Missão Dawn, que estudou o asteroide Ceres, é oficialmente encerrada pela NASA

Lançada em 2007, a sonda Dawn, da NASA, recebeu a missão de estudar a órbita ao redor do asteroide Ceres (também chamado de planeta-anão segundo as atuais definições da União Astronômica Internacional). O mundo fica no Cinturão de Asteroides entre Marte e Júpiter, sendo o maior objeto da região e, portanto, digno de um estudo de pertinho. Desde então, a Dawn vinha desvendando mistérios de Ceres e também de Vesta — o segundo maior da região.

Agora, onze anos depois, a missão Dawn está oficialmente encerrada pela agência espacial dos EUA, já que os propulsores da nave “se secaram”, fazendo com que a Dawn não consiga mais controlar sua orientação. Ainda, sua antena se afastou da direção que aponta para a Terra, com a comunicação entre a sonda e a NASA morrendo para sempre.

A Dawn forneceu dados e fotografias de Ceres, mostrando sua superfície coberta por crateras e também identificando pontos brilhantes no asteroide, que são, na verdade, formações compostas por materiais reflexivos. O fim da Dawn, na verdade, já era esperado: a agência achava que a nave teria uma vida útil até 2016, mas ela acabou sobrevivendo por mais dois anos do que o imaginado inicialmente.

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E por que estudar asteroides como Ceres? Nas palavras de Carol Raymond, principal investigadora da missão, esses objetos “são cápsulas do tempo desde o início do Sistema Solar” e, portanto, estudá-los com afinco significa aprender ainda mais sobre como nosso quintal espacial se formou.

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E, para celebrar o sucesso da missão Dawn, seguem abaixo algumas de suas principais descobertas:

Os brilhos de Ceres

Menor do que a maioria das grandes luas do Sistema Solar, Ceres é o maior objeto do Cinturão. Descoberto em 1801 pelo astrônomo italiano Giuseppe Piazzi, o asteroide que foi elevado à categoria de planeta-anão em 2006 continuou sendo observado desde então, com as tecnologias mais recentes permitindo a identificação de cerca de 300 pontos brilhantes em sua superfície.

Muito se especulava sobre do que se tratariam esses brilhos, e a Dawn conseguiu a resposta oficial: o material branco reflexivo não era nem neve nem gelo, mas sim um tipo de sal chamado carbonato de sódio. Aqui na Terra, esse sal é usado principalmente na produção de vidro e também em sabões e detergentes a partir de processos químicos — e o carbonato de sódio em estado natural não é algo comum de se encontrar no Sistema Solar, aparecendo em alguns pontos de Encélado, lua de Saturno que abriga um oceano subterrâneo.

Alguns dos pontos brilhantes de Ceres, na cratera de Occator (Foto: NASA)

Já em Ceres, parece que reservatórios de salmoura (remanescentes de um oceano subterrâneo) ocasionalmente chegaram à superfície, criando então os tais pontos brilhantes. Isso significa que Ceres, ainda que pequenino, é geologicamente ativo e expele gelo em vez de lava (processo chamado de criovulcanismo). E os pontos brilhosos ficam quase sempre em crateras, ou pertinho delas, indicando que impactos de meteoros criaram esses depósitos, seja trazendo material de debaixo da superfície, ou quebrando a crosta externa do asteroide.

Em Ceres, a Dawn descobriu que uma cratera chamada Occator é a maior e mais brilhantes de todas. Ali, acredita-se que exista uma cúpula central chamada Cerealia Facula, formada por lava congelada que se espalhou por fraturas do solo, possivelmente empurradas pelos gases na salmoura.

Montanha em Ceres

A Dawn também descobriu a existência de uma montanha enorme perto do Equador de Ceres, que foi chamada de Ahuna Mons — e é a única montanha do planeta-anão. Cientistas acreditam que ela surgiu como resultado de um tipo incomum de vulcanismo envolvendo água salgada e lama — um material grosso derretido seria espremido como uma pasta de dente, sem uma erupção explosiva, criando a montanha.

A montanha vulcânica Ahuna Mons (Imagem: NASA)

O vulcão, contudo, não é mais ativo nos dias de hoje. Talvez tenha levado algumas centenas de milhões de anos para que a montanha vulcânica se formasse, segundo os cientistas da missão Dawn.

Atmosfera bastante fina

A gravidade de Ceres é fraca demais para manter uma atmosfera de respeito, mas em 2014 a ESA (agência espacial europeia) detectou vapor de água ao redor do planeta-anão, com essa fina atmosfera sendo, então, confirmada pela Dawn.

A atmosfera, na verdade, é transitória, gerada por partículas de alta energia batendo em moléculas de água de sua superfície, chutando-as, então, para cima.

A animação mostra que as zonas azuladas da atmosfera indicam maiores concentrações de hdrogênio, enquanto nos polos há menos quantidade (Imagem: NASA)

Conhecendo Vesta

Pouco antes de orbitar Ceres, a Dawn fez uma visita ao asteróide Vesta, entre os anos de 2011 e 2013. Com essa visita, os astrônomos conseguiram informações preciosas adicionais sobre como objetos do Sistema Solar se formam.

Além de ser menor do que Ceres, Vesta é “seca” e tem muitas crateras, com uma superfície que lembra bastante a da nossa Lua — enquanto Ceres é repleto de água congelada. Os cientistas planetários acreditam que os dois mundos sejam tão diferentes porque Ceres se formou muito mais longe no Sistema Solar, sendo depois empurrado para o Cinturão. Já Vesta, por sua vez, provavelmente se formou por ali mesmo. Ainda, a Dawn descobriu que certos meteoritos encontrados na Terra se originaram justamente no Vesta.

Foto do Vesta registrada pela Dawn (Foto: NASA)

O que acontece agora com a espaçonave?

Para evitar o transporte de eventuais micróbios, contaminando outros mundos, a NASA costuma destruir sondas na atmosfera ou superfície de mundos que visita. Foi o caso da Cassini, que “mergulhou” na atmosfera de Saturno no ano passado com o fim da missão, sendo totalmente destruída sem representar riscos ao planeta.

Já no caso da Dawn, como sua atmosfera é fina demais para uma destruição do tipo, ela foi enviada em uma órbita elíptica ao redor do planeta-anão, e vai continuar nesse movimento por pelo menos 20 anos, descendo pouco a pouco em direção à superfície até que, finalmente, deverá colidir com a superfície de Ceres. Isso, claro, não é suficiente para que todos os microorganismos que vieram da Terra com a nave morram, mas os especialistas da NASA acreditam que 20 anos sejam suficientes para que a agência tenha mais conhecimento sobre como esses microorganismos sobrevivem no espaço, estudando, também, se Ceres algum dia já teve condições favoráveis à vida antes que a Dawn caia e, potencialmente, contamine seu solo.

Fonte: NASA, NY Times

via Canaltech

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