Entenda o caso da Faraday Future, startup concorrente da Tesla que está falindo

Inovar não é fácil. Mas para a startup estadunidense Faraday Future os caminhos sempre estiveram cheios de obstáculos. Quando ela surgiu como possível concorrente da Tesla, em vias de apresentar seu veículo conceito na CES de janeiro de 2016, seu arquiteto chefe de baterias, Porter Harris, ex-SpaceX, deixou a empresa e se juntou à Lotus. Já naquela época, a FF tinha como um de seus principais investidores o bilionário Jia Yueting.

Entretanto, em abril de 2016, a FF investiu US$ 1 bilhão para abrir sua primeira fábrica de carros elétricos em Las Vegas, nos EUA. Na CES 2017, ela apresentou o FF 91, um SUV que era apontado pela empresa como “um verdadeiro carro conectado”, contendo 35 sensores e radares, já pensado para evoluir para direção autônoma num futuro não muito distante.

De promissora a devedora

Tudo ia bem, quando naquele mesmo mês de janeiro de 2017 fontes anônimas revelaram ao Business Insider que os números de reserva da Faraday Future não refletiam a realidade interna da empresa: enquanto a companhia afirmava ter recebido 64.100 reservas do utilitário anunciado, fontes desmentiram dizendo que apenas 60 unidades do FF 91 haviam sido encomendadas, com depósitos de US$ 5 mil, cada. Além disso, a apresentação na CES 2017 sequer havia sido paga pela empresa, o que incluía a pendência de US$ 1,82 milhão à empresa Mill Group, que realizou os efeitos especiais da exposição e recorreu à Justiça para cobrar a Faraday Future.

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Após perder o executivo Stefan Krause, em outubro, as coisas foram se enrolando cada vez mais e, em novembro de 2017, um relatório da Bloomberg revelou que se a empresa não conseguisse investimentos na ordem dos US$ 500 milhões, ficaria em débito com seus investidores chineses. Os valores devidos eram referentes a contas não pagas e ações judiciais de seus fornecedores. Com ausência de investimentos, a FF arquivou o projeto de abrir sua fábrica em Las Vegas. O seu principal patrocinador, o bilionário chinês Jia Yueting, teve suas contas congeladas pela Justiça por não conseguir arcar com o pagamento de empréstimos.

Um longo silêncio se seguiu, mas, no final de julho de 2018, a Faraday Future informou que os planos para tornar o FF 91 realidade estavam de pé e prometeu que o primeiro lote do SUV seria feito ainda neste ano. Um protótipo foi construído e as primeiras unidades foram anunciadas para dezembro, sendo produzidas em uma antiga fábrica da Pirelli, próxima de Los Angeles, sede da montadora.

Entretanto, na quinta-feira da semana passada (1º), vieram más notícias: dois executivos deixaram a empresa e problemas financeiros forçaram que todos os funcionários da FF que entraram após maio de 2018 tirassem licenças não remuneradas até o final do ano, dando a entender que os FF 91 não ficariam prontos em dezembro, conforme previsão anterior. O futuro dos empregados após o período é incerto e eles receberão apenas o seguro de saúde, sem salários.

À beira da insolvência, a empresa devia US$ 59 milhões a seus fornecedores no início de outubro, mas possuía apenas US$ 18 milhões em caixa, o suficiente apenas para pagar salários reduzidos aos trabalhadores afastados. Se antes a prioridade era fabricar seus FF 91, agora a tentativa é não falir e tentar prestar algum auxílio às centenas de funcionários que estão a ver navios.

Investidores traiçoeiros

Segundo matéria do The Verge, o Evergrande Group, a segunda maior promotora imobiliária da China, ofereceu um investimento de US$ 2 bilhões à Faraday Future no final de 2017, liberando US$ 800 milhões inicialmente, em julho, e agendando parcelas de US$ 600 milhões para 2019 e 2020. Entretanto, a FF precisou pedir um adiantamento de US$ 700 milhões, que seriam distribuídos em parcelas menores pela Evergrande até o final de 2018.

A parceria virou objeto de ação judicial quando a Evergrande renegou o acordo e os advogados da Faraday Future reivindicaram sua parte numa arbitragem de emergência em Hong Kong, onde o grupo investidor está listado.

A defesa da FF alegou, em uma petição contra a Evergrande no Tribunal do Distrito Central da Califórnia nesta quinta-feira (8), que os investidores estão propositadamente forçando a empresa à falência, o que permitiria que a gigante imobiliária assumisse os controles dos ativos e das propriedades intelectuais da FF, além de desobrigar o pagamento dos US$ 1,2 bilhão restantes do acordo.

O caso ainda está em andamento e o Tribunal californiano permitiu que a Faraday Future procurasse novos investimentos na ordem dos US$ 500 milhões para salvar seu pescoço enquanto o processo é julgado. O árbitro da ação também declarou que a FF “tem uma possibilidade razoável de sucesso” no caso.

Fonte: The Verge

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via Canaltech

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