Vítima de abuso acusa ex-marido de usar smart devices para assediá-la

O pressuposto da tecnologia é justamente o de automatizar certos aspectos da nossa vida, tornando-a não só mais fácil, mas também mais segura. Entretanto, quando ela cai nas mãos de pessoas mal-intencionadas, tudo isso é jogado pela janela. Segundo o relato de uma mulher à imprensa canadense, o seu ex-marido constantemente a assediava e perseguia por meio de dispositivos inteligentes instalados na residência do casal.

Ferial Nijem conta que, depois de mudar-se para uma casa hiperconectada, ela passou a ser vítima do que ela chama de “abuso tecnológico”. De acordo com ela, no começo do relacionamento o ex-companheiro não apenas se limitava a “ver como as coisas estão” com uma mensagem de texto. “Ele me ligava no Facetime e me dizia que queria ‘dar um oi’ com a pessoa que estivesse comigo” — naturalmente, ela estava sem ninguém.

Ferial Nijem: ela conta como o ex-esposo usava de tecnologias smart home para perseguir e assediá-la incessantemente (Foto: Makda Ghebreslassie/CBC)

Foi a partir disso que a situação tornou-se um caso evidente de perseguição e assédio, usando a tecnologia como um meio. A antiga casa de Ferial contava com um sistema instalado de controle de luzes, aquecimento, persianas e janelas, sistemas de som e câmeras de segurança que podiam ser controlados por meio de apps no smartphone.

“É tudo muito conveniente”, conta Ferial. “Você tem total controle sobre a sua casa. Mas à medida que a minha experiência com uma casa conectada virou algo negativo, passei a perceber os perigos e implicações que esse tipo de tecnologia pode trazer. No meio da noite, por vezes, eu acordava, meus cães acordavam, por causa de uma música gritante no sistema de áudio da casa. As luzes piscavam, ligando e desligando, a mesma coisa com as TVs”, ela conta.

"É quase como se a casa fosse assombrada. Isso só era feito com o intuito de traumatizar, causar medo, ansiedade”. Ferial conta que ela própria não tinha poder de parar com esse mau uso da tecnologia, já que foi seu ex quem configurou todo o sistema e ela não conseguia sobrepor-se ao controle dele. “Desligar o sistema significava desligar a casa toda, o que acabaria me afetando também”.

O relato de Ferial Nijem foi parte de uma reportagem especial de um veículo canadense de notícias sobre os potenciais riscos humanos oriundos da tecnologia inteligente.

via Canaltech

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