Paraplégicos podem voltar a andar recebendo estímulos elétricos, diz estudo

Uma nova descoberta da ciência está fazendo algo digno de milagres: um novo implante espinhal está ajudando paraplégicos a voltarem a andar. A nova técnica foi criada por uma equipe de médicos e pesquisadores da Suíça, liderados pela neurocientista Grégoire Courtine, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, e pela neurocirurgiã Jocelyne Bloch, do Hospital universitário da cidade. A técnica consiste em implantar eletrodos na medula espinhal lombar dos pacientes, estimulando o local com impulsos elétricos.

Essa é a primeira experiência da equipe com humanos, que já obteve sucesso nos testes com ratos, em 2014, e com macacos, em 2016. Participaram da experiência três pacientes de diferentes faixas etárias: David Mzee, de 28 anos; Ger-Jan Oskam, de 35 anos; e Sebastian Tobler, de 47 anos — todos vítimas de acidentes que os fizeram perder o controle total dos membros inferiores.

Apesar de não ser a primeira equipe a apresentar sucesso nessa empreitada (outros dois grupos dos Estados Unidos já apresentaram estudos semelhantes em setembro), a técnica utilizada pela equipe suíça não é a mesma dos estudos estadunidenses. Enquanto a equipe científica da América utiliza a estimulação contínua da medula espinhal, a equipe europeia usa sensores nos pés dos pacientes, que avisam quando o usuário está tentando se mexer para que os implantes enviem os pulsos elétricos que irão facilitar o movimento.

Composição fotográfica mostra os primeiros passos de David Mzee, paraplégico desde 2010 (Imagem: EPFL)

De acordo com o neuro-engenheiro Eduardo Martín Moraud, que fez parte da equipe suíça durante os testes em ratos e macacos, a vantagem dessa técnica de enviar os pulsos elétricos somente quando necessário facilita a reativação das conexões nervosas que permanecem na medula espinhal lesionada, permitindo que, com o tempo, os pacientes recuperem em maior ou menor grau o controle voluntário dos membros, mesmo sem a utilização do implante.

Os resultados da pesquisa foram publicados na quarta-feira (31) nas revistas Nature e Nature Neuroscience, e revelam que os pacientes do estudo não só conseguiram andar novamente com a ajuda de um andador, como após cinco meses de tratamento os três recuperaram parte do controle voluntário dos membros paralisados, conseguindo mexê-los mesmo com o implante desligado.

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores alertam que ainda é cedo para saber se o tratamento realmente é efetivo, pois não se sabe ainda como os pacientes irão lidar com um ambiente fora do laboratório e nem se os pulsos elétricos na medula terão algum efeito colateral no longo prazo. Bloch lembra que o que a pesquisa revela não é um tratamento definitivo para lesões na medula espinhal, mas uma prova do conceito de que as lesões no local não são uma barreira intransponível da medicina, e que é possível reativar as terminações nervosas tidas como mortas após intensas sessões de exercício e reabilitação com estimulação elétrica.

via Canaltech

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