Agora você pode ler, de graça, as primeiras HQs publicadas no Brasil

Talvez você já tenha se perguntado: como que uma expressão tão complexa e comprida como “his-tó-ria-em-qua-dri-nhos” ganhou um apelido tão simples e simpático como “gibi”?

A resposta não é das mais obvias, principalmente porque o passado das HQs nacionais não é dos mais conhecidos. Acontece que a solução está no mesmo motivo pelo qual chamamos as “hastes flexíveis de algodão” simplesmente de “cotonete”, ou porque compramos giletes – independente da marca, o produto em si já ganhou o nome de um líder de mercado.

Pois Giby não era uma marca e, sim, um personagem pioneiro entre as tirinhas brasileiras. Ele ficou tão popular que virou sinônimo de quadrinhos. Na boca (e na letra) do povo, abrasileirou o Y que encerrava seu nome, e perdeu a letra maiúscula de nome próprio. Virou o nosso gibi.

O personagem, que se consagrou como o primeiro negro protagonista de um gibi brasileiro (foi lançado em 1907, apenas 19 anos após a abolição), não está sozinho no hall dos esquecidos da história quadrinhística brasileira. São dezenas de nomes que abriram as portas do nosso país à cultura de quadrinhos – mas que você jamais ouviu falar, a menos que tenha se dedicado a estudar o assunto, jamais ouviu falar. Agora, isso pode mudar: uma nova ação está tentando ajudar a popularizar esses nomes na atualidade.

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Desde 2002 o Senado digitaliza e disponibiliza quadrinhos clássicos, como os do Giby. Só que o site governamental não é dos mais atraentes, muito menos intuitivo. Por consequência, boa parte do público alvo que poderia amar os quadrinhos acaba nem sabendo que eles existem.

A nova tentativa de reverter esse cenário vai distribuir essas produções nacionais – de maneira gratuita – em canais mais populares e procurados pelos amantes de HQ.  Um dos parceiros do Senado é a Social Comics, um serviço de assinatura online de quadrinhos (mais ou menos como uma Netflix das HQs), para a disponibilização das obras entre seus 100 mil leitores.

Existem raridades históricas entre as peças que estão sendo compartilhadas. Memórias d’O Tico-Tico, por exemplo, traz narrativas centenárias, criadas de 1905. Há também uma versão ilustrada em 1937 de O Guarani, aquele mesmo clássico de José de Alencar.

A grande jóia da coroa, no entanto, talvez seja Nhô-Quim: de 1869, é a primeira HQ brasileira – e uma das mais velhas já catalogadas ao redor do globo: são diversas tiras acompanhando a saga de um caipira encarando a vida na cidade grande.

As obras serão disponibilizadas mesmo para quem não assina o serviço, e poderão ser lidas em computadores, tablets ou celulares. A ideia é que cada vez mais pessoas conheçam o Giby, através dos gibis.

via Superinteressante

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