de Jiankui.

Deem foi contratado pela Universidade de Rice para desenvolver trabalhos relacionados a modificações genéticas do vírus da gripe. Em 2007, Jiankui se tornou seu orientador na graduação.

Fonte: BGR, CNN, G1

via Canaltech

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