Quem foi Sardar Patel, o homenageado da maior estátua do mundo

A Índia inaugurou na última semana a maior estátua do mundo. Com 182 m de altura, a chamada “Estátua da Unidade” supera com folga construções famosas como a de Buda do Templo da Primavera, na China (153 m), a Estátua da Liberdade (93 m) e o Cristo Redentor (38 m).

Ela foi construída na região de Gujarate, um dos 28 estados do país, e foi idealizada pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi em 2010. Na época, Modi era o governador de Gujarate e queria homenagear uma das figuras mais importantes da Índia – e que havia vivido ali.

Um tuíte de Narendra Modi, primeiro-ministro indiano, anunciando a inauguração da estátua, no dia 31 de outubro

A história de Partel

A figura da gigantesca estátua, para cuja construção foram necessários mais de 3 mil trabalhadores, representa Vallabhbhai Patel, mais conhecido como Sardar Patel (na Índia, “sardar” é um título dado a líderes reconhecidos pelo povo). Nascido em 1875, ele desempenhou um papel importante no processo de independência da Índia.

Vale a contextualização: Até o final da Segunda Guerra Mundial, a Índia era formada por uma porção de principados, possuía um governo descentralizado e era comandada pelo Império Britânico, que colonizou o país durante a sua expansão imperialista dos séculos 18 e 19.

Patel trabalhou como advogado até o o começo dos anos 20. Inspirado pelas ideias de ‘Mahatma’ Gandhi, o famoso líder indiano que pregava a independência do país e a resistência aos ingleses por meio da não-violência, ele decidiu entrar para a política.

Nos anos seguintes, Patel ficou notório por defender os interesses dos agricultores e demais trabalhadores de Gujarate contra os abusos do governo. Em 1928, por exemplo, ele liderou uma resistência aos aumentos de impostos, recebendo, após o episódio, o título de “sardar”.

(Hulton-Deutsch Collection/Wikimedia Commons)

O homem de ferro

Patel exerceu papel essencial no processo de independência da Índia. Apesar da parceria com Gandhi, isso não impediu que os dois discordassem em algumas das pautas em discussão na época. Gandhi, por exemplo, considerava essencial para a independência que o conflito religioso entre hindus e muçulmanos – um problema antigo no país e que persiste até os dias de hoje, ainda que em menor escala – fosse resolvido; Patel, não.

Mesmo com as divergências, Patel continuou com o seu trabalho em prol do país. Ele ficou conhecido por sua ação a favor da unificação dos principados que havia por lá, o que não foi fácil (envolveu convencer cada um deles a apoiar a independência e explicar que, ao mesmo tempo, estariam se submetendo a uma administração central).

Patel morreu em 1950. Antes disso, ainda atuou como vice primeiro-ministro no primeiro governo após a independência. Pelo seu trabalho, ele recebeu a alcunha de “o homem de ferro”. Não à toa, o governo de Gujarate, que financiou a obra, fez questão que a base da estátua fosse construída com 129 toneladas do metal.

Campeã temporária

Ao todo, a estátua custou 30,5 bilhões de rúpias, cerca de US$ 1,5 bilhão de reais. Em meio a sua grandiosidade, a construção foi criticada por moradores locais, que dizem que todo esse dinheiro poderia ter sido revertido em obras para a população.

Reclamações à parte, é melhor que a Estátua da Unidade aproveite bem o posto de maior estátua do mundo, pois outro monumento da própria Índia irá roubar esse título: com previsão para ser inaugurada em 2021, na cidade de Mumbai, a estátua em homenagem ao rei guerreiro Maratha Shivaji terá 190 m – oito a mais que a de Patel.

 

via Superinteressante

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