Facebook reconhece responsabilidade sobre o genocídio de Rohingyas em Myanmar

O Facebook divulgou sua autoavaliação sobre o papel que a rede social vem desempenhando no genocídio da população rohingya, em Mianmar, em uma postagem no blog da empresa, publicada nesta terça-feira (6) e escrito pelo gerente de política de produtos do Facebook, Alex Warofka. Os atos de ódio começaram a tomar os holofotes globais em agosto de 2017.

Na longa análise, Warofka explica que foi encomendada uma avaliação externa, feita pela ONG Business for Social Responsability (BSR), do impacto dos serviços disponibilizados pela rede social nos Direitos Humanos em Mianmar. Segundo o relatório, no ano passado, a rede social poderia ter agido com mais responsabilidade ao atuar contra o uso da plataforma para o fomento de discursos de ódio contra minorias, como as Nações Unidas vinham denunciando desde março de 2018.

Entretanto, após Zuckerberg abrir diálogo direto com ativistas da região e prometer investir melhor nas equipes de monitoramento das postagens, chegando a contratar quase 100 nativos falantes do idioma local para melhorar o diálogo e a análise das postagens, o relatório da BSR confirma que a empresa está no rumo certo para se responsabilizar de forma adequada frente à ameaça. "No terceiro trimestre de 2018, vimos melhora contínua: agimos em cima de aproximadamente 64 mil peças de conteúdo no Myanmar que violavam nossas políticas de discurso de ódio, das quais identificamos proativamente 63% — em comparação com 13% no último trimestre de 2017 e 52% no segundo trimestre deste ano", detalha Warofka.

A avaliação faz ainda um aprofundamento nas tensões socias que envolvem o caso de Mianmar e defende que o Facebook, sozinho, não seria capaz de deter as opressões enfrentadas pelas minorias antropológicas no país. Com diversas recomendações de abordagens visando a melhoria das ações contra discursos de ódio na rede social, a BSR indicou que as equipes construam estruturas de monitoramento e prestação de contas existentes, aprimorem a aplicação de políticas de conteúdo, aumentem a abertura para diálogo com as partes interessadas localmente e defendam a reforma regulatória e sua implementação no futuro, informando que a empresa já fez progresso em diversas destas áreas.

Após um relatório da ONU apontar, em agosto, o envolvimento da rede social no massacre contra os rohingyas, o Facebook baniu contas de diversos líderes militares das Forças Armadas de Mianmar, incluindo organizações civis, religiosas e até mesmo Min Aung Hlaing, general do país.

Por mais que o Facebook esteja no rumo certo, segundo a análise da BSR, as ações de proteção não chegaram rápido o suficiente para os mais de 700 mil rohingyas que a UNICEF estima que tiveram que fugir da opressão em Mianmar até abril de 2018, ou mesmo para os mais de 25 mil indivíduos que a ONU estima que tenham sido mortos no massacre.

via Canaltech

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *