Após escândalos, organização africana contra pirataria vai fechar as portas

A Federação Sul-Africana contra o Roubo de Copyright (SAFACT, na sigla em inglês) anunciou que está fechando as portas por falta de financiamento. A organização, principal do continente e uma das maiores do mundo no combate à pirataria, estava em funcionamento há quase 20 anos e, agora, alega a saída de diversos de seus investidores como motivo para encerrar suas atividades. Essa fuga, segundo informações não confirmadas oficialmente, entretanto, estaria relacionada a escândalos de corrupção e assédio sexual.

De acordo com as informações da imprensa local, no início do ano um dos cabeças da instituição foi acusado formalmente de assediar duas funcionárias do gênero feminino. O caso chegou a ser registrado em vias legais, mas foi resolvido fora dos tribunais com a marcação de uma audiência disciplinar, na qual o executivo e as vítimas deveriam depor.

O acusado, entretanto, não apenas se recusou a participar do procedimento como abdicou de seu cargo na SAFACT. Com isso, a instituição considerou o caso encerrado, uma vez que as leis da África do Sul não exigem ações contra ex-funcionários. O fim da questão, entretanto, desagradou aos colaboradores da organização, com muitos expressando seu descontentamento e também pedindo demissão em resposta à situação.

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Enquanto isso, denúncias de que uma grande quantia de dinheiro teria desaparecido das contas da organização também pipocaram internamente. O sumiço foi confirmado à imprensa local por fontes ligadas à SAFACT, mas a quantia desviada não foi revelada. Os valores eram parte de aportes financeiros de estúdios de cinema e gravadoras para levar adiante as atividades do grupo.

Além disso, documentos oficiais apontariam problemas na atuação da instituição, que iriam desde irregularidades no tratamento de quantias e equipamentos apreendidos até registros fiscais desatualizados. Membros da diretoria que há anos não fazem mais parte da SAFACT ainda estariam listados como tal junto ao governo, enquanto o atual cabeça da organização, Yusuf Abramjee, não apareceria entre os responsáveis por ela.

Sejam quais forem as razões, a informação oficial é de que a maioria dos principais investidores da SAFACT teriam abandonado a organização e, sendo assim, ela teria permanecido “dormente” ao longo dos últimos meses, sem realizar investigações ou ações diretas. A notícia do fechamento, então, veio na última semana, com todos os funcionários e diretores da instituição formalmente dispensados.

Aos colaboradores, entretanto, esse informe foi dado no dia 12 de outubro, em caráter imediato e com a promessa de uma semana de pagamento extra a cada ano de trabalho na organização. Mais tarde, entretanto, as cartas de dispensa afirmavam que esse montante somente seria pago se houvessem fundos disponíveis no caixa da instituição, com o fechamento dos escritórios ocorrendo no dia 23.

As informações da imprensa local, ainda, indicam a saída de três dos maiores colaboradores da SAFACT: a Disney, a MPA, que representa os interesses da indústria de cinema, e a Multichoice, que faz o mesmo pelas empresas de TV por assinatura. Outros integrantes, afirmam a instituição, já teriam anunciado sua intenção de deixar o grupo, o que impossibilita a continuidade dos trabalhos.

Entre as principais vitórias da organização está um dos primeiros casos antipirataria da história da África do Sul, quando um homem de 29 anos foi sentenciado pelo upload de Quatro Cantos, uma das principais produções cinematográficas recentes do país, no The Pirate Bay. A pena original, de três anos de prisão e multa, foi convertida em cinco anos de liberdade condicional após acordo entre as partes, no que foi considerado pela SAFACT como um aviso para aqueles que trabalham em prol da quebra de direitos autorais.

Fonte: MyBroadband, Torrent Freak

via Canaltech

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