WH-1000XM3 | Testamos todo o poder de fogo do fone Noise Cancelling da Sony

Em meio a tanto clima pesado nas redes sociais e nas ruas, de vez em quando a vontade que bate é de se isolar um pouco do mundo e buscar refúgio em algo realmente intimista, individualista, que te faça esquecer do mundo lá fora. E nada melhor para o momento (para bons apreciadores de música, claro) que um fone de ouvido capaz de te fazer submergir dentro das batidas do seu estilo musical preferido. Nessa toada, a Sony lançou seu mais novo representante da linha wireless com um (spoiler alert!) senhor isolamento de ruído — o WH-1000XM3 —, e a gente passou uns dias com ele para ver se ele é tão monstrão quanto a empresa garante ser.

Primeiramente, vamos falar um pouco sobre as características do fone (que vamos chamar só de XM3, já que é o terceiro representante na linha de sucessão da família WH-1000). Ele é um fone over-ear, sem fio (mas com entrada P2 caso o usuário opte por plugá-lo em algum equipamento ou smartphone) e com tecnologia noise-cancelling (cancelamento de ruído), que deixa ouvinte totalmente imerso em sua atmosfera musical. Para quem ainda não conhece, a linha deixou muita gente bem satisfeita com o nível de isolamento após a chegada do XM2 — e o XM3 parece ser um diamante ainda mais lapidado nesse sentido.

 

Design & Ergonomia

Leve, bonitão, com botões discretos e comandos touch, o XM3 é o modelo aprimorado de seus irmãos mais velhos. Aliás, quem já conhece o XM2 vai perceber poucas diferenças à primeira vista em relação ao modelo atual. O que a Sony fez, aqui, a priori, foram melhorias no design e na ergonomia do fone, e caprichou ainda mais na tecnologia e no poder de fogo do gadget.

Eis o gigante da Sony na cor Platinum Silver (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Sem muitas mudanças incrementais em termos de visual, o XM3 chega em duas cores: "Black" e "Platinum Silver". Com corpo robusto de plástico e almofadas em material que imita couro, muito macio e bastante confortável, arco com centro reforçado com esse mesmo material para evitar desconforto durante o uso por períodos mais longos, botões discretos e tecnologia touch, o XM3 tem um acabamento bacana, é bem elegante e confortável de usar. O fone é todo articulado e vem com uma bolsa da mesma cor para transporte, como você verá mais abaixo neste review.

A concha esquerda conta com uma entrada P2, botão liga-desliga e botão NC/AMBIENT (que ativa ou desativa o cancelamento de ruído ambiente), e a direita tem o fundo sensível ao toque para funções de volume, play, pause e skip (há um certo lag nas funcionalidades, aqui). Uma coisa bem bacana e que chama a atenção logo de cara é que o XM3 tem conexão USB-C para recarregar sua bateria. E aliás, que bateria! A Sony promete entregar até 30 horas de música com uma única carga — o suficiente para você passar o dia todo usando o fone. E, com 10 minutos na tomada, você tem um quick charge que te presenteia com autonomia para cinco horas curtindo seu som numa boa.

Concha direita do XM3: toda a sua superfície é sensível ao toque para alterar volume, reproduzir, pausar e pular músicas (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Em termos de ergonomia, fizemos vários testes com o XM3, incluindo passar horas trabalhando com ele na cabeça, usar o fone para pegar no sono à noite, em locais fechados, abertos, públicos e privados. Também usamos o brinquedinho com e sem o cabo P2 (nesse caso, por razões óbvias, o app não controla o fone). E a boa notícia aqui é que o design e a leveza do fone garantem longos períodos de uso sem cansar nem escorregar da cabeça enquanto andamos ou nos mexemos muito. Grande parte do arco fica em contato com a cabeça sem apertar (o que não incomoda nem impede o usuário de curtir suas músicas usando óculos) e as almofadas das conchas também não dão aquele desespero de tirar o fone após meia ou uma hora de uso. Aliás, o conforto para as orelhas deste modelo merece grande destaque, tanto em diâmetro quanto em profundidade. As almofadas retêm um pouco de suor durante dias quentes, mas nada que atrapalhe a experiência de passar horas isolado do universo.

Noise Cancelling

Antes de nos aprofundarmos em questões de áudio, é importante falar da tecnologia Noise Cancelling, afinal, ela é a grande cereja do bolo. A Sony usa o novo chip QN1 e um sistema inteligente para cancelar o máximo possível de ruído externo e proporcionar ao ouvinte uma experiência totalmente imersiva. Para isso, a chamada tecnologia ANC (Active Noise Cancelling) capta ruídos externos e, a partir daí, filtra e elimina as interferências. É ideal, por exemplo, para uso em ambientes barulhentos como eventos, cabine de avião, clubes ou até mesmo no banco do passageiro do carro durante uma viagem. Ou quiçá para evitar conversa chata na sala de espera do médico — o perigo é não ouvir chamarem seu nome quando chegar sua vez. Mas tudo é regulável pelo app, inclusive o paciente não corre esse risco se ativar o modo espera com pouco isolamento.

Detalhe para a concha esquerda: conexão P2 e botões liga/desliga e NC/AMBIENT (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Os fones trabalham com otimização da pressão atmosférica para entregar o melhor em termos de som para o usuário. Isso significa que, sim: os fones vão mudar o modo como tocam a música para você em cada ambiente que você estiver. Inclusive, isso funciona se você estiver quietinho em casa curtindo seu álbum favorito no Spotify e, de repente, uma galera espalhafatosa resolver entrar de surpresa na sua sala fazendo barulho. Cada alteração no ambiente é percebida e o áudio é otimizado, como se a experiência de música fosse personalizada para você. O fone se encarrega de te avisar disso, fazendo um sinal sonoro (que corta a música e pode te irritar, se a função estiver ligada).

A Sony disponibiliza um app para uso com os fones que têm essa tecnologia, permitindo que o usuário configure vários aspectos. É por ele que o fone vai avaliar as condições do ambiente (Adaptive Sound Control) para personalizar tudo ali, na hora, a depender da situação. Ele mede sua condição de uso, mede a pressão atmosférica, analisa o resultado (provavelmente combinando os dois fatores) e deixa o fone pronto para você, onde você estiver. Ou seja, calibrar o fone na praia dará um trabalho diferente ao app caso você deseje calibrá-lo dentro do avião ou no metrô, por exemplo. Ao usuário, por outro lado, o trabalho é tão "árduo" quanto esperar alguns três a cinco segundos após escolher uma opção entre Aguardando, Andando, Correndo e Transporte (e ainda determinar a intensidade de cancelamento de ruído). Em nossos testes, foi só caminhar no shopping para que o fone entendesse que estávamos em um ambiente público e definisse um bloqueio de ruído menos intenso, ainda assim, permitindo que a música tocasse tranquilamente.

Adaptive Sound Control — tudo é regulável pelo app

Tudo isso faz um baita sentido: o XM3 é um dos melhores (senão o melhor) fone com isolamento de ruído externo que já experimentamos. A tecnologia empregada nesse modelo é tão incrível que é um perigo usar o fone em casa se você estiver sozinho e tiver um bebê para cuidar (como é o caso desta que vos escreve e que deixou o bebê sob os cuidados de terceiros, só por precaução) — a menos que você "tape" a concha direita com a mão para atenuar um pouco o volume e sair da sua bolha auditiva, você não vai conseguir ouvir o choro da criança no quarto ao lado. E antes que passe batido: sim, tapar a concha direita é um gesto que aciona justamente essa função, como explica o manual do XM3.

Alto e bom som

Já ouvimos de tudo um pouco nesse fone (resguardadas as devidas variações no espectro que vai do jazz, passa pelo rhythm & blues e desemboca no bom e velho rock n’ roll) e as primeiras impressões realmente ficaram. Agudos claros, graves profundos e médios intensos e brilhantes. Um fone sem fio e tanto.

De modo geral, as frequências agudas e médio-agudas são bem definidas e quase não se embolam. A Sony consegue entregar níveis bacaníssimos de frequências altas com seu XM3 em flat. Guitarras, chimbais, percussões, pianos, vozes, teclados e demais instrumentos e efeitos dessa faixa (6.3k~16k) ficam "cada um no seu quadrado" e o resultado é extremamente agradável, aqui.

Mais que os graves, os médios é que nos chamaram mais a atenção pela transparência no XM3. O som é limpo, bem definido e trata a frequência como se deve: sem perdas, nem ganhos. O médio do XM3 é médio e ponto. Caixas, metais, vocais, órgãos, bases… tudo em seu respectivo lugar, sem atropelar a "frequência vizinha", por assim dizer. Ouvir um solo de sax alto ou tenor nesse fone é um deleite altamente recomendável. Você vai perceber isso claramente ao mexer na frequência pelo equalizador gráfico.

Agora, uma leve polêmica: graves. Para um fone dessa categoria, esperávamos um pouquinho mais de definição e precisão na resposta quando o assunto é frequências baixas. Nada que tire o mérito do fone como um todo, claro, mas em certas ocasiões sentimos uma certa confusão nos baixos e bumbos, o que chegou a vibrar as conchas em volume não tão alto assim. Um exemplo? A versão remasterizada da música Death on Two Legs, do álbum A Night at the Opera, do Queen — uma surra progressiva de instrumentos e vocais que te joga contra a parede antes mesmo de chegar na metade.

A parte bacana é que tudo é perfeitamente personalizável, graças ao app Headphones, que a Sony inclusive recomenda logo que você conecta o HX3 com o dispositivo móvel via Bluetooth. O aplicativo te deixa editar um leque de opções (e teríamos que escrever um novo artigo só para ele, portanto nem vamos nos aprofundar muito para não perder o foco). Resumidamente, aqui a gente pode controlar o som ambiente manual ou automaticamente, otimizar o sistema de cancelamento de ruídos (kudos para a Sony!), a posição do som, o nível de surround, o equalizador, a qualidade do som (estável ou com prioridade), o modo DSEE HX e o desligamento automático.

É tanto parâmetro que quase esquecemos de mencionar que o XM3 também pode ser usado em chamadas telefônicas e faz isso muito bem. Ele vem com microfones de qualidade e te deixa concentrar bem direitinho na sua call com o Noise Cancelling ligado.

XM3 + apetrechos em sua simpática (e prática) case para transporte (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Handsfree e comando de voz

O XM3 também foi criado pensando no usuário mobile não só como ouvinte de música digital, como também nas chamadas de voz do dia a dia. Basta pressionar o botão Noise Cancelling para conseguir eliminar ruídos e ter total qualidade nas suas chamadas, mesmo se você estiver dentro de um shopping. E dar um duplo toque na concha direita para atender ligações.

Se você quiser, ainda pode integrar o fone com o Google Assistente para comandos simples, como pedir para ligar para um amigo enquanto você está usando o fone e iniciar a ligação ali mesmo.

EQ gráfico e o misterioso DSEE XH

O equalizador que a Sony traz junto com o fone vem, claro, no app dedicado. São cinco bandas (400 Hz a 16 kHz), mais opções presetadas de Brilho, Animado, Suave, Relaxado, Vocal, Aumento do agudo, Aumento do baixo, Discurso, Manual e dois tipos personalizados para você salvar — além, claro, do desligado (flat). Em todas as opções, é possível ativar a opção Clear Bass para se ter um grave menos (-10) ou mais (+10) proeminente e, em certos casos, até mais percussivo, com mais ataque, por vezes sufocando o vocal e/ou os demais instrumentos. Usar o Clear Bass no máximo deixa o termo "Clear" meio perdido, é um pancadão que somente os loucos por graves bufantes vão apreciar. E eles bufam mesmo: não deu para aguentar nem 10 segundos de Lazarus, do David Bowie, com o Clear Bass no máximo. Talvez seja legal para reanimar gravações lo-fi.

Equalizador gráfico, controle de graves e função DSEE HX

Uma ressalva: alterar o Clear Bass deixa a equalização em modo manual, automaticamente.

A Sony também oferece uma opção chamada DSEE HX no seu app e que muda sutilmente as nuances da música quanto ligada (Auto) ou desligada (Off). Essa função usa uma engenharia incremental que tenta entregar as ondas sonoras tão próximas das originais quanto possível, dando uma abertura de palco ainda maior à que o XM3 já possui naturalmente. Afinal, hoje em dia, o mundo é digital e a perda de qualidade no som captado originalmente é inevitável, devido à compressão de dados. Trocando em miúdos, a opção, quando ligada, aumenta a fidelidade do áudio e isso fica claro quando você ouve uma música, para, liga a opção e torna a ouvi-la.

Surround + controle de posição de som

Já pensou em apreciar um concerto de uma consagrada filarmônica na primeira fileira do teatro? Se a experiência ainda não rolou para você, o XM3 pode simular com maestria como a ambiência seria — nesse e em vários outros casos.

Pelo app, você pode controlar dois parâmetros interessantíssimos do fone: a posição do som e o surround. Nossos primeiros testes foram com o clássico O Messias, de Handel. O 42º movimento, eternamente popularizado como Aleluia, ganhou um realismo incrível quando o surround foi colocado em "Sala de concertos" e a posição à frente do ouvinte. E assim você pode pirar em vários sentidos, ouvindo com simulações diferentes de posição no palco, o que gera uma ambiência interessantíssima.

Dá para simular altas situações interessantes ao combinar as diversas opções do app

Casando bem o surround (tem opções desde desligado a Arena, Discoteca e Sala de Concertos, por exemplo) com a posição de som, você consegue escutar parâmetros e detalhes de gravação imperceptíveis por fones médios ou até mesmo premium existentes atualmente no mercado.

Preço e data de lançamento

Lá fora, o gigante da Sony já é vendido por um valor de US$ 350. Aqui no Brasil, o fone desembarca em 5 de novembro, mas a companhia ainda não revelou o valor oficial. O que sabemos, segundo a assessoria de imprensa da Sony, é que o XM3 vai ter preço "similar ao dos Estados Unidos, ou, como referência, muito próximo ao valor atual do WH-1000XM2 no Brasil" — que ultrapassa os R$ 2 mil. O XM3 poderá ser adquirido diretamente no site oficial da Sony a partir desta segunda-feira.

Specs

Tamanho do driver
40 mm, tipo dome (bobina de voz CCAW)
DSEE HX
Sim
Entrada
Minitomada estéreo
Resposta de frequência
4 Hz-40.000 Hz
Resposta de frequência via Bluetooth
20 Hz – 20.000 Hz (amostragem de 44,1 kHz)/20 Hz – 40.000 Hz (amostragem LDAC 96 kHz, 990 kbps)
Resposta de frequência (operação ativa)
4 Hz-40.000 Hz
Operação passiva
Sim
NFC
Sim
Comprimento do cabo
Cabo de headphone (aprox. 1,2 m, fios OFC, miniplug estéreo banhado a ouro)

Veredicto

Com toda sinceridade: nota 9,7 para o fone da Sony. Ele é impecável no isolamento de ruído, o melhor que já experimentamos até aqui. O app vem com um arsenal de opções para você usar no fone com ou sem fio, a fidelidade e a clareza no áudio são impressionantes, inclusive para um fone sem fio.

A Sony acertou a mão ao criar um fone com portabilidade, que te livra de fios e tem um palco generosíssimo. As texturas das vozes e de todos os instrumentos ouvidos no XM3 são precisas, e as músicas mais enérgicas não se destacam, acusticamente falando, em relação às mais suaves. A dinâmica do fone é excelente, sem perdas substanciais nas frequências: você ouve detalhes de pressão da mão do baixista sobre as cordas com clareza e até falhas discretas de gravação, por exemplo. Dinâmico e versátil, aliás — principalmente quando usamos o fio para obter ainda mais qualidade sonora e tirar o máximo do fone.

Mas, como nada é perfeito, os graves poderiam ser um pouquiiinho mais precisos (ou menos intensos, mesmo com a possibilidade de controle no app). Para todos os efeitos, usamos o equalizador e ficou tudo certo.

Também não gostamos muito dessa função touch na concha direita: é por vezes confusa e tem um pouco de lag. Várias vezes, na intenção de pular de música, pausamos a reproduçãoe ficamos frustrados. Na nossa opinião, é só perfumaria, mesmo.

No fim das contas, WH-1000XM3 é o melhor fone da categoria que já testamos até agora.

via Canaltech

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